LOGINCatherine Gagnon tem apenas vinte e um anos quando conhece o homem que muda a sua vida para sempre. Entre as ruas elegantes de Bordeaux e uma noite comum na discoteca onde trabalha em part-time, cruza-se com Máximo Santoro, o herdeiro de um poderoso grupo hoteleiro italiano. O que começa com olhares tímidos transforma-se rapidamente num romance intenso, vivido entre jantares, conversas intermináveis e promessas silenciosas. Pela primeira vez, Catherine acredita ter encontrado o amor. Mas, apenas três semanas depois, Máximo desaparece sem deixar explicações... apenas uma carta cruel que destrói tudo aquilo em que ela acreditava. Quando descobre que está grávida, Catherine decide seguir em frente sozinha. Com o apoio incondicional dos pais, dedica-se ao filho, Émile, e constrói uma carreira de sucesso no departamento de marketing de uma prestigiada produtora de vinhos, convencida de que o homem que amou nunca passou de uma ilusão. Do outro lado dos Alpes, Máximo vive uma realidade bem diferente. Forçado pela poderosa família Santoro a abandonar a mulher que ama e a casar por conveniência com Andreia D'Angelo, torna-se prisioneiro de um casamento sem amor e de um legado que nunca escolheu. Três anos mais tarde, o destino volta a cruzar os seus caminhos. Uma viagem de negócios leva Catherine a Milão para promover os vinhos da empresa onde trabalha... precisamente no luxuoso hotel pertencente à família Santoro. O reencontro é explosivo. Entre segredos, ressentimentos e sentimentos que nunca desapareceram, ambos percebem que o passado foi construído sobre mentiras. Enquanto Máximo luta para descobrir a verdade por detrás da carta que destruiu o seu amor, Catherine fará de tudo para proteger o filho cuja existência ele desconhece. Porque há amores que sobrevivem ao tempo. Mas nem todos conseguem sobreviver às pessoas dispostas a destruí-los.
View MoreMilão.
A cidade estava cheia de movimento, era primavera e o sol refletia nas fachadas elegantes dos edifícios históricos. O trânsito estava caótico. Olivier estava ansioso. Valentina falava sem parar. Para Catherine, era apenas mais uma viagem de trabalho. Ou pelo menos era isso que tentava convencer-se. Milão era uma cidade que ela queria esquecer o nome, não que ela já a tivesse visitado, mas era uma cidade que ela não queria ir. — Nervosa? — perguntou Olivier, sorrindo enquanto o carro atravessava o centro da cidade. Catherine desviou o olhar da janela e sorriu de forma educada. — É apenas uma apresentação de uma nova coleção de vinhos. já fiz dezenas – disse Catherine — Nunca numa das maiores cadeias hoteleiras de Itália – referiu Olivier a sorrir Ela encolheu os ombros. — Há sempre uma primeira vez – disse ela a olhar pela janela No banco da frente, Valentina consultava a agenda do evento. — O Hotel Santoro é conhecido por receber investidores, empresários e figuras públicas, e o diretor-geral faz questão de estar presente em todos os grandes eventos – disse Valentina bastante animada Catherine ouviu o apelido, mas não lhe deu importância. Santoro. Era um sobrenome comum em Itália. Respirou fundo e voltou a olhar pela janela. Três anos. Três anos desde a última vez que vira Máximo. Três anos desde a carta. Aquela maldita carta que a destruiu por dentro. " O que aconteceu entre nós foi um erro. Um erro que não quero repetir. Quando te conheci, estava longe de casa, aborrecido com a minha vida e à procura de alguma coisa que me distraísse. Tu apareceste no momento certo. Foste bonita, simpática e fácil de conquistar. E eu deixei-me levar.” Ainda conseguia recitar cada palavra. Depois vieram as lágrimas. A gravidez. O nascimento de Émile. E, por fim, a decisão de nunca mais procurar aquele homem. O enorme salão do Hotel Santoro impressionava qualquer visitante. Candelabros de cristal pendiam do teto, refletindo a luz dourada sobre o mármore branco. Empregados impecavelmente vestidos circulavam entre convidados de diferentes nacionalidades, enquanto o aroma subtil de flores frescas misturava-se com o perfume caro dos presentes. — Impressionante... — murmurou Valentina ao admirar toda a decoração do hotel — Os italianos sabem vender luxo — respondeu Olivier atento a todos os pormenores Catherine limitou-se a sorrir. A sua atenção estava concentrada nas garrafas expostas no elegante stand da empresa. Era ali que se sentia segura. No trabalho. Enquanto organizava os últimos detalhes da apresentação, ouviu um dos responsáveis do hotel aproximar-se. — Senhorita Gagnon? – disse um dos responsáveis do hotel — Sim? – respondeu Catherine — Dentro de alguns minutos, o diretor do grupo hoteleiro fará uma breve visita aos expositores para cumprimentar todos os parceiros – disse ele e ela apenas assentiu. — Perfeito – disse ela e continuou a fazer o que estava a fazer Nada de especial. Mais um empresário. Mais um aperto de mão. Mais um sorriso profissional. Do outro lado do hotel, Máximo Santoro ajustava os punhos da camisa enquanto caminhava pelos corredores. A gravata permanecia desapertada. Nunca gostara delas. — Máximo... — chamou Donatello, tentando acompanhar-lhe o passo — A sua esposa não vem? – perguntou ele — Não sei – respondeu Máximo — Temos a visita aos expositores – continuou Donatello e Máximo suspirou. — Mais protocolo... – disse ele e Donatello sorriu — Faz parte do cargo – disse Donatello e Máximo não respondeu. Desde que o pai lhe entregara a direção executiva do grupo, os dias resumiam-se a reuniões, contratos e jantares de negócios. Era bom no que fazia. Mas deixara de ser feliz há muito tempo. O casamento com Andreia existia apenas no papel. O casamento nunca foi nada para além de um contrato e noites de sexo. No coração dele não havia espaço para amar nenhuma mulher ou melhor ele nunca deixara de amar uma. Uma francesa de olhos cor de mel. — Senhor Santoro – disse um funcionário abriu as portas do salão. As conversas diminuíram ligeiramente. Máximo entrou acompanhado por alguns administradores. Cumprimentava convidados com o sorriso automático que aprendera a usar ao longo dos anos até que parou. O tempo pareceu congelar. Não. Era impossível. A poucos metros de distância, inclinada sobre uma mesa onde organizava algumas garrafas de vinho, estava uma mulher de vestido azul-escuro. O cabelo castanho preso num elegante coque. A mesma delicadeza. A mesma postura. Quando ela levantou a cabeça os olhos encontraram-se. Catherine ficou imóvel. O copo de cristal escapou-lhe dos dedos. Partiu-se no chão. O som ecoou por todo o salão. Ninguém falou. Ela deixou de ouvir tudo à sua volta. Via apenas aquele homem. Mais velho. Mais maduro. Ainda mais bonito do que nas suas recordações. E com a mesma intensidade no olhar. Máximo deu um passo em frente. — Catherine… - disse ele e ela sentiu o coração acelerar de tal forma que lhe faltou o ar. Não. Aquilo não podia estar a acontecer. Não ali. Não depois de tudo. — Não... — murmurou, quase sem voz. Olivier aproximou-se imediatamente. — Catherine? Está tudo bem? – perguntou Olivier ao ver o choque dela Ela nem respondeu. Os olhos continuavam presos aos dele. Máximo parecia incapaz de acreditar no que via. Durante três anos procurara esquecer aquele rosto. Nunca conseguira. Agora estava ali. À sua frente. Real. Mais bonita do que qualquer memória. — Catherine... eu... – disse ele e ela ergueu finalmente a mão, impedindo-o de continuar. O olhar que lhe lançou não continha amor. Nem saudade. Apenas uma dor tão profunda que o atingiu como uma facada. — Não diga o meu nome – disse ela com a voz firme — Eu não tenho nada para falar consigo – disse ela e virou-se imediatamente para Olivier. — Tenho de ir embora – disse ela — Mas a apresentação...- disse Valentina chocada — Façam vocês, eu confio – disse Catherine e sem esperar resposta, caminhou em direção à saída. Máximo deu dois passos para a seguir. — Catherine, espera! – disse ele e ela parou apenas o tempo suficiente para olhar por cima do ombro. As lágrimas brilhavam-lhe nos olhos, mas recusavam-se a cair. — Esperar? – disse ela — Foi exatamente isso que fiz durante semanas – disse ela e depois desapareceu entre os convidados. Máximo permaneceu imóvel. Sentia-se como naquela manhã em Bordeaux, três anos antes. Quando saiu do quarto de hotel onde ele estava com ela. Ela dormia depois de mais uma noite intensa de amor. Só que, desta vez tinha sido ela a partir. E ele não fazia ideia de que, algures em Bordeaux, existia um menino de três anos chamado Émile, um menino que tinha exatamente os seus olhos.Três anos antes…Logo após o noivado mais esperado e falado de Itália, Máximo e Andreia começam a comparecer juntos em público.- Avisa Andreia que temos um jantar hoje – diz Máximo para Donatello – Ela que esteja pronta às dezanove – continua ele sem levantar a cabeça para o tio- Mais alguma coisa? – perguntou Donatello- Não – diz Máximo e Donatello sai do gabinete deleAndreia era a noiva perfeita, sempre bem-comportada, sempre bem vestida, sem causar transtornos e principalmente muito obediente.Ela sabia como estar nos eventos, como ficar apenas ao lado dele, sem se intrometer nas conversas.Dias mais tarde, Máximo vai a uma boate com os seus amigos.- Máximo – chama Romeu – A sua noiva – diz ele e aponta para o canto da zona VIP onde estava Andreia com duas amigas a conversar de forma muito discretaMáximo não respondeu.Apenas olhou.Andreia não demorou muito para o ver e foi até ele.- Querido – diz ela ao chegar junto dele e Máximo forçou um sorriso- Andreia – respondeu el
Três anos antes…Os primeiros dias em casa, não foram os melhores.Catherine estava triste, muito triste.Sem vontade de viver.Ela mal saía do quarto.Isso preocupava os pais dela. Muito, mesmo muito.Antoine olhava para Rose, como que procurasse uma resposta para o estado da filha, mas, ninguém tinha o poder de animar Catherine.Eles faziam de tudo para animar a filha, mas nada era o suficiente para que ela voltasse a sorrir, voltasse a ser a menina sorridente que sempre fora.- Ela aos poucos vai melhorar – dizia Rose para o marido, confiante que a deceção amorosa da filha passasse com o tempo- Se eu pudesse ia a Itália buscar aquele moleque sem vergonha – dizia Antoine revoltado com a forma como a filha tinha sido abandonada por Máximo, ou pelo menos era isso que todos pensavam, pois, a carta que ele escreveu nunca foi entregue a Catherine- De que isso adiantaria, ele se a amasse tinha ficado – dizia Rose e Antoine dava de ombros.Duas semanas depois, Catherine começava a sair d
Três anos antes…Já que tinha de se casar com Andreia, Máximo decidiu que iria ser tudo muito rápido.Assim que Pietro anunciou que o filho se iria casar com Andreia, foi marcado o jantar de noivado deles.- A única coisa boa disto tudo é eu saber que mais uma vez te ganhei – sussurra Máximo ao ouvido de Mário que fica furioso por dentro- E quem disse que eu queria ganhar um casamento forçado? – disse Mário depois de respirar fundo para se conter- Não é preciso dizeres eu sei que sim – diz Máximo mantendo a postura séria deleNo dia do noivado, Máximo não estava com o melhor humor e isso era claro para todos.Já Andreia, estava feliz, muito feliz.- Mãeeeee – gritava ela no quarto dela para a mãe- Fala filha – diz Guida, a mãe dela- Este ou este? – pergunta ela à mãe que a olha com uma cara muito séria- Andreia, pouco importa a roupa interior hoje, tu não vais dormir com ele – diz Guida- E se ele quiser? – pergunta ela- Tu não vais permitir, tens de chegar ao casamento ou perto
Três anos antes…Depois de descontar toda a sua raiva nos móveis do quarto, Máximo volta para a empresa.- Primo – diz Mário ao encontrá-lo no elevador e Máximo olha para ele, mas não responde – Finalmente resolveu vir trabalhar – diz Mário de forma provocativa- Eu estive sempre a trabalhar - diz Máximo e Mário liberta o ar pelo nariz e esboça um pequeno riso irónicoMáximo tem de se controlar para não entrar logo em atrito com ele e assim que chegam ao andar da presidência, ela vai para o gabinete do paiPietro olha para o filho em silêncio.Ele não sabe como dizer ao filho que o sacrifício dele será para um bem maior. Embora ele saiba que provocou um enorme desgosto no filho.- Entre – diz Pietro assim que ouve batidas na porta – Donatello – diz Pietro e ele entra- Pietro, Máximo – diz Donatello cumprimentando-os – A reunião começa dentro de minutos – diz ele e Pietro assinte com a cabeçaMáximo estava mais calado que o habitual.Mas observador como sempre.Ele sabia que o pai ain












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