LOGINFred parou o carro na esquina da casa de Gaby. Não quis arriscar parar em frente, pois Beto morava na casa ao lado. Seria mais prudente ele não os ver juntos.
—Te espero aqui. – disse ele enquanto ela se afastava em direção a casa.Ela entrou pé ante pé, segurando as sandálias nas mãos. Foi até seu quarto, escovou os dentes, limpou a maquiagem borrada, lavou o rosto e amarrou os cabelos em um rabo de cavalo. Pegou uma mala e colocou nela o que pôde. Trocou de roupa, vestiu jeans e camiseta. Pegou uma sacola e colocou o vestido, as sandálias e tudo que havia ganhado de presente de Beto nos últimos anos. De posse de seu celular, viu que havia mais de 20 ligações de Beto para ela e outras tantas de seus pais.
Na sala, deixou um bilhete se despedindo dos pais dizendo que os amava, mas que diante dos acontecimentos da noite anterior, não poderia mais viver naquela cidade. Saiu da casa levando sua mala, a sacola com tudo que representava seu relacionamento e o ursão que Beto havia lhe dado no dia anterior.
Lá fora, passou no lixo da casa de Beto e colocou tudo ali. Fez questão de pôr no lixo da casa dele para que soubesse que ela estava virando a página que o incluía em sua vida.Na esquina, Fred a esperava e a viu colocar as coisas no lixo. Quando ela já estava à uma distância segura para não ser vista da casa de Beto, ele foi encontrar-se com ela. Pegou a mala de suas mãos e a conduziu para o banco de passageiros do carro. Ao entrar no carro, entregou-lhe um pacote com pães de queijo que havia comprado na padaria da esquina e ela, com fome, os devorou.No caminho da rodoviária, Fred perguntou.—Como vai se estabelecer lá?—Tenho uma grana que meus pais me deram de presente de aniversário. Eles iriam me dar um carro, mas eu preferi o dinheiro porque tinha planos de comprar os móveis da nossa casa e pagar nossa lua de mel. – riu tristemente. —Agora esse dinheiro vai me ser útil de outra forma.—*— Na rodoviária local não havia ônibus para Goiânia antes das 12h e ela não queria esperar. Temia que ou Beto ou os pais fossem lá e a obrigassem a voltar. Fred, então, se ofereceu para levá-la até Uruaçu, de onde sairia um ônibus as 9h com destino à Goiânia. Ela lembrou-lhe que era longe para ele ir, mas não o convenceu do contrário.—Bobagem, são apenas 230 quilômetros. Tô acostumado a rodar quase o dobro para ir à universidade, portanto, posso fazer isso por uma amiga.—Obrigada! Não sei como agradecer.—Nem precisa agradecer. – segurou a mão dela com carinho.Na rodoviária de Uruaçu, Fred se despediu dela antes do embarque.—Quando voltar, lembre-se dos amigos.—Não vou voltar, Fred. – lágrimas escorreram em sua face. —Nunca mais!—Que pena! Então, sendo assim, boa sorte! – abraçou-a e beijou-lhe a testa. —Vê se se cuida!—Vou me cuidar, pode deixar. Obrigada por tudo!—Tá bom, mas não vá beber de madrugada com nenhum estranho, viu?! – brincou ele segurando as lágrimas. —Isso pode ser perigoso.—Tá bom ... e nem de estômago vazio.—Exatamente!—Vou me lembrar disso. – sorriu com tristeza.Entrou no ônibus, olhou para trás e deu-lhe tchau. Era como virar a página dos seus sonhos.Do lado de fora, Fred gritou enquanto o ônibus iniciava a manobra para deixar a área de embarque:—Mande notícias para mim!Mas Gaby não pretendia mandar notícias para ninguém daquela m*****a cidade. De Uruaçu a Goiânia foram 5h e 10 minutos de viagem, tempo que ela passou repensando sua vida. Em alguns momentos as imagens do ocorrido ainda lhe eram bem nítidas na mente. E foi durante aquele trajeto que ela jurou esquecer para sempre Beto. Assim como jurou nunca mais pisar em Minaçu. Se os pais quisessem vê-la, teriam que ir até ela. Por último, se comprometeu a nunca mais se entregar ao amor.—*—A lua de mel foi deliciosa e eles aproveitaram bastante. Voltaram para a cidade renovados e com grandes planos para o futuro. Gaby se dedicou à padaria e à farmácia e ainda auxiliava Fred com a documentação das outras empresas. Ela até queria ajudar mais para aliviá-lo um pouco, pois o sítio vinha crescendo e exigindo mais a presença dele, já que havia aumentado o rebanho bovino e vinha investindo em suínos e na construção de uma granja, mas Fred não deixava, pois tinha receio de ela se cansar muito por causa da gravidez. Sr. Ivan passou a tomar conta do mercado e Dona Glória ajudava sempre a filha em tudo. Os negócios do casal prosperavam. Na padaria Gaby implementou novos serviços como o brunch, delivery, buffet e locação do espaço para eventos, devido ao sucesso de sua festa de casamento. Luiza, Jane e Beto deixaram a cidade depois que passaram a ser apontados na rua como invejosos, ardilosos e traiçoeiros. Fred e Gaby ficaram felizes com a notícia. Chris e Marcelo finalmente se
Ao término da cerimônia, noivos e convidados seguiram para a padaria, onde aconteceria a recepção. Ao chegarem, os noivos foram aclamados e receberam os cumprimentos de todos. Quando seus padrinhos vieram lhe cumprimentar, Gaby os abraçou e agradeceu a presença. Os pais de Beto a abraçaram e felicitaram pelo bebê. Sr. Pedro e Dona Alice pediram perdão à Gaby e Fred pelo comportamento de Beto e se disseram envergonhados pelos atos do filho. Após os cumprimentos, os noivos sentaram-se à mesa dos amigos, enquanto seus pais e padrinhos sentaram-se à mesa ao lado. Na mesa dos amigos não se falavam de outra coisa a não ser da missão quase impossível que eles enfrentaram para desfazer o mal-entendido e unir os dois. Fred agradeceu a todos pela compreensão e empenho, em especial a Rubens. —Rubens, muito obrigado por tudo que fez por mim! De coração, cara! —De nada, Fred. Mas eu não fiz por você! – disse Rubens. Todos se espantaram com receio de Rubens se declarar à Gaby. —Fiz pelo
No altar, Dona Glória e Sr. Durval não estavam entendendo nada. Afinal, quem estava no lugar do noivo era Beto, não Fred. Na porta da igreja, Jane empurrou Tony e Flávia para entrarem. —Você aí! – Jane falou com Chris. —É Madrinha? —Sim! —Então, entra! – apontou Jane. —Meu par não chegou ainda. – respondeu Chris sem entender quem era aquela maluca dando ordens a todos. —Então acabaram os padrinhos. Quem entrou, entrou. Quem não entrou, não entra mais. Agora entre a noiva! —Quem é essa louca? – perguntou Chris. —Essa é Jane. A intrometida. – respondeu Cida. Rubens estava aflito. Nem Fred e nem Luiz Gustavo chegavam. Ele teria mesmo que sequestrar Gaby. Gaby estava em outro mundo e não percebia o que Jane estava fazendo. Nem percebeu que ela a havia posicionado junto ao pai na porta de entrada. Sua mente viajava nas palavras de Rubens, Cida e de Fred. O pai falava com ela e ela não o ouvia. A marcha nupcial tocou e o pai de Gaby começou a andar conduzindo-a. Pisara
Na casa de Cida, Gaby estava praticamente pronta. A maquiadora finalizava a maquiagem e tentava esconder as olheiras de uma noite em claro. Desde que Rubens havia saído, Gaby não tinha esquecido as palavras dele. Outra coisa que mexeu com ela, foi a conversa com Cida. Lembrava-se também do olhar triste de Fred. Ele realmente estava sofrendo tanto quanto ela. Isso a fez pensar que se de fato ele tivesse transado com Luiza em sã consciência, não sofreria. Começou a analisar o ocorrido há 10 anos em que havia pegado Beto com Jane. Depois de seu reencontro com Beto, ele afirmara que quem havia passado a mensagem atraindo-a para flagrá-lo tinha sido Jane e, não ele. Ela tinha usado o celular dele enquanto ele estava distraído no banho. Lembrou-se de Rubens ter dito que colocaram um “Boa noite Cinderela” na bebida de Fred. “E se isso fosse verdade, Fred poderia ser inocente. Com ele apagado, qualquer pessoa poderia ter lhe enviado aquela mensagem. Mas e se não fosse isso?” Finalizada a ma
Lá fora, Tony colocava Fred no carro completamente transtornado. . Chris ao ver Rubens sair, perguntou: —Ela te ouviu? —Ouviu, mas não mudou de ideia. – deu uma pausa e falou. —Mas acho que ela deu uma balançada. —E agora? —Agora vamos fazer tudo para provar que ele é inocente. Leve-o para casa Chris. Faça-o tomar um banho e se vestir para se casar! Leve Flávia para te ajudar. —O que vai fazer? —Ainda não sei, mas se depender de mim ela não vai se casar com aquele cafajeste. – sorriu para Chris. Ela retribuiu o sorriso e saiu confiante. Rubens era muito perspicaz. Tinha certeza de que ele encontraria uma solução. Chris e Flávia levaram Fred para casa, enquanto Rubens reunia os homens para sua missão. —Tony, Marcelo, preciso de vocês. —*— Rubens tentou ordenar os pensamentos e traçar uma estratégia. —É simples. Plano A: Provar a inocência de Fred. —Como vamos fazer isso? – indagou Marcelo. —Ainda estou pensando... – respondeu Rubens. —Tony, preciso de maiores informações s
Às 13h de sábado Gaby tinha que estar na casa de Cida, pois teria manicure, pedicure, maquiagem e cabelo marcados. Beto fez questão de levá-la, pois queria ter certeza de que ela não voltaria para a casa de Fred. Ao deixá-la na porta da casa de Cida, ele também foi se arrumar, pois afinal ele se casaria naquele dia e nem tinha comprado um terno. Usaria um terno que já tinha e que serviria para a ocasião. Gaby bateu a campainha da casa de Cida e ela quase caiu de costas quando a viu! Ela estava um caco e com olheiras profundas, típicas de alguém que não tinha dormido nada. Imediatamente, Cida colocou a amiga para dentro de casa. —Gaby, tá todo mundo louco atrás de você. Você comeu algo? Ao ver a amiga responder negativamente com a cabeça, Cida tentou dar-lhe algo para comer. Num misto de alívio pela amiga ter aparecido e preocupação pelo que estava por vir, questionou: —Onde você estava? —Com Beto. Vou me casar com ele. —Você ficou maluca? – indagou a amiga. —Talvez eu tenha fi







