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Capítulo 4

Autor: Marina Leal
— Ela? Você acha mesmo que merece?

Vicente baixou os olhos para Cecília, sem fazer o menor esforço para esconder o desprezo.

— Quem sabe de onde veio essa criança que ela está carregando? Eu, Vicente Sampaio, só tenho uma filha: Lílian. Não é qualquer um que pode aparecer por aí tentando se aproveitar do meu nome.

Tinha sido ele quem a entregara pessoalmente na cama de outro homem.

E agora, para proteger a amante, fazia questão de humilhá-la diante de todos.

Cecília permaneceu no centro do salão, com a barriga de sete meses evidente sob o vestido, cercada por olhares curiosos e julgadores.

A mão ao lado do corpo se fechou devagar.

Depois, tornou a relaxar.

Um sorriso frio surgiu em seus lábios.

— Eu não mereço? Então quem é esse homem na minha certidão de casamento?

Quanto Cecília tinha amado Vicente?

Desde o dia em que oficializaram a união, carregava a certidão de casamento consigo.

Tinha medo de que tudo aquilo fosse apenas um sonho. Às vezes, precisava olhar para o documento para se convencer de que era real, de que realmente havia se casado com o homem que mais amava.

Agora, aquela mesma prova de felicidade servia para expô-lo diante de todos.

Um burburinho percorreu o salão.

Vicente perdeu a compostura.

Arrancou a certidão das mãos de Cecília e a rasgou em pedaços diante dos convidados.

— Cecília, cale a boca!

Ele a encarou com o maxilar tenso, tomado pela raiva.

— Ceci, não pensa besteira.

Lavínia se aproximou com a preocupação perfeitamente calculada estampada no rosto.

Inclinou-se até o ouvido da irmã.

O perfume forte que usava fez Cecília sentir o estômago revirar.

Então Lavínia falou baixinho, numa voz doce demais para o veneno que carregava.

— Na verdade, naquela noite, o Vini estava no quarto ao lado do seu. Ficou em chamada de vídeo comigo o tempo todo. Quem diria, hein? Minha irmãzinha sempre tão fria, tão recatada... E, na cama, daquele jeito. Aqueles gemidos... Nossa. Até hoje eu não esqueci.

As unhas de Cecília se enterraram na palma da mão.

Quando conseguiu falar, sua voz saiu quase firme.

— Quem... era aquele homem?

Lavínia sorriu.

— Foi o próprio Vini quem escolheu aquele homem para você, entre os próprios parceiros de negócios. Tudo muito bem planejado. É verdade que o homem já era mais velho e tinha família, mas pelo menos fez você aproveitar a noite, não fez? O Vini se esforçou bastante por você.

Ela repetia o nome de Vicente de propósito, como se quisesse empurrar Cecília até o limite.

Mas, à medida que a ouvia, Cecília foi se acalmando.

Lavínia estava mentindo.

Uma lembrança turva e humilhante daquela noite voltou à sua mente.

Na escuridão, ainda se lembrava dos braços fortes que a haviam envolvido.

Lembrava também daquela voz baixa e profunda, firme o bastante para acalmá-la mesmo em meio à confusão.

"Aquele homem era jovem."

Disso, ela tinha certeza.

Definitivamente não era o homem mais velho descrito por Lavínia.

Quase por instinto, Cecília apoiou a mão sobre a barriga.

O bebê se mexeu de leve, como se respondesse à inquietação da mãe.

— É mesmo? — Um sorriso discreto apareceu em seus lábios. — Que pena. Você ainda precisa melhorar bastante quando resolve inventar histórias, irmã.

Sem chamar atenção, seus dedos tocaram a pequena saliência escondida no bolso interno da roupa.

Era o minúsculo gravador que Patrícia praticamente a obrigara a levar quando fora visitá-la no hospital.

Na ocasião, a amiga tinha dito:

— Quem tem dinheiro e poder sempre guarda alguma carta na manga. Melhor se prevenir.

Desde o momento em que entrara naquele salão, Cecília mantinha o aparelho ligado.

Ela sabia muito bem quais eram seus limites.

Naquele momento, ainda não tinha força suficiente para enfrentar Vicente de igual para igual.

Então precisava usar tudo o que estivesse ao seu alcance para proteger a si mesma e ao bebê.

Cecília imitou o gesto de Lavínia e se inclinou até o ouvido da irmã.

— Eu gravei tudo o que você acabou de dizer. E também tenho o conteúdo daquela ligação que fiz para Vicente. O que você acha que aconteceria se essas gravações viessem a público? As ações do Grupo Sampaio cairiam? E a sua reputação... Aguentaria?

Lavínia empalideceu.

Por um segundo, toda a doçura desapareceu de seu rosto.

— Sua vadia... Como você ousa...

Mas, ao perceber os olhares ao redor, se calou imediatamente.

O pânico tomou conta dela.

O plano era simples: provocar Cecília até que perdesse o controle e causasse um escândalo diante de todos.

Só que, no fim, quem perdera a cabeça fora a própria Lavínia.

Antes de Lavínia deixar o país, Cecília ainda era aquela mulher que aceitava tudo em silêncio.

Desde quando aprendera a reagir?

Ao ver a irmã perder a compostura, Cecília sorriu com ironia.

Lavínia sempre fora orgulhosa.

No fundo, acreditava que podia manipular qualquer pessoa como bem entendesse.

Só havia uma coisa que jamais compreendera.

Cecília nunca fora burra.

Apenas passara a vida inteira cedendo para ela.

— Irmã, como você pode me xingar desse jeito?

— Cala a boca!

Lavínia entrou em pânico de vez.

Se aquelas gravações fossem divulgadas, tudo o que construíra com tanto cuidado desmoronaria.

Sua imagem impecável.

Sua reputação.

Até a posição de senhora Sampaio, que já parecia estar ao alcance de suas mãos.

Tudo acabaria.

Sem tempo para continuar fingindo, Lavínia avançou sobre Cecília, tentando encontrar o gravador.

Mas, antes que pudesse alcançá-lo, Cecília tirou o aparelho do bolso por conta própria.

E o jogou no chão.

O pequeno gravador se despedaçou.

Lavínia ficou encarando os pedaços, atônita.

Cecília falou com calma:

— Ah, esqueci de avisar. As gravações ficam salvas online. Mesmo que você pegue o aparelho, não adianta nada.

— Você!

Lavínia cerrou os punhos.

Dessa vez, não conseguiu esconder o ódio.

Naquele instante, arrependeu-se profundamente de ter feito Cecília aparecer naquela festa.

"Se eu soubesse que isso aconteceria, teria dado um jeito de acabar com ela em segredo desde o começo!"

Era exatamente essa reação que Cecília queria ver.

Ela nunca fora alguém fácil de pisar.

Só se importava demais com aquele pouco de afeto familiar e com o amor que sentia por Vicente. Por isso cedera uma vez após a outra, permitindo que ultrapassassem seus limites.

Antônio e Ana não faziam ideia do que havia acontecido entre as duas irmãs.

Mas, para eles, bastava Lavínia estar chateada.

Isso já era suficiente para Cecília se tornar a culpada.

Ana imediatamente se colocou à frente da filha mais velha e lançou um olhar feroz para Cecília.

— Cecília, o que você fez dessa vez para deixar sua irmã assim? Peça desculpas agora!

Cecília soltou uma risada amarga.

Seus olhos arderam.

— Às vezes, eu realmente me pergunto se sou filha de vocês.

Desde pequena, Lavínia sempre fora a princesinha da família.

Cecília, por outro lado...

Era tratada pior do que os empregados da casa.

Dormia no quarto de despejo.

Usava as roupas que Lavínia não queria mais.

E, se tirasse notas melhores do que a irmã, ainda era repreendida por isso.

Que lógica havia naquilo?

— Eu é que nunca teria colocado no mundo uma desavergonhada nojenta como você...

Ana ainda queria continuar, mas Lílian, que estava em seus braços, se assustou.

Chorando, a menina se debateu para descer e estendeu os braços na direção de Lavínia.

— Mamãe! Quero a mamãe!

Lavínia olhou para a filha.

Por um breve instante, algo calculista passou por sua expressão.

Então voltou a assumir o ar preocupado e se apressou em consolá-la.

— Calma, meu amor. Não precisa ter medo. A sua tia só estava brincando com a mamãe.

Cecília ainda tentava digerir as palavras cruéis de Ana quando tudo aconteceu.

Lavínia, que caminhava à sua frente, soltou um grito repentino e caiu para a frente.

Lílian estava bem diante dela.

Com o impacto, a menina também foi derrubada no chão.

Seu choro se tornou ainda mais alto.

Talvez por causa da gravidez, talvez por puro instinto, o coração de Cecília se apertou ao ver a criança cair daquela forma.

Ela deu um passo, querendo verificar se Lílian estava bem.

Então, Lavínia a encarava com os olhos vermelhos de ódio.

Foi o bastante.

Cecília entendeu.

"Foi armado. Lavínia fez isso de propósito."

— Eu não fiz... Ah!

Uma dor lancinante atravessou o dorso de sua mão.

Antes que pudesse completar a frase, um dos seguranças de Vicente segurou seu rosto e tapou sua boca com força, impedindo-a de falar.

Enquanto isso, Vicente já havia pegado Lílian no colo.

O homem conhecido por ser frio e implacável nos negócios agora examinava a menina com um cuidado quase desesperado, tão tenso que parecia ter medo até de tocá-la com força demais.

Lavínia cambaleou até ele.

Seu rosto exibia toda a angústia de uma mãe apavorada.

Então olhou para Cecília, carregada de acusação e ressentimento.

— Ela é só uma criança! Como você pôde ser tão cruel?!

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