Se connecterPOV da ElianaOs eventos daquele dia, escolhi enterrar no fundo da minha mente. Não fiz perguntas sobre o assunto, esperando que nunca mais aconteça.O ditado “Você nunca sabe o que tem até perder” é totalmente verdadeiro.Embora eu não tenha perdido minha mãe, quase perdi. Senti vergonha de ter sido preciso que ela arriscasse a vida por mim para abrir meus olhos e ver seus esforços para estar presente na minha vida.— No que você está pensando, meu amor? — A voz do Scott me tirou dos meus pensamentos.— Nada…— Tem certeza? Todo mundo está esperando lá fora. Mas, — ele me puxou para mais perto, pressionando-me contra seu corpo firme, — não precisamos ir lá fora se você não quiser, — ele murmurou no meu ouvido, arrastando a língua pelo lado do meu pescoço.— Para, Scott. Podemos continuar isso mais tarde. — Virei-o em direção à porta, expulsando-o do quarto.O noivo não deveria ver a noiva antes do casamento, casado ou não.Meu pai tinha renunciado ao cargo de Prefeito, anunciando a v
POV do ScottLuzes fortes filtraram nos meus olhos, forçando-me a fechá-los. Uma coisa era certa: eu não estava mais sobre a mesa daquele galpão.Estava quieto, quieto demais. Lentamente, forcei meus olhos a se abrirem novamente. Encolhendo-me pelo desconforto, deixei que minha visão ganhasse foco. De fato, eu não estava mais na sala onde estivera da última vez em que fiquei consciente. Não havia dúvida de que eu estava em um hospital.O aviso de Susan ecoou na minha cabeça: “Don Esteban exige que você solte o irmão dele.”Esteban nunca fazia exigências ou pedidos sem impor consequências para o caso de descumprimento — não que isso fosse realmente necessário. Conhecendo o Jackson, eu sabia o quão teimoso ele podia ser.Girei minhas pernas para fora da cama, lutando contra a dor latente na minha cabeça. Eu tinha que garantir que Esteban não tentasse foder com a vida de todos nós.— Eu não aconselharia você a se levantar nesse estado… — Parei e olhei na direção de onde vinha a voz.— Ca
POV da Eliana— O que ele está fazendo aqui? — Minha voz era um sussurro sem fôlego. Tentei afastar as memórias horríveis do tordo que ameaçavam ressurgir.— Essa é uma pergunta para ele responder, — disse Esteban suavemente. Erguendo uma sobrancelha, perguntou: — Você o conhece?Eu não sabia como responder à pergunta. Quer dizer, nós não nos conhecíamos — não de verdade —, mas o pior de tudo: ele tinha tentado se forçar sobre mim.— Ele é um monstro, — soltei entre os dentes.— Sério? — Esteban deu alguns passos se aproximando de Ashton, agachou-se e inclinou-se para a frente. — O que você fez, Dexter? — Ele cuspiu o sobrenome com puro desgosto.Ashton se encolheu mais para trás para evitar o olhar penetrante do Don, com os lábios firmemente pressionados.Esteban moveu o braço rápido como um raio, seu punho acertando diretamente o maxilar de Ashton. O estalo ecoou alto pela sala — se é que se podia chamar aquele lugar de sala.— Quando eu faço uma pergunta, espero uma resposta imedia
POV da ElianaMinutos viraram horas. Cada batida do coração se tornava um lembrete barulhento do perigo — da desgraça — que nos aguardava. Cada segundo sem uma palavra ou notícia da Susie parecia a porra de um século.— Isso é lindo.Alguém exclamou atrás de mim.— De quem é essa pintura?Para uma exclamação como aquela, tinha que ser uma obra de arte esplêndida. Sorri, forçando-me a me virar, mas eu estava tensa demais para fazer qualquer coisa além de me preocupar.— Eliana, é a sua, — Paige arfou.De jeito nenhum. Quer dizer, eu não era ruim em pintura, mas…— Se você pudesse se virar só por um momento, — Paige sussurrou.— Essa é a pintura de Eliana Garcia. Ela está logo ali, — ouvi Xavier dizer. Eu não tinha percebido que ele havia chegado.Uma senhora idosa de cabelos prateados caminhou em minha direção com um grande sorriso no rosto. Ela parecia genuinamente feliz em me ver, seus olhos brilhando de alegria. Essa era exatamente a reação que uma artista reza para que seu trabalho
POV da ElianaA viagem de volta para o apartamento foi quieta — quieta demais. Algo tinha acontecido enquanto eu estava dentro da casa; algo sobre o qual ninguém queria conversar.Os homens estavam em silêncio, seus rostos desprovidos de expressão e emoção. Ainda assim, havia algo na maneira como eles continuavam checando atrás de nós, no jeito como olhavam para mim quando pensavam que eu não estava observando.O carro parou e a porta foi aberta para mim. Respirei fundo, grata por quão fresco, porém suave, o ar estava.— É impressão minha ou o ar está diferente? — perguntei, tentando puxar conversa.O olhar confuso que o homem de cabelo castanho — quase ruivo — me deu sugeria que ele levou aquilo a sério demais.— Onde?Antes que eu pudesse responder, fui empurrada para trás de um escudo humano, pronto para me defender. Exceto que não havia necessidade.— Não podemos ver o ar, podemos? E com certeza não podemos atirar nele, a menos que você queira desperdiçar balas.Ele abaixou a cabe
ELIANA Meu coração martelava no peito. O cômodo parecia ter sido esvaziado de oxigênio. O homem arrastou uma cadeira e se sentou, sem tirar os olhos do meu rosto. Era como se estivesse procurando alguma coisa. O que ele poderia encontrar no meu rosto? Meu Deus, era assim que eu ia morrer? Ele ainda não tinha feito nenhum movimento — nem precisava. Seria uma morte fácil. Não havia a menor chance de eu enfrentá-lo, muito menos vencê-lo. — Eu aprecio o silêncio, mas espero uma resposta quando faço uma pergunta. Meu Deus, esse dia ainda podia piorar? Eu nunca tinha ouvido tanta autoridade na voz de alguém. Sua voz era baixa, mas imponente. — Eu... As palavras me abandonaram. Meu olhar se fixou na cicatriz ao lado de seu rosto. Uma cicatriz fina e comprida, que parecia o resultado de um corte, começando perto demais da orelha e terminando no canto do olho. Olhos tão intensos quanto os de Scott, íris azul-acinzentadas. Pela primeira vez, agradeci por ter seguranças. Sem pensar duas v







