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Capítulo 2

Author: KarenW
Ponto de Vista de Eva

Depois de fumarem um cigarro, Snake ordenou que seus homens me levassem para dentro.

Mãos brutas me arrancaram do banco traseiro e me jogaram em um carrinho. Passamos por um conjunto de portas e fomos direto para uma suíte privativa. Um homem qualquer me jogou em um sofá, o braço do móvel atingiu minha cintura com força, me tirando o fôlego.

— O Don já chegou? — Snake perguntou.

— Acabou de chegar — alguém respondeu baixinho. — Ele está cumprimentando os clientes lá embaixo.

— Então esperamos.

Miles se sentou ao meu lado, inclinando-se. — Eu sei que você está acordada, Eva — ele sussurrou. — Por favor, não faça cena. Me ajude só desta vez. Eu venho te buscar amanhã, ok?

— Vá se foder — murmurei.

— O quê? — Ele se aproximou mais.

Pela primeira vez, minha força voltou o suficiente para minha voz sair firme. — Vá se foder. Eu não vou fazer isso.

Snake se virou, estreitando os olhos. — O que está acontecendo?

Miles tapou minha boca com a mão. — Nada — disse ele rapidamente. — Só estou ensinando minha namorada a valorizar o quanto este negócio é bom.

Snake me avaliou. — Ótimo. Se ela agir assim na frente do meu Don, estaremos todos perdendo tempo.

Ele se virou de costas.

Miles perdeu o controle. A mão dele desceu com força no meu rosto. — Eu já te disse, assim que entrarmos no cassino, não tente nada — sibilou. — Faça exatamente o que eu mandar, ou as coisas só vão piorar daqui para frente.

Por uma fração de segundo, eu vi algo selvagem e desequilibrado nos olhos de Miles. Eu nem o reconhecia mais.

Minha boca se moveu antes que minha mente pudesse processar. — Vá em frente. Eu duvido.

Eu deveria saber que não se desafia um homem desesperado, mas eu estava com muita raiva. Não conseguia acreditar que meu próprio namorado estava me oferecendo a outro homem como se eu fosse algum tipo de sobremesa.

Se esse Don não fosse meu irmão, o que aconteceria comigo esta noite seria impensável.

— Não bata nela — Sr. Snake disse preguiçosamente. — Se você estragar o rosto dela, o que meu Don vai ter para olhar?

— Eu sou... — Mal consegui soltar a palavra antes de Miles calar minha boca de novo.

— Fique quieta — ele avisou.

Snake me lançou um olhar passageiro. — Bom. Mantenha-a calada e garanta que ela se comporte. Não quero nenhum barulho desnecessário vindo da nossa suíte.

Miles mudou de postura. Qualquer suavidade que ele um dia teve havia sumido. Tudo o que eu via agora era um estranho de olhos loucos, calculando como me ferir sem deixar marcas.

— Vou te perguntar uma última vez, Eva — ele disse baixinho. — Você vai me ajudar ou não? — Ele se inclinou ainda mais. — Pense nisso como dormir comigo. Apenas outro homem. Somos todos iguais, certo? Talvez você até goste.

Encarei Miles sem responder. Eu já estava cansada dele. Era hora de sair dali.

Meus dedos tremeram, buscando a pulseira.

Nada.

Meu coração despencou. Devo tê-la perdido no caminho para cá.

Varri a sala com os olhos, mas não havia sinal dela.

— Você pediu por isso, Eva — Miles disparou. — Não me culpe.

Ele se levantou, pegou uma garrafa e a quebrou contra o meu tornozelo.

A dor explodiu em mim. Gritei contra minha vontade enquanto o vidro cortava fundo na minha pele. O sangue se espalhou rápido, quente e pegajoso.

Sr. Snake riu. — Parece que nossa garota bonita ainda quer lutar.

Miles entendeu aquilo como incentivo. — Eu não quero fazer isso — disse ele, com os olhos fixos nos meus. — Apenas diga que sim. Podemos acabar com isso agora.

Engoli o grito que queimava na minha garganta. — Eu nunca vou te ajudar, Miles. Vá para o inferno.

— Vadia. — O olhar dele mudou do meu tornozelo para as minhas mãos. Eu soube o que ele estava pensando antes mesmo de ele se mover.

— Não...

Ele pegou a faca de cima da mesa e se aproximou, lento e deliberado.

— Se você ainda está tão teimosa — ele murmurou —, que tal tirarmos alguns dedos? Isso vai te ensinar a se comportar.

A lâmina brilhou sob a luz.

— Não era seu sonho ser pianista, querida? — ele perguntou suavemente. — Me diga, se você perder um dedo ou dois, ainda conseguirá tocar?

— Não — eu disse, minha voz tremendo fora de controle. — Você não ousaria.

Tornar-me pianista era tudo para mim. Esse sonho foi o motivo de eu ter deixado minha família, de viver sozinha em Boston. Miles não faria isso. Ele não era um monstro assim.

Mas eu claramente o subestimei. Miles abriu um sorriso doentio e perverso enquanto se aproximava, a faca pairando logo acima da minha pele.

— Vamos lá — Snake disse arrastado. — Não faça sujeira. Ainda temos que mostrá-la ao meu Don. Apenas quebre o dedo dela.

— Não! — eu gritei. — Não toque nas minhas mãos!

Miles hesitou. — Eu não toco se você prometer me ajudar. Deixe o Don do Sr. Snake feliz.

Desta vez, eu não reagi. Em vez disso, perguntei calmamente: — Você tem certeza de que o Don dele me quereria?

— Não desse jeito, é claro — Snake disse, inclinando a cabeça. Ele fez um sinal para que seus homens se aproximassem. — Levem-na para se trocar. E... — o olhar dele varreu meu corpo — ...coloquem algo mais bonito nela. O que ela está usando, vestido de vó?

Um homem corpulento me puxou para cima e me arrastou em direção ao banheiro. Miles seguiu, me observando de perto, desconfiado da minha submissão repentina.

— Eu consigo andar — eu disse, me soltando e tropeçando para frente.

Miles perdeu a paciência. Ele agarrou meu braço e me prensou contra a porta do banheiro. — Não tente nada — avisou. — Colabore, e todos sairemos daqui vivos. Caso contrário...

Ele passou o dedo pelo próprio pescoço.

Abri a porta e entrei mancando, meu tornozelo latejando a cada passo. O espelho me parou de imediato.

A maquiagem que eu fiz com tanto cuidado para o Miles e para a família dele estava arruinada. Lágrimas desciam pelo meu rosto. Várias marcas vermelhas de tapas se destacavam na minha pele.

Como eu não me movia, Miles me empurrou para frente, forçando minha cabeça para dentro da pia. Ele abriu a torneira, deixando a água gelada escorrer pelo meu rosto. Eu lutei, sufocando, mas ele era mais forte. Quando finalmente me soltou, eu estava ofegante e tremendo.

Meu rosto estava limpo agora, mas a marca do tapa ainda aparecia.

Miles tirou um vestido de uma bolsa e jogou em mim.

— Vista isso — disse ele. — O Sr. Snake diz que o Don gosta desse tipo de coisa.

Eu o segurei. Não era um vestido... era uma tira de tecido fingindo ser um, mal cobria a frente e não tinha nada atrás. Eu nunca usaria algo assim. Era humilhante.

Mas Miles não esperou. Ele agarrou no vestido que eu já estava usando e começou a rasgá-lo.

— O que você está fazendo?

— Ajudando você a se vestir, é claro — disse ele, a voz plana enquanto suas mãos rasgavam as costuras. — Você está demorando demais, Eva.

— Não! Não toque em mim! — Eu lutei, mas Miles apenas me deu outro tapa, com força.

— Ah, Eva, não venha dar uma de nobre agora. Todo mundo sabe que você é uma vadia, só é orgulhosa demais para admitir. — Ele estendeu a mão para colocar uma mecha de cabelo atrás da minha orelha. — Por que mais eu correria atrás de você? Pelos seus sonhos fúteis? Pela sua forma bonitinha de tocar piano?

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