FAZER LOGINKatherine tinha apenas uma semana para se casar ou perder a empresa que sua mãe lhe deixou. Mas tudo desmorona quando ela encontra o noivo na cama com a própria irmã. Humilhada, traída e sem saída, ela acaba passando a noite com um estranho irresistível. Na manhã seguinte, ele lhe faz uma proposta inesperada: um casamento por contrato. Era a solução perfeita. Até ela descobrir, diante do juiz, a verdadeira identidade do homem com quem acabou de se casar. Henry Storn. Um bilionário frio e poderoso. E também o pai do homem que a traiu. Agora, enquanto luta para proteger seu legado, Katherine se vê presa entre segredos, vinganças e uma atração proibida por um homem que jamais deveria amar. Porque algumas cláusulas nunca foram escritas no contrato. E o amor era uma delas.
Ver maisO retrato de prata sobre a minha mesa era o meu ancoradouro. Na foto, minha mãe sorria com aquela leveza que só ela tinha, os olhos brilhando com o mesmo orgulho de quando inaugurou a agência de design gráfico que hoje era um dos nomes mais fortes de São Francisco. Aquela empresa era o sangue dela, o suor dela. E, em uma semana, seria oficialmente minha. Ou de ninguém.
— Katherine? — A voz de Melissa quebrou o silêncio do meu escritório. Minha assistente entrou com um tablet em mãos e uma expressão preocupada. — A reunião com os investidores da Crestwood foi cancelada.
Franzi o cenho, largando a caneta sobre a mesa de mogno.
— Cancelada? Como assim? Essa apresentação era crucial para o fechamento do trimestre, Melissa. Eles deram alguma justificativa?
— Disseram apenas que houve um imprevisto na agenda do diretor executivo. Mas achei estranho. Eles pareciam bem apressados em desligar.
Senti uma pontada de inquietação no estômago, mas respirei fundo, tentando não entrar em paranóia.
— Certo. E os documentos da auditoria interna? Você conseguiu falar com o meu pai?
— Ainda nada — Melissa suspirou, ajustando os óculos. — O Senhor Arthur disse que os relatórios ainda estão sendo processados pela contabilidade.
— Liga para o Liam de novo — ordenei, referindo-se ao nosso chefe de finanças. — Peça para ele apressar isso. Mas deixa estar, eu mesma vou falar com o meu pai hoje. Preciso entender o porquê dessa demora.
Peguei minha bolsa na cadeira e me levantei.
— Já que não temos reunião, vou encerrar o expediente mais cedo.
Melissa sorriu, visivelmente aliviada.
— Você realmente precisa descansar, Kat. Olha, você é a única noiva que eu conheço que, faltando uma semana para o casamento, consegue ficar tão tranquila. Cadê os ataques de pânico com as flores ou o buffet?
Soltei uma risada fraca, ajeitando o casaco.
— O segredo é terceirizar o estresse, Mel. Se eu surtar, o Adam surta junto, e alguém precisa ser o adulto da relação. Até amanhã.
— Até. Descanse!
No caminho para o estacionamento, decidi fazer um desvio. Passei na confeitaria favorita do meu pai e comprei um saco com os brioches artesanais que ele adorava.
Enquanto dirigia pelas ruas sinuosas de São Francisco, meu peito apertou. Desde que minha mãe morreu, há doze anos, Arthur se transformou. O homem caloroso que eu conhecia deu lugar a alguém frio, distante e quase intocável. Pior do que isso: toda a atenção e afeto que ele me negava foram direcionados para Ester, a filha da sua amante que ele trouxe para morar conosco apenas dois meses após o funeral da minha mãe.
Eu tinha treze anos. Sofri o inferno nas mãos de Céline, minha madrasta, até finalmente atingir a maioridade e conseguir me firmar na empresa. Hoje, eu era independente. Tinha meu próprio dinheiro, meu cargo, meu espaço. Mas, no fundo, olhando para aquele saco de brioches no banco do carona, eu sabia que ainda era a adolescente carente implorando por um olhar de aprovação do pai.
Quando passei pela porta de entrada da mansão, o silêncio da casa foi quebrado pelas vozes que vinham da sala de estar. Meu pai e Céline estavam sentados no sofá.
— Boa tarde — falei, aproximando-me com um sorriso que parecia pesado no meu rosto.
Meu pai ergueu os olhos do jornal, a expressão rígida.
— O que está fazendo em casa a esta hora, Katherine? Não tinha uma reunião importante com a Crestwood?
O tom de cobrança me murchou instantaneamente.
— Eles cancelaram — respondi, engolindo em seco. Tentei mudar de assunto e ergui a embalagem de papel. — Mas eu passei na confeitaria e trouxe os brioches que você gosta. Estão quentinhos.
Arthur mal olhou para o pacote.
— Deixe isso na cozinha. Sabe que não como carboidratos a essa hora.
— Ah, Arthur, deixe a menina — Céline soltou uma risadinha debochada, ajeitando as jóias no pescoço. — Katherine sempre acha que pode consertar os fracassos profissionais com comida. É um hábito tão... peculiar.
Engoli a seco, sentindo o rosto arder.
— Mary! — chamei pela governanta, que apareceu rapidamente no corredor. — Por favor, leve isso para a cozinha.
— Pois não, senhorita Katherine — ela disse com um olhar penalizado, pegando o saco e se retirando.
Foi quando me virei para subir que notei uma jaqueta de couro familiar jogada no braço da poltrona.
— O Adam está aqui? — perguntei, meu coração dando um salto leve. Pelo menos ver meu noivo melhoraria o meu dia.
Meu pai deu de ombros, sem tirar os olhos do jornal.
— Deve estar lá em cima, no seu quarto.
Olhei para Céline e captei um brilho estranho em seus olhos, um sorriso contido que me causou um arrepio imediato. Não questionei. Apenas dei as costas e segui em direção às escadas.
Subi os degraus e empurrei a porta do meu quarto. Estava vazio. Mas bastou um segundo no cômodo para eu perceber que duas coisas estavam erradas: Adam não estava ali, e o suporte onde meu vestido de noiva deveria estar pendurado estava completamente vazio.
Fiquei estática por um momento. Onde estava o vestido?
Saí do quarto disposta a descer e perguntar a Mary se ela tinha levado a peça para passar, quando um som vindo do fim do corredor me fez parar no lugar.
Um gemido. Alto, agudo, ecoando pela porta entreaberta do quarto de Ester.
Tentei ignorar. Pensei em dar as costas. Mas a voz masculina que veio em seguida congelou o sangue nas minhas veias.
— Me recebe inteiro, amor... antes que o seu pai suba.
O impacto daquelas palavras foi físico. Meu coração bateu tão forte contra as minhas costelas que a sensação era de que ele ia sair pela minha boca. Minhas pernas perderam as forças, transformando-se em chumbo enquanto eu caminhava, passo a passo, em direção à fresta de luz.
Estiquei a mão trêmula e empurrei a porta com cuidado.
O mundo desabou sob os meus pés.
Ester estava de quatro sobre a cama, apoiada na cabeceira. Ela usava o meu vestido de noiva. A seda branca estava erguida até a cintura, revelando suas pernas. E atrás dela, segurando o tecido delicado com as mãos firmes, enterrando-se nela com força, estava Adam.
Meu noivo.
O ar sumiu dos meus pulmões. O chão sumiu. Tentei respirar, tentei gritar, mas a única coisa que consegui expelir foi um sussurro quebrado, uma súplica desesperada para aquilo não ser real:
— Adam...?
Capítulo 56: Ponta de gratidãoKatherineFoi no meio da minha súplica que o mundo explodiu ao nosso redor.A pesada porta de ferro do cativeiro foi arrombada com um estrondo ensurdecedor. A folha de metal foi arrancada da trava e colidiu contra a parede de alvenaria com a violência de um tiro de canhão.Uma sombra gigantesca e aterrorizante cruzou a soleira.Bruce estava parado ali. Os olhos negros dele não pareciam humanos; eram poços de pura fúria assassina e descontrolada.O capanga congelou sobre o meu corpo por uma fração de segundo, o terror paralisando os seus movimentos. Mas antes que o desgraçado pudesse sequer soltar os meus pulsos ou abrir a boca para implorar, Bruce avançou sobre ele com uma velocidade brutal.Bruce agarrou o homem pela nuca e pelas costas da jaqueta, arrancando-o de cima de mim no ar como se o sujeito não passasse de um saco de lixo.Ele ergueu o capanga e arremessou o corpo dele contra a parede de concreto oposta. O som do impacto dos ossos do homem cont
Capítulo 55: Sangue no cativeiroKatherineA escuridão daquele cubículo imundo parecia se fechar sobre o meu corpo como uma tumba de concreto.Fiquei encolhida no canto úmido da parede, abraçando os meus próprios joelhos contra o peito para tentar conter os tremores incessantes que me dominavam. A dor na lateral da minha cabeça ainda pulsava em pontadas agudas e latejantes, me lembrando com crueldade da pancada violenta que sofri na igreja.O tecido do vestido que Henry havia escolhido com tanto carinho estava manchado de poeira, fuligem e do meu próprio sangue seco. O silêncio do galpão era quebrado apenas pelo gotejar distante de um cano enferrujado e pelo ruído abafado de passos pesados no andar superior.Saber que Bruce estava vivo era um milagre que a minha mente ainda lutava para processar. Aquele menino que me protegeu na infância tinha se transformado em um homem perigoso, temido e marcado por cicatrizes profundas, mas o olhar dele ao me chamar de Kitty Cat trouxe uma réstia d
Capítulo 54: De volta pra mimHenryA ligação foi encerrada com um clique seco.Afastei o aparelho do ouvido devagar, a mente fervilhando com a intensidade daquela conversa. As palavras dele ecoavam no meu crânio com uma força perturbadora: “da Katherine... da segurança da minha Kitty Cat... quem cuida sou eu.”Havia algo profundamente enraizado ali, algo que transcendia o interesse financeiro ou a mera compaixão. Aquele homem arriscaria a própria vida para mantê-la a salvo.Respirei fundo, ajeitei a lapela do meu paletó e empurrei a porta de vidro da varanda, retornando para a sala de estar.Mason, Marcus e Oscar me encararam imediatamente, os semblantes tensos pela expectativa.— Henry? — Mason adiantou-se no mesmo instante, o celular em mãos. — O que foi isso? Quem estava na linha? Era o intermediário dos sequestradores?Caminhei até o centro da mesa onde os mapas e relatórios estavam abertos. Olhei firme para os três homens leais que estavam ao meu lado naquela noite.— Era o líd
Capítulo 53: O Pacto nas SombrasHenry— Afinal de contas, quem é você?! Um bandido ganancioso que só quer arrancar dinheiro de mim... Ou um cretino qualquer interessado na minha mulher?!A pergunta rasgou o silêncio da varanda com uma ferocidade quase incontrolável. Apertei a carcaça de metal do telefone contra o meu ouvido, sentindo as veias do meu pescoço pulsarem e a respiração queimar no peito. Do lado de dentro da sala, através do vidro temperado, vi Marcus e Mason trocarem olhares tensos ao perceberem a minha postura rígida e o tom hostil da minha voz.Do outro lado da linha, o homem soltou um riso rouco, seco e arrastado. Um som desprovido de qualquer deboche fútil, soando mais como o cansaço amargo de alguém que conhecia a podridão do mundo muito melhor do que eu.— Guarde o seu ciúme idiota para quem realmente representa uma ameaça para o seu casamento, Storn — a voz de Scar veio firme, grave e cortante como gelo. — Eu não sou um bandido comum querendo se aproveitar da desg






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