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Me Divorciei… e Caí nos Braços do Irmão do Meu Ex
Me Divorciei… e Caí nos Braços do Irmão do Meu Ex
Author: M Souza

Capítulo 1

Author: M Souza
last update publish date: 2026-03-20 08:33:57

Cinco anos juntos, e Ava Beker sempre foi tratada com frieza dentro do casamento. Ainda assim, continuou insistindo em Adam Foster, não porque ele merecesse, mas porque permanecia presa às lembranças do garoto que ele foi na época da escola. Adam era o tipo de homem que todas as mulheres desejavam: jogador de futebol americano, carismático, cheio de sonhos e herdeiro de uma família rica e influente, os Foster. Sempre se envolveu com meninas populares, seguras, bonitas, aquelas que naturalmente ocupavam espaço. Ava nunca foi assim. Sempre foi a garota dedicada, a nerd que se sentava nas primeiras fileiras, que tirava as melhores notas e que todos apontavam como alguém destinada a um futuro brilhante. Ainda assim, de alguma forma, seus caminhos se cruzaram.

Na noite da formatura, tudo saiu do controle. Ava não se lembrava com clareza do que havia acontecido, apenas fragmentos desconexos, sensações confusas e o peso de uma decisão que não foi realmente uma escolha. Na manhã seguinte, acordou na cama ao lado de Adam, e o escândalo que poderia destruir a reputação dele foi rapidamente abafado com um noivado. O que começou como uma solução acabou se transformando, anos depois, em um casamento. Um casamento que, visto de fora, parecia perfeito, mas que por dentro era sustentado por silêncio, distância e um vazio crescente que a consumia aos poucos.

Naquele dia, completavam cinco anos de casados, e ainda assim nenhuma mensagem chegou. O celular permaneceu mudo, como vinha acontecendo com frequência cada vez maior. Depois de esperar por horas, ela decidiu ligar para a empresa, e a resposta da secretária foi simples: Adam faria hora extra. A resposta foi seca, direta, e suficiente para que Ava entendesse que, mais uma vez, não havia espaço para ela. Mesmo assim, algo dentro dela se recusou a aceitar aquilo como normal. Em um último esforço para salvar o que ainda restava, decidiu fazer uma surpresa.

Passou o dia inteiro no salão de beleza, como não fazia há anos. Cuidou do cabelo, da pele, das unhas, escolheu com atenção uma lingerie nova e um vestido que valorizava seu corpo, fazendo com que se sentisse, ainda que por algumas horas, como a mulher que já tinha sido um dia. Quando se olhou no espelho, teve dificuldade em se reconhecer. Estava bonita, arrumada, viva de uma forma que não se sentia há muito tempo. Aquilo reacendeu uma esperança silenciosa, frágil, mas insistente.

Ao chegar à empresa, percebeu que o prédio estava vazio demais para alguém que supostamente estaria trabalhando até mais tarde. O silêncio dos corredores parecia deslocado, quase incômodo, mas ela seguiu em frente, ignorando a sensação estranha que começava a crescer dentro do peito. Conforme se aproximava da sala do marido, sons começaram a se tornar perceptíveis. No início, eram baixos, difíceis de identificar, mas, à medida que avançava, tornavam-se mais claros, mais explícitos, impossíveis de ignorar. O corpo de Ava reagiu antes da mente. Os passos diminuíram, a respiração falhou, e o coração passou a bater de forma descompassada, como se tentasse prepará-la para algo que ela ainda se recusava a aceitar.

Quando finalmente abriu a porta, a cena diante dela não deixou espaço para dúvidas. A secretária estava de joelhos diante de Adam, completamente entregue, enquanto ele a observava com uma tranquilidade incompatível com a situação. Não houve susto, não houve culpa, não houve sequer a tentativa de disfarçar. O olhar dele era frio, distante, como se a presença de Ava ali não tivesse qualquer relevância. Aquilo foi o que mais doeu. Não a traição em si, mas a indiferença.

Ava sentiu o mundo ao seu redor se desfazer em silêncio. As palavras demoraram a sair, presas na garganta, pesadas demais para serem ditas com facilidade. Quando finalmente conseguiu falar, a voz saiu baixa, carregada por uma dor que ela já não conseguia esconder.

— Então é assim que você trabalha?

A secretária se levantou com um sorriso debochado, sem qualquer vergonha, enquanto Adam fechava as calças com calma, sem pressa, como se estivesse lidando com algo trivial.

— O que você está fazendo aqui, Ava? Eu disse que estaria ocupado.

A forma como ele falou, sem emoção, sem preocupação, atingiu mais do que qualquer outra coisa.

— Hoje fazem cinco anos que estamos casados. Eu achei que isso significasse alguma coisa.

A secretária riu, e aquele som ecoou dentro de Ava como uma confirmação cruel daquilo que ela já começava a entender. Sem pensar, ela pegou o primeiro objeto que encontrou e arremessou na direção deles, incapaz de conter a mistura de raiva e humilhação que crescia dentro dela.

— Sai daqui — Adam ordenou, a irritação finalmente aparecendo, mas ainda distante de qualquer arrependimento.

Ava avançou na direção dele, movida por um impulso que não conseguiu controlar, mas foi interrompida quando ele segurou seu braço com força e a empurrou contra a parede. O impacto foi seco, doloroso, suficiente para arrancar o ar dos seus pulmões. Ele se aproximou, os olhos fixos nos dela, frios, duros, sem qualquer traço do homem que um dia ela acreditou conhecer.

— Não se faça de ofendida — disse, em tom controlado. — Eu me casei com você por causa daquele escândalo. Nunca foi amor. Você nunca foi uma escolha.

Cada palavra era calculada, dita com a intenção de ferir.

— Você era um problema que eu precisei resolver. E continua sendo.

Ava sentiu o peito apertar de forma insuportável, como se algo dentro dela estivesse sendo esmagado.

— Você pode até ter mudado com o tempo, pode até parecer melhor agora, mas isso não muda o que você sempre foi. Eu nunca senti nada por você. Nunca senti desejo, nunca senti interesse. Você não é o tipo de mulher que eu quero ao meu lado.

Ela tentou sustentar o olhar, mas a visão já estava embaçada.

— Eu te odeio — disse, com a voz falhando, mais para si mesma do que para ele.

Adam riu, um riso baixo, frio, carregado de desprezo.

— Vá para casa e faça o que sempre fez: finja que está tudo bem. Se quiser continuar vivendo a vida que eu te dei, é melhor aprender a ignorar esse tipo de coisa. Quando eu chegar em casa, eu espero encontrar a minha esposa exatamente como sempre esteve.

Aquilo foi o limite.

Sem pensar, Ava levantou a mão e o atingiu com um tapa forte no rosto. O som ecoou pelo escritório, mas não foi suficiente para mudar a expressão dele. Ainda assim, ela não ficou para ver a reação. Virou as costas e saiu, sentindo que, a cada passo, algo dentro dela se quebrava de forma definitiva.

Ela entrou no elevador e, dessa vez, não conseguiu segurar o choro. As lágrimas vieram com força, sem controle, carregando tudo o que ela havia suportado durante anos. Ao sair do prédio, não procurou o motorista, não quis explicações, não quis voltar. Apenas andou, sem direção, guiada por uma dor que já não cabia dentro dela.

Quando chegou à esquina, o sinal abriu, e, por um instante, a ideia de simplesmente desaparecer pareceu a única forma de silenciar tudo aquilo. Fechou os olhos e deu um passo à frente, mas o som brusco de um freio interrompeu o movimento. Quando abriu os olhos, uma moto estava parada a poucos centímetros do seu corpo.

O homem a encarava com irritação, avaliando a situação.

— Você ficou louca?

Ava não respondeu. As lágrimas continuavam a cair, pesadas, constantes, e ela já não tinha forças para esconder nada.

Ele a observou por alguns segundos, o olhar mudando sutilmente, como se compreendesse mais do que dizia. Então suspirou e estendeu um capacete na direção dela.

— Pelo jeito, você precisa sair daqui.

Ava hesitou, mas, ao olhar para trás, percebeu que não havia mais nada esperando por ela. Subiu na moto, ainda tomada pela dor, sem saber exatamente para onde estava indo, mas com a certeza de que não existia mais retorno para a vida que deixou para trás.

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