Home / Romance / LUXO PROIBIDO / 📍Capítulo 7 – O Primeiro Toque

Share

📍Capítulo 7 – O Primeiro Toque

Author: Rose
last update publish date: 2025-06-13 06:34:24

Peguei.

Abri.

Notas de 500 euros.

Dezenas.

Centenas.

Indecente.

Sujo.

Delicioso.

âž»

— VocĂȘ sempre paga antes? — arqueei uma sobrancelha, mas era mais autoproteção do que deboche.

Ele sorriu.

Sorriso torto.

De quem jĂĄ sabe que venceu.

De quem nĂŁo j**a pra ganhar.

J**a pra destruir e depois escolher se quer reconstruir
 ou não.

— **Não.

Eu pago pra nĂŁo deixar dĂșvidas.

Se vocĂȘ ficar
 vocĂȘ sabe o valor.

Se quiser sair
 leva o dinheiro.

Mas leva junto a vergonha de nĂŁo ter aguentado o jogo.

âž»

Fechei o envelope.

Joguei na mesa.

Claro como fogo:

NĂŁo tĂŽ aqui pelo dinheiro.

E agora
 ele sabe disso.

âž»

Dante se move.

TrĂȘs passos.

Cada um mais letal que o anterior.

Parou tão perto


que o calor do corpo dele fez meu ventre se contrair.

Mas ele nĂŁo me tocou.

Nem precisava.

Dante toca com presença.

Com olhar.

Com energia.

âž»

— VocĂȘ tĂĄ com medo? — perguntou.

Baixo.

Sabe aquele tipo de voz que nĂŁo soa no ouvido?

Ela b**e no osso.

No pulmĂŁo.

No meio da alma.

— Não. — menti.

Ele inclinou o queixo.

Levantou dois dedos.

Ergueu meu queixo com a delicadeza que se pega um cĂĄlice de cristal.

NĂŁo pra admirar.

Pra decidir se bebe


ou se quebra.

âž»

— VocĂȘ Ă© linda, Valentina. — ele disse.

— Eu sei. — respondi, firme.

Ele sorriu, lento, perigoso.

— **Mas beleza sem verdade
 Ă© sĂł enfeite caro.

E eu nĂŁo pago por enfeite.

Pago por controle.

âž»

Ele soltou meu queixo.

Deu um passo pra trĂĄs.

Cruzou os braços.

Sentou na poltrona.

Perna cruzada.

Postura impecĂĄvel.

Postura de quem nĂŁo discute.

Postura de quem ordena.

E soltou:

— Agora
 ajoelhe-se.

âž»

O sangue?

Primeiro gelou.

Depois ferveu.

Depois
 virou gasolina.

— VocĂȘ me paga pra te obedecer? — rebati.

Ele nĂŁo piscou.

Só inclinou levemente a cabeça.

Sorriso que parecia um crime disfarçado de charme.

— **Não.

Eu pago
 pra vocĂȘ se lembrar que aqui


quem manda sou eu.

âž»

Ajoelhei.

**Mas nĂŁo como quem se rende.

Como quem entende


que às vezes quem se abaixa


Ă© quem tĂĄ prestes a virar o jogo.

Me sentei sobre os calcanhares.

Cabeça erguida.

Sem vacilar.

Sem desviar.

A camisola de seda grudou no corpo.

A fenda aberta, deixando a coxa quase inteira Ă  mostra.

**E ele olhou.

NĂŁo com tesĂŁo vulgar.

Com cĂĄlculo.

Com aquela fome que nĂŁo quer sĂł carne.

Quer alma.

Quer rendição.

Quer pedaços que nem eu sabia que tinha.

âž»

— VocĂȘ se vende como um segredo caro. — ele disse.

— Mas, por trás dessa pose


tem uma mulher apavorada com a ideia de ser tocada
 sem ser paga.

— E vocĂȘ acha que Ă© diferente? — rebati.

Ele riu.

Seco.

Sujo.

Perigoso.

— **Não.

**Eu sou pior.

Porque eu nĂŁo quero comprar seu corpo.

**Quero comprar sua verdade.

E vou arrancar ela de vocĂȘ


nem que isso custe tudo.

âž»

Ele estendeu a mĂŁo.

Mas nĂŁo pra tocar minha pele.

Segurou meu pulso.

Firme.

Certeiro.

Sem força.

Sem violĂȘncia.

Apenas pra deixar claro


E disse.

Quase num sussurro que parecia uma sentença:

— **O que me excita em vocĂȘ


nĂŁo Ă© teu corpo.

É ver vocĂȘ tentando fingir


que ele ainda Ă© seu.

E se alguém olhasse de fora
 podia até achar que era só um toque.

Mas nĂŁo era.

Era um aviso.

Era um lacre.

Era uma coleira invisĂ­vel sendo fechada.

âž»

— Levanta. — A voz dele soou como uma ordem que meu corpo atendeu antes da mente processar.

Eu me ergui.

NĂŁo porque quis.

NĂŁo porque aceitei.

Mas porque negar
 parecia idiota.

E parecia inĂștil.

Dante se levantou também.

E era surreal como, mesmo sem estar encostando, o corpo dele parecia ocupar mais espaço do que qualquer parede ali dentro.

Ele circulou.

Deu a volta em mim
 como quem avalia uma joia roubada.

Ou uma arma carregada.

O cheiro dele — quase inexistente, quase proibido — grudou na minha garganta.

Notas de madeira escura, couro e
 perigo.

âž»

Ele parou nas minhas costas.

Tão perto


que se eu respirasse mais fundo, o ar dele entrava no meu corpo antes do oxigĂȘnio.

A mĂŁo dele nĂŁo tocou minha pele.

Mas puxou devagar a alça da camisola.

Deslizou só até fazer o tecido cair de um lado, expondo metade do meu ombro, da clavícula
 e da minha sanidade.

— Sabe o que mais me irrita em vocĂȘ? — a voz dele desceu grave, direto no meu ouvido.

NĂŁo respondi.

Nem consegui.

— VocĂȘ anda pelo mundo como se ninguĂ©m fosse capaz de te parar.

Como se ninguém tivesse o direito de te segurar.

De te fazer ceder.

De te dobrar.

A mĂŁo dele subiu.

Ponta dos dedos quase, quase tocando


Mas nĂŁo tocou.

Ele riu, baixo, sujo.

— **E o problema, ruiva
 Ă© que vocĂȘ tĂĄ certa.

Ninguém pode.

Ninguém


Menos eu.

âž»

Virei o rosto.

Queria enfrentar.

Queria soltar alguma daquelas respostas afiadas que eu dominava melhor que qualquer idioma.

Mas nĂŁo saiu.

Porque, quando olhei pra ele


eu vi.

O perigo real.

A fome real.

O tipo de desejo que nĂŁo se mede em gemidos.

Se mede em rendição.

âž»

Ele segurou meu queixo.

NĂŁo com violĂȘncia.

Mas com domĂ­nio.

A ponta do polegar deslizou no meu lĂĄbio inferior, pressionando devagar.

Como quem testa se o objeto Ă© tĂŁo macio quanto parece.

— VocĂȘ acha que tĂĄ no controle, Valentina
 porque aprendeu a fingir melhor que qualquer um.

Mas comigo
 não existe mentira que se sustente.

âž»

Ele soltou meu rosto.

Deu dois passos pra trĂĄs.

E, com aquele tom que nĂŁo permite discussĂŁo:

— Deita.

De costas.

Agora.

O corpo respondeu antes da lĂłgica gritar que nĂŁo.

Subi na cama.

O tecido gelado dos lençóis encontrou minha pele quente como se fosse parte do castigo.

Deitei.

De costas.

Pernas semiabertas.

Braços ao lado do corpo.

Coração fora de ritmo.

Alma fora de controle.

Desejo
 fora de qualquer contrato que eu já assinei na vida.

âž»

Ele veio.

Devagar.

Predador que saboreia antes de morder.

Se ajoelhou na ponta da cama.

Me olhou como quem lĂȘ um mapa do tesouro.

E disse, arrastando cada sĂ­laba como quem esculpe desejo na pele:

— **VocĂȘ nĂŁo entendeu ainda, nĂ©?

Eu nĂŁo te trouxe aqui pra foder seu corpo.

Eu te trouxe
 pra foder sua cabeça.

Pra arrancar de vocĂȘ a Ășnica coisa que vocĂȘ nunca deu pra homem nenhum.

Sua rendição.

Sua verdade.

Seu controle.

E, inclinando sobre mim, boca a milĂ­metros da minha:

— **E, meu amor


VocĂȘ vai gozar tanto
 que vai implorar pra nunca mais fingir.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • LUXO PROIBIDOÂ Â Â đŸ„€ CapĂ­tulo 96— Quarto Fechado, Verdades Abertas

    Zurique.Casa Moreau.02h03.A sala se esvaziou.Mireille, Leon, Victor
 cada um sumiu nos corredores silenciosos.SĂł o fogo na lareira ainda estalava, queimando o ar frio que vinha de fora.Dante subiu as escadas com Valentina colada na mĂŁo dele.Sem palavras.Sem promessas.SĂł aquele silĂȘncio que jĂĄ dizia tudo: ninguĂ©m ousa tocar o que Ă© dele.O quarto de Dante parecia menos um quarto e mais um cofre de segredos.Vidro duplo.Cortinas pesadas.Uma cama king-size com lençóis pretos tĂŁo alinhados que pareciam uma pista de crime esperando cena.Ele soltou a mĂŁo dela, tirou o blazer, largou na poltrona.Caminhou atĂ© o frigobar, pegou uma garrafa de ĂĄgua, abriu — mas nĂŁo bebeu.Virou, encostou na beirada da cĂŽmoda.Olhou pra ela.Valentina ficou parada, ainda vestindo o blazer dele por cima da roupa que Victor escolheu horas antes.Descalça.Cabelo solto, caindo nos ombros.Olhos fixos.Coração tĂŁo barulhento que parecia querer arrombar a caixa torĂĄcica.— Fala. — ela soltou, quebrando o

  • LUXO PROIBIDOÂ Â Â đŸ„€ CapĂ­tulo 95— ConfissĂŁo de Um Fantasma

    Zurique.Casa Moreau.00h47.A lareira ardia na sala.Victor de roupĂŁo, sentado com Mireille — que fingia que nĂŁo estava fungando entre um gole de chĂĄ e outro.Leon, encostado na porta, braços cruzados, mas com o maxilar menos travado do que de costume.Valentina, de pĂ©, perto da janela, mordendo a ponta do dedo, ainda segurando o rastro salgado que Dante trouxe na pele.No centro, Dante Moreau.De pĂ©.Camisa rasgada, corpo com arranhĂ”es ainda Ășmidos de ĂĄgua salgada.Olhar aceso, mas longe.Como se ainda estivesse lĂĄ fora, entre as ondas.Ele respirou fundo.Girou o anel no dedo.Olhou pra cada um.E soltou, voz baixa, firme, do jeito que quem manda confessa — mas nĂŁo se desculpa.— O helicĂłptero nĂŁo caiu por acidente.SilĂȘncio.SĂł o estalar da lenha queimando.Leon franziu a testa.Victor ergueu as sobrancelhas, jĂĄ segurando um pacote de bolacha — nervoso.Dante continuou:— AlguĂ©m do meu cĂ­rculo plantou um dispositivo no rotor de cauda. Um hack simples.Disfarçado de falha mecĂąnica.

  • LUXO PROIBIDOÂ Â Â đŸ„€ CapĂ­tulo 94— A Volta do Rei

    Zurique.Casa Moreau.23h59.A mansĂŁo inteira estava em modo de guerra.Mapas abertos na sala de estar. Mireille disparando ordens. Victor — de roupĂŁo, mĂĄscara facial e um copo de gin — roendo as unhas como se fosse cigarro.Leon digitava cĂłdigos.Sophie, de fone, falava com equipes de busca.O noticiĂĄrio, na TV, repetia a mesma manchete em looping:“HelicĂłptero do magnata francĂȘs Dante Moreau desaparece no Canal da Mancha. Nenhum corpo encontrado.”Valentina estava ali.Em pĂ©.Braços cruzados.Cabelo bagunçado.Olhos vermelhos de quem nĂŁo dorme hĂĄ dias — e nĂŁo sonha mais hĂĄ sĂ©culos.Victor largou o copo.Aproximou devagar.Segurou a mĂŁo dela.— Ruiva
 ele era o Dante. NĂŁo era um figurante de novela da Record. Se alguĂ©m sabe dar perdido na morte
 Ă© ele.Ela nĂŁo respondeu.Olhou pro vidro da janela.LĂĄ fora, a noite parecia debochar.No colo, o teste de gravidez ainda fechado.Um lembrete silencioso de que, mesmo quando tudo para, o destino ainda ri na sua cara.âž»Leon desligou o telef

  • LUXO PROIBIDO   CAPÍTULO 93 - Pistas

    Zurique. Cobertura Moreau. 07h15.O cĂ©u tĂĄ cinza. A televisĂŁo ligada mostra o mesmo looping: “HelicĂłptero de empresĂĄrio bilionĂĄrio cai no mar. Buscas seguem sem sobreviventes.”Victor tĂĄ de roupĂŁo. Taça de champanhe na mĂŁo, cara amassada. Mireille passa por trĂĄs, ajeita as cortinas sem dizer uma palavra.No sofĂĄ, Valentina. Pernas cruzadas. A mĂŁo esquerda sobre a barriga, como se quisesse segurar o que resta de estabilidade dentro dela.Os olhos nĂŁo piscam. TĂĄ tudo parado — menos a mente dela.No canto, Leon. Braços cruzados. Fala baixa, cortante.— Eles querem que vocĂȘ acredite que ele se foi. Mas Dante Moreau nĂŁo cai. Nem quando o mundo tenta.Victor engole o champanhe num gole sĂł.— Amor, se esse homem realmente morreu, eu vou abrir um OnlyFans pra pagar nossas contas. E ainda boto teu nome artĂ­stico de Madame ViĂșva Ruiva. — Ele solta, tentando arrancar um sorriso dela. Nada.Valentina aperta o controle da TV atĂ© quase quebrar.— Cala a boca, Vic.Ele suspira, senta do lado dela, s

  • LUXO PROIBIDO   CapĂ­tulo 92 — O Fantasma na Porta

    Zurique.MansĂŁo Moreau.Madrugada, 03h02.Chuva escorrendo pelas vidraças, pingando como se marcasse o tempo que nĂŁo passa.Na sala:Victor de roupĂŁo de seda, taça de vinho que jĂĄ virou ĂĄgua parada.Mireille folheando relatĂłrios, tablet em cima do colo, Ăłculos na ponta do nariz.Valentina, sentada no braço do sofĂĄ, pernas cruzadas, olhar perdido na tela da TV.Na TV:“HelicĂłptero de bilionĂĄrio francĂȘs continua desaparecido. Autoridades suíças e francesas divergem sobre buscas. Sem vestĂ­gios, sem corpos.”Victor suspira, fala mais pra si mesmo:— Se esse homem aparecer, eu caso na igreja. E de vĂ©u.Valentina nĂŁo ri.NĂŁo rebate.A mĂŁo aperta o braço do sofĂĄ — mas o rosto segue imĂłvel, bonito, impenetrĂĄvel.Mireille ergue os olhos do tablet, solta seco:— Nenhum sinal. E nĂŁo hĂĄ resgate que funcione se nĂŁo houver pista.âž»LĂĄ fora
FarĂłis cruzam a entrada.Motor de carro cortado no meio da madrugada.Victor ergue uma sobrancelha:— Isso nĂŁo Ă© delivery, nĂ©?Mireille levanta da poltrona, aje

  • LUXO PROIBIDO   CapĂ­tulo 91 — O Fantasma B**e na Por

    Zurique.MansĂŁo Moreau.Sala de estar.Chuva batendo na vidraça como se quisesse entrar.Victor de um lado, Mireille de outro, Valentina sentada com a cabeça apoiada na mĂŁo.TV ligada — som mudo, legenda gritando a mesma manchete que nĂŁo morre: “BilionĂĄrio francĂȘs desaparecido — buscas entram na segunda semana.”Do lado de fora, um carro preto para devagar.Nenhuma sirene. Nenhuma buzina.Motor desliga — o ronco abafado some na noite cinza.âž»Valentina respira fundo, olhos baixos.Victor passa a mĂŁo nos ombros dela, mas nĂŁo fala.Mireille olha pro tablet, mastigando nĂșmeros, possibilidades, pistas que nĂŁo existem.De repente
TrĂȘs batidas secas na porta principal.A governanta ergue o olhar. Victor trava no meio do sofĂĄ. Valentina se endireita, respiração prendendo na garganta.— Espera
 — diz Victor, levantando o indicador. — NinguĂ©m toca essa campainha sem avisar, muito menos nessa hora.SilĂȘncio.Mireille olha pra Valentina, tensa:— TĂĄ esperando alguĂ©m?Valentina balança a cabeça,

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status