MasukJane era alta, esguia, lábios grossos e pequenos, com traços acentuados e nariz fino, levemente levantado. Dona de olhos verdes esbugalhados, possuía uma beleza exótica.
Gaby tinha uma beleza delicada. Era baixinha, o tipo mignon. Coxas grossas, bumbum levemente arrebitado, pele clara e acetinada. Lábios carnudos, porém, proporcionais e harmônicos ao seu rosto. Seus olhos eram castanho-esverdeados e seu olhar era doce.Gaby tinha uma personalidade alegre e bondosa. Era uma excelente aluna e a queridinha de todos os professores, assim como da maioria da população da cidade. Predicados que incomodaram Jane e lhe despertaram a inveja. Por este conjunto de razões, Jane decidiu se dedicar em destruir o castelo de sonhos de Gaby e fez o que pôde para prejudicá-la. Sempre que tinha oportunidade, Jane tentava, dissimuladamente, manchar a imagem de Gaby diante de professores e dos moradores da pequena cidade.Gaby, Flávia e Cida, tinham a mesma idade, estudavam juntas e eram amigas confidentes. Jane logo se infiltrou no meio da amizade delas e alimentava uma inveja do forte laço que as unia. Ao conhecer a história de Gaby e Beto, Jane imediatamente odiou. Achou ridícula a história de serem predestinados, e tomou para si a missão de provar que ninguém nascia destinado a ninguém. Acreditava que relacionamentos eram escolhas individuais e os pais não tinham o direito de escolher com quem seus filhos deveriam se casar. Ou mesmo se, um dia, deveriam se casar!Além do mais, Jane não acreditava na instituição “casamento”. Odiava a ideia de que as mulheres nasceram para se casar e ter filhos. Nunca se imaginou vivendo esse tipo de experiência. Enquanto Gaby e as amigas sonhavam com a disposição dos móveis e a decoração de suas casas, Jane sonhava em viajar e ganhar o mundo. Decididamente, não suportava as ideias de mundo “cor de rosa” do trio de amigas e por essa razão, fez o que pôde para lhes sepultar os sonhos românticos.Ao longo dos anos, Jane empreendeu diversas armações para atrapalhar a vida de Gaby, desde roubar-lhe papéis em peças de teatro da escola e até as amigas. Mas Jane agia as escondidas e se fingia de amiga de todas.—*—Fred, assim como Gaby, também tinha um lado romântico, porém fazia questão de escondê-lo a 7 chaves, até conhecer Jane e imediatamente enamorar-se dela. Encantado, confidenciara isso ao amigo Beto.Jane não perdia a oportunidade de menosprezá-lo por sua aparência. Fred, ao perceber o distanciamento e o menosprezo de Jane, buscou manteve-se distante.Fred não se considerava bonito. Era alto com 1,84 cm de altura e durante toda a infância foi zoado por ser “comprido e magricela”, entretanto era dono de traços fortes, lábios bem desenhados, rosto levemente quadrado e olhos verdes divertidos. Com o passar dos anos, fez do bom-humor sua marca registrada e foi se tornando interessante aos olhos das garotas das redondezas.—*—Quando Beto fez 18 anos foi para Uruaçu cursar Ciências Contábeis. Ficava lá durante a semana e retornava à Minaçu na sexta-feira à tarde. Fred também havia entrado para a universidade e cursava Agronomia em Brasília e assim como Beto, voltava para a cidade aos fins de semana.Jane aproveitou-se da ausência de Beto para contar mentiras e tecer intrigas entre o casal. Tentava, a todo custo, quebrar a confiança que um tinha no outro com comentários de duplo sentido.Usou da amizade de seu irmão Luiz Gustavo com Beto e Fred para colher informações sobre Beto. Foi assim que descobriu que Beto, após ver a namorada aos sábados à noite, “escapava” com os amigos para Campinaçu com intuito de “pegar” garotas.A essa altura Gaby já estava com 17 anos e Beto com 19. Eles ficariam oficialmente noivos no aniversário de 18 anos dela que seria dali 8 meses.Jane arquitetou um plano para que Gaby pudesse ver, acidentalmente, Beto aos beijos com outra garota. Ao ver a cena, Gaby com olhos cheios d´água saiu correndo. Beto foi atrás para tentar convencê-la de que não era o que ela estava pensando.Fred também foi atrás do casal, enquanto Jane ria da cena. Luiz Gustavo foi até a irmã e repreendeu-a, dizendo que ela havia feito de propósito, pois sabia do que ela era capaz. Jane por sua vez, tentou desconversar.Transtornada, Gaby entrou num taxi e foi para casa. Beto tentou impedir que ela fosse embora, justificando que ela havia entendido errado e que não era o que parecia ser, mas ela não quis ouvi-lo, deixando-o parado no meio da rua. Fred o alcançou e disse ao amigo que aquele não era o momento e que o certo seria esperar Gaby esfriar a cabeça para conversarem.—*—Em casa, Gaby chorou a noite toda. Beto foi para casa, contou para os pais o que havia acontecido, ganhou um belo puxão de orelha da mãe e a garantia do pai de que o ajudaria a sair daquela enrascada. Ao amanhecer, os pais de Beto foram na casa dos pais de Gaby tentar ajudar o filho a resolver aquele imbróglio.
Os pais e os padrinhos tentaram conversar com Gaby, justificando que aquilo era coisa da idade, porém magoada, ela não aceitou. Beto tentou falar com ela outras vezes, mas sem sucesso. Até Fred tentou, contudo, ela não quis ouvi-lo e o acusou de ser cumplice de Beto em tudo. E de fato o era.Na cidade correu a notícia de que o casamento dos sonhos havia acabado e Jane comemorou.
Após dois dias sem se falarem, Beto já estava desanimado. Mas Fred teve a ideia de fazerem uma serenata para ela. Compraram flores e à noite se reuniram embaixo da janela dela cantando uma música que ela gostava. Ao abrir a janela, Gaby viu Fred tocando violão e cantando. Um pouco mais à frente viu Beto ajoelhado no chão com um lindo buquê de rosas vermelhas, dizendo que a amava.Gaby viu as pessoas que passavam na rua juntarem-se na porta de sua casa, os vizinhos saírem nas janelas e portas. E no fim da música, Gaby, romântica, como sempre, se jogou nos braços de Beto e o perdoou.Ao longe, irritada com a cena que classificou como “patética”, estava Jane, que jurou para si separar aquele casal custasse o que custasse.—*—Faltando cerca de 3 meses para o noivado oficial de Gaby e Beto, Jane tentou causar intriga usando o rascunho roubado de uma carta que Gaby havia escrito para Flávia se declarar à Fred numa época em que Flávia achava que gostava dele. Ela fez com que a carta chegasse a Beto e o namoro dos dois foi abalado. Felizmente a situação foi esclarecida com Flávia assumindo seu interesse por Fred e revelando que Gaby havia escrito a carta para ajudá-la, tendo Cida como testemunha.
Os meses se passaram e Jane não desistiu de destruir o castelo de sonhos de Gaby. Se fazia de amiga, enquanto pelas costas dava em cima de Beto. Cida e Flavinha alertaram Gaby, mas ela não via maldade nas ações da “amiga”, até porque Jane sempre manipulava as situações de forma com que ela se tornasse a vítima e tentava denegrir a imagem de Cida e Flavinha para Gaby. E aos poucos, Jane ia conseguindo atingir dois de seus objetivos que era afastar as amigas e ocupar o posto de confidente de Gaby.
Inocente, Gaby passou a confiar cada dia mais em Jane. Contava-lhe seus segredos, seus receios e limitações. Contou à Jane que se guardava para Beto, pois acreditava na superioridade do amor deles. Eis que Jane usou isso em seu favor. Beto era um homem jovem, com hormônios à flor da pele no auge dos seus 20 anos e ela ofereceu a ele o que um homem dificilmente recusaria. E ele caiu feito um patinho, deleitando-se com o corpo dela.
Flavia e Cida tentaram novamente avisar Gaby que Jane estava envolvendo Beto em uma teia. Mas Gaby, inocente e bondosa, não acreditou até que no dia do seu aniversário de 18 anos, data em que ficaria oficialmente noiva de Beto, tudo veio à tona.
—*—A lua de mel foi deliciosa e eles aproveitaram bastante. Voltaram para a cidade renovados e com grandes planos para o futuro. Gaby se dedicou à padaria e à farmácia e ainda auxiliava Fred com a documentação das outras empresas. Ela até queria ajudar mais para aliviá-lo um pouco, pois o sítio vinha crescendo e exigindo mais a presença dele, já que havia aumentado o rebanho bovino e vinha investindo em suínos e na construção de uma granja, mas Fred não deixava, pois tinha receio de ela se cansar muito por causa da gravidez. Sr. Ivan passou a tomar conta do mercado e Dona Glória ajudava sempre a filha em tudo. Os negócios do casal prosperavam. Na padaria Gaby implementou novos serviços como o brunch, delivery, buffet e locação do espaço para eventos, devido ao sucesso de sua festa de casamento. Luiza, Jane e Beto deixaram a cidade depois que passaram a ser apontados na rua como invejosos, ardilosos e traiçoeiros. Fred e Gaby ficaram felizes com a notícia. Chris e Marcelo finalmente se
Ao término da cerimônia, noivos e convidados seguiram para a padaria, onde aconteceria a recepção. Ao chegarem, os noivos foram aclamados e receberam os cumprimentos de todos. Quando seus padrinhos vieram lhe cumprimentar, Gaby os abraçou e agradeceu a presença. Os pais de Beto a abraçaram e felicitaram pelo bebê. Sr. Pedro e Dona Alice pediram perdão à Gaby e Fred pelo comportamento de Beto e se disseram envergonhados pelos atos do filho. Após os cumprimentos, os noivos sentaram-se à mesa dos amigos, enquanto seus pais e padrinhos sentaram-se à mesa ao lado. Na mesa dos amigos não se falavam de outra coisa a não ser da missão quase impossível que eles enfrentaram para desfazer o mal-entendido e unir os dois. Fred agradeceu a todos pela compreensão e empenho, em especial a Rubens. —Rubens, muito obrigado por tudo que fez por mim! De coração, cara! —De nada, Fred. Mas eu não fiz por você! – disse Rubens. Todos se espantaram com receio de Rubens se declarar à Gaby. —Fiz pelo
No altar, Dona Glória e Sr. Durval não estavam entendendo nada. Afinal, quem estava no lugar do noivo era Beto, não Fred. Na porta da igreja, Jane empurrou Tony e Flávia para entrarem. —Você aí! – Jane falou com Chris. —É Madrinha? —Sim! —Então, entra! – apontou Jane. —Meu par não chegou ainda. – respondeu Chris sem entender quem era aquela maluca dando ordens a todos. —Então acabaram os padrinhos. Quem entrou, entrou. Quem não entrou, não entra mais. Agora entre a noiva! —Quem é essa louca? – perguntou Chris. —Essa é Jane. A intrometida. – respondeu Cida. Rubens estava aflito. Nem Fred e nem Luiz Gustavo chegavam. Ele teria mesmo que sequestrar Gaby. Gaby estava em outro mundo e não percebia o que Jane estava fazendo. Nem percebeu que ela a havia posicionado junto ao pai na porta de entrada. Sua mente viajava nas palavras de Rubens, Cida e de Fred. O pai falava com ela e ela não o ouvia. A marcha nupcial tocou e o pai de Gaby começou a andar conduzindo-a. Pisara
Na casa de Cida, Gaby estava praticamente pronta. A maquiadora finalizava a maquiagem e tentava esconder as olheiras de uma noite em claro. Desde que Rubens havia saído, Gaby não tinha esquecido as palavras dele. Outra coisa que mexeu com ela, foi a conversa com Cida. Lembrava-se também do olhar triste de Fred. Ele realmente estava sofrendo tanto quanto ela. Isso a fez pensar que se de fato ele tivesse transado com Luiza em sã consciência, não sofreria. Começou a analisar o ocorrido há 10 anos em que havia pegado Beto com Jane. Depois de seu reencontro com Beto, ele afirmara que quem havia passado a mensagem atraindo-a para flagrá-lo tinha sido Jane e, não ele. Ela tinha usado o celular dele enquanto ele estava distraído no banho. Lembrou-se de Rubens ter dito que colocaram um “Boa noite Cinderela” na bebida de Fred. “E se isso fosse verdade, Fred poderia ser inocente. Com ele apagado, qualquer pessoa poderia ter lhe enviado aquela mensagem. Mas e se não fosse isso?” Finalizada a ma
Lá fora, Tony colocava Fred no carro completamente transtornado. . Chris ao ver Rubens sair, perguntou: —Ela te ouviu? —Ouviu, mas não mudou de ideia. – deu uma pausa e falou. —Mas acho que ela deu uma balançada. —E agora? —Agora vamos fazer tudo para provar que ele é inocente. Leve-o para casa Chris. Faça-o tomar um banho e se vestir para se casar! Leve Flávia para te ajudar. —O que vai fazer? —Ainda não sei, mas se depender de mim ela não vai se casar com aquele cafajeste. – sorriu para Chris. Ela retribuiu o sorriso e saiu confiante. Rubens era muito perspicaz. Tinha certeza de que ele encontraria uma solução. Chris e Flávia levaram Fred para casa, enquanto Rubens reunia os homens para sua missão. —Tony, Marcelo, preciso de vocês. —*— Rubens tentou ordenar os pensamentos e traçar uma estratégia. —É simples. Plano A: Provar a inocência de Fred. —Como vamos fazer isso? – indagou Marcelo. —Ainda estou pensando... – respondeu Rubens. —Tony, preciso de maiores informações s
Às 13h de sábado Gaby tinha que estar na casa de Cida, pois teria manicure, pedicure, maquiagem e cabelo marcados. Beto fez questão de levá-la, pois queria ter certeza de que ela não voltaria para a casa de Fred. Ao deixá-la na porta da casa de Cida, ele também foi se arrumar, pois afinal ele se casaria naquele dia e nem tinha comprado um terno. Usaria um terno que já tinha e que serviria para a ocasião. Gaby bateu a campainha da casa de Cida e ela quase caiu de costas quando a viu! Ela estava um caco e com olheiras profundas, típicas de alguém que não tinha dormido nada. Imediatamente, Cida colocou a amiga para dentro de casa. —Gaby, tá todo mundo louco atrás de você. Você comeu algo? Ao ver a amiga responder negativamente com a cabeça, Cida tentou dar-lhe algo para comer. Num misto de alívio pela amiga ter aparecido e preocupação pelo que estava por vir, questionou: —Onde você estava? —Com Beto. Vou me casar com ele. —Você ficou maluca? – indagou a amiga. —Talvez eu tenha fi







