LOGINDesde o nascimento, Lara carrega uma condição rara que a tornou frágil aos olhos de todos, menos aos dela mesma. Criada sob o olhar protetor dos pais, ela aprendeu a viver entre limites e sonhos. O que ela não sabia é que seu destino já estava traçado: um contrato selado entre duas famílias prometia sua mão a Dante Vasconcellos, o herdeiro rebelde de um império empresarial. Dante é o oposto dela, impulsivo, mulherengo e completamente avesso a compromissos. Quando descobre o acordo, vê aquilo como uma prisão… até conhecê-la. Mas Lara, determinada a não ser o fardo de ninguém, decide libertá-lo do compromisso. Antes de fazê-lo, porém, ouve uma conversa que muda tudo: Dante planejava desistir do casamento, mas não por falta de interesse nela… e sim para poupá-la de um destino que ele julgava cruel. Presos entre o dever e o desejo, eles precisarão descobrir se o amor é suficiente para desafiar o que o destino selou. Um segredo escondido, um merecimentos e redenção. Será essa é a última missão de Lara?
View MoreTomei um banho, tirei a barba, escolhi a melhor roupa. Esperei por esse dia, quando não dói mais, quando a superação chegasse e ela chegou, demorou... Demorou muito, eu precisei ser forte, mais ela chegou. Porque como dizem por aí, tudo passa. Dirigi em silêncio. O cemitério estava calmo. Como sempre. Fiquei diante do túmulo por alguns segundos antes de falar. Antes de ter coragem pra isso. Fazia muito tempo que não vinha aqui. — Oi… Minha voz saiu baixa. — Faz tempo que eu não venho aqui, mas acho que hoje é um dia que eu queria muito falar... Coloquei o buquê de flores sobre a lápide. Dei um meio sorriso, meio triste, meio aliviado. Até feliz. — Levei muito tempo pra aprender a viver de novo... confessei como se ela pudesse realmente me ouvir. — Mas você sempre soube que eu seria feliz… mesmo quando eu não sabia como seguir. O vento passou leve, quase respeitoso. — Obrigado... continuei. — Por ter me destinado a felicidade assim... Passei a mão pelo rost
Sugeri a clínica. Exame de sangue. Verdade nua e crua. A coleta foi rápida demais pra algo tão grande. O resultado só sairia à tarde. No carro, o silêncio pesava. Até ela virar pra mim. — Gabriel… se eu estiver grávida… eu tô com medo. Essa doença já tirou tanta coisa de mim. E se tirar isso também? E se eu perder? Apertei a mão dela com força. Ouvir aquilo me penetrou em um lugar que eu não acessava a um bom tempo, desde o dia que ela passou mal na minha frente. No medo. — A gente vai fazer isso junto. Não existe você sozinha nisso. Respirei fundo antes de continuar. — Você passou a vida inteira olhando só pro negativo. E quando, por um segundo, você olhou pro lado positivo… nos fez viver tudo isso. Tudo o que somos hoje. Ela suspirou olhando pra baixo, nervosa, as mãos uma na outra. Toquei seu rosto devagar, fazendo ela me olhar de novo. Nossa... Linda, muito mais linda daquele jeito. Seu medo inocente me deixava louco. — É só isso que eu te peço, meu amor. Pensa p
Mas então ela enrijeceu. Se afastou de repente. Os olhos arregalados, intensos. — Não… não… Meu coração disparou. — O que foi? perguntei, já em alerta. Ela me empurrou de novo, com urgência. — Eu vou vomitar! Mal deu tempo. Ela quase me derrubou do sofá e correu em direção ao banheiro. Fui atrás no mesmo instante. Ela se curvou diante do vaso, os cabelos longos caindo pra frente. Segurei tudo com cuidado, afastando do rosto dela. Esperei. Em silêncio. Quando terminou, parei ao lado, passando a mão nas costas dela. — Respira… devagar ... pedi. — Você tá bem? Ela assentiu, ainda ofegante. Mas algo estava errado. — Isso não é normal. falei, já sentindo o estômago afundar. — Os remédios não dão esse efeito agora. Ela me olhou, cansada. — Eu sei. Foi isso que me gelou. — Vou ligar pro Cristian. — Gabriel, não precisa… ela tentou. — Não quero voltar pro hospital. Se acharem que eu regredi… Segurei o rosto dela com firmeza, mas com carinho. — Olha pra mim
LARA: DIAS DEPOIS: Percebi que o hospital tinha mudado quando não senti o peito apertar ao atravessar as portas de vidro. Não era o lugar. Era eu. Segurei a mão do Gabriel com naturalidade, como se aquilo sempre tivesse sido simples. Ele me apertou de leve os dedos, um gesto silencioso de “estou aqui”, e caminhamos até a sala de espera. Não havia pressa. Não havia urgência. Pela primeira vez, eu não me sentia uma visitante temporária da própria vida. Cristian nos recebeu com um sorriso aberto, diferente daquele profissional, contido, que eu conhecia tão bem. — Vocês estão ótimos... disse antes mesmo de olhar os exames. — E isso não é só impressão. Sentamos. Ele analisou os resultados com calma, fez algumas perguntas de praxe, ajustou um horário de medicação, nada que soasse como sentença. — A resposta continua positiva... explicou. — Seguimos com acompanhamento, mas vocês já sabem… estamos em outro lugar agora. Assenti. Eu sentia isso no corpo. No jeito como re












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