INICIAR SESIÓNZOE*Eu mal consegui prestar atenção nas aulas seguintes. As palavras dos professores se misturavam em um zumbido distante, e as horas pareciam não passar. Tudo o que ocupava meu pensamento era a possibilidade de reencontrar o Victor. Eu tentava imaginar sua expressão, seu toque, até mesmo o tom de voz com que ele poderia me receber. Havia medo dentro de mim, mas também havia uma chama de coragem que queimava alto, me dizendo que eu não poderia perder essa chance.Quando o último horário terminou, fiquei parada por alguns instantes no corredor, sem saber para onde ir. Eu poderia simplesmente voltar para o meu apartamento e fingir que nada estava acontecendo, mas não dava para cometer esse erro. Ele já tinha escolhido o silêncio, a fuga, e só o que colhi foi dor e arrependimento. Não. Dessa vez seria diferente. Dessa vez, nós merecíamos um reencontro à altura daquilo que havíamos vivido.O estacionamento da universidade ficava em frente a um ponto de táxi. Eu atravessei a rua com o co
VICTOR *Ver a Zoe se aproximando no final da aula, fez o meu corpo inteiro reagir. A minha vontade era de abraçá-la e nunca mais soltá-la.Ela ficou frente a frente comigo, com o rosto tão perto do meu, os lábios dela estavam ali, à minha disposição e tudo o que eu precisava fazer era beijá-la, mas eu senti uma necessidade enorme de falar que menti. Aquilo havia me consumido de uma forma dolorosa por meses. Tudo o que eu queria dizer era que eu a amava, mas ela já sabia...De alguma forma, ela sabia que eu havia mentido.O nosso tempo acabou, os alunos começaram a chegar, e ela finalizou aquele momento com uma única frase que daria um rumo diferente a nossa história... Eu queria fugir? A resposta era clara como a luz. Não, eu não queria fugir. Eu nunca mais fugiria daquele amor que havia atravessado o tempo, a distância e que havia encontrado uma forma de me reencontrar. A Zoe era pra mim, e eu era pra Zoe. Não restava mais dúvidas.Eu saí da sala, e a olhei. Mas o meu olhar não foi
Minha mãe já tinha organizado tudo sobre a minha moradia na França, então eu já cheguei com um teto reservado para mim, o apartamento era lindo, ficava apenas a 5 minutos da universidade, e próximo de tudo, cafés, mercados, farmácias. A empolgação era gigante, eu ainda não sabia como eu iria me virar em um país completamente desconhecido, mas, eu sabia que era questão de tempo até eu me adaptar.Enquanto organizava minhas coisas, eu pensei no Victor, fazia um mês que eu já não chorava por ele, mas eu sabia que devia aquela realização a ele. Ele tocou em partes do coração da minha mãe que eu mesma não cheguei a tocar, e conseguiu abrir uma porta que a anos eu tentava abrir. Ele me deu um presente gigante a falar sobre o meu sonho pra ela.— Como eu queria que você estivesse vivenciando essa alegria comigo, Victor. Onde será que você está? Será que já encontrou um novo amor?Limpei as lágrimas que estavam caindo e revivi a mesma dor que passei meses tentando esquecer. Eu vinculei isso
ZOE*O meu pai realmente foi morar com a Brenda, e ela acabou abrindo a boca pra ele e eu sabia que teria que enfrentar outra confusão.Acordei no dia seguinte com várias ligações dele, e eu no fundo sabia o que ele queria.Prefiri tomar um banho, lanchar e depois lidar com aquilo de forma madura.— Bom dia, mamãe.Falei ao entrar na cozinha, o rosto dela estava inchado, e eu sabia que ela levaria bastante tempo para se recuperar. Eu também não tive uma noite legal, eu também estava com o rosto inchado, mas a dor dela parecia muito maior que a minha.— Bom dia filha.— Você sabe que foi melhor assim. Não sabe, mãe?— Eu sei Zoe, eu me recupero. Mas, e você?— E eu? Eu consigo sobreviver sem um pai.— Não estou falando disso. Estou falando do Victor.Aquilo me pegou de surpresa. Então ela já sabia de mim e do Victor? Como?— Não precisa ficar assustada, Zoe. A forma como ele defendeu seus sonhos, a forma como falou de você, deixou isso muito claro. — Mamãe, eu...— Olha, não vou regu
(SEIS MESES DEPOIS)...Seis meses se passaram desde que pisei pela primeira vez em solo francês. A cidade que antes parecia estranha e intimidadora agora já me era familiar. Consegui um emprego em uma das melhores universidades particulares da França, reconhecida por sua excelência acadêmica e pelo prestígio de seus professores. Minha função ali era perfeita para mim: professor de Humanidades e Artes Interdisciplinares. Eu lecionava filosofia, literatura, história da arte e fundamentos da estética, integrando múltiplas disciplinas para formar uma visão crítica e completa nos alunos.O semestre começava, e com ele, uma sala cheia de rostos novos, ansiosos, curiosos e, em alguns casos, já desafiadores. Eu respirava fundo, sentindo aquele frio na barriga típico de quem assume uma sala de aula pela primeira vez em um novo ciclo. Mas, por trás da calma que tentava manter, havia um peso silencioso no peito.Nos últimos seis meses, a saudade da Zoe se tornou uma presença constante. Às vezes
VICTOR *Durante todo o trajeto até o hotel, eu senti vontade de voltar até a Zoe e contar a verdade, que eu a amava, que fazer uma escolha naquele momento era difícil para mim por conta do nome que construí ao longo dos anos. O Luciano jamais permitiria que eu tivesse paz, se eu escolhesse lutar por ela. Que pai aceitaria com facilidade que o professor de sua filha tivesse um relacionamento amoroso com ela?Talvez ele colocasse alguém para me caçar quando descobrisse o meu envolvimento com ela. Eu não podia me envolver naquela confusão. A minha realidade não me permitia isso. Sumir, foi a única escolha que me restou naquele momento.Quando cheguei no hotel, as pessoas olhavam pra mim com pena, era raro um homem chorar, e eu tinha consciência que os meus olhos estavam muito vermelhos. Eu estava destruído, sentindo um enorme buraco no peito.Tomei um banho, depois de me vestir, peguei os papéis do divórcio, li e assinei tudo o que faltava assinar.Liguei para o advogado e avisei que







