LOGINCapítulo 102 — O Nome no PapelBruce “Scar”O silêncio no gabinete de Henry pesou logo depois que a última frase dele ecoou pela sala.A lembrança de tê-la puxado para o meu colo, de ter sentido a entrega daquela garota e, no instante em que o beijo terminou, ter deslizado os dedos pela bochecha dela com uma ternura que nunca permiti a ninguém... Aquilo me apavorou. O choque de me ver desarmado, sentindo algo que não tinha calibre e que me deixava exposto, fez o alarme disparar. E o que eu fiz? Agi feito um animal acuado: empurrei a garota, mandei ela sair e ergui a muralha de gelo de volta.Fiquei encarando o magnata com a mandíbula travada, sentindo o sangue queimar nas minhas têmporas. O foda era que, no fundo daquela soberba, o desgraçado tinha acertado o tiro no meio do alvo. A Mel tinha sentimentos e eu os tinha ferido, nessa porra.Passei a mão pesada pela nuca, soltando o ar com força pelos dentes cerrados. Me forcei a parar de marchar, puxei uma das poltronas de couro à fren
Capítulo 101 — Consultoria de RiscoHenryA manhã começava a se abrir cinzenta sobre São Francisco, tingindo as vidraças da presidência com reflexos prateados.Apoiei os cotovelos no tampo de mogno, com uma xícara de café preto entre as mãos, deixando a mente repassar a sequência caótica das últimas vinte e quatro horas. A tarde de ontem havia sido uma montanha-russa: o almoço surpresa com Katherine, o ciúme delicioso dela por causa da Mavie que só serviu para me fazer amá-la com ainda mais devoção, e depois... a tempestade trazendo Adam.Meu filho havia cruzado limites perigosos. Tê-lo expulsado da matriz sob a mira da segurança foi uma medida de contenção imediata, mas a promessa de vingança que ele berrou pelos corredores ainda ecoava. Eu sabia que depois das ameaças dele precisava manter homens dobrados na escolta da Katherine. Na noite anterior, ao buscá-la na agência e levá-la para a segurança da nossa casa, fiz questão de envolvê-la em silêncio e carinho para que o choque daqu
Capítulo 100 — Território MarcadoBruce “Scar”Bastaram três minutos e duas ligações para Collins cruzar as câmeras de trânsito e me mandar as coordenadas exatas daquele sedã prateado. No instante em que a localização caiu na tela do meu celular, eu não pensei em porra nenhuma: só pisei fundo no acelerador.A cena na avenida beirava a perfeição. A viatura com as sirenes ligadas, o almofadinha gesticulando em pânico e Melissa com os punhos cerrados na calçada. Quando os olhos dela bateram no meu carro encostando, o ódio que faiscou naquele olhar castanho quase derreteu o meu para-brisa.Eu avisei. Disse com todas as letras que ela ia se arrepender.Ela veio até mim cuspindo fogo, com aquele decote absurdo me tirando o resto do juízo. Foi só exigir que entrasse no meu carro para resolver a situação do amiguinho dela e pronto: a baixinha engoliu o orgulho e bateu a porta do carona com força suficiente para empenar a lataria. Mandei Collins liberar o garoto chamando-a de minha mercadori
Capítulo 99 — Minha mercadoriaMelissaApertei a alça da minha bolsa de couro até os nós dos meus dedos ficarem brancos. Uma onda vulcânica de fúria subiu do meu estômago até a ponta dos meus fios de cabelo. Deixei o Liam e o policial para trás e marchei a passos duros pelo asfalto, os saltos agulha estalando feito tiros na calçada.Parei bem na frente daquela muralha de quase dois metros, apontei o indicador esticado a um centímetro do nariz dele e soltei os cachorros.— Você é um maldito! Cretino, arrogante e ordinário!Bruce arqueou uma sobrancelha escura, fingindo a mais pura demência com aquele meio sorriso torto repuxando a cicatriz.— Algum problema com a sua carona matinal, tampinha? O trânsito parece meio travado por aqui.— Nem vem com essa cara de pau, seu mafioso desgraçado! — rosnei entre dentes, mantendo a voz baixa para os tiras não ouvirem, mas cuspindo fogo. — Eu sei perfeitamente que tem dedo seu nessa palhaçada! Quem você acha que engana?! Resolve essa porra agora
Capítulo 98 — Filho de uma puta!!MelissaA primeira vez que meus olhos bateram naquele homem na sala da Kat, o meu cérebro cometeu a idiotice imperdoável de suspirar.Ele parecia esculpido em granito bruto: quase dois metros de altura, ombros largos que quase tapavam a porta inteira, uma presença tão pesada e intimidadora que o oxigênio da sala parecia rarefeito. Tinha aquela cicatriz cortando o rosto que, em vez de estragar a lataria, dava a ele um ar perigoso de quem podia destruir uma cidade inteira com um estalar de dedos. Mas bastou o infeliz abrir a boca para que todo aquele encanto despencasse direto no esgoto.O cara era a personificação da arrogância. Me ofendeu de graça, me chamou de chaveiro de bolsa e, pior de tudo, conseguiu alugar um triplex na minha cabeça pelo resto do dia inteiro.Quando a Kat voltou da matriz da Storn e me contou, no meio de um desabafo tenso, que aquele armário de quatro portas era ninguém menos que o famoso "Scar" do submundo, eu confesso que meu
Capítulo 97 — A Caminho da AgênciaBruce “Scar”O silêncio dentro da cabine do carro parecia pulsar contra os meus tímpanos.Fiquei ali, estacionado rente ao meio-fio sob a luz âmbar daquele poste velho, os nós dos dedos ainda esbranquiçados de tanto apertar o couro da direção. Minha cabeça era uma fornalha acesa.Por que nesse caralho eu não beijei aquela garota? A boca dela estava a meio centímetro da minha, o cheiro doce de baunilha invadindo os meus pulmões, o corpo miúdo inclinando-se na minha direção com uma fome que qualquer homem com sangue nas veias saberia reconhecer. Eu queria. Queria tanto que as pontas dos meus dedos ainda formigavam com a lembrança de segurar a nuca macia dela.Mas aí a voz da razão, aquela merda fria e calculista que me manteve vivo no submundo por anos, berrou mais alto. Foi melhor assim. Tinha que ser melhor assim. O que um desgraçado jurado de morte, com cicatrizes na cara e sangue nas mãos, ia fazer com uma assistente que tinha a vida inteira pela







