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Marino : O jogo

last update Data de publicação: 2026-07-28 09:05:03

Isso não vai ficar assim.

Fico parado na sala. As mãos fechadas. O maxilar doendo de apertar.

E sorrio. Sozinho.

Se a Melissa acha que pode me descartar como se eu fosse nada só porque assinou um contrato, se ela pensa que vai se livrar de mim tão fácil... está muito enganada.

Ah, mas não vai mesmo.

Deixa ela sonhar. Deixa ela acreditar nessa falsa liberdade que comprou com uma assinatura e um advogado.

Se ela quer ir embora, eu não vou impedir. Não agora.

Tenho que manter a calma. Ser mais frio. Mais calculista do que nunca.

Porque a gatinha está querendo pôr as garras de fora.

Ela jura que eu vou ter medo. Que eu vou implorar.

Eu lido com pessoas difíceis todo dia. Com traficante. Com psicopatas meus negócios sempre aparece alguém descontrolado.

Medo de mulher eu não tenho.

Antes de dar qualquer passo, porém, preciso eliminar uma pessoa do meu caminho.

Tenho certeza absoluta de que essa atitude dela tem o dedo do Antony do início ao fim.

O sorriso dele. A forma como olhou pra ela na festa. A mensagem que apagou do celular dela semana passada.

— Pode ir embora. Mas agora você vai sair desse apartamento apenas com a roupa do corpo, Melissa — digo. A voz sai baixa. Fria. Cortante.

Ela para na porta com a mala na mão. Me olha incrédula.

Mesmo que a família dela tenha uma posição social razoável, ela nunca mais vai ter o padrão de vida que desfrutava aqui.

Ter uma empregada à disposição 24h. As melhores roupas. Joias que custam mais que um carro. Viagens. Cartão sem limite.

Eu dava tudo a ela. Em troca de obediência.

Duvido que encontre outro homem aos seus pés capaz de lhe proporcionar tantas regalias.

— Isso é um absurdo, Marino! Você não pode simplesmente me proibir de levar as minhas coisas! — ela grita. Os olhos enchem d'água. Teatro.

— Não só posso, como já estou fazendo.

Se ela quer brincar, precisa aprender quem dita as regras do jogo.

Agarro o braço dela. Forte o suficiente pra deixar marca. Arrasto até a porta.

Ela se debate. "Me solta!"

Não queria ir embora? Então vamos ver se é tão corajosa assim saindo apenas com a roupa do corpo.

Aliás, nem com a roupa.

Viro ela bruscamente pra mim. O vestidinho solto, tomara que caia, rasga na minha mão. O som do tecido rasgando é alto.

Ela grita. Tenta se cobrir. Tarde.

— Você só pode ter ficado louco de vez! Como eu vou sair no meio da rua dessa maneira, Marino?! — ela chora. Desesperada. Humilhada.

Não respondo.

Empurro. A porta b**e. Tranco.

Quero ver até onde vai a coragem dela.

Henriqueta está na cozinha. Me olha espantada. Faz 8 anos que ela trabalha aqui. Já deveria estar acostumada comigo.

Saio da sala antes que ela resolva me dar sermão. Amo o serviço dela. Detesto quando acha que pode me aconselhar.

— Senhor... Vai me desculpar, porém não posso ficar calada — ela diz. Me segue até o quarto. As chinelas dela arrastam no piso.

Ótimo. Minha cabeça já está cheia.

— Henriqueta. Volte pra cozinha. Só fale comigo o estritamente necessário.

Ela não obedece. Por que mulheres nunca obedecem?

— O senhor vai me desculpar, mas o que acabou de fazer foi desumano.

Finjo que não ouço. Abro a gaveta. Tiro a arma. Checo o carregador. Gosto de deixar ela por perto. Nunca se sabe, faz alguns meses que conseguir o porte de arma, ser empresário tem os seus contras, ainda mais quando se é o CEO da empresa.

Preciso pensar.

Já mandei mensagem pros meus seguranças particulares 5 minutos atrás: _Sigam ela. 24h. Me digam pra onde vai e com quem fala._

Eu a deixei só de roupa íntima. Sei o perigo que essa cidade é.

Mas preciso saber pra quem ela correu primeiro. Preciso ver as cartas na mesa.

Henriqueta continua parada na porta. "Ela é uma menina boa, senhor Marino."

— Henriqueta! — viro pra ela. — Última vez. Cozinha.

Ela baixa os olhos. Sai. Finalmente.

Entro no banho. A água quente desce e não apaga a raiva.

Queria relaxar com a minha mulher. Mas ela preferiu fugir.

O celular vibra no mármore. Mensagem dos seguranças:

_Ela está na garagem. Falou com o porteiro. Um carro vai entrar._

Claro. Contrato assinado há 2 dias. Ela não quer escândalo. Quer sair pela porta dos fundos.

Respondo: _Sigam todos os passos. Escala mais 2 pra minha escolta. Discreto. Ela não pode perceber._

Me visto. Camisa preta. Calça. A foto chega 10 minutos depois.

Abro.

O sangue sobe pra cabeça em 1 segundo.

Antony.

O maldito desceu do carro. Todo solícito. Colocou o próprio casaco nos ombros dela. Ajeitou o cabelo dela. Sorriu.

Jogo o abajur contra o espelho. O vidro estilhaça. Corta minha mão. Não sinto.

— Eu sabia — cuspo. — Sabia que tinha o dedo dele.

Amanhã ele some.

Quem me atrapalha não fica vivo pra contar.

Por que acham que tenho uma carreira de 15 anos no mundo dos negócios? Por ser bonzinho? Por ser honesto?

Não.

Antes de ser CEO eu era um simples assessor. E aprendi rápido: se você não for esperto, alguém mais ligeiro vive a vida que era pra ser sua.

Se você não age, outro age por você.

Antony jura que não gosta de mulher. Que é "só amigo".

Mentira. É fachada. Ele quer ela. Quer me tirar o que é meu e enfiar ela na casa dele como troféu.

Não vai acontecer.

Pego o celular. Ligo pros seguranças.

— Preciso do Peixoto. Agora.

Eles sabem quem é. O policial que resolve as coisas sem perguntar. Basta ver a cor das notas.

O telefone toca. Número privado.

Atendo. "Fala."

— Marino. O que houve? — a voz dele é grossa. Cansada.

Mando a foto do Antony ajudando a Melissa. "Quero o sujeito da foto morto. De preferência transformado em cinzas. Sem ligação comigo."

Silêncio do outro lado. Depois: "Quanto?"

"50. Metade agora."

"Feito. 48 horas."

Desligo.

Encosto na parede. A mão ainda sangra do vidro.

Melissa acha que ganhou. Acha que com um advogado e um contrato ela está livre.

Ela não entende.

Eu não perco.

Eu não divido.

E eu não esqueço.

Se ela quer guerra, ela vai ter.

E o primeiro a cair é o Antony.

Depois... depois eu vou buscar minha mulher de volta.

Mesmo que eu tenha que arrastar ela de volta pra essa casa de calcinha e sutiã.

Porque aqui é o lugar dela.

Do meu lado.

Onde eu decido.

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Último capítulo

  • Meu Ex é o Pai    Marino: Investigações particulares

    Sinceramente achei estranho todo aquele alvoroço no hospital, alguns passarinhos me contaram que antes da alta da Melissa, ela recebeu uma obstetra. Sendo que o seu problema não tem nada haver com essa área, já que foi uma perfuração a bala. Talvez ela tenha aproveitado que já estava no hospital para fazer alguns exames de rotina, ela sempre foi muito cuidadosa, além de estar sempre de olho nos métodos de anticoncepcionais, na verdade nunca concordei com o uso deles. Até porque ela mais do que ninguém sabe o quanto sou louco para ter um filho, então essa decisão dela sempre me irritou bastante. — Quero que vá encontrar essa médica, se for preciso em seu consultório particular, marque uma consulta no seu nome, mas quem irá sou eu. Exigi que a minha secretária fizesse isso, sinal se marcasse uma consulta no meu nome, a Dr ia ficar sem entender o que de fato estava acontecendo. Gosto de pegar as pessoas de surpresa, avaliar a reação delas ao me ver. Um olhar diz muita coisa sobre

  • Meu Ex é o Pai    Bônus: Antony

    Sou amigo da mel desde que me entendo por gente, ela foi a primeira pessoa a saber sobre a minha opção sexual, nunca tive vergonha, sempre fui decidido que gostava única e exclusivamente de homem. Só depois do relacionamento dela com o Marino foi que as coisas se complicaram, sempre tive passe livre na vida da minha amiga. Sempre cuidamos um dos interesses dos outros, principalmente porque compartilhamos o mesmo sonho, ter uma carreira promissória como artistas, conseguir ao menos uma novela ser era nosso plano. Plano que deu frutos, porque além de um contrato assinado já começamos as gravações. Uma coisa que sempre torci e não minto para ninguém, foi que a minha amiga fosse livre, sem o encosto do Marino, porque vamos combinar que o que ele tem de bonito tem de tóxico. Ele chegava a sufocar a Melissa, tanto que muitas vezes ela deixava a nossa amizade de lado, somente para satisfazer os caprichos daquele louco. Também sou testemunha de quantas vezes eles terminaram e a min

  • Meu Ex é o Pai    Melissa: Confusa

    Terminamos de gravar naquela tarde, porém nada saiu da cabeça o buquê de flores, junto com o cartão que o Marino me deu. Porque sendo bem sincera não acreditei em absolutamente nada, para mim não passou de uma encenação barata, mas confesso que por pouco não acreditava. Quem não conhecesse o Marino, ia acreditar que ele é um bom homem e que está perdidamente louco e apaixonado por mim. Mas eu que convivi, sei que tudo isso não passa de palavras jogadas ao vento, se eu acreditar, amanhã ele vai dizer que não disse nada disso e que eu estou imaginando coisas. — Você gravou todas as cenas, mas está com a cabeça no mundo da lua, inclusive acabei de te perguntar algo e tenho certeza que você não sabe nem o que falei. Peço desculpas ao Antony, mas a minha cabeça está a mil, com a chegada inesperada desse bebê que está a caminho, o Marino tentando pagar de bom moço é muita coisa para a minha cabeça. — Desculpas! É que estou sem acreditar no que o Marino fez, confesso que ele me pegou d

  • Meu Ex é o Pai    Marino: Plano em ação

    Pedi para a minha secretária escolher o maior buquê que ela achasse na loja, inclusive escrevi um cartão parabenizando a Melissa pelo início das gravações. Sei que será uma atitude que vai balançar o seu coração, afinal, ela sabe que o antigo Marino teria chegado lá arrastando ela pelos cabelos.Isso também vai me ajudar com o amiguinho, ele mesmo vai se encarregar de falar bem de mim para ela e fazer com que sua amiga volte para mim. Uma coisa que o meu pai sempre falava e que agora na minha cabeça faz todo sentido, tenha sempre seus inimigos por perto, se não conseguir deter os mesmos, então se junte a eles. É isso que estou fazendo neste exato momento aqui nesse maldito Studio, mas por enquanto deixa a Melissa se divertir, achar que me venceu. — Vai amiga pegar as flores, está todo mundo olhando. — A mel vem ao meu encontro, falando apenas um simples obrigado, enquanto tira o cartão das flores para ler. Observo suas expressões mudarem, porém ela não vai dar o braço a torcer tã

  • Meu Ex é o Pai    Melissa: Início das gravações

    Mesmo nervosa para seguir para gravação com o Antony, logo após deixar nossas coisas no seu apartamento. Porém não quero ficar muito tempo na sua casa, acredito que a minha gravidez mesmo inesperada, veio para me dar forças para continuar. Porque em hipótese alguma pretendo contar dessa gravidez ao Marino, melhor deixar ele continuar brincando de CEO dedicado, neste momento é o melhor a se fazer. Principalmente para a minha segurança e deste bebê. — Você já vai falar com o diretor sobre a sua gravidez hoje? Tenho que falar, não posso adiar, até porque como sempre disse minha avó, a barriga vai crescer para frente, não para trás, então não adianta esconder. Até porque sou bem magra, então logo todos vão perceber a diferença no meu corpo.— Sim! Mesmo morrendo de medo de perder este papel que a gente tanto almejou. Não posso simplesmente enganar o diretor ou a produção, tenho que ser honesta e aí vai depender deles, se me querem dentro do elenco ou não. — Meus protagonistas pref

  • Meu Ex é o Pai    Marino: História mal contada

    Quando cheguei no hospital, a minha digníssima esposa, já está pronta para ir embora. Claro! Não podia ser com outra pessoa, o Antony, está sempre solicito para o que ela precisar. Se esse cara soubesse o quanto ele me irrita, jamais chegaria perto dela. Dou bom dia pela educação, mas a minha vontade é dar um belo soco, na cara desse imbecil. Talvez assim ele aprenda que mulher dos outros, não se coloca o olho, muito menos toca com desculpa que é homossexual. — Te falei que vinha buscar você, para voltarmos pra nossa casa, posso saber porque não ia me esperar. Os dois olham um para o outro, como se a resposta dependesse dele. — Você sabe que já está tudo acabado, Marino, não sei porque está dando uma de louco, isso não vai nos ajudar em nada, o nosso relacionamento acabou. Minha vontade é rir, porque o único que decide as coisas aqui sou eu. Quem determina se acabou ou não sou eu, ninguém mais. — Apenas brigamos, como sempre, Melissa, nada de mais, estamos acostum

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