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Capítulo 2

作者: Bonnie
Meu celular não parava de receber mensagens de assédio e ligações anônimas. Todas estavam repletas de xingamentos cruéis e insultos repugnantes.

Minhas mãos tremiam enquanto eu bloqueava cada número, um por um.

Minha mãe disse que tinha ligado para a faculdade e conseguido uma licença acadêmica prolongada para mim.

No entanto, eu não podia deixar que ela descobrisse que sairia do país. Precisava voltar ao campus para concluir a documentação.

Ela nunca tinha tempo para mim mesmo. Ainda que eu fosse embora, provavelmente levaria semanas até que percebesse meu desaparecimento.

Leo tinha mandado retirar as fotos da internet, mas quase todos na faculdade já tinham visto as imagens.

Por onde eu passava, olhares curiosos, debochados e acusadores me seguiam, acompanhados por cochichos maldosos.

— Quem diria? Ela sempre pareceu tão quietinha e certinha, mas, na verdade, era fácil demais.

— Ei, será que eu teria alguma chance com ela?

A vergonha sufocante e o terror me apertavam como uma morsa.

Meu peito ficou tão contraído que mal consegui respirar, e nem sequer me lembrava de como saí do prédio da faculdade.

Eu caminhava de volta para a mansão, completamente atordoada, quando um grupo de homens surgiu diante de mim e bloqueou meu caminho.

O líder pegou o celular e exibiu uma das minhas fotos vazadas na tela. Ele me examinou dos pés à cabeça, com um olhar carregado de uma maldade repulsiva.

— É você, não é? É ainda mais bonita pessoalmente.

Meu corpo inteiro enrijeceu, e recuei meio passo, tropeçando.

— O que vocês querem? Fiquem longe de mim!

Os homens trocaram olhares e, apesar de todos os meus esforços para resistir, me arrastaram para o beco pouco iluminado ao lado da rua.

Eles me prensaram com violência contra a parede fria de tijolos e começaram a me cercar com sorrisos lascivos, enquanto suas mãos imundas avançavam sobre minhas roupas.

— Saiam de cima de mim! Não encostem em mim!

Imobilizaram meus braços e minhas pernas. Eu já não tinha forças para lutar e só pude assistir, impotente, enquanto rasgavam meu casaco.

— Relaxe e aproveite! Ninguém vai vir salvar você.

Mordi o lábio com tanta força que o gosto metálico do sangue tomou conta da minha boca.

No breve instante em que soltaram uma das minhas mãos para começarem a tirar as próprias roupas, consegui me desvencilhar e puxei a faca que escondia na bolsa.

Minha mão tremia tanto que mal conseguia segurá-la, mas gritei com toda a força dos meus pulmões:

— Não deem mais nenhum passo!

Na primeira vez em que fui encurralada daquele jeito, minha mãe disse que a culpa era minha por me vestir de forma provocante e mandou que eu usasse roupas mais discretas da próxima vez.

Se um desconhecido não tivesse passado por ali naquele dia, eu nem sabia o que poderia ter acontecido comigo.

Desde então, sempre mantinha uma faca dentro da bolsa.

Entretanto, eles apenas riram. Um dos homens chegou a avançar sobre a faca, tentando arrancá-la da minha mão.

Durante a luta, a lâmina se enterrou profundamente no meu peito.

O rosto do líder empalideceu de pânico.

Com medo de ser acusado de homicídio, ele se virou e fugiu, seguido de perto pelos outros homens.

Desabei sobre o concreto gelado, enquanto o sangue se espalhava depressa pela minha blusa.

Minha visão ficou turva e minha consciência começou a desaparecer. Antes de apagar, ouvi um deles falar ao telefone, num tom baixo e apavorado:

— Senhor Corleone, alguma coisa deu errado. Ela se esfaqueou com a própria faca.

A voz fria e impiedosa de Vincent veio do outro lado da ligação.

— Ela morreu?

Então ouvi a voz de Leo, urgente e horrorizada:

— Vincent! Você ficou maluco? Ela é sua irmã!

Vincent soltou uma risada de desprezo.

— Eu só mandei os rapazes assustarem um pouco aquela garota. Se ela foi burra o bastante para tentar se matar, a culpa é dela. Se ainda não morreu, larguem-na em algum hospital. E garantam que ela nunca descubra que fui eu quem organizou tudo.

Então era verdade. Vincent realmente queria me destruir.

Uma lembrança surgiu de repente em minha mente: uma conversa que ouvi por acaso entre ele e seus homens alguns meses antes.

— A culpa pela morte da minha mãe era das duas. Por que diabos elas mereciam viver confortavelmente na casa dos Corleone?

As lágrimas escorreram pelo meu rosto, e o mundo mergulhou na escuridão.

Perdi completamente os sentidos.
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