LOGINCapítulo 3
Violet Jones Eu congelei. O homem à minha frente era ele. O assassino que matou as pessoas que me criaram. — Um assassino? — sussurrei. Numa fração de segundo, minha cabeça se negou a aceitar. Balancei, recuei dois passos, negando com a cabeça enquanto meu peito apertava. — Não… — sussurrei, sentindo o chão girar debaixo de mim. — Não, não, não…! Hector, meu suposto pai, levantou as mãos como se pudesse conter o desespero que subia dentro de mim. — Violet, escute. — A voz dele soava calma, como se fosse razoável o que estava prestes a dizer. — Esse era o combinado. Ninguém queria se arriscar a entrar naquela casa. Nem os melhores homens que contratei. E ainda havia um pedido de extermínio. Mason — apontou para o assassino — Ele foi e fez. Minhas sobrancelhas se franziram automaticamente. — Pedido de quê? Hector respirou fundo, a voz carregada. — O casal que te sequestrou, aqueles dois... — Ele cerrou a mandíbula. — Já tinham gasto quase todo o dinheiro. Você, para eles, não servia mais pra nada. Estavam planejando... — ele desviou o olhar por um instante — ...te matar. Eu tenho provas. Contrataram gente para te apagar discretamente. Meus joelhos vacilaram. Eu sabia que isso era verdade, eu mesma havia visto o documento que inclusive, ainda estava no meu bolso. Hector deu um passo à frente, como se pudesse me segurar apenas com palavras. — O Mason se infiltrou. Ele matou aqueles desgraçados antes que fizessem algo contra você. E te trouxe de volta pra sua verdadeira família. — Seus olhos queimavam de uma convicção que me dava vontade de gritar. — Era o mínimo que nós podíamos fazer. Não sei se você sabe, mas somos da máfia Mercus. Os casamentos são todos arranjados. Meu olhar vacilou para Mason — o assassino — que apenas me encarava, braços cruzados, como se estivesse entediado com toda a cena. — E tem mais — Hector continuou —, seu avô exigiu que você estivesse casada para receber sua herança. É a cláusula final. O prazo vence este mês. Era agora ou nunca. As palavras batiam na minha cabeça como t***s. — Casada? Com esse... monstro? Ele mata só pra ver o tombo! É esporte pra ele. — Estará segura, filha. — Me procurou a vida toda, mesmo? Porque parece tão fácil me entregar a um assassino de aluguel? — Mason é de confiança. Você vai ficar melhor assim. — Hector respondeu. — Eu não… — minha voz falhou. Recuei mais, tentando me afastar, tentando encontrar alguma saída. — Eu não vou me casar com ele. Não vou fazer parte disso! Nada disso faz sentido! Girei nos calcanhares e comecei a correr dali — só queria sair, sair, sair! Meus pés descalços foram batendo no chão de mármore, minha respiração entrecortada... Mas fui puxada. Uma mão dura fechou no meu braço com força, me girando de volta. Mason. Seu olhar queimava como ferro quente. Seu aperto era bruto, sem nenhuma delicadeza. — Agora é tarde pra correr, princesa — ele rosnou baixo, quase num sussurro, puxando meu rosto para perto do dele. — Você é minha agora. — Me solta! — gritei, tentando me desvencilhar, mas ele segurava firme, como se eu fosse um objeto que ele tinha acabado de conquistar. Seus olhos verdes claros eram como um rio antes de uma tempestade — intensos, ameaçadores, e assustadoramente frios. — Faz o escândalo que quiser — ele disse, usando um sorriso sarcástico no canto dos lábios — No final, vai ser você no meu quarto. Não tem pra onde correr, Violet — falou num sussurro. Meu peito arfava, minha garganta apertava. Por um segundo, pensei em morder, em gritar, lutar. Mas ao olhar pra Hector — e ver que ele apenas observava, impassível, como se fosse inevitável — percebi. Eles estavam todos juntos nisso. Eu estava presa. Então, respirei fundo e fiz algo que me repugnou até a alma: sorri. — Ok... — disse, engolindo o gosto amargo da mentira. — Você venceu. Eu aceito. Vi o brilho de surpresa passar rápido pelos olhos dele. Mason afrouxou a mão, como se não esperasse tanta facilidade. Aproveitei o momento e desviei o olhar, fingindo submissão. — Só... me dá um tempo pra me arrumar — pedi baixinho. — Se é pra ser assim, quero estar... bonita. Ele riu com desprezo, mas soltou meu braço. — Você tem meia hora. Quero assinar isso hoje, é melhor. Assenti e subi as escadas correndo, mas sem parecer desesperada. Era só o que faltava... Sem contar que Hector disse que hoje eu descansaria, agora esse Mason quer me ver em meia hora? Não vou casar com ele. Nunca. Quando fechei a porta do quarto atrás de mim, Meu corpo todo tremia, então comecei a agir. Verifiquei a janela: fechada, trancada. Mas o closet... havia uma pequena janela alta ali, esquecida entre prateleiras de roupas de grife. Subi nas prateleiras, rasguei a palma da mão no ferro enferrujado, mas consegui destrancar a janela. Era estreita, mas talvez eu passasse. Olhei uma última vez para trás. Se ficasse, seria prisioneira para sempre. Então respirei fundo, me esgueirei pela abertura e saí. Era noite, fui parar numa sacada do andar de baixo e com cuidado fugi pela rua de trás. Fui determinada a encontrar a liberdade — custasse o que custasse. O vento batia no meu rosto enquanto eu corria pelas ruas silenciosas do condomínio. O pijama leve grudava na pele suada, os pés descalços machucavam no asfalto, mas eu não parava. Minha respiração era curta e rasgada. Só queria chegar até o portão. Só queria sair dali. Quando alcancei a saída principal, vi que a guarita estava vazia — ou o vigia dormia, ou estavam todos comprados. Empurrei o portão lateral, que estranhamente estava entreaberto, e escapei para a rua deserta. Um sorriso pequeno se formou nos meus lábios partidos. Consegui. Mas a sensação de alívio durou apenas dois segundos. O som de pneus no asfalto chamou minha atenção. Olhei para trás. Um carro cinza escuro. O mesmo que vi parado nas sombras do internato, o mesmo que perseguiu o carro que me trouxe até esse inferno. Meu coração disparou como um tambor enlouquecido. Não era de Hector. Nem de Mason. Era o outro inimigo. O carro acelerou, vindo direto na minha direção. Seus faróis cortaram a escuridão como olhos de predador. Girei nos calcanhares e corri pela rua, buscando uma saída, qualquer saída, mas as casas estavam afastadas, a rua parecia se estender interminável à minha frente. Ouvi o motor roncando mais alto. Estavam perto. Foi quando o ronco de outro motor invadiu a rua, furioso e agressivo. Um carro prateado surgiu em uma curva, pneus derrapando no asfalto, quase saindo do controle. E então ouvi a voz dele, parecia um trovão: — Entra logo! Porra! — Era Mason. Eu hesitei por meio segundo. Confiar nele? Ou enfrentar o desconhecido? Não havia escolha. Entre o monstro conhecido e o monstro oculto, preferi o primeiro. Corri em direção ao carro de Mason. Ele abriu a porta com brutalidade e me puxou para dentro, quase me lançando no banco do passageiro. Antes mesmo que eu fechasse a porta, ele já estava acelerando, cantando pneus e jogando o carro na estrada. Olhei para trás. O carro cinza escuro tentou nos seguir, mas Mason era mais rápido, mais ousado. Cortava curvas, rasgava retas, como se conhecesse cada centímetro daquele caminho. — Que merda você estava tentando fazer, hein?! — ele rosnou, sem tirar os olhos da estrada. Fiquei quieta, o coração ainda batendo na garganta. Ele me lançou um olhar rápido e feroz. — Quer morrer, Violet? — Eu... — de repente olhei pelo espelho e lá estava ele novamente... O carro preto na nossa cola — Estão nos seguindo! — Porra! Se segura! — meu corpo foi jogado para a direita com o impacto do movimento brusco.Capítulo 247 Ruth Chegamos em casa quando a tarde já começava a cair no quintal, desenhando faixas de luz pela sala. Havia pólvora ainda presa nas roupas, mas em Albert havia outra coisa — um brilho que não era só de vitória: era de alívio. Ele tirou o casaco, pendurou no encosto da cadeira e, sem anúncio, foi direto para a cozinha como quem reencontra um lugar antigo do corpo. — Você está sorrindo. — observei, encostando no batente. — Estou com fome. — ele disse, abrindo a geladeira. — E com sorte. — Sorte? — Sorte de ter você aqui. — falou sem olhar, mas eu vi o sorriso de canto. Entrei, arregaçando as mangas. A cozinha tinha cheiro de café; o som das facas no suporte, o brilho da panela de ferro. Ele acendeu o fogo, eu puxei a tábua. O movimento entre nós foi natural, antigo, fácil. Sempre combinamos. Ele cortava os tomates em cubos certinhos, eu picava alho como se estivesse contando batimentos. O azeite chiou — e Albert assobiou baixo, distraído, como fazi
Capítulo 246 Ruth O comboio desceu pelas docas em silêncio, três carros pretos, vidros escuros, motores abafados. Albert dirigia o primeiro, eu ao lado. No espelho, vi o brilho das armas escondidas sob os casacos dos homens que seguiam. A cidade acordava devagar, mas nós já estávamos em guerra. — Pega essa. — ele disse, abrindo a maleta entre os bancos. Dentro, um Glock 19, duas granadas de luz e um punhado de carregadores extras. — E você? — perguntei. — A minha já tá pronta. — respondeu, mostrando a SIG Sauer P226 presa ao coldre. — E se der tempo, pego a Benelli M4 no porta-malas. O rádio chiou uma vez. Sinal combinado. O capo-regime já estava no galpão 07, o mesmo do carregamento “falso”. Albert apertou o acelerador, e o carro se enfiou entre os contêineres. A cada curva, o cheiro de ferrugem e gasolina ficava mais forte. — Ruth. — ele murmurou, sem desviar os olhos da frente. — Quando eu disser agora, desce e cobre o lado direito. Tiro curto, sem
Capítulo 245 Ruth Acordei com o cheiro de café. Demorei alguns segundos para entender por que o corpo estava tão leve — e por que, mesmo cansada, eu me sentia descansada. A razão respirava do meu lado, de bruços, um dos braços estendido pela cama como quem reivindica a metade inteira do mundo. Albert dormia de um jeito que eu nunca tinha visto em nenhum homem perigoso: sem defesas aparentes. O rosto, mais jovem do que a noite anterior, tinha perdido o travo de dureza; a boca, menos contida. Tive vontade de tocá-lo só para confirmar que era verdade. Toquei. A ponta dos meus dedos percorreu o ombro, a curva do trapézio, parou na nuca. Ele murmura algo baixo — meu nome, acho — e um sorriso rápido passou, daqueles que não se dão em público. Sentei devagar, puxei a camisa dele do chão e vesti como se fosse um casaco de território conquistado. O tecido grande demais caiu na metade da coxa; dei dois passos e o frio bom do piso me acordou por inteiro. As marcas na pele eram nos
Capítulo 244 Albert Jones Me posicionei sobre ela. Não podia esperar mais. Quando meu pau entrou senti um alívio momentâneo misturado com uma loucura sem fim. Não tem como explicar. Caralho. Como desejei essa mulher. Agora estou dentro dela e preciso meter com força ou vou enlouquecer. Movi o corpo com loucura. Ela queria isso. Além de pedir por mais, cada músculo do seu corpo implorava por mim. — Você é quente. Gostosa, Ruth. Caralho. Vai me deixar louco. Não havia ângulo que não aquecesse, nem distância que não queimasse quando voltávamos a nos encaixar. Às vezes eu a tomava nos braços como se o chão fosse traição e a cama, trégua. Outras, eu a deixava me derrubar só para roubar de volta a vantagem no instante seguinte, virando-a com o peso do corpo, segurando um punho no colchão, o outro livre para um carinho que contradizia a fala dura. Eu era rude, sim; mas o rude que protege e reclama para si o que tem carinho. E Ruth entendia isso como se f
Capítulo 243 Albert Jones No corredor, as luzes em meia-vida recortavam Ruth como um pecado permitido. O vestido colado ao corpo, a respiração curta, o olhar que primeiro desafiava… e depois cedia. Parei diante do meu quarto e encostei a mão na maçaneta, mas não abri. — Olha pra mim — pedi, rouco. Ela levantou o rosto. Aquele queixo teimoso, pronto para me enfrentar, agora doía nos meus dedos de vontade de segurar. Aproximei a boca do ouvido dela. — Estou louco para te ver sem roupa. — Foi mais baixo do que pensei, quase um rosnado contido. — Quero cada centímetro. Quero matar a curiosidade que você plantou em mim desde a primeira vez que entrou por aquela porta como se esse lugar já fosse seu. Ruth soltou um meio riso — audácia e nervo em partes iguais. — Você fala como se pudesse fazer tudo que quer, Don Jones. — Eu posso. — encostei a testa na dela. — Mas só faço se você quiser também. Ela demorou um segundo. Talvez menos. O sim veio primeiro nos o
Capítulo 242 Albert Jones A casa silenciou de repente. Depois de tantas risadas, vozes e passos correndo pelo salão, o eco do vazio soava quase sagrado. As taças pela metade, os balões ainda presos no teto, o perfume de flores misturado à fumaça doce que restou do anúncio — tudo contava a história de uma noite perfeita. Violet se aproximou de mim com aquele sorriso cansado e feliz. — Papai, obrigada por tudo. — disse, abraçando-me forte. — Foi uma das noites mais lindas da minha vida. — Você merecia. — respondi, apertando-a nos braços. — Você, os bebês… e esse sujeito que te faz sorrir. Mason sorriu de canto, discreto como sempre. — Foi um prazer, Albert. — disse ele. — E… obrigado por permitir que eu fizesse parte disso. — Permitir? — retruquei. — Vocês são minha família, rapaz. Só tente não explodir nada na ilha. Ele riu. — Prometo. Grace veio por último, ainda com o vestido amarrotado e o balão dourado amarrado no pulso. — Vov







