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CAPÍTULO 18

last update Data de publicação: 2026-01-31 12:14:24

Abracei ela como se meu mundo inteiro estivesse ali.

A gente riu, errou receita, sujou tudo.

Sentamos no chão da cozinha, enquanto eu lambia a vasilha do recheio.

— Mãe…

falei baixo.

— Quando eu for…

Ela endureceu na hora.

— Não fala assim.

— Escuta...

ergui o rosto.

— Eu preciso que você escute.

O silêncio pesou.

— Eu quero que vocês sejam felizes. Quero que continuem vivendo. Que riam. Que viajem. Que amem.

Ela chorava em silêncio.

— Eu tô bem, mãe.

segurei as mãos dela.

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  • MINHA PROMETIDA.   CAPÍTULO 55

    Tomei um banho, tirei a barba, escolhi a melhor roupa. Esperei por esse dia, quando não dói mais, quando a superação chegasse e ela chegou, demorou... Demorou muito, eu precisei ser forte, mais ela chegou. Porque como dizem por aí, tudo passa. Dirigi em silêncio. O cemitério estava calmo. Como sempre. Fiquei diante do túmulo por alguns segundos antes de falar. Antes de ter coragem pra isso. Fazia muito tempo que não vinha aqui. — Oi… Minha voz saiu baixa. — Faz tempo que eu não venho aqui, mas acho que hoje é um dia que eu queria muito falar... Coloquei o buquê de flores sobre a lápide. Dei um meio sorriso, meio triste, meio aliviado. Até feliz. — Levei muito tempo pra aprender a viver de novo... confessei como se ela pudesse realmente me ouvir. — Mas você sempre soube que eu seria feliz… mesmo quando eu não sabia como seguir. O vento passou leve, quase respeitoso. — Obrigado... continuei. — Por ter me destinado a felicidade assim... Passei a mão pelo rost

  • MINHA PROMETIDA.   CAPÍTULO 54

    Sugeri a clínica. Exame de sangue. Verdade nua e crua. A coleta foi rápida demais pra algo tão grande. O resultado só sairia à tarde. No carro, o silêncio pesava. Até ela virar pra mim. — Gabriel… se eu estiver grávida… eu tô com medo. Essa doença já tirou tanta coisa de mim. E se tirar isso também? E se eu perder? Apertei a mão dela com força. Ouvir aquilo me penetrou em um lugar que eu não acessava a um bom tempo, desde o dia que ela passou mal na minha frente. No medo. — A gente vai fazer isso junto. Não existe você sozinha nisso. Respirei fundo antes de continuar. — Você passou a vida inteira olhando só pro negativo. E quando, por um segundo, você olhou pro lado positivo… nos fez viver tudo isso. Tudo o que somos hoje. Ela suspirou olhando pra baixo, nervosa, as mãos uma na outra. Toquei seu rosto devagar, fazendo ela me olhar de novo. Nossa... Linda, muito mais linda daquele jeito. Seu medo inocente me deixava louco. — É só isso que eu te peço, meu amor. Pensa p

  • MINHA PROMETIDA.   CAPÍTULO 53

    Mas então ela enrijeceu. Se afastou de repente. Os olhos arregalados, intensos. — Não… não… Meu coração disparou. — O que foi? perguntei, já em alerta. Ela me empurrou de novo, com urgência. — Eu vou vomitar! Mal deu tempo. Ela quase me derrubou do sofá e correu em direção ao banheiro. Fui atrás no mesmo instante. Ela se curvou diante do vaso, os cabelos longos caindo pra frente. Segurei tudo com cuidado, afastando do rosto dela. Esperei. Em silêncio. Quando terminou, parei ao lado, passando a mão nas costas dela. — Respira… devagar ... pedi. — Você tá bem? Ela assentiu, ainda ofegante. Mas algo estava errado. — Isso não é normal. falei, já sentindo o estômago afundar. — Os remédios não dão esse efeito agora. Ela me olhou, cansada. — Eu sei. Foi isso que me gelou. — Vou ligar pro Cristian. — Gabriel, não precisa… ela tentou. — Não quero voltar pro hospital. Se acharem que eu regredi… Segurei o rosto dela com firmeza, mas com carinho. — Olha pra mim

  • MINHA PROMETIDA.   CAPÍTULO 52

    LARA: DIAS DEPOIS: Percebi que o hospital tinha mudado quando não senti o peito apertar ao atravessar as portas de vidro. Não era o lugar. Era eu. Segurei a mão do Gabriel com naturalidade, como se aquilo sempre tivesse sido simples. Ele me apertou de leve os dedos, um gesto silencioso de “estou aqui”, e caminhamos até a sala de espera. Não havia pressa. Não havia urgência. Pela primeira vez, eu não me sentia uma visitante temporária da própria vida. Cristian nos recebeu com um sorriso aberto, diferente daquele profissional, contido, que eu conhecia tão bem. — Vocês estão ótimos... disse antes mesmo de olhar os exames. — E isso não é só impressão. Sentamos. Ele analisou os resultados com calma, fez algumas perguntas de praxe, ajustou um horário de medicação, nada que soasse como sentença. — A resposta continua positiva... explicou. — Seguimos com acompanhamento, mas vocês já sabem… estamos em outro lugar agora. Assenti. Eu sentia isso no corpo. No jeito como re

  • MINHA PROMETIDA.   CAPÍTULO 51

    Nossa... como era bom estar aqui, nessa cidade, nesse tempo mais quente. Chegar em casa me fazia sentir tanto alívio, eu sei que ainda não acabou, mas era um começo incrível pra mim. Eles retiravam as malas do carro, fui até o porta malas com um sorriso pequeno. — Eu pego. Peguei uma das malas e entramos pra dentro. Ah meu Deus, meu lar... — Eu vou pedir pra ajeitarem alguma coisa pra gente comer. Minha mãe disse sorrindo. — Vamos levar as malas pro quarto. Subimos com as malas. O quarto ainda tinha cheiro de casa quando me joguei sobre a cama e me deitei. Não era o aroma neutro de hospital, nem o frio dos lençóis sempre trocados. Era meu. Nosso. Gabriel fechou a porta com cuidado, como se o mundo lá fora ainda pudesse me assustar. — Vem aqui.. Ele sorriu deitando por cima de mim. — Gosto de te ver assim. Abrir um sorriso com tanta satisfação — Você... Pensa em voltar pra casa? — Só se for com você. Olho dos olhos pra boca dele. Tão apetitosa. — Eu acho.

  • MINHA PROMETIDA.   CAPÍTULO 50

    LARA: ALGUNS DIAS DEPOIS... O tempo aqui estava mais longo do que eu gostaria, meus pais voltaram porque problemas estavam precisando ser resolvidos na empresa. Minha mãe ficou em conflito de ficar comigo ou ir, mas eu quase implorei pra ela ir com meu pai. Não que eu não goste de estar aqui com ela, pelo contrário, eles me davam tanto apoio, mas ela ficaria sozinha. Eu vivia dormindo, o Gabriel sempre comigo, e quanto eu tinha lucidez era dedicado a passar o pouco do tempo que eu tinha com ele. Ela acabou entendendo, mais me liga todos só dias e me perguntando cada momento de estou bem. E eu estava. Por incrível que pareça. Mesmo com todos os efeitos, mesmo com toda exaustão e tantas idas só hospital, eu estava bem, de verdade. Naquele dia, estava em mais uma visita ao hospital, o médico responsável pelos testes dos medicamentos pediu pra falar comigo. Fiquei tão nervosa, mas não sabe o tamanho do alívio quando ouvir, ali sentada naquelas cadeiras, diante dele, com a mã

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