Share

8 Ária - Gostei Demais

Author: C Marins
last update Petsa ng paglalathala: 2026-06-01 21:13:36

Não consegui ficar um segundo a mais naquele quarto. Peguei minha bolsa sem

olhar para Fred, sem perguntar se ele estava bem, se a dor havia passado. Simplesmente

fugi como uma covarde completa.

Meus passos ecoaram pelo corredor do hospital enquanto eu praticamente corria,

esbarrando em pessoas sem pedir desculpas, sem me importar com os olhares irritados

que recebia. Precisava sair dali. Precisava respirar. Precisava… eu não sabia o que

precisava.

O ar noturno quente em comparação ao ar condicionado gelado me atingiu como um

tapa quando finalmente cheguei ao estacionamento. Parei no meio do asfalto, ofegante,

como se tivesse corrido quilômetros em vez de apenas alguns metros de corredor. O que

mais me deixava sem ar era a recordação dos lábios dele contra os meus. Aquele beijo…

Deus, aquele beijo havia me atingido como um raio. Violento, desesperado, carregado de

urgência e paixão que eu não sabia que existia entre nós. Ou que eu preferia pensar que

não existia.

Encostei em um carro qualquer, tentando organizar meus pensamentos que

insistiam em se dispersar como folhas ao vento. O que eu ia fazer agora? Não podia

simplesmente ir embora. Por mais que cada fibra do meu ser gritasse para correr para casa,

me trancar e fingir que nada havia acontecido, eu não podia abandoná-lo.

Peguei o celular, para ligar para Sônia. Ela poderia vir. Era trabalho dela e eu

poderia evitar essa situação. Mas meu dedo hesitou no teclado. Que tipo de pessoa eu

seria se fizesse isso? Que tipo de pessoa abandona alguém assim?

Meu estômago roncou alto, me lembrando que já fazia tempo que não comia nada.

Olhei para o hospital, suas luzes brilhando contra o céu escuro. Já era noite alta e eu estava

ali presa naquele limbo emocional.

Voltei para o prédio, desta vez caminhando devagar, tentando recuperar algum

senso de normalidade. O restaurante do hospital ainda estava aberto, graças a Deus por

isso. Me acomodei em uma mesa no canto e pedi algo simples: um sanduíche e um suco.

Comida de hospital não é exatamente gourmet, mas naquele momento eu comeria qualquer

coisa só pra ter algo a fazer além de pensar naquela porra de beijo.

Mas foi inútil. Mesmo mastigando mecanicamente, minha mente continuava voltando

para o quarto 312. Para a forma como Fred havia me puxado para ele, como se não

conseguisse mais se conter. Para o gosto dele, para o calor do corpo dele contra o meu,

para o gemido abafado quando a dor o atingiu…

Paguei a conta e me dirigi à recepção. Me acomodei em uma das cadeiras

desconfortáveis e observei o vai e vem das pessoas. Visitantes saindo, funcionários

trocando turnos, a vida do hospital seguindo seu ritmo noturno mais lento. Aos poucos o

movimento diminuiu. As horas passaram sem que eu percebesse. O beijo havia mudado

tudo entre nós, isso era inegável. Mas tudo o quê?

A culpa começou a me corroer. Eu havia deixado Fred sozinho, machucado, depois

de um momento tão intenso. Ele provavelmente achava que eu havia fugido por que me

arrependia, porque não havia gostado, porque…

A verdade era muito mais complicada. Fugi porque eu havia gostado demais

Naquele beijo havia paixão, desejo, uma conexão que ia muito além do físico. E isso me

deixa apavorada.

Quando finalmente criei coragem para voltar para o quarto, já passava da

meia-noite. Empurrei a porta devagar, esperando encontrá-lo acordado, talvez furiosos

comigo. Mas ele dormia profundamente, a respiração lenta e regular.

“Ele tomou um sedativo.” Disse uma voz atrás de mim. Me virei para encontrar uma

enfermeira diferente da que esteve aqui mais cedo, uma mulher de meia-idade com um

olhar compreensivo.

“Sedativo?” Perguntei, tentando não soar tão preocupada quanto me sentia.

“Ele estava muito inquieto. Agitado. O médico achou melhor dar algo pra ele

descansar.” Ela me olhou com curiosidade. “Vocês brigaram? Ele tentou ir atrás de você,

coitado.”

“Algo assim.” Murmurei com tristeza, não sabendo como explicar o que havia

acontecido. Ela assentiu com conhecimento de causa.

“Essas situações de hospital sempre deixam as pessoas um pouco tensas. Mas ele

vai ficar bem. A febre baixou. Já, já ele volta pra casa.”

Agradeci e ela saiu, me deixando sozinha com um Fred adormecido e com o peso

do que havia acontecido entre nós. Me acomodei na poltrona ao lado da cama, observando

seu rosto. Mesmo dormindo, ele parecia carregar o peso do mundo nos ombros. E eu… eu

estava apaixonada por esse homem complicado e perigoso sem fazer a menor ideia do que

fazer com esse sentimento.

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • Me Apaixonei Pelo Arrogante da Federal   28 Fred - O Início

    Acordei antes do despertador tocar. Seis da manhã e eu já estava de olhos bemabertos, olhando para o teto do quarto. Sem Ária ao meu lado, foi bem difícil pegar no sono.Ela dormiu na casa de Sofia, dizendo que a noiva precisava manter um certo mistério. Eunão queria mistério Eu queria ao meu lado sempre. Cinco meses haviam se passado desdeque ela aceitou se casar comigo. Compramos uma casa no mesmo bairro que Sofia eGabriel, logo minha sobrinha nasceria e eu queria estar presente. Cinco longos meses entreobras, decoração, brigas bobas sobre coisas como a cor das paredes da sala ereconciliações ainda mais doces. Cinco meses construindo nosso lar, tijolo por tijolo, sonhopor sonho.E hoje era o dia. O grande dia do resto de nossas vidas.Me levantei e fui até a janela. O jardim já estava perfeitamente arrumado. Migueltrabalhava na cozinha com seus auxiliares preparando tudo. Clarice, dona Mercedes eSônia estavam cuidando dos últimos detalhes da decoração. As flores brancas e l

  • Me Apaixonei Pelo Arrogante da Federal   27 Ária - A Carta

    Senhor Marcelo Granda, Infelizmente, ainda não tivemos a oportunidade de nos conhecermos. Contudo, esta carta vem de um lugar de gratidão. Também de uma verdade que preciso compartilhar com respeito e clareza. Primeiro, quero agradecer pelo que fez quando fui sequestrada. Soube que sua coragem foi um farol quando mais precisei, e isso, nunca será esquecido. Sobre a descoberta de que o senhor é meu pai biológico, devo esclarecer que essa foi parte de mim preenchida apenas por perguntas silenciosas. Sempre imaginei que um dia entenderia de onde vim e devo confessar que me surpreendi com a resposta e com a maneira como essa informação chegou. Talvez o destino seja como uma criança brincalhona. A vida me deu um pai de outra forma, meu avô assumiu esse papel tão importante para qualquer pessoa. O velho Gaspar foi o único pai que conheci e assim permanecerá. Foi ele quem me ensinou os primeiros passos, quem cuidou de mim nos momentos mais difíceis, quem celebrou minha conquistas. Foi e

  • Me Apaixonei Pelo Arrogante da Federal   26 O Grande Dia

    Finalmente, chegou o grande dia! Eu sabia que Sofia se casaria na Serra, no resort dos pais de Gabriel. Fiquei muito nervosa durante o caminho, mas ali era um lugar muito especial, quase mágico. Nada parecido com o terror que eu havia vivenciado. O resort era de tirar o fôlego, no meio das montanhas verdejantes com vista para os vales cobertos pela mata atlântica. A arquitetura, rústica - chique, combinava perfeitamente com a natureza exuberante ao redor, criando um ambiente ao mesmo tempo, sofisticado e acolhedor. A cerimônia foi marcada para o final da tarde, quando o sol dourado da serra criava aquela luz mágica que os fotógrafos tanto adoram. Os organizadores haviam transformado o jardim principal em uma verdadeira catedral ao ar livre. Arcos de flores brancas e rosas, lírios e samambaias criavam um corredor natural que conduzia até o altar sob uma pérgola coberta por hortênsias e luzes de led delicadas. Mais de duzentos convidados ocupavam as cadeiras de madeira clara

  • Me Apaixonei Pelo Arrogante da Federal   25 Fred - Dia Longo e Difícil

    Ária estava recostada no meu peito, parecia tranquila depois de um dia tão longo e difícil. Eu estava exausto, precisando desesperadamente de uma noite de sono. Foi quando ela me disse que sabia que eu escondia alguma coisa e que por isso, ainda não se sentia segura. Mesmo achando que ela também precisava descansar, que não precisava de mais nenhum tipo de emoção, não tive outra saída. Talvez não existisse mesmo um momento certo para revelar esse tipo de coisa. “Ária…” Comecei, minha voz tensa. “Preciso te contar uma coisa. Essa informação me foi dada no momento do seu sequestro.” Senti seu corpo enrijecer contra o meu. “O que foi? Eu sabia. Fala, Fred!” Ela se afastou um pouco para me olhar de frente. Passei os dedos pelos cabelos dela. “Durante o sequestro… o pedido de resgate não foi feito só pra mim. Sua mãe pediu resgate para o seu pai, também.” O silêncio que se seguiu foi tão profundo que eu podia ouvir meu próprio coração batendo. Ela me encarou por longos segundos

  • Me Apaixonei Pelo Arrogante da Federal   24 Ária - Entre Sonho e Realidade

    Acordei com uma sensação estranha, como se estivesse flutuando entre sonho e realidade. Havia uma dor surda na minha testa e minha boca estava seca como lixa. Por um momento não sabia onde estava. As paredes brancas, o quarto claro, vozes ao longe… tudo parecia irreal. Uma mulher me tocou por algum motivo. O pânico me atingiu como uma onda. Por um segundo voltei aquele quarto sujo, as cordas, a voz de Thiago nos meus ouvidos. Tentei me sentar rapidamente, mas meu corpo não reagiu como eu esperava. “Calma, calma!” A mulher sussurrou, colocando uma das mãos no centro do meu peito e a outra no meu ombro me mantendo no lugar. “Você está segura. Está no hospital. Olha em volta. Acabou. Acabou.” Ela colocou um pouco de água no copo e me ofereceu. Aceitei ainda assustada. “Beba devagar. Sou a enfermeira Sandra.” Ela continuou verificando o soro que gotejava no meu braço. “O médico te deu um tranquilizante, então talvez você esteja um pouco desnorteada. Mas isso passa logo.” Foi e

  • Me Apaixonei Pelo Arrogante da Federal   23 Fred - O Resgate

    O helicóptero cortava a madrugada com um ruído ensurdecedor que reverberava emmeu peito. Através dos fones de ouvido, ouvia as coordenações finais entre as equipes,Polícia Federal, Civil Militar e minha própria equipe de segurança. Uma força tarefa incrívelque trabalhou intensamente sem parar até encontrar a minha mulher, que ao que tudoindicava estava em um sítio abandonado deplorável em uma zona rural na Serra do Rio deJaneiro.“Cinco minutos para o LZ” Anunciou o piloto através do interfone. O plano era pousara uns dez quilômetros de distância e completar o percurso de carro. Não podíamos arriscarque eles percebessem o barulho dos helicópteros. Olhei pela janela, as montanhas daregião serrana se estendiam abaixo de nós como um mar verde ondulado, pontilhado porclareiras e pequenas propriedades rurais. O dia começava a despontar. Era necessáriocorrer para aproveitar a pouca luz. Ao meu lado, Marcos conferia o equipamento pelaterceira vez. Coletes, armas, rádios, armas. Mi

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status