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Meu Marido Me Fez Engravidar de Outro Homem
Meu Marido Me Fez Engravidar de Outro Homem
Autor: Marina Leal

Capítulo 1

Autor: Marina Leal
Com o rosto em chamas de constrangimento, Cecília Nogueira se levantou e tornou a vestir a roupa íntima.

— Doutor Henrique... Eu vou conseguir levar essa gravidez até o fim?

Ela olhou, apreensiva, para o homem alto junto à pia.

Henrique Rodrigues lavava as mãos com o corpo ligeiramente inclinado sobre a bancada. A água corria por seus dedos longos, de articulações bem definidas, enquanto as veias discretas de seu antebraço apareciam sob a pele.

Definitivamente não era o tipo de detalhe em que Cecília deveria estar prestando atenção naquele momento.

Henrique ergueu os olhos.

A frieza de seu olhar bastou para fazê-la recobrar um pouco a compostura.

— A vida sexual de vocês não vai bem?

Cecília sentiu o rosto queimar ainda mais.

Mordeu o lábio e assentiu, constrangida.

— É... Aconteceu só uma vez.

— Uma vez?

— Tem algum problema?

Ela apertou a barra da roupa entre os dedos e repetiu para si mesma:

"Para médico, paciente não tem sexo. Para médico, paciente não tem sexo."

O problema era convencer o próprio cérebro disso.

Bastou seu olhar recair outra vez sobre as mãos de Henrique para as lembranças do exame que ele acabara de fazer surgirem sem convite.

Sua respiração falhou.

Cecília desviou os olhos às pressas e se concentrou no prontuário sobre a mesa.

A letra de Henrique era firme e elegante, bem diferente dos rabiscos indecifráveis que ela sempre associara aos médicos. Cada anotação parecia precisa, quase meticulosa.

— Seu organismo está muito debilitado, e a gravidez já apresenta sinais de risco. Se quiser continuar com a gestação, precisará ser internada para observação. Recomendo que chame alguém da família o quanto antes.

Cecília empalideceu.

Desde que descobrira a gravidez, tomara todos os cuidados que podia. Vinha recebendo injeções para ajudar a manter a gestação e seguia o tratamento à risca. Nos últimos dias, porém, começara a passar mal e, preocupada, recorrera a conhecidos para conseguir uma consulta com um especialista.

Não imaginava que a situação tivesse chegado a esse ponto.

Seus dedos se fecharam com força sobre o tecido do vestido.

— Doutor, eu faço qualquer coisa. O que for preciso. Só quero que meu bebê fique bem.

Durante os três anos de casamento, Vicente sempre dissera que não gostava de crianças.

Na verdade, desde que haviam se casado, praticamente nunca a tocara.

A única vez acontecera quando ele estava bêbado.

Cecília sabia muito bem o quanto Vicente rejeitava a ideia de ter filhos. Por isso, pela primeira vez desde o casamento, decidira contrariá-lo.

Aproveitando os meses em que ele estaria em Montélia a trabalho, começou às escondidas um tratamento para manter a gravidez. Tomou injeções, remédios e tudo o que lhe recomendaram, insistindo mesmo depois de sofrer uma hemorragia gástrica.

Com enorme dificuldade, conseguira chegar aos sete meses.

Ela se agarrara a uma esperança quase ingênua.

Talvez, com um filho, aquele casamento cada vez mais frio ainda tivesse salvação...

— Seja qual for sua decisão sobre a gravidez, precisaremos da assinatura de um familiar.

A voz fria de Henrique soou ao lado dela, como se ele já soubesse exatamente o que se passava em sua cabeça.

Cecília ficou imóvel por um instante. As palavras dele trouxeram de volta a lucidez, afastando os pensamentos cada vez mais extremos que começavam a dominá-la.

Ela mordeu o lábio e, por fim, tomou uma decisão.

— Tudo bem. Vou ligar agora.

Assim que Cecília deixou o consultório, a paciente seguinte entrou.

O hospital particular atendia um número reduzido de pessoas, e o corredor estava quase vazio. Cecília caminhou até uma área mais reservada e ligou para Vicente.

A primeira chamada caiu sem resposta.

A segunda também.

Na terceira tentativa, finalmente atendeu.

Mas não foi a voz de Vicente que surgiu do outro lado.

Foi a de uma criança.

— O papai tá beijando a mamãe! Para de ligar e atrapalhar!

Cecília paralisou.

Antes que conseguisse dizer qualquer coisa, ouviu uma voz masculina ao fundo.

Ela a reconheceria em qualquer lugar.

Era Vicente.

Só que o tom suave e paciente com que ele falava lhe pareceu quase estranho.

Em três anos de casamento, Cecília jamais recebera dele tamanha doçura.

— Lili, meu amor, dá o celular pro papai.

— Papai, você não tava beijando a mamãe na varanda? Como veio parar aqui tão rápido?

— Lili, meu amor, não fala assim.

Uma voz feminina surgiu em seguida, delicada e familiar, repreendendo a menina sem esconder o carinho.

— Vini, você faz todas as vontades dela. Vai acabar deixando a Lili mimada desse jeito.

Vicente riu baixinho.

— Nossa Lili já tem quatro anos. Quando você finalmente vai aceitar se casar comigo?

— Para de falar besteira. Você já é casado.

— Você sabe que eu só me casei com ela para atingir você. Foi você quem me afastou naquela época.

O carinho desapareceu da voz de Vicente.

Quando voltou a falar, cada palavra veio carregada de desprezo.

— Cecília não passa de um rostinho bonito que não serve para nada. Em três anos, só de imaginar tocar nela eu já sentia repulsa. E aposto que, até hoje, ela ainda acha que fui eu naquela noite.

Cecília deixou de respirar.

Por alguns segundos, não conseguiu sequer compreender o que acabara de ouvir.

"O homem daquela noite... Não era Vicente?

Então quem era?"

Seu estômago se revirou.

Uma cólica começou a apertar seu baixo-ventre, mas Cecília mal percebeu.

Sua mente já havia voltado para sete meses antes.

Naquela época, sem qualquer explicação, Vicente a levara a um evento social.

Em três anos de casamento, ele quase nunca saía com ela.

Eles nem sequer haviam feito uma cerimônia.

Somente os pais das duas famílias sabiam que Cecília e Vicente tinham registrado oficialmente o casamento.

Por isso, quando ele a convidara para acompanhá-lo naquela noite, Cecília ficara tão feliz que mal conseguira esconder a empolgação.

Ela se apaixonara por Vicente à primeira vista, quando estava na faculdade.

Durante esses anos, permanecera ao lado dele em silêncio, sem exigir nada, alimentando apenas a esperança de que um dia ele finalmente a enxergasse.

E, um dia, ele enxergara.

Pouco tempo depois, os dois se casaram às pressas.

Na noite daquele evento, Cecília bebera além da conta sem perceber.

Quando acordou, estava sozinha e completamente nua em um quarto de hotel.

Vicente já havia partido em viagem de trabalho para Montélia.

Desde então, Cecília nunca duvidara de que passara aquela noite com o próprio marido.

O celular vibrou em sua mão, arrancando-a das lembranças.

Patrícia Queiroz, sua melhor amiga e jornalista, acabara de lhe enviar uma sequência de mensagens acompanhadas por várias fotografias nítidas.

[Ceci, o que está acontecendo?! Por que seu marido está com a sua irmã?]

Cecília abriu as imagens.

Vicente vestia um sobretudo preto. Em um dos braços, carregava uma garotinha de vestido rosa, fantasiada de princesa. Com a outra mão, segurava a mão de uma mulher de óculos escuros.

A foto mostrava apenas parte do rosto dela.

Ainda assim, Cecília a reconheceu de imediato.

Lavínia.

Sua própria irmã.

Na fotografia seguinte, Vicente se inclinava para ajeitar o cachecol no pescoço dela.

O cuidado do gesto era íntimo demais para deixar espaço para qualquer dúvida.

Era também uma delicadeza que Cecília jamais recebera dele.

De repente, sentiu algo quente escorrer entre as pernas.

A cólica se transformou em uma dor violenta.

Cecília baixou os olhos para as fotografias na tela.

Três anos de casamento.

A filha de seu marido com sua própria irmã já tinha quatro.

Não havia mais nada para interpretar.

Seis anos amando Vicente em silêncio.

Três anos sendo sua esposa.

No fim, sua vida ao lado dele não passara de uma enorme piada.

Cecília soltou uma risada baixa e amarga.

"Se Vicente fazia tanta questão de ser corno, então eu vou realizar esse desejo."

Ela voltou ao consultório.

Quando entrou, sua voz estava surpreendentemente calma.

— Meu marido está me traindo. Eu mesma assino a autorização para o procedimento.

Henrique ainda escrevia no prontuário.

A ponta da caneta parou sobre o papel.

Ao erguer a cabeça, encontrou Cecília diante de si, com os olhos avermelhados e uma determinação quase assustadora.

Então percebeu o sangue.

Henrique se levantou de imediato.

Cecília perdeu as forças antes mesmo de dar outro passo.

Ele a segurou antes que caísse e a tomou nos braços.

O sangue que descia por suas pernas logo manchou de vermelho o jaleco branco do médico, mas Henrique não perdeu um segundo sequer olhando para aquilo.

Saiu do consultório a passos largos, levando-a diretamente para a emergência.

— Gestante com hemorragia intensa! Preparem a sala de cirurgia agora!

Em Montélia, Vicente tirou o celular das mãos de Lili.

Ao ver o nome de Cecília no histórico das chamadas, franziu a testa.

Por algum motivo, aquilo o irritou.

"Será que ela ouviu o que acabamos de dizer?"

Vicente nunca gostara de Cecília.

Anos antes, ela usara uma oportunidade de intercâmbio no exterior para obrigar Lavínia, que já estava grávida, a deixar o país e enfrentar sozinha uma vida difícil longe de casa.

Vicente jamais a perdoara por isso.

Durante os três anos de casamento, tratara Cecília com a mesma frieza com que acreditava que ela merecia ser tratada.

Mesmo assim, havia algo que ele não conseguia negar.

Como esposa, Cecília nunca lhe dera motivo para reclamar.

Ela cuidava de tudo com dedicação e jamais criava problemas.

Ao pensar que aquela ligação pudesse terminar em uma briga definitiva, Vicente descobriu, para sua própria surpresa, que a ideia de vê-la partir não lhe era tão indiferente quanto deveria.

Dois braços envolveram sua cintura por trás.

Lavínia se aconchegou às costas dele e sussurrou perto de seu ouvido:

— Vini... Talvez seja melhor você voltar para a Ceci. Se ela descobrir que o bebê não é seu e ela foi adotada pelos nossos pais em um orfanato, pelo menos vai ter você ao lado dela. Senão... Ela vai sofrer demais.

— Ela merece. — Vicente soltou uma risada sem humor. — Além de perder o lugar de senhora Sampaio, vai sair desse casamento sem levar um centavo. Quero que ela sinta na própria pele tudo o que fez você sofrer naquela época.

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Último capítulo

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