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Capítulo 4

last update Data de publicação: 2026-05-22 23:25:03

Já se passaram vários dias desde que ela bloqueou Rafael Sandre, e Emily Carter tem vivido em constante medo, quase cometendo erros no trabalho diversas vezes.

Ela se consolou pensando que talvez uma pessoa influente como ele nem se importasse com ninguém como ela.

Mas hoje, sua pálpebra direita não parava de tremer, e Emily sentiu um pânico inexplicável.

Às 22h, a maioria dos funcionários da emissora já havia ido embora.

Emily ainda tinha alguns vídeos que não havia terminado de editar.

Arrastando seu corpo cansado, ela foi até a sala de descanso.

Enquanto buscava água, de repente sentiu alguém tocar em suas nádegas. Virou-se bruscamente, viu quem estava atrás dela e gritou furiosa:

"O que você está fazendo?"

A pessoa que a tocou foi Estevão, o vice-diretor do departamento editorial, que a olhava de cima a baixo com um olhar lascivo e obsceno.

"Sua vadiazinha, pare de fingir que é inocente. Todo mundo sabe que você só conseguiu a promoção da sua irmã depois de dormir com o diretor da emissora. O diretor já é um velho, como ele pode te satisfazer? Por que você não vem comigo? Eu consigo uma promoção para você amanhã."

Emily Carter estava tão furiosa que tremia por inteiro.

Ela estudou radiodifusão e apresentação, e após a formatura, começou a trabalhar como estagiária em uma emissora de TV. Rafaela a seguiu pouco depois.

Três meses atrás, antes da avaliação mais importante, Rafaela colocou laxante em sua água, o que a fez perder a gravação. Rafaela então assumiu o lugar dela e aproveitou a oportunidade para garantir a vaga.

Ela enganou a todos deliberadamente, fazendo-os acreditar que Emily estava ajudando a irmã mais nova ao dormir com o chefe.

Isso tornou a vida de Emily cada vez mais difícil na emissora.

"Nem todos os funcionários já foram embora. Quer que eu grite e chame todo mundo para ver quem você realmente é?"

"Humph, sua ingrata, espere só para ver."

Estevão saiu furioso.

Emily cobriu o rosto e agachou-se lentamente.

A maior pobreza que uma pessoa pode experimentar não é a falta de dinheiro, mas a falta de amor e a sensação de não ser necessária.

Ela não tinha medo de Rafael Sandre, nem da morte.

Porque não conseguia sentir nem um pouco de calor neste mundo.

Nem mesmo seus próprios pais a amavam, então de quem mais ela poderia esperar algum afeto?

Há cinco anos, a família Carter a encontrou.

Emily se esforçou muito para agradar a todos.

Mas naquela noite, todos optaram por proteger Rafaela e a abandonaram.

Foi somente então que Emily percebeu que sempre fora uma estranha.

Para todos os outros, a mãe era discreta e ponderada, mas só Emily sabia que tudo o que lhe pertencia, Márcia queria tomar para dar à outra filha.

Nas primeiras horas da manhã, Emily caminhava exausta de volta para o prédio onde morava de aluguel. De repente, um homem vestido de preto, com uma expressão austera, apareceu e a barrou.

"Senhorita Emily."

O rosto de Emily empalideceu; ela se virou e tentou correr.

Quando Emily acordou novamente, tudo estava na mais completa escuridão; seus olhos estavam vendados.

Ela sentiu como se tivesse voltado àquela noite, e o medo a dominou como uma onda avassaladora.

Um arrepio percorreu sua espinha. Dedos frios ergueram seu queixo, e Emily sentiu como se uma cobra venenosa estivesse deslizando por sua pele.

Mesmo sem poder vê-lo, ela sabia quem estava ao seu lado.

A aura dele era como a neve caindo sobre pinheiros antigos: serena, distante e avassaladora!

Só uma pessoa poderia possuir um poder tão aterrador e opressor.

Rafael Sandre!

"Você é a primeira pessoa a ousar me dizer não", disse uma voz profunda e pausada em seu ouvido. "Você não tem medo da morte?"

Emily tentou controlar o tremor do seu corpo.

No entanto, o medo que Rafael Sandre lhe incutiu era profundo.

"Qual a diferença entre eu estar assim ou estar morta?"

Os dedos dele acariciaram os lábios dela, enviando um arrepio por todo o seu corpo. As lembranças daquela noite vergonhosa inundaram a mente de Emily.

"A diferença é... eu te quero. E mesmo que você seja apenas um corpo sem alma, terá que viver por mim."

A voz dele era envolvente, como o sussurro suave de um amante, repleta de uma carícia perigosa.

Mas suas palavras eram de uma crueldade sem limites.

O corpo de Emily tremeu ainda mais violentamente.

Uma torrente de ressentimento brotou em seu coração: Rafaela, Alexander Hayes, todos daquela família...

Esses rostos passaram por sua mente.

Por que ela deveria ser a única descartada?

Por que todos eles podiam viver tão confortavelmente?

O que ela fez de errado?

Emily não estava disposta a aceitar essa injustiça...

Se ela morresse, não seria a oportunidade perfeita para Alexander Hayes e Rafaela ficarem juntos abertamente, sem culpa alguma?

Se não podia escapar, por que não tirar o melhor proveito da situação?

Ela precisava tomar uma decisão.

A mão de Emily tateou no escuro e segurou os dedos frios de Rafael Sandre, inclinando-se lentamente para perto dele.

Com uma voz suave e submissa, disse: "Rafael... eu estava errada."

Uma risada baixa ecoou ao seu ouvido.

Ela sentiu o peso dele sobre si, acompanhado pelo aroma fresco e marcante da resina de pinheiro.

O Maybach preto parou perto do condomínio onde Emily alugava seu apartamento.

Quando ela se preparava para sair do carro, o motorista falou. Era o assistente, o homem de confiança de Rafael Sandre.

"Se a senhorita Emily não quiser viver uma vida pior que a morte, é melhor não desafiar o Sr. Rafael novamente."

Emily cerrou o punho com força, cravando as unhas na palma da mão.

"Sempre que ele quiser vê-la, você deve estar à disposição. A senhorita é uma mulher inteligente; agradar ao Sr. Rafael só trará vantagens."

"Entendo", respondeu Emily com a voz rouca.

Isso já havia acontecido duas vezes, e em ambas as ocasiões foi na escuridão.

Tudo o que ela sabia era que ele era alto e jovem. Fora isso, não sabia nada sobre ele.

Ao subir para seu apartamento, seus passos eram lentos e doloridos.

O desconforto físico servia como um lembrete constante do que havia passado.

Ela fora como uma presa: debatendo-se, chorando e implorando por misericórdia em vão, até desmaiar.

Quando acordou, seu corpo já havia sido limpo e Rafael Sandre já tinha ido embora.

Enquanto isso, em seu escritório particular, o assistente aproximou-se de Rafael Sandre por trás e disse respeitosamente: "Sr. Rafael, acabei de receber notícias de que a Família Hayes pretende arranjar uma esposa para trazer boa sorte para sua saúde."

"De quem foi a ideia?"

Com seus dedos longos e elegantes, Rafael fez um breve sinal.

Imediatamente, dois homens de preto atiraram um homem acorrentado direto na piscina do recinto, espirrando água a mais de um metro de altura.

No segundo seguinte, ouviu-se um grito dilacerante.

As piranhas irromperam da água, rasgando e mordendo com violência. O sangue se espalhou rapidamente.

Na penumbra, o rosto de Rafael Sandre parecia esculpido, dotado de uma beleza quase irreal.

Seus olhos eram escuros e profundos como um abismo — perigosos e enigmáticos.

Seus lábios finos se curvaram em um sorriso cruel.

"Alexander Hayes..." murmurou ele. "Deixe que aproveitem seus últimos dias de diversão."

No dia seguinte, uma pilha grossa de documentos foi atirada com força contra o rosto de Emily, espalhando-se pelo chão como flocos de neve.

"Você não consegue nem fazer uma tarefa simples desse direito, Emily? Para que você serve além de ser inútil?"

O rosto de Emily ardeu, e ela cerrou os punhos.

Desde o incidente na sala de descanso, ela vinha sendo alvo constante de perseguições no trabalho.

"Como você foi contratada, afinal?" Estevão apontou o dedo para o nariz dela, vociferando: "Quase me esqueci... tudo o que você sabe fazer é tirar a roupa para conseguir o que quer..."

Um estalo forte interrompeu os insultos.

Um tapa ressoou pela sala.

As mãos de Emily tremiam. Ela sabia que não devia agir por impulso, mas recusava-se a ser pisoteada daquela forma.

Estevão segurou o rosto, enfurecido: "Sua vadia, você teve a coragem de me bater? Acredite em mim, eu te coloco na rua hoje mesmo!"

"Não precisa se dar ao trabalho, eu estou me demitindo!" Emily tirou o crachá da empresa, atirou-o contra Estevão e virou-se para sair.

Ignorando os olhares hostis dos colegas, Emily manteve as costas eretas e caminhou para fora do prédio da emissora.

Ela mordeu o lábio inferior com força, lutando contra o sentimento de humilhação.

Seu telefone tocou. Na tela, a mesma mensagem familiar.

Uma localização e duas palavras.

Rafael Sandre: Venha aqui.

Emily apertou o telefone com força, tomou sua decisão e seguiu em frente.

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