LOGINAo sair do quarto, Dante cruzou os corredores a passos largos, com o sangue fervendo e a respiração pesada.
Ele invadiu seu escritório e descarregou toda a sua frustração, varrendo com um único golpe selvagem tudo o que estava sobre sua mesa.
Papéis, canetas e ornamentos, todos voaram pelos ares, espatifando-se contra a parede e chão em um barulho estrondoso.
Ele cravou as mãos nas bordas da madeira maciça, respirando fundo, completamente transtornado.
“- Como pude cair tão baixo?”
Dante pensava, sentindo o estômago se revirar e queimar em brasa.
“— Sempre jurei proteger as fêmeas, honrar o sangue e o legado que minha mãe e minha irmã me ensinaram a respeitar...”
Mas ali estava ele, transformando-se em um monstro, destruindo a própria companheira com as próprias mãos.
“- Você cruzou a linha, Dante.”
A voz grossa de seu lobo ecoou pesada em sua mente.
- Cala a boca!
Dante retrucou num sussurro, fechando os olhos com força enquanto apertava a madeira até os nós dos dedos branquearem.
“- Ela é nossa!”
O lobo insistiu, rosnando em protesto.
— Você a marcou sem o meu consentimento!
Dante rugiu de raiva no cômodo vazio.
“- Ela é nossa companheira e você a rejeitou!”
— Ela faz parte daquela família maldita!
“- Você é um teimoso estúpido!”
O lobo bufou, furioso, inconformado.
“— O destino nos uniu a ela, e você está rasgando nosso próprio peito por orgulho. Eu tinha que fazer algo!”
- Ela é filha de Zackary Emberglow!
Dante sibilou furioso socando a mesa enquanto cravava suas garras nela, arrancando lascas.
— O maldito nos drogou e quase nos matou naquele maldito porão! Além disso, aquele verme ainda teve a audácia de sequestrar a minha irmã. E você ainda quer que eu abane o rabo só porque ela tem um rostinho bonito e me foi destinada?
“- O velho a usou como peão tanto quanto a nós.”
O lobo retrucou, inflexível.
“— Sinta o cheiro dela, seu idiota. Ela não estava mentindo. Ela estava é com medo. Ela é tão vítima daquele monstro quanto nós.”
- E se for mais uma mentira daquela corja?
Dante questionou com a voz trêmula de dúvida e dor.
— Não posso confiar nela, não depois de tudo o que tiraram de nós.
“- Você sente, e no fundo, sabe que ela é verdadeira conosco desde o início.”
O lobo respondeu com um rosnado profundo.
“— Mas seu orgulho cego está destruindo tudo, Dante. A Deusa da Lua não erra. Ela é nosso par. Não aceito que você tenha rejeitado-a.”
- Mas rejeitei. Supere!
“- Em sonhos!”
O Lobo rebateu igualmente irado.
A lembrança da noite no bar de motoqueiros invadiu a mente de Dante como uma avalanche.
O calor daquele corpo macio, os lábios carnudos entregues aos seus, os gemidos na penumbra.
Seu lobo o lembrou de cada curva da pele perfumada de Sloan, fazendo o sangue de Dante correr febril e pesado por suas veias.
O fogo daquela lembrança colidiu violentamente com a raiva, criando uma mistura tóxica de fúria e excitação incontrolável.
- Para! Chega! Cala a boca! Me deixa em paz!
Dante urrou para seu lobo, sentindo o próprio corpo o trair juntamente com sua mente, sentindo seu pau endurecer implacavelmente.
Sua respiração tornou-se escassa, o peito arfando, enquanto a frustração o consumia de dentro para fora.
A imagem dos olhos verdes marejados de lágrimas, dos lábios machucados e dos cabelos ruivos espalhados pelo travesseiro o torturavam.
- Por que ela tem que ser justamente a filha dele?
Ele sussurrou, e com um gemido abafado, Dante deslizou as costas pela parede do escritório até cair de joelhos no chão frio, enquanto passava a mão pelos fios longos e negros de seus cabelos.
A mão grande e trêmula desceu rapidamente até sua calça, buscando um alívio desesperado.
- Merda...
Enquanto se masturbava, ele praguejava contra o destino, contra o pai dela e contra si mesmo, enquanto era consumido pelo desejo febril de tê-la novamente.
De volta ao quarto escuro, Sloan continuava algemada à cama, com o corpo dolorido e a respiração pesada.
Lágrimas quentes desceram por seu rosto por vários minutos, mas, de repente, ela as secou com o braço em um gesto violento.
Seu peito subia e descia, não mais apenas pela dor, mas por uma fumaça densa de ódio que começava a queimar dentro dela.
— Ele vai pagar...
Sloan sibilou para o vazio do quarto, com a voz firme e carregada de um rancor mortal.
— Juro que ele vai pagar por cada gota de humilhação que tem me feito passar.
“- Não fale assim, ele é nosso companheiro...”
A voz de sua loba ecoou baixinho em sua mente, ainda tonta e carente pelo cheiro dele.
“— Podemos dar uma chance a ele, Sloan...”
“— Não mesmo!”
Sloan pensou com ferocidade, travando os maxilares no escuro.
“— Fique quieta e pare de balançar o rabo para esse monstro! Nós merecemos muito mais do que migalhas de desprezo.”
“- Mas... você se lembra de como o corpo dele era quente e delicioso? De como nos sincronizamos como um. Nos sentimos viva pela primeira vez na vida, Sloan. Ele foi perfeito com a gente antes, ele só deve estar magoado.”
Sua loba insistiu, manhosa e teimosa.
“— Os beijos dele, sua língua quente, os músculos firmes e aquele pau enorme. Minha nossa que saudad...?”
— Chega! Pare com isso agora!
Sloan quase gritou, contorcendo-se de raiva contra as algemas.
O choro que restava em seus olhos não era de fraqueza, mas de ódio de si mesma por sentir seu corpo a trair.
Ela se odiava por ser tão estúpida a ponto de desejar aquele homem depois de tudo o que ele fizera nas últimas horas.
Ela não merecia ser tratada como lixo.
Enquanto o calor subia por suas pernas, apenas com as lembranças, a mente de Sloan começou a traçar um plano frio e calculista impulsionado pela raiva.
Ela não seria apenas uma prisioneira indefesa, ela faria com Dante, exatamente o que ele ousara fazer com ela.
“- Você não perde por esperar Dante...Você vai sentir na pele exatamente o que fez comigo.”
Os lábios dela subiram perigosos.
“- Você será humilhado como eu fui. Eu juro. Você vai se arrepender.”
Ela o queria totalmente nu, algemado e impotente diante de sua fúria, exatamente como ela estava agora.
— Você não vai voltar a tratar a mim ou a qualquer outra fêmea como lixo, nunca mais.
Ela murmurou para si mesma, com um sorriso frio nos lábios.
Não demorou e Rogan já tinha se transformado no imenso dragão prateado.— Leve a Sloan.Ordenou Dante e Sloan sentiu o estômago subir quando foi puxada para as costas do Rei Dragão.— De novo! Eu tô grávida, pelo amor da Deusa! Não podem me tratar como saco de batatas!Ela agarrou nas escamas, com as coxas tremendo e as garras cravadas sem querer machucar.— Calma, senhorita Sloan, sou eu que estou aqui embaixo!Rogan comentou, rindo.— Eu não vou te deixar cair! Não desta vez.— Cuide delas também!Harold pediu, e Rogan recebeu um olhar de Joshua e Vidar, e concordou.— E leve-os, eles não podem se locomover como nós.Em questão de segundos Rhani foi jogada logo atrás de Sloan, e Alayna quase caiu do outro lado, mas Joshua agarrou-a pela cintura a ajeitando sob Rogan.
Logo depois, Rogan desceu carregando Sloan e as duas gatas nas costas, em sua forma dragão prateado.Albion por sua vez usou sua magia para descer com London e o mordomo.Já Stone desceu sozinho, saltando de pedra em pedra com sua longa cauda esmeralda, ao lado de Harold que, calmo, como um imenso gato, descendo com uma facilidade que fez todos ficarem em silêncio, antes de ele pousar leve, como se tivesse apenas dez quilos.Quando todos se reuniram no pé da montanha, com a poeira ainda no ar e os três machos ofegantes, suados, com os joelhos ralados e os ovos erguidos, Harold olhou para o povo e ergueu a mão.— Chega!Ele gritou e o silêncio voltou.— A provação das sete vidas termina aqui!Ele olhou para os três e depois para suas filhas e a voz dele ficou mais grossa, emocionada.— Diante de todos vocês, eu aceito oficialmente o A
Assim que todos se reuniram no quintal, Harold disse com a voz cortando o ar como uma lâmina.— Venham.Em silêncio, todos seguiram o velho Rei Neko pela trilha de pedra que subia até o penhasco em que Alayna e Joshua haviam tido seu almoço no dia anterior.Alayna sentiu o coração martelar contra as costelas quando reconheceu o lugar. Ela achava realmente que ninguém ia lá, mas aparentemente, estava redondamente enganada.“— Por que papai nos trouxe aqui?”O vento batia forte lá em cima e lá embaixo era só o vazio, numa queda que fazia o estômago revirar.Harold parou na beira e se virou para Dante, Vidar e Joshua com três ovos, brancos e frágeis, nas mãos peludas.— Cada um de vocês vai levar um deste.Ele entregou um para cada e os três seguraram confusos.— Para a S&eacut
— O que? Você está bem?Sloan o encarou preocupada, quando outro chute o atingiu, seguido por mais dois ao mesmo tempo, coordenados, como se os quatro tivessem feito uma reunião secreta e decidido que o pai precisava de uma surra de boas-vindas através do vínculo familiar.— Argh!Dante se encolheu, com a mão apertando a barriga com força com Sloan o encarando tentando entender o que estava acontecendo, quando Dante expõe irritado.— Alguém acabou de me acertar na costela! Como isso é possível?!Sloan sentiu o que ele estava sentindo pelo laço de companheiro e logo percebeu do que se tratava.— Acho que você começou a sentir o que eu sinto.— O que?Dante a encarou em choque enquanto ela já estava rindo baixinho, com o corpo tremendo contra o dele.— Eles senti
No jardim, Dante escolheu um lugar florido e jogou a toalha no chão, se sentando.Ela começou a tentar se sentar, mas sua barriga estava cada vez maior a impedindo de achar posições para se abaixar.Vendo-a se atrapalhar para sentar, ele puxou Sloan para seu colo.— Vem cá.Ele mandou fazendo o coração de Sloan acelerar.Ela esticou as pernas inchadas e ele abriu a cesta a seu lado, pegando uma tira de carne suculenta de uma das travessas.— Abre a boca.Ele disse, levando até os lábios dela.— Dante, eu consigo comer sozinha.— Eu sei.Ele deu na boca dela mesmo assim.— Mas eu quero te alimentar.Sloan mordeu e o suco escorreu pelo canto dos lábios.“— Essa é a primeira vez que ele me trata como se eu fosse frágil e preciosa ao mesmo tempo.”Dante limpou
Ele beijou a testa dela primeiro, depois a ponta do nariz e quando os lábios dele finalmente encontraram os dela, Rhani soltou um suspiro trêmulo.O beijo começou lento, exploratório, mas logo se aprofundou. A língua dele deslizou contra a dela e ela sentiu o gosto doce das frutas que ele tinha comido.O laço repuxou e explodiu entre eles, enviando ondas de desejo direto para o baixo ventre deles.Vidar a deitou com cuidado sobre as cobertas e suas mãos desabotoaram o vestido dela devagar, beijando cada pedaço de pele que ia aparecendo.Quando o tecido caiu, ele parou só para admirar aquela pele alva brilhando sob o beijo da lua.— Sss… linda.Ele sibilou, com a voz carregada de adoração.— Tão linda que dói e dá medo.Rhani cobriu o peito instintivamente, mas ele segurou os pulsos de







