Share

CAPÍTULO 2

Author: M Souza
last update Petsa ng paglalathala: 2026-03-20 08:35:49

O bar para onde ele a levou tinha uma iluminação baixa e um movimento suficiente para que ninguém prestasse atenção em ninguém. Era o tipo de lugar onde histórias começavam e terminavam sem deixar rastros, e, naquele momento, era exatamente disso que Ava precisava. Assim que entrou, percebeu que não queria pensar, não queria lembrar, não queria sentir nada além do efeito que o álcool pudesse trazer.

Ela se sentou no banco alto do balcão e apoiou os braços na superfície fria, ainda tentando organizar os próprios pensamentos, embora soubesse que não conseguiria. Ele se acomodou ao lado dela com naturalidade, observando-a por alguns segundos antes de chamar o barman e pedir duas doses. Não houve perguntas, nem curiosidade invasiva, apenas uma presença silenciosa que, de alguma forma, não a incomodava.

Ava pegou o copo assim que ele foi colocado à sua frente e virou o conteúdo de uma vez só. O líquido desceu queimando pela garganta, trazendo um alívio momentâneo, mas insuficiente para conter o que estava preso dentro dela. Antes mesmo que pudesse pensar melhor, pediu outra dose, e depois mais uma, ignorando o olhar atento do homem ao seu lado. Ele não a interrompeu, não tentou impedir, apenas acompanhou o ritmo, bebendo também, mas sem perder a consciência do que estava acontecendo.

O silêncio durou alguns minutos, até se tornar insuportável para ela. Ava soltou um riso sem humor, balançando a cabeça como se finalmente aceitasse aquilo que vinha evitando há anos.

— Eu sou uma idiota.

A frase saiu baixa, carregada de um peso que ela já não conseguia sustentar sozinha. Ela girou o líquido no copo antes de levá-lo à boca, como se aquilo pudesse ajudá-la a continuar.

— Cinco anos… cinco anos da minha vida jogados fora por alguém que nunca me quis.

Ela respirou fundo, sentindo a garganta apertar, mas não tentou conter as palavras.

— Eu sabia que ele não me amava. Sempre soube. Desde o começo. — riu novamente, dessa vez mais amarga. — Mas mesmo assim eu fiquei. Eu insisti. Fiquei esperando que, em algum momento, ele fosse olhar pra mim de verdade.

Ele permaneceu em silêncio, deixando que ela falasse, sem interromper, sem tentar amenizar.

— Eu podia ter feito tanta coisa… — continuou, os olhos fixos no copo. — Eu tinha uma carreira, eu tinha planos… eu podia ter sido qualquer coisa. Mas escolhi ficar presa naquele casamento ridículo, vivendo uma vida que nem era minha.

As palavras começaram a sair mais rápidas, como se, uma vez abertas, não pudessem mais ser contidas.

— E o pior é que eu aceitei tudo. A frieza, a indiferença… eu aceitei ser ignorada dentro da minha própria casa. — a voz falhou por um instante, mas ela continuou. — E hoje eu descubro que, além de tudo isso, ele ainda me trai na minha cara, como se eu não fosse nada.

Ela levou a mão ao rosto, tentando conter as lágrimas que insistiam em voltar.

— Eu perdi cinco anos da minha vida.

O homem ao lado dela finalmente se moveu, apoiando o braço no balcão enquanto a observava com mais atenção.

— Você não perdeu — disse, com calma. — Você só demorou pra sair.

Ava virou o rosto na direção dele, como se aquela resposta não fosse a que esperava.

— E isso muda alguma coisa?

— Muda tudo. — ele respondeu, sem hesitar. — Você ainda pode fazer qualquer coisa que quiser. Só não pode continuar fingindo que aquilo ainda existe.

Ela ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo aquelas palavras de um jeito que não esperava. Então desviou o olhar, respirando fundo antes de pegar o copo novamente.

— Eu não sei fazer isso — admitiu, mais baixo.

Ele não respondeu de imediato. Apenas fez um sinal para mais uma rodada, como se entendesse que, naquele momento, ela ainda não precisava de respostas, apenas de tempo.

As horas passaram sem que Ava percebesse. Entre um copo e outro, as palavras ficaram mais soltas, os pensamentos menos organizados, e a dor começou a se misturar com uma sensação estranha de leveza. Pela primeira vez em muito tempo, ela não estava tentando ser perfeita, não estava tentando agradar, não estava tentando sustentar algo que já estava quebrado.

Em algum momento, ela começou a rir de coisas sem sentido, apoiando a cabeça no braço enquanto falava, já sem medir o que dizia. Ele continuava ali, ouvindo, às vezes respondendo com frases curtas, mas sempre presente. A proximidade entre os dois deixou de ser estranha e passou a ser natural, como se aquela conexão tivesse se formado sem esforço.

Quando Ava percebeu, já estava mais próxima dele do que deveria. O álcool tinha diminuído as barreiras que ela passou anos construindo e, naquele instante, ela não se importava mais com o certo ou o errado. Só queria esquecer.

— Eu não quero voltar pra casa — disse, olhando para ele.

Ele sustentou o olhar por alguns segundos, avaliando, como se quisesse ter certeza de que aquilo não era apenas efeito do álcool.

— Então não volta.

A resposta veio simples, direta, sem pressão.

Ava respirou fundo, sentindo o coração acelerar, mas não recuou.

Pouco tempo depois, os dois já estavam saindo do bar.

O caminho até o hotel foi rápido e silencioso, mas carregado de uma tensão que não precisava ser dita. Não houve necessidade de muitas palavras, porque ambos sabiam exatamente o que estavam fazendo, mesmo que, no caso dela, fosse movido por impulso, dor e álcool.

Quando entraram no quarto, Ava não pensou nas consequências. Não pensou no que aquilo significava, nem no que viria depois. Apenas deixou que tudo o que vinha segurando há anos escapasse de uma vez.

Na manhã seguinte, a realidade voltou.

Ava abriu os olhos lentamente, sentindo a cabeça pesada e o corpo envolvido por uma sensação estranha, entre cansaço e confusão. Demorou alguns segundos para entender onde estava, mas, quando percebeu, o impacto veio de uma vez só.

Ela virou o rosto e o viu dormindo ao seu lado.

O coração acelerou.

As lembranças da noite anterior vieram em sequência, sem filtro, fazendo com que se levantasse rapidamente, como se precisasse fugir antes que fosse tarde demais. O silêncio do quarto parecia mais pesado do que qualquer coisa que tivesse vivido nas últimas horas.

Sem fazer barulho, começou a se vestir, com movimentos rápidos, quase desesperados. A cada peça de roupa que colocava, a sensação de arrependimento aumentava, se espalhando pelo corpo como um incômodo impossível de ignorar.

— Isso não deveria ter acontecido… — murmurou para si mesma, mais de uma vez, como se repetir aquilo pudesse mudar alguma coisa.

Ela evitou olhar para ele novamente.

Não queria pensar.

Não queria sentir.

Quando terminou, pegou suas coisas e caminhou até a porta. Por um instante, hesitou, a mão parada na maçaneta, como se uma parte dela ainda estivesse presa ali.

Mas não ficou.

Abriu a porta e saiu, deixando tudo para trás antes que ele acordasse.

Patuloy na basahin ang aklat na ito nang libre
I-scan ang code upang i-download ang App

Pinakabagong kabanata

  • Me Divorciei… e Caí nos Braços do Irmão do Meu Ex   229

    Camille e DanteCamille e Dante permaneceram juntos, mas nenhum dos dois se transformou para caber no casamento. Camille continuou comandando a empresa que reconstruiu depois de perder praticamente tudo. O negócio cresceu, atravessou fronteiras e se tornou maior do que aquele que ela possuía antes de sua prisão. Dante permaneceu com vinte por cento da empresa, enquanto Camille manteve o controle do próprio negócio e da própria carreira.Aurora e Dominic cresceram na mansão Martinelli cercados pela família. Aurora herdou a personalidade forte da mãe e uma capacidade impressionante de discutir com Dante sem demonstrar o menor medo dele. Dominic, com os mesmos olhos cinza do pai, tornou-se a pequena sombra de Dante durante a infância, embora os pais nunca tenham colocado sobre ele a obrigação de assumir os negócios da família.Dante continuou sendo um homem perigoso no mundo em que vivia, mas dentro de casa encontrou uma vida que jamais imaginou desejar. Camille continuou sendo a única p

  • Me Divorciei… e Caí nos Braços do Irmão do Meu Ex   228

    O jardim da mansão Martinelli estava barulhento demais para qualquer pessoa que buscasse paz naquela tarde de domingo. Crianças corriam pela grama, adultos discutiam perto da mesa, Eva reclamava que ninguém esperava a fotografia antes de começar a comer, e Dante observava tudo da varanda com uma taça na mão e a expressão de quem ainda não compreendia como sua casa havia se transformado naquele lugar.Camille apareceu ao lado dele.Camille: Você está com essa cara há dez minutos.Dante: Que cara?Camille: De quem está pensando em expulsar metade das pessoas.Dante: Só metade?Camille riu.Dante passou um braço por sua cintura e a trouxe para perto. O almoço não comemorava nada específico. Não havia casamento, nascimento, aniversário ou acordo entre famílias. Era apenas um domingo em que, por algum motivo, todos tinham conseguido estar livres ao mesmo tempo.Talvez por isso Camille gostasse tanto daquele dia.Durante muitos anos, praticamente todos os encontros daquela família tinham ac

  • Me Divorciei… e Caí nos Braços do Irmão do Meu Ex   227

    Camille entrou no salão principal do novo prédio da empresa e parou por alguns segundos diante da parede de vidro onde o nome que escolhera anos antes aparecia em letras grandes. Abaixo dele estavam as cidades em que agora possuíam operações próprias. Nova York continuava sendo a sede, mas já não era o único ponto no mapa. O negócio que um dia ela acreditara ter perdido para sempre tinha crescido muito além daquilo que existia antes de sua prisão, e a ironia não escapava dela: precisou reconstruir praticamente do zero para descobrir até onde conseguia chegar.Naquela noite seria comemorado o aniversário da empresa e a inauguração oficial da nova sede. Camille tinha recusado a ideia de transformar aquilo em uma festa gigantesca, mas descobrira tarde demais que permitir que Eva participasse de qualquer planejamento significava perder parcialmente o controle.Quando entrou em sua sala, encontrou Dante sentado em sua cadeira.Camille deixou a bolsa sobre a mesa.Camille: Sai.Dante levant

  • Me Divorciei… e Caí nos Braços do Irmão do Meu Ex   226

    Mais três anos passaram, e Dante descobriu que ter uma filha de oito anos era muito mais assustador do que enfrentar qualquer reunião com homens armados. Aurora tinha opinião sobre roupas, escola, amigos, viagens, comida e praticamente qualquer assunto que surgisse dentro da mansão. Dominic, aos cinco, continuava seguindo a irmã por toda parte quando ela permitia e, para satisfação de Dante, mantinha os olhos cinza cada vez mais parecidos com os seus. Camille dizia que aquela era praticamente a única semelhança, porque o menino tinha herdado dela a teimosia. Dante discordava, principalmente porque considerava teimosia uma característica da esposa e não dele.Naquela manhã, Camille encontrou pai e filho diante do espelho do closet.Dominic usava um pequeno terno.Dante ajeitava sua gravata.Camille parou na porta.Camille: O que está acontecendo aqui?Dominic: Vou trabalhar com o papai.Ela olhou para Dante.Dante: Ideia dele.Camille: Ele tem cinco anos.Dominic: Eu sei.Camille: Que

  • Me Divorciei… e Caí nos Braços do Irmão do Meu Ex   225

    Adam acordou com Alessandro pulando em cima dele.O joelho do menino acertou seu estômago antes que ele conseguisse abrir os olhos, seguido por uma voz animada demais para aquele horário. Aos quatro anos, Alessandro tinha descoberto que o pai era uma excelente cama elástica e parecia disposto a aproveitar essa informação sempre que possível.Alessandro: Papai!Adam puxou o travesseiro sobre o rosto.Adam: Alessandro, ainda está escuro.Alessandro: Não está.Adam: Na minha cabeça está.Verena começou a rir ao lado dele.Adam retirou o travesseiro e olhou para a esposa, que continuava confortavelmente deitada, sem qualquer intenção de salvá-lo.Adam: Você podia me ajudar.Verena: Estou ajudando.Adam: Como?Verena: Estou dando apoio emocional.Alessandro pulou novamente.Adam: Seu apoio emocional está destruindo minhas costelas.Verena segurou o filho pela cintura e o puxou para o meio da cama.Verena: Deixa seu pai sobreviver.Alessandro: Ele é forte.Adam: Finalmente alguém reconhece.

  • Me Divorciei… e Caí nos Braços do Irmão do Meu Ex   224

    O beijo começou tranquilo, familiar, mas não permaneceu assim por muito tempo. Dante apertou a cintura dela e Camille passou os braços por seu pescoço, sentindo a mudança imediata entre os dois. Quando ele a ergueu e ela envolveu as pernas em sua cintura, Camille riu contra sua boca.O clima deixou de ser apenas romântico.E começou a caminhar claramente para algo muito mais íntimo.Dante a carregou até a cama sem pressa, como quem já conhecia cada centímetro daquele caminho. Camille sentiu as costas tocarem o colchão e o peso dele se acomodar entre suas pernas. O terno escuro ainda estava no lugar; ela puxou a gravata, desfez o nó e passou as mãos pelo peito dele por cima da camisa.— Você planejou o restaurante — murmurou ela, entre beijos. — E o resto?— O resto — Dante respondeu contra a boca dela — eu vou improvisar.Ele desceu o zíper do vestido com calma. A peça escorreu pelos ombros. Camille arqueou o corpo para ajudar, e Dante segurou o tecido na altura da cintura por um segu

Higit pang Kabanata
Galugarin at basahin ang magagandang nobela
Libreng basahin ang magagandang nobela sa GoodNovel app. I-download ang mga librong gusto mo at basahin kahit saan at anumang oras.
Libreng basahin ang mga aklat sa app
I-scan ang code para mabasa sa App
DMCA.com Protection Status