Mag-log inBotelho seguia em alta velocidade, mesmo depois de estar bem longe da mansão Odero. Encarou a si mesmo no espelho à frente dos olhos.— Hora de colocar tudo em seu lugar! — Sua calmaria era assustadora. O anel negro com pedras verde-musgo no dedo médio da mão esquerda brilhava sobre o volante.Era como uma confirmação direta de quem ele realmente era. Afastou o espelho do rosto, ao mesmo tempo que voltava sua atenção à rodovia."Depois de tantos anos, e ela jamais tentou me conhecer de verdade."Ele suspirou pesado."Antony tinha razão. Roberta só ama a si mesma e mais ninguém."O ronco do motor de seu Chrysler 300C assustava quem por ele passava. Fazia muito tempo que não se aventurava a ser ele mesmo. Sorriu abertamente ao discar um número em outro celular, bem mais simples do que estava acostumado a carregar consigo.— Senhor? — A voz do outro lado parecia eufórica.Botelho sorriu ao deixar o celular no viva-voz.— Hum! Sou eu mesmo, Willi!O tom grave em sua voz fez com que o outr
O homem de meia-idade, alto e de aparência máscula, com um olhar ranzinza e frio, encarava o outro lado da cidade com seu charuto entre o indicador e o dedo médio. Por um instante, sorriu pretensiosamente. Uma batida na porta chamou sua atenção.— Entre! — falou sem verificar de quem se tratava.— Desculpe, senhor, mas é sobre aquele convidado que o senhor aguardava.O homem pareceu nervoso. Ele contorcia os dedos uns nos outros antes de encarar o semblante do homem à sua frente.Os sapatos de couro importado faziam barulho no assoalho enquanto ele seguia em direção ao mensageiro. O homem ergueu a postura com dificuldade. As pernas sequer lhe obedeciam.— Então ele finalmente veio! Onde ele está agora? — A voz grave subiu dois tons, revelando uma animação evidente.As baforadas dançavam no ar acima da cabeça do mensageiro. O homem engoliu em seco. Parecia ter algo entalado na garganta.— Está na sua base, senhor! — concluiu, ajeitando a gravata com os dedos trêmulos.O chefe sorriu en
Antes que desistisse de protegê-la e decidisse ficar, Jon fechou os olhos com força para, em seguida, retirar-se dali. Porém, seus planos foram por água abaixo quando ela o abraçou pela cintura.Seu mundo inteiro se desfez sob o toque e o choro silencioso. Aos poucos, sentiu suas costas umedecerem."Como vou dizer a ela que é para protegê-la que estou fazendo isso?"As mãos dela apertaram ainda mais em volta da cintura dele.— Por favor, Jon. — A voz embargada o quebrou ainda mais. — Não vá, não me deixe sozinha.Jon apertou as suas mãos sobre as dela."Como posso dizer a ela o motivo de deixá-la aqui?"Fechou os olhos e reuniu toda a coragem que não tinha até aquele instante.— Elara, você é a única mulher que amo de verdade. Esteja ciente disso, mas é por este mesmo motivo que tenho que deixar você por uns dias.As mãos dela permaneceram no mesmo lugar. O choro ainda era audível.— Está a me punir, não está?Jon virou-se por completo para encará-la. O belo rosto de sua amada estava
A viagem seguiu silenciosa até a mansão de Roberta. Assim que ele parou diante da propriedade, ela encarou as costas dele sem nenhuma expressão.Ele devolveu o olhar através do espelho.— Sei que você gostaria que o Jon soubesse a sua verdadeira identidade — ela pausou por um instante. — Mas sabe, Botelho, tudo isso pode desencadear inúmeros problemas para nós.Ela não parecia estar mentindo, porém ele sabia que era mais uma vez uma espécie de peça no imenso tabuleiro que ela havia criado há muito tempo.Ele sorriu levemente enquanto encarava o lado oposto da mansão.— Não se preocupe com a sua mancha do passado, eu mesmo cuido disso.Roberta o encarou, atônita.— O que quer dizer com isso? Você... — ela apontou para ele, nervosa.Ele virou-se para encará-la nos olhos.— Sempre pensei que você faria uma escolha entre mim e o Antony, mesmo depois daquele fiasco que foi a sua festa de casamento.Ambos encaravam-se numa disputa sem ganhadores ou troféus. Ele deixou que o olhar
Jon abriu a porta de uma vez só. Deitou Elara na cama e tomou posição ao seu lado, abraçando-a contra o peito, de modo que ela se assemelhasse a um bebê no útero da mãe.— Desculpe! Eu... sinto muito! — A voz dela saiu embargada. As lágrimas corriam vertiginosamente por sua bela face.Seus olhos estavam inchados e vermelhos. Jon acariciava gentilmente o rosto dela, beijando devagar a trilha por onde as lágrimas passavam. Ele segurou a face de Elara nas mãos, obrigando-a a encará-lo.— Não se preocupe com nada, estou aqui com você. Não me importa o seu passado, Elara, já resolvemos tudo isso!Ela podia sentir o quanto ele estava sendo gentil e a quantidade de confiança que esperava que ela também depositasse nele. Sentiu um calor agradável tomar conta de seu coração."Então é assim que é ser amada e protegida?"Ela ergueu-se até alcançar os lábios dele. Podia ouvir sua respiração, enquanto os olhos dele permaneciam fixos na boca dela.— Obrigada, Jon. Você é muito melhor do que
Elara sentiu o mundo cair a seus pés."Será que o sol nasceu ao contrário?"Ela engoliu em seco. Surgiu-lhe de repente um frio na barriga."Será que ele vai me rejeitar?"Jon permaneceu ali com um anel de diamante estendido a ela. Era uma versão ainda maior que a anterior. Muito mais delicada.— Eu sei que não fui nada santo com você, Elara, mas... — antes que ele terminasse de falar, ela o abraçou pelos ombros e sorriu com o rosto colado ao seu colo.— Aceito. Só não seja mentira, por favor, Jon Galdruno! — as palavras doces e gentis saíram vacilantes.Jon abraçou sua cintura firmemente para então ergual-a junto dele. Seus olhos se encontraram por um instante.— Eu não sou mentira, minha doce Elara! — sem aviso, ele a tomou num beijo lento que tornou-se viciante.Jon sorriu contra os lábios dela; os dois estavam sem ar. Ela foi a primeira a afastar-se para encará-lo. Ele a deixou deslizar devagar de seus braços para o chão, mas sem soltá-la por completo.— Quero marcar a da







