FAZER LOGINJá estavam me sentindo esgotado, fiquei nas duas causa que terei que julgar, tem muito detalhes, e prevejo algo que seja de longo prazo, pelo simples fato da briga de guarda de duas crianças menores.
Quando chega esse tipo de causa, preciso ser cauteloso, e ter o máximo de prova para que eu possa julgar, e por a criança ser menor de 7 anos, ainda não consegue ser claro, ou até mesmo ser sincero, muitas vezes os pais fazem uma pressão enorme nessas crianças as deixando confusas, por isso que tenho que ir com calma, já estava ficando tarde quando decido encerrar para sair quando a minha assistente, me liga avisando que o promotor quer me ver.
O líbero e fico no seu aguardo.
— Meritíssimo, venho trazer mais um caso. E nesse em exato me chamou atenção. Se me permitir, gostaria de fazer um breve resumo.
— Sim, fique a vontade e me fale por que chamou sua atenção?— espero o promotor sentar e ele me estende a pasta para que eu olhe o arquivo.
— O acusado em questão, ele já tem duas queixas abertas, uma por agressão contra a mulher, e outra por tentativa de atropelamento contra a enteada. Na data em questão da agressão, a queixa foi retirada em menos de 24 horas, por mais que se tenha prova do corpo de delito, mais a vítima retirou a queixa, e na data em questão do atropelamento, foi contra a filha da vítima em questão, nessa situação foi possível mostrar que o acusado estava fora de si. Mas pagou a fiança e logo foi liberado. Agora vem a parte boa. A vítima do atropelamento, estar acusando de que o acusado em questão, de agressão contra sua mãe, e agressão contra seus irmãos, onde a mãe morreu há dois anos, então por morte natural pelo que tem no atestado de óbito, ela deseja pegar a guarda dos irmãos e assim também toda herança deixada para ele e seus irmãos, ela tem prova contra ele, e ainda tem um detalhe que deixa esse caso ainda mais peculiar. A mãe morreu, porém, alguém estava se passando para falar com ela, em troca de mensagens, áudio, e até mesmo fotos. A vítima, ela até o momento de sua volta ao país não sabia da morte de sua mãe. E agora que retornou quer fazer justiça, pois tem certeza de que o acusado, fez isso pensando em seu próprio bem, pois ele ficou com a guarda das crianças e agora administra a herança de sua falecida esposa.— ele vai dizendo e só vem a história do senhor Paulo. Eu não acredito que ele foi capaz de fazer isso. Começo a ler o documento em minhas mãos, e fico paralisado por ver tantos detalhes. Por isso que ele estava mudado. A mulher era muito rica. Ele não cansa nunca de maltratar as pessoas.
— Eu preciso que você faça esse breve resumo para o Juiz Borges, irei precisar dele para fazermos o melhor julgamento, e com bastante atenção para os detalhes em vista.
— Farei isso. Boa sorte. — Ele diz saindo da minha sala, envio um e-mail solicitando que o Borges me acompanhe nesse caso. Não quero misturar as coisas, eu preciso fazer o certo para ambos, apesar de tudo ser tão claro por conta dos detalhes.
Fico olhando o processo, a cada detalhes, ainda tem um relatório da escola, e um relatório escrito a mão de uma das babás confirmando que ele maltratava a mulher e após a morte dela, ele ficou maltratando o enteado e filho. Fecho minha mão forte sentindo uma raiva incomum que estar dentro de mim, por alguns segundos, eu volto no tempo e sinto as dores pelo meu corpo, pela última surra que ele me deu.
— Você não vai machucar mais ninguém.— falo cheio de raiva batendo em minha mesa. Sou desperto com a minha secretária entrando em minha sala.
— Senhor, vai precisar de mim? Ou posso ir?
— Preciso só que você faça a cópia desse arquivo enviei para o Borges e depois pode ir. Obrigado por hoje.
Ela sai da minha sala levando a pasta.
Verifico as ordens em questão dos processos que preciso julgar, ainda terei mais tempo para analisar friamente tudo que está nesse arquivo, e descobrir a verdade, por mais que esteja escrito que é o culpado e não merece ficar com o enteado e o filho.
Organizo a minha mesa, pego a pasta que preciso analisar, pois o julgamento começa em dois dias, belo jeito de começar a semana! Em plena na segunda-feira, será um dos dias tensos e cheio.
Minha secretária fala que já enviou, e me dar os arquivos, guardo e decido ir para minha casa.
Só preciso comer, de um banho e descansar!
Quando estou entrando em meu carro, meu celular começa a tocar…Ligação online:
— Liam, preciso de você irmão. — a voz do Natan carregado de choro.
— O que aconteceu Natan? Onde você está?
— Ela me traiu, a Clarice é uma vadia, ela está apaixonada pelo David, eu vou matar ele!
— Você não vai fazer nada, me fale onde você está? Não faça nada de cabeça quente irmão.
— Estou no bar em frente ao meu escritório.
— Me espere, eu chego aí em dez minutos.
Que merda! Eu sabia que ele não podia confiar nessa vadia! Ela já tinha se insinuado para mim, alguns meses atrás, mais a pus em seu lugar, mais com o nosso caçula não tem essa noção se aproveitou dele. Decido ligar para David. No primeiro toque ele atende.
Ligação online:
— O que está acontecendo David?— o pergunto.
— A louca da Clarice decidiu fazer um inferno da minha vida! Já faz uns três dias que ela fica se insinuando para cima de mim, já a cortei diversas vezes, fui até o escritório do Natan para resolver uns assuntos com ele, e enquanto ele foi ao banheiro a louca me pegou distraído e me beijou, mais eu juro Liam que eu não fiz nada, no mesmo instante afastei de mim, e o Natan viu, e agora ele acha que eu tenho algo com ela. Mas eu não tenho, tenho nojo dessa cobra! Era para ter falado das investidas dela em cima de mim e a invasão do meu quarto, assim o Natan perceberia a cobra da namorada dele! Mais ele está cego, não escuta nada do que eu falo!
— Se acalme, sei bem do que a Clarice é capaz. E tente manter a calma, estou indo encontrar o Natan, o ideal é deixar essa raiva passar e depois você conversar com ele.
— Liam, eu não queria ver o Natan assim, eu juro eu não tive culpa.— Ele diz tenso.
— Não se preocupe, ele vai ver quem é realmente a Clarice. Agora tente se mantiver longe dessa vadia.
— Eu prometo, estou indo para casa.
— Ok, depois nos falamos.
O que essa vadia quer se metendo entre nós?
Fico com essa pergunta em mente e sigo para bar que o Natan falou...
Vou o caminho todo no automático, estou preocupado, o Natan sempre colocou a Clarice no pedestal e agora ela quer brincar entre os irmãos, eu não posso permitir que ela destruísse minha família por puro capricho de querer brincar com os irmãos, eu não vou permitir.
Estaciono o meu carro e de longe consigo ver o Natan na mesa bebendo. Vou em sua direção. E porra ver meu irmão assim não me agrada. Gosto mais quando ele está com essa alegria irritante.
— Você já sabe que beber desse jeito não vai ajudar em nada.
— Eu prefiro tá bebendo, ou nesse momento estaria matando o David por fazer essa merda comigo!— ele diz, e isso me deixa irritado.
— Tire essa merda da sua cabeça. O David é nosso irmão. Você já parou para pensar que a Clarice fez isso por que é uma vadia?— pergunto e vejo ficar cheio de raiva. Qual foi? A mulher é uma vadia e ele ainda a quer defender?
— Não fale assim dela! Foi o David que foi o traíra.
— Eu não fiz isso Natan, mais se quer me matar estou aqui!— David diz chegando e fazendo com que o Natan se levante da sua cadeira! Merda! Odeio estar entre eles quando estão com raiva.
Nos dias que se seguiram ao jantar, parecia que havia um brilho diferente em tudo. O ar estava mais leve, os sorrisos mais espontâneos, e meu coração, finalmente, em paz. Meus filhos estavam empolgados, cada um à sua maneira. As filhas começaram a fazer desenhos de vestidos, flores e bolos de casamento como se já soubessem, instintivamente, que aquele momento era especial. E Bruno... Bruno, mesmo com sua rotina puxada no hospital, se fazia cada vez mais presente. Em gestos simples, em palavras doces, em olhares silenciosos que diziam mais do que mil promessas.Numa sentei-me na varanda com uma pasta de ideias para o casamento no colo e um chá de erva-doce na mesa. A brisa suave balançava as cortinas e o céu começava a se tingir de tons quentes quando Celina apareceu, com aquele sorriso sereno que ela herdou do pai e a mão repousando sobre a barriga ainda discreta.— Tá muito quieta aqui, mãe… — disse ela, se aproximando.— Tô pensando na vida, filha. Tentando entender como o tempo pas
O jantar na casa do Liam trouxe exatamente o que eu esperava: alívio. Bruno se sentiu mais à vontade à medida que as conversas fluíam, e meus filhos, ainda que cautelosos no início, foram se desarmando aos poucos. Ao final da noite, o clima já era leve e descontraído, como se ele sempre tivesse feito parte da família.Bruno me deixou em casa com um beijo na testa e um sorriso terno. Tinha plantão no hospital na manhã seguinte, então precisava descansar. Ainda assim, antes de ir, apertou minha mão como quem diz: “Foi só o começo.”Na manhã seguinte, fui surpreendida por uma visita animada das minhas filhas. Alegaram que queriam tomar um café comigo, mas eu sabia estavam curiosas. Queriam saber mais sobre o homem que havia mexido com minha rotina e, mais do que isso, com o meu coração.Sabia que não podia evitar aquele momento. Era justo com elas e comigo, mostrar o quanto Bruno era especial. Compartilhei detalhes, histórias engraçadas, gestos que me conquistaram. Entre risos, provocaçõ
Após resolvermos tudo durante a viagem, voltamos para casa. Mel, mesmo ainda fragilizada, parecia mais conformada com tudo que havia enfrentado. A dor que quase a derrubou acabou se transformando em algo poderoso: uma ponte para unir ainda mais os irmãos. Ver aquela conexão entre eles, nascida da dor, mas fortalecida pelo amor, trouxe paz ao meu coração. Assim que retornamos ao Brasil, fui surpreendida por uma notícia: Mone havia sofrido um acidente e precisou ser internada para repouso. Corri para ficar ao lado dela, e nos dias que se seguiram, nossas orações foram atendidas de forma maravilhosa, os gêmeos nasceram! Um momento mágico que iluminou a nossa família. E como se a vida quisesse compensar os tempos difíceis, ainda teve o casamento triplo: David e Mel, Natan e Mone, Celina e Gustavo. Uma celebração de amor que transbordou felicidade. Me vi completamente envolvida com os preparativos e as emoções, e, mais uma vez, deixei minha vida em segundo plano. Ainda assim, mantinha c
A varanda do quarto estava iluminada apenas pelas luzes suaves vindas da cidade e pela meia-luz de algumas velas que Bruno havia pedido ao serviço do hotel. A brisa noturna acariciava minha pele, e, por um instante, tudo parecia distante: as preocupações, o passado, as dores que eu havia enterrado fundo para seguir em frente.Bruno ajeitava a mesa com naturalidade, como se já fizesse parte da minha vida há muito tempo. Era estranho e, ao mesmo tempo, acolhedor. O aroma da comida recém-chegada se misturava ao perfume das rosas que ele havia me dado. Coloquei-as em um vaso improvisado e o deixei no centro da mesa. Ficaram perfeitas ali.— Espero que goste do vinho — ele disse, abrindo a garrafa com cuidado e servindo duas taças. — Eu pedi algo leve, mas marcante… como você.Sorri sem saber exatamente como reagir àquele elogio. Era diferente ouvir isso depois de tanto tempo. Era diferente me sentir desejada, admirada… vista.— Bruno, você tem um jeito de tornar tudo mais leve… — confesse
Mesmo tendo vindo para Londres com o propósito de apoiar minha nora, essa viagem acabou me proporcionando algo inesperado: uma aproximação maior com o Dr. Bruno. Aceitei o convite para dar uma volta pelas ruas da cidade, tenho quase certeza de que foi ideia do meu filho e, mesmo relutante no início, acabei concordando.A proposta era simples: sair um pouco, respirar, aliviar a tensão que se instalou desde que desembarcamos. Minha nora precisaria permanecer por mais alguns dias, e eu sabia que não podia fazer muito por ela naquele momento, então, por que não tentar distrair a mente?Pegamos um táxi e seguimos rumo ao centro. Eu me esforçava para aproveitar a paisagem urbana de Londres, quando senti a mão de Bruno tocar suavemente a minha. Um gesto discreto, carinhoso, que me pegou de surpresa. Seu toque me trouxe uma inesperada sensação de conforto. Um suspiro escapou dos meus lábios, e um sorriso se formou no meu rosto, não apenas pela surpresa do gesto, mas porque, de verdade, eu gos
Quando me casei com Paulo, acreditei que estava selando o início de uma vida digna, como ele prometera aos meus pais. Sempre vivi com simplicidade, mas cercada de amor e respeito. Meus pais fizeram de tudo para me dar uma vida decente, ainda que humilde. Quando conheci Paulo, ele logo tratou de conquistar a confiança deles, com palavras doces, bons modos e um comportamento exemplar. Aos olhos deles, eu finalmente teria algo melhor. E por um tempo, eu também acreditei nisso.Nos primeiros meses de casamento, tudo parecia perfeito. Ele me tratava bem, se mostrava atencioso e carinhoso. Mas tudo começou a mudar quando descobri que estava grávida do nosso primeiro filho, o Liam. A notícia que deveria ter sido motivo de alegria revelou um lado sombrio dele. O carinho virou indiferença. A indiferença, gritos. Os gritos, agressões. E, por fim, ele cruzou limites que jamais deveriam ser tocados.Sofri calada por muito tempo. Me calei por medo, por vergonha, por meus filhos. Sempre tentando ma







