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Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário
Leilão da Inocência: A Virgem Vendida Para o Bilionário
Penulis: Annanda

Capítulo 1 - Lote 27 : Preço de Sangue

Penulis: Annanda
last update Terakhir Diperbarui: 2025-12-11 20:20:29

Elena Rossi

No salão principal, onde lustres  derramavam ouro falso sobre a pele de quem passava, eu observava outras mulheres sendo exibidas como quadros. Números, não nomes. Mãos levantadas, cifras subindo. Tudo parecia distante, como se eu assistisse de fora do meu próprio corpo, presa em uma vitrine de carne e silêncio.

Chamaram meu número.

— Lote vinte e sete.

Subi no palco. A luz me atingiu de frente, ofuscando minha visão por um segundo. Depois, firmei o olhar e ergui o queixo, procurando  um ponto fixo para não vacilar e encontrei ele.

Na primeira fila, um  homem que parecia comandar o ambiente sem precisar mover um músculo. Usava um terno preto impecável, um olhar frio, concentrado. O tipo de presença que altera o ar, que faz o mundo ao redor se calar. Os olhos dele, de um cinza cortante, encontraram os meus e o tempo parou.

Senti o corpo fraquejar.

Já tinha ouvido falar de homens como aquele. Mas a forma como ele me olhava  não era simples curiosidade. Era como se ele me analisasse, me avaliasse. Como se estivesse tentando descobrir onde eu quebraria primeiro.

De repente a voz do leiloeiro me fez sair do transe.

— Lote vinte e sete. Elena Rossi. Lance inicial: quinhentos mil euros.

Meu nome ecoou como um estalo me fazendo o ar faltar. A luz dos lustres zombava de mim, e o som seco do martelo marcou o início de uma guerra silenciosa.

Então as vozes começaram.

— Quinhentos e cinquenta.

— Seiscentos.

— Setecentos.

Cada cifra era uma lâmina cravada na minha pele, na minha alma. Mas havia algo que ninguém ali sabia, era que eu não estava vendendo apenas meu corpo, estava vendendo tudo o que ainda restava de mim, meu corpo, minha alma e a única inocência que eu tinha.

Eu estava vendendo a minha virgindade.

E eu seria capaz de fazer tudo por ela.  Minha irmãzinha que naquele momento, lutava no hospital contra algo grande demais para alguém tão pequena. 

Sem mim… sem dinheiro… ela morreria.

E se um sacrifício precisava ser feito, que fosse o meu.

Eu ofereceria meu sangue, minha pele e minha alma inteira se isso significasse dar a ela mais uma chance de viver.

Mantive meus olhos nele. No  homem sentado na primeira fila. Ele não falava, não se movia, não fazia anotações, nem levantava placa. Aquela frieza me irritava e, ao mesmo tempo, me puxava para mais perto dele, mesmo quando eu queria fugir. Porque, no fundo, eu sabia que  homens como ele aprendem a dissecar o medo dos outros com precisão cirúrgica. Eles não precisam tocar para saber onde você quebra, basta olhar.

O leiloeiro continuou, excitado com o ritmo.

— Um milhão! — alguém gritou, embriagado de poder.

Eu mantive o queixo firme, as mãos soltas ao lado do corpo, mas por dentro, tremia. O coração batia em descompasso, mas eu não podia me permitir vacilar. Havia algo maior me empurrando para frente e não havia outra saída.

— Um milhão e cem! — respondeu outro, batendo o copo na mesa.

O público murmurou. Havia tensão, expectativa.

Respirei fundo. Meu peito subia e descia devagar, tentando esconder o desespero que me assolava por completo.  Mas o medo tem cheiro e o meu, se espalhava doce e perigoso.

As cifras começaram a ultrapassar o limite do absurdo. E a cada lance eu sentia o meu estômago revirar. Me sentia nua, mesmo vestida. Cada olhar que me atravessava era mais pesado do que o ouro prometido por minha entrega.

Ele permanecia na primeira fila. Imóvel, como se o mundo inteiro girasse em torno da própria presença. O homem enigmático, de olhar firme e insondável, que parecia capaz de despir certezas sem precisar tocar.

Quando nossos olhos se encontraram, o tempo se contraiu e tudo ao redor desapareceu.

Havia apenas ele e  eu.

Aquele olhar me atravessou como uma sentença. Não havia ternura ali, nem piedade, tampouco desejo evidente. Era algo diferente, um estudo silencioso, um interesse frio, como se estivesse num meio de uma partida de xadrez prestes a dar o lance final. 

Tentei desviar, mas não consegui. Algo naquele homem me puxava para dentro de um espaço que eu não queria habitar, um lugar feito de medo e curiosidade, de repulsa e de uma estranha atração que eu não conseguia compreender.

Meu coração batia rápido, descompassado, denunciando tudo o que eu tentava esconder: o pavor de estar ali à mercê de homens como ele, e a inquietante sensação de que, por algum motivo que eu não compreendia, eu queria entender o que havia por trás daquele olhar.

Por um instante, pensei que ele fosse falar, mas ele apenas inclinou levemente a cabeça, como quem reconhece algo que os outros não veem.

Não precisou sorrir, nem mover um músculo. O poder dele estava no silêncio e o silêncio, naquele momento, me pertencia também.

Era um duelo mudo.

O dele, de domínio e o  meu  de desespero.

Foi então que ele se moveu. Num movimento leve, calculado, como quem decide o destino de um país.  Ele levantou a mão e o meu preço deixou de ser um segredo

Cinco milhões.

O mundo congelou. O leiloeiro engasgou antes de repetir:

 — C-cinco milhões de euros... temos um lance de cinco milhões!

As conversas cessaram. Alguém riu nervoso, outro largou a placa sobre a mesa, mas ninguém ousou cobrir.

Eu fiquei ali, parada e olhei para ele, atordoada. Mas dentro de mim apenas uma pergunta surgia:

Por quê?

Ele se recostou na cadeira, sem sorrir e apenas continuou me observando.  Os olhos dele eram como uma promessa e uma ameaça.

O martelo desceu com um som seco e definitivo.

— Vendida ao senhor Damian Cavallari.

O golpe atravessou meu corpo como uma sentença. Um arrepio subiu pela minha pele, e o coração doeu, não de medo, mas de entendimento. Algo dentro de mim sabia, com a precisão de uma profecia, que nada seria igual depois daquele som seco do martelo.

O silêncio que se seguiu foi quase reverente, como se até o ar aguardasse a reação dele. O leiloeiro ajeitou o microfone, empolgado, e anunciou com empolgação:

Senhor Damian Cavallari, por favor, confirme e analise a sua aquisição.

A palavra aquisição queimou na minha pele.

Damian levantou os olhos para mim sem mover um único músculo além do necessário. Nenhuma emoção, celebração ou pressa. Ele inclinou levemente a cabeça, um gesto mínimo, quase imperceptível, mas carregado de algo que eu não soube interpretar. Havia um brilho curioso ali, sim, mas não era vaidade, nem vitória, era interesse. Um interesse frio, lento, venenoso, que avançava como fumaça sob a superfície.

E eu, mesmo tremendo por dentro, não baixei os olhos. Não porque eu fosse corajosa, mas porque, se eu desabasse ali, Sophia perderia a única chance que tinha.

Por mais que eu tentasse parecer forte, minha fragilidade estava exposta, crua, latejante, e claro que ele percebeu. Homens como Damian são treinados para enxergar rachaduras, não que estejam dispostos a consertá-las, mas para saber o momento certo de usá-las.

Ele se levantou, com a precisão medida de quem toma decisões irrevogáveis. Caminhou até mim com um olhar que me avaliou como uma lâmina fria, não com desejo, mas como se analisasse algo valioso. Era um olhar frio, clínico quase cruel. Mas mesmo por trás de algo tão sombrio, eu consegui perceber algo escondido, um detalhe sutil, uma fagulha enigmática, silenciosa, que parecia perguntar até onde eu resistiria antes de quebrar. 

Naquela noite, não foi apenas o meu corpo que foi leiloado. Foi tudo o que me restava de dignidade, de escolha, de destino.

Mas eu precisava ser forte. Porque a  vida da minha irmã dependia desse sacrifício e por Sophia, eu suportaria o inferno inteiro.

O martelo ainda vibrava no ar quando entendi a verdade amarga:

Damian Cavallari não comprou a minha pele. Ele comprou o meu silêncio. E, talvez, comprou também o direito de me destruir no tempo dele.

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Komen (2)
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Ana Souza
Autora esse início me fez arrepiar
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Carol Fernandes
Ah que início maravilhoso
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