INICIAR SESIÓNA tensão entre o dever e o desejo pairava sobre a mesa de lírios brancos. Roger e Ellen, dois estranhos encenando um papel sob a b****a de um destino que nem eles mesmos compreendiam totalmente, jogavam um jogo de xadrez emocional onde cada palavra era um movimento calculado.
— Ellen, tente ouvir mais essa voz que fala com você. Talvez assim descubra algo importante — sugeriu Roger, sua voz carregada de um significado oculto. Por dentro, Roger sentia **Verto** inquieto. O lobo sabia que aquela "voz" era a loba de Ellen, **Runa**, tentando romper o bloqueio do acidente. Se Ellen não se abrisse para essa conexão, a transformação jamais ocorreria, e Verto continuaria órfão de sua contraparte. — As pessoas vão pensar que eu sou maluca se eu começar a responder aos meus próprios pensamentos — rebateu Ellen, tentando manter a face impassível enquanto o garçom servia seu café puro. Ela esperou o homem se afastar antes de continuar, a voz tensa: — Amor, eu preciso descansar um pouco. — Você pode descansar quando quiser, querida. Prefere subir agora? Eu vou com você — ele disse, com uma determinação que a fez estremecer. — Eu não estou falando de subir para o quarto. Eu estou falando de viajar — ela disse, a irritação começando a transbordar. — Tudo bem, vamos viajar para onde você quiser — rebateu ele, mantendo a farsa da normalidade, embora sua expressão fosse de pura confusão. — Não! — Ellen quase gritou. — Eu quero ir sozinha. Preciso de um tempo para colocar minha mente em ordem. Sua voz vacilou no final ao ver o olhar de decepção dele. No fundo, ela se sentia péssima. Qual era o nome dele mesmo? Ela vasculhou a mente em pânico. Qual era o nome? — *"ROGER!"*, gritou a voz em sua cabeça. — Não precisa gritar — murmurou Ellen para si mesma, abaixando os olhos. Roger a observava como um predador analisa sua presa. Ele sabia que ela planejava uma fuga e tinha quase certeza do destino: a mansão do velho Robert. Era exatamente para lá que ela deveria ir. O avô de Ellen já estava à espera. — Tudo bem, Ellen. Você pode viajar sozinha — cedeu ele, surpreendendo-a. — Eu também tenho uma viagem de negócios pendente. Nos encontramos em alguns dias. O sorriso que brotou nos lábios dela foi instantâneo e, para Roger, doloroso. Estava claro que ela não lembrava dele, mas ele jogaria o jogo dela. Precisava conquistá-la do zero, mesmo que isso significasse deixá-la partir. — De repente, me deu uma fome... — disse ela, subitamente doce. Aproveitando a guarda baixa, Roger levantou-se e sentou-se ao lado dela. Ele levou a mão aos cabelos castanhos escuros, sentindo a textura sedosa enquanto seus olhos verdes buscavam o azul profundo dos dela. Ele se inclinou e a beijou. No instante em que seus lábios se tocaram, o tempo parou. As respirações se misturaram e os corações bateram em uma sincronia impossível para dois estranhos. Ellen sentiu uma descarga elétrica percorrer sua espinha; era como se seu corpo lembrasse do que sua mente esquecera. Por um momento, ela se sentiu livre, reconhecendo-o como seu parceiro, sua âncora. — Roger... — sussurrou ela contra os lábios dele, o beijo tornando-se quente e urgente. Roger teve que se afastar. Ele sentia **Verto** rugindo de desejo, pronto para assumir o controle se aquele beijo continuasse. Ele não podia forçá-la, não antes da Lua Cheia. Ele levantou-se e depositou um beijo terno na testa dela. — Tome um café reforçado, suba e faça suas malas. Coloque sua mente em ordem, meu amor. Nos vemos em uma semana na casa do seu avô. Ele parecia o marido perfeito: chateado pela separação, mas seguro o suficiente para deixá-la ir. Ellen olhou para cima, encontrando o olhar intenso dele. — Tá bom, meu amor. Vou seguir sua instrução direitinho. Assim que ele se foi, Ellen ficou sozinha com seus pensamentos. Roger sabia que a Lua Cheia estava próxima e que a loba de Ellen, após um milênio de silêncio, desejaria sair para contemplar a noite. Ellen ainda não sabia, mas sua viagem não era para um refúgio, era para o despertar de sua verdadeira natureza. **O jogo de espelhos continuava, mas o reflexo da Lua estava começando a brilhar.**2ª Temporada – Episódio 1: O Caminho Escolhido Robert levantou o olhar da escrivaninha, surpreso com a autoridade na voz da neta. Ele não respondeu de imediato; apenas estudou o rosto de Ellen, percebendo que algo profundo havia mudado. Com um gesto calmo, apontou para o sofá de couro no canto do escritório. — Sente-se, Ellen — disse Robert, com uma preocupação genuína vincando sua testa. — Você parece... diferente. Está se sentindo bem? — Estou perfeitamente bem, vovô — respondeu ela, sentando-se com uma postura impecável, os olhos brilhando com a consciência de **Runa**. — Melhor do que nunca. Robert apertou um pequeno sino de prata sobre a mesa. Em instantes, um funcionário apareceu na porta. — Sirva o nosso café aqui mesmo — ordenou o patriarca. — Temos muito o que conversar. Enquanto o aroma do café preenchia a biblioteca, Ellen não perdeu tempo. Ela expôs seus planos com uma clareza que deixou Robert atônito. — Desta vez, vovô, o destino é meu. Eu escolhi o meu cami
Ellen estava parada no centro do quarto, o silêncio da Mansão Lisboa sendo quebrado apenas pelo tique-taque de um relógio de parede antigo. As palavras de Eleonor da noite anterior ainda vibravam em seus ouvidos como um aviso profético. — "Solari e Verto decidirão a hora de parar de se esconder..." Ela caminhava de um lado para o outro sobre o tapete pesado. A revelação que recebera, o vislumbre de toda a vida na alcateia, as batalhas e o amor selvagem, não eram apenas um sonho. Era o presente de sua mãe, Atena. Ellen percebeu que a mãe não a estava manipulando, mas sim devolvendo-lhe o poder de escolha. Ela vira o futuro, conhecia as dores e as glórias, e agora tinha o direito de decidir: aceitaria aquele destino ou traçaria um caminho completamente novo na Vila de Lolin? Ellen parou diante do espelho. Ela via a mesma mulher do vislumbre, mas seus olhos agora brilhavam com uma determinação fria. Se Roger estava no quarto ao lado, ele ainda não sabia que ela conhecia o lobo Verto q
De mãos dadas, Ellen e Gabriel deixaram o silêncio sagrado da biblioteca. O calor da profecia — a promessa daquela filha que uniria os mundos — ainda vibrava entre eles. Ao entrarem no salão principal do casarão, encontraram Leon à espera, com seu olhar sábio de quem já sabia que o reencontro com Atena tinha mudado tudo. — "Os preparativos precisam começar," disse Ellen, assumindo sua postura de Luna. "O casamento de Lalinha e Roger será o símbolo do nosso novo tempo." Ellen convocou as governantas e funcionários da mansão. As ordens eram claras: agilizar os tecidos, as flores e o banquete. O clima era de uma urgência alegre. No entanto, um mensageiro da alcateia entrou apressado, interrompendo as instruções. — "Senhora, o povo a espera no pátio. Eles precisam ver a sua luz." Ao chegar ao salão principal, Ellen viu centenas de rostos. Um grupo de mulheres da alcateia deu um passo à frente. Elas não carregavam armas, mas flores e ramos de oliveira. — "Obrigada, Luna. Obrigada,
Era Atena. No instante em que seus olhos se cruzaram, uma represa se rompeu na mente de Ellen. As memórias, antes trancadas em um esquecimento forçado, inundaram seus sentidos como uma avalanche: Ela se lembrou de quando era menina e atravessava o portal para o mundo paralelo como se cruzasse a rua. Lembrou-se das brincadeiras de esconde-esconde com o pai e dos beijos de boa noite de Atena, que cheiravam a flores de outro reino. Lembrou-se do dia em que a magia foi selada para sua própria proteção, fazendo-a esquecer de onde viera para que pudesse sobreviver na Terra.Mas a memória mais vibrante foi o encontro com o homem que agora a segurava. Ellen soltou uma risada entre as lágrimas ao se lembrar da cena real, longe da seriedade dos títulos de Luna e Comandante.Eles se conheceram em uma noite de juventude e rebeldia, em um bar que parecia comum, mas onde o destino já operava. Ambos estavam completamente bêbados, rindo de piadas que ninguém mais entendia. Gabriel, mesmo camba
O dia de celebração pela chegada de **Leon** foi magnífico, repleto de risos e fartura, mas para **Ellen**, a alegria parecia incompleta. Durante todo o almoço e as festividades da tarde, seus olhos buscavam por **Beca**. Ela sentia uma inquietação no peito, uma urgência que não conseguia explicar. — "Acalme-se, minha Luna," dizia Leon, tocando o braço dela com carinho durante o jantar. — "Ela virá. Há coisas que precisam de tempo e silêncio para se manifestarem. Beca aparecerá no momento certo." Ellen assentia, mas a repressão de seus sentimentos a deixava em alerta. Conforme o sol se escondia atrás das montanhas da mansão Treves e as tochas da alcateia eram acesas uma a uma, transformando a mansão em um castelo de luz e sombras, a expectativa só aumentava. A noite chegou trazendo um vento fresco que parecia sussurrar segredos ancestrais. Ao fim da noite, quando o silêncio começou a dominar os corredores, Leon aproximou-se de Ellen. — "Vá para a biblioteca," ele instruiu com uma
Após uma ducha revigorante a dois, onde a água pareceu levar o último rastro de cansaço da batalha, Gabriel e Ellen entraram no berçário. O sol da manhã entrava suave pelas janelas. O pequeno Misael, já cheiroso e com a pele viçosa após o banho, estava no trocador, chutando o ar com alegria.Quando Ellen se aproximou, o bebê fixou os olhos dourados nela. Um brilho de reconhecimento cruzou o rostinho do pequeno, que estendeu os bracinhos gordinhos com urgência.— "Mamãe..." — a vozinha doce e clara ecoou no quarto, como um sino de cristal.Ellen estancou o passo, o coração falhando uma batida. Seus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente. Ela o pegou no colo, apertando-o contra o peito, sentindo o calor do filho.— "Sim, meu amor... a mamãe está aqui. Sempre aqui."Runa, manifestando-se sutilmente como um brilho azulado no olhar de Ellen, sussurrou em sua mente: — "A linhagem reconhece a fonte. O amor é a primeira língua que ele aprendeu."Gabriel, que observava tudo com um sorr







