FAZER LOGINAva Brown √
Faz três dias que Bryan saiu do hospital. O doutor lhe receitou alguns remédios para ajudar na recuperação e uma dieta específica à base de sopas e líquidos. Nestas duas semanas em que estou morando na mansão, tenho evitado quase completamente a companhia indesejada de meu querido sogro. Passei boa parte do tempo no hospital e, nas poucas horas que estive por aqui, acabei fazendo amizade com Helena, uma mulher gentil de uns quarenta e tantos anos. Ela tem me ajudado com a dieta de Bryan nos últimos três dias, mas hoje teve um imprevisto: sua filha mais nova sofreu um acidente na escola. Depois que a liberei, tive de escutar as baboseiras de Benjamin na minha cabeça. Aquele homem parece gostar de desafiar o perigo. No instante em que se aproximou de mim, meus cães entraram em posição de alerta, considerando-o uma ameaça. Luna e Nébula são treinadas para atacar a qualquer sinal de perigo, e devido ao comportamento hostil de Benjamin, elas agora o veem como uma ameaça. Se eu não tivesse intervido, sem dúvidas teria acontecido um banho de sangue na cozinha. Sirvo dois pratos com a sopa que acabei de preparar e saio da cozinha, seguida por minhas guarda-costas. Elas já haviam comido e só estão me acompanhando porque detectaram uma ameaça na casa. As trouxe ontem à noite e ainda estão se adaptando. Curiosamente, elas se deram bem com Helena e outros funcionários, como Francisco, o jardineiro, que começou a brincar com elas como se fossem amigos de longa data. Até alguns seguranças se deram bem com elas, mas Benjamin, obviamente, teve de dificultar tudo. Afinal, essa é a casa dele. Entro no quarto e encontro Bryan com os olhos fixos na tela do celular. — Planejando nossa lua de mel que não aconteceu, querido? — pergunto com sarcasmo, observando um sorriso surgir em seu rosto. — Você vai me culpar por sua viagem ter dado errado até que eu a compense por isso, estou certo? — ele pergunta com diversão, deixando o celular de lado e se endireitando enquanto ponho a bandeja sobre a cama. — Na verdade, eu pretendia fazer isso apenas hoje, mas já que você deu a ideia, acho que posso estender por mais uns dias — digo rindo e me sentando na cama, com as pernas cruzadas, enquanto pego meu prato. — Como seus cães estão? E qual foi a reação do meu pai ao encontrá-los? — ele pergunta, divertido, me fazendo erguer as sobrancelhas em descrença. — Como sabe que... — Benjamin detesta animais. Acho que isso é suficiente para saber que ele surtaria quando os visse. — Você deveria ter visto. Seu pai é um tremendo idiota, e agora elas o consideram uma ameaça. — Devo me preocupar com isso? — Elas não farão nada com ele, se ele mantiver uma certa distância. — Mas... — Tive de impedir que ambas o atacassem agora pouco, pois ele ousou se aproximar e me confrontar sobre Helena e o porquê de eu estar na cozinha. — Sinto muito, você deve estar detestando estar nesse lugar. — Você sabe que não. Minha missão pessoal se tornou enlouquecer o seu pai. — Bem, eu espero que seja apenas no sentido de deixá-lo irritado. — Não vou dormir com seu pai se é isso que está sugerindo, Bryan, eca — faço uma cara de nojo, e sua risada ecoa pelo ambiente. — Eu não disse nada. Só estou dizendo que você gosta de homens mais velhos e... — Por favor, não me faça ter pesadelos — digo gargalhando, e ele acaba gargalhando também. — Eu prometo não dormir com seu pai, se prometer não tentar seduzir minha mãe como fez no casamento — digo com seriedade, tentando parecer séria antes de desabar em risos. — Não sei do que está falando — ele se faz de desentendido, me fazendo erguer as sobrancelhas para ele, que volta a rir. — Tudo bem, admito que possa ter flertado com ela na nossa festa de casamento. — Ela veio até mim, questionar por que meu noivo estava dando em cima dela — digo rindo da situação. — Meu sogro deve ter ficado abismado com isso — ele diz, parecendo um pouco receoso. — Meu pai não é a pessoa mais atenta do mundo. Ele e minha mãe nem estão mais juntos. Ambos moram na mesma casa porque nenhum dos dois quer pedir o divórcio e arriscar perder metade para o outro — digo rindo, e Bryan parece abismado. — E quanto ao comportamento de sua mãe comigo, já aconteceu com outros namorados seus? — Alguns... Nunca ninguém em especial. Minha mãe gosta de homens mais novos, então não eram bem namorados, estavam mais para amigos coloridos. — E isso não te incomodava? — Não, sempre foi tranquilo. Até transávamos em grupo, era divertido — digo segurando o riso ao ver Bryan começar a tossir, possivelmente engasgado. — Vocês o quê? — ele pergunta em meio às tosses, me fazendo rir ainda mais. — Você acredita em tudo, Bryan — digo em meio a um riso histérico enquanto ele tenta se recompor. — Você é terrível, garota — ele diz após se recuperar, tomando outro gole de água para recuperar a voz. Continuamos a almoçar entre risos e brincadeiras. Bryan é mais como um irmão do que um esposo, e a cada dia percebo que não preciso me preocupar com o surgimento de uma possível paixão. Isso me acalma de certa forma. ~~°~~ Reviro-me na cama, de um lado para o outro, sem conseguir encontrar uma posição confortável para dormir. Meu dia foi uma sucessão de eventos exaustivos: estive na empresa, almocei com Bryan e levei Luna ao veterinário, pois ela havia comido metade de um dos sapatos de Benjamin. E não, eu não faço ideia de onde ela escondeu o outro pé. À noite, tive um jantar com meus pais, algo que, diga-se de passagem, não foi dos mais agradáveis. Meus pais receberam os papéis da transação de bens há alguns dias e estão furiosos, exigindo que eu devolva a empresa para eles, algo que, certamente, não vai acontecer. Após tanto estresse, eu só queria chegar em casa e dormir, mas parece que o sono não será meu aliado nesta noite. Pego meu celular e olho a hora na tela: 02h00 da manhã. Retiro as cobertas, saio da cama e sinto arrepios quando meus pés tocam o chão frio. O quarto estava escuro, e eu pretendia que continuasse assim, iluminado apenas pela luz da lua que entrava pelas grandes janelas. Meus guarda-costas estavam no último sono. Saio do quarto e sigo pelo imenso corredor em direção às escadas. Um copo de leite, um copo de suco, um pouco de vodka ou uma taça de vinho, qualquer coisa que me ajude a dormir. Desço as escadas, sentindo o piso frio de mármore contra meus pés. O andar de baixo estava tão escuro quanto o segundo andar, iluminado apenas pelas luzes dos jardins que entravam pelas janelas. Caminho até a cozinha, entro no cômodo e acendo as luzes. — QUE DIABOS... — grito, com a mão no coração, ao observar a figura sentada em uma das cadeiras. Cabelos desgrenhados, gravata desamarrada e a camisa social com as mangas dobradas até os cotovelos. Olhando assim, Benjamin Cooper poderia até parecer atraente. Eu disse poderia, não que ele era atraente. — O que faz aqui? — pergunto, desta vez de maneira normal, sem toda aquela hostilidade de costume. — Não conseguia dormir... — digo com certo receio. — Vim apenas buscar um copo de leite, mas estou de saída. Não quero lhe atrapalhar... — dou as costas, prestes a sair do cômodo, quando sua voz ecoa. — Sabe o que mais me intriga? — ele diz. Posso jurar que sinto um tom de curiosidade em sua voz, fazendo-me parar e virar para encará-lo. — O que alguém com duas formações, cinco idiomas, dona de uma empresa multimilionária e considerada um prodígio durante o colegial faz com alguém como meu filho? — ele diz, pondo-se de pé e caminhando em minha direção. Respiro profundamente, assumindo minha melhor postura para encará-lo. — Você realmente cuidou do meu filho nos últimos dias, eu tenho de reconhecer isso. Mas vocês não dormem no mesmo quarto, não passam tanto tempo juntos e tenho certeza de que sequer transam. — ele para em minha frente, seus olhos verdes focados nos meus. O cheiro de seu perfume, misturado com o odor de conhaque que vinha de seus lábios, chega até minhas narinas. Respiro fundo, dando alguns passos para trás. — Você anda nos observando por acaso? Não sabia que sua vida estava tão monótona a ponto de ter que cuidar da nossa, sogrinho. — digo com sarcasmo. Infelizmente, minha voz fraqueja, saindo mais baixa do que o normal. Ele se aproxima, parando a alguns centímetros de mim, seus olhos fixos nos meus. Uma de suas mãos pousa na parede ao meu lado e, pela primeira vez, me vejo encurralada por esse homem. — Entediado o suficiente para notar que vocês não fazem as coisas como um casal normal faz. Então, diga-me, senhorita Brown, o que você realmente está buscando aqui? — sua voz sai mais baixa que o normal. A intensidade de seu olhar não me permite desviar o meu. Minha respiração falha por um minuto. Droga, isso não era para acontecer. Por algum motivo, ele lambe os lábios, e um breve riso cruza seus lábios. — Oque você realmente quer Ava?Ava Brown✓ 10 anos depois.É impossível não olhar para trás e ver como o tempo passou voando. Como tudo mudou em um piscar de olhos. Já fazem mais de quinze anos desde a primeira vez que pisei na mansão Cooper, mais de quinze anos desde que minha vida virou de ponta-cabeça e tudo ao meu redor se transformou. Como uma tempestade inesperada, os ventos da vida mudaram o curso dos meus planos, e, céus, quem quer que tenha escrito esse futuro, eu não poderia estar mais agradecida.Os anos que se seguiram a aquele momento não foram apenas bons. Foram incríveis. Cada capítulo da nossa história foi repleto de momentos especiais, de viagens, risos e muito humor. Ao lado de Benjamin, construímos uma família que eu jamais pensei que teria. Uma família sólida, de verdade, com laços inquebráveis que só cresceram com o tempo. E pensar que tudo isso começou de forma tão simples, com um contrato... Que ironia, não?Eu nunca poderia imaginar que minha vida seria tão completa quanto é agora. A B.A Glo
Narradora ✓ Dois anos depois. O sol estava começando a se pôr no horizonte, tingindo o céu de cores quentes e mágicas, como um quadro pintado por um artista inspirado. As ondas do oceano batiam suavemente nas areias brancas da praia, criando um som tranquilo e envolvente. O Havaí, com sua beleza deslumbrante e sua energia única, era o cenário perfeito para o casamento de Bryan e Juliana. Uma cerimônia que refletia não apenas o amor deles, mas também o novo capítulo de suas vidas, unidos pela cultura, pela natureza e pelo carinho que tinham um pelo outro.A cerimônia era simples, mas incrivelmente significativa. O altar era decorado com flores tropicais, folhas verdes vibrantes e conchas do mar, em uma homenagem ao local que escolhiam para celebrar a vida a dois. As cadeiras para os convidados estavam dispostas ao longo da praia, com os pés na areia fina, cercadas por tochas acesas que lançavam uma luz suave sobre os rostos sorridentes de todos os presentes. Era um ambiente descontra
Ava BROWN ✓ Quando o avião finalmente deu o sinal de que estávamos chegando à altura correta, a adrenalina começou a crescer em todos nós. O instrutor se aproximou para verificar os equipamentos e, em seguida, foi hora de ir para a porta. Eu estava com um sorriso no rosto, com uma excitação crescente. Benjamin, ao meu lado, ainda estava tentando disfarçar seu medo, mas seus olhos não mentiam. Ele estava completamente em pânico.— Pronto? — perguntei, apertando sua mão.— Não, não estou pronto.Mas, antes que ele pudesse protestar mais, o instrutor abriu a porta do avião. O vento bateu forte contra nosso rosto e o som do vento preencheu todo o espaço. Benjamin olhou para mim, e eu sabia o que ele estava pensando: "Eu realmente vou fazer isso?"Eu apenas sorri e, sem dar tempo para ele mudar de ideia, puxei sua mão.— Vamos, Benjamin! Agora!O momento parecia uma eternidade, mas a sensação da queda livre foi pura adrenalina. O céu ao nosso redor parecia infinito, o vento cortava nosso
Ava Brown. 4 de JulhoSe alguém me dissesse há um ano que eu passaria o 4 de Julho na Flórida, cercada por uma família barulhenta, crianças animadas e três cachorros completamente fora de controle, eu teria rido na cara dessa pessoa. Mas aqui estou eu, sob um calor escaldante, sentindo o cheiro irresistível de churrasco no ar e tentando manter um mínimo de ordem na zona de guerra que se tornou o quintal dos avós de Bryan.A casa deles é um verdadeiro cartão-postal, com uma vista espetacular para o mar. A decoração patriótica está por toda parte — bandeiras, balões vermelhos, brancos e azuis, e até guardanapos temáticos.O churrasco já está pegando fogo, literalmente. Benjamin está na grelha, demonstrando habilidades que eu não sabia que ele possuía, enquanto Bryan e Juliana preparam os acompanhamentos. Eu? Estou supervisionando Kira, que, como esperado, encontrou um jeito de transformar o evento em sua própria versão do Caos e Companhia.— Tia Ava, eu posso dar um hambúrguer para os
14 de fevereiro Os últimos dois meses tinham sido um verdadeiro presente. Pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti viver sem olhar por cima do ombro, sem carregar o peso do passado a cada passo. Aqui, nos Alpes franceses, a paz se tornou algo palpável, algo que eu podia tocar sempre que olhava pela janela da cabana dos meus pais e via a neve cobrindo a paisagem como um manto brilhante.E, acima de tudo, eu era grata. Grata ao destino, à vida, ao acaso – ou seja lá o que tivesse me trazido até aqui. Grata por ter Benjamin ao meu lado, por ter encontrado nele um abrigo tão seguro quanto estas montanhas que nos cercavam.O vento frio sussurrava lá fora, mas aqui dentro o ambiente era aquecido pelo fogo na lareira e pela expectativa do que ainda estava por vir. Eu estava de pé perto da grande janela, observando o céu limpo e estrelado, quando ouvi o som de passos firmes no assoalho de madeira.Virei-me a tempo de vê-lo entrar, carregando uma bandeja com o jantar. O sorriso que ele
Benjamin Cooper ✓ O telefone toca pela terceira, quarta, quinta vez, e nada.Ando de um lado para o outro no escritório, o celular colado ao ouvido, esperando que Bryan atenda. Mas tudo o que recebo em resposta é o silêncio do outro lado da linha, seguido pela voz eletrônica da caixa postal.— Droga… — murmuro, encerrando a ligação com um suspiro frustrado.Apoio as mãos na mesa e fecho os olhos por um momento. O dia foi longo, cansativo, e tudo o que eu queria era que, por uma vez, as coisas fossem simples entre nós. Mas, claro, nada entre mim e Bryan jamais foi simples.Desde aquele jantar na mansão, não trocamos mais do que algumas palavras. Ele tem conversado com Ava — o que, sinceramente, é um alívio —, mas quando se trata de mim, parece que ainda há uma barreira intransponível entre nós.Eu entendo. Sei que grande parte disso é culpa minha. Sei que errei, que fui duro demais, exigente demais. Sei que cobrei dele mais do que devia e, quando ele falhou, transformei isso num abism







