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Meu Vampiro Acidental.
Meu Vampiro Acidental.
Autor: Leticia lima

Capítulo 1

Autor: Leticia lima
last update Fecha de publicación: 2025-09-03 09:46:44

O Beijo Acidental

Acordei com o barulho do sino do convento, mas não porque ele tivesse me despertado de verdade — eu já estava acordada havia séculos (ou pelo menos parecia). Encostada na janela do dormitório, observava a chuva fina caindo no pátio e pensava: sério, quem inventou que a vida de freira era emocionante?

— Bom dia, mundo! — exclamei, espreguiçando.

O gesto, claro, derrubou um cálice de água. Ótimo começo de dia.

As outras meninas suspiraram. Sempre suspiram. Sempre. Eu sobrevivia rindo até da minha própria desgraça.

—Lua, você não vai para a reza? uma das meninas que dormia do lado da minha cama perguntou.

— Não quero ir.

— Você sabe que as irmãs são muito rígidas- ela disse preocupada.

— Não se preocupe! deixa que com elas eu me entendo, agora vai você- Não sabendo ela que meu plano era fugir dali, eu só sei de uma coisa...minha vocação não é ser freira, não que isso seja um problema meu Deus.

— Lua! — ralhou a irmã superiora.

Lua narrando

Meu nome é Lua. Desde que me entendo por gente, vivi no convento. Quer dizer… “me entendo por gente” é modo de falar, porque eu nem sei de onde vim de verdade. Só sei que, numa noite de chuva, bateram na porta do convento e lá estava eu, enfiada dentro de um cesto. Pois é. Nada glamuroso. Cresci cercada de rezas, silêncio e regras chatas. E, sinceramente? Nunca fui boa em seguir nenhuma delas. Sempre dava um jeito de escapar, explorar a cidade, sentir o mundo além daqueles muros. Claro, sempre voltava para os castigos. (Já dava pra carimbar uma carteirinha de “detenta vitalícia”).

Mas aí veio a parte que ninguém te conta: o convento não era só rezas e castigos. Era… assustador.

As meninas sumiam. Uma noite estavam lá, na cama ao lado da minha, e na manhã seguinte… nada. As freiras inventavam desculpas, mas eu não nasci ontem. Descobri que elas eram vendidas. Sim, vendidas, e a menina que dormia ao lado da minha cama simplesmente sumiu, foi aí que eu resolvi bancar a detetive e acabei descobrindo uma lista de nomes e adivinha quem estava na lista? Isso mesmo: euzinha aqui.

Agora, me diz, o que você faria?

Ficaria de braços cruzados, esperando o momento de ser levada, ou correria?

Exato. Eu corri.

Chovia, trovejava, e eu agarrada no meu crucifixo, repetindo baixinho:

— O sangue de Jesus tem poder… o sangue de Jesus tem poder…

Era isso ou desmaiar de medo.

E no meio da fuga, encontrei uma mansão. Enorme, silenciosa, com portas que mais pareciam cochichar: “não entre”.

E eu pensei:

“Lua, você vai mesmo entrar aí? Essa casa parece a cada do Diabo!”

E no mesmo instante respondi pra mim mesma.

“Pois é. Mas entre o convento e o Diabo, eu fico com o Diabo.”

Entrei.

O piso rangeu sob meus pés, teias de aranha balançaram, e no fundo havia um caixão escuro, trancado por correntes enferrujadas. Cada instinto gritava para correr, mas a curiosidade venceu. Abri a tampa um relâmpago iluminou o quarto. Assustada, tropecei e… caí para frente.

Meus lábios encostaram nos dele, da pessoa que estava dentro do caixão, ele abriu os olhos. Negros. Intensos. Como se atravessassem minha alma, e mesmo assim continuamos ali com nossas bocas coladas até que afastei-me num pulo, o coração martelando. Ele se ergueu. Alto, pálido, imponente. E me observava em silêncio.

— Claro, Lua. Parabéns. Você podia tropeçar em qualquer canto do mundo… e escolheu tropeçar em cima do Diabo — pensei, em tom de desespero.

— Que criatura é você? — a voz grave dele ecoou.

— Quem permitiu que um ser tão desprezível invadisse minha nobre mansão ? — ele arqueou a sobrancelha, a voz carregada de julgamento e autoridade.

— Nobre mansão? Tá mais pra espelunca! — rebati, gesticulando nervosa. — E peraí… você me chamou de ser desprezível?! Quem você pensa que é?!

Ele apenas me observava, braços cruzados, olhos negros atravessando minha alma. O contraste entre meu desespero e a calma dele me deixava à beira da histeria.

— Eu só queria me abrigar da chuva! — explodi, quase tropeçando numa cadeira.

Ele suspirou, impaciente.

— Você invadiu meu local de descanso eterno… por causa da chuva?

— Eu não invadi nada! — retruquei, exaltada. — Eu só entrei!

— Ah, não? — arqueou a sobrancelha, inclinando a cabeça com aquele ar julgador. — Então você simplesmente caiu em cima de mim, abriu meu caixão… e ainda teve a ousadia de me beijar.

Meu queixo caiu.

— B-b-beijei?! — gaguejei, quase engasgando com as próprias palavras. — Eu não beijei ninguém! Foi… acidente!

Ele manteve o olhar sério, mas havia algo ali, como se estivesse se divertindo com minha vergonha.

— Você tem um talento raro para transformar o silêncio de séculos em caos absoluto — murmurou, a voz grave e calma, carregada de autoridade.

— Quem você pensa que é pra falar comigo desse jeito? fica me chamando de ser desprezível e você que é um morto vivo, nunca vi alguém dormir em um caixão.

— Mo...morto vivo? sua Humana mal educada e estérica como ousar falar comigo dessa forma.

— Mal educada? você nem me conhece, você é...analisei ele de cima abaixo e caramba, meu Deus do céu.

— Morto vivo! você é o quê? o diabo ou um Vampiro porque que eu saiba quem dorme em caixão é Vampiro segundo o livro de romance que li. Espera uma mansão velha, um quarto com um caixão e um homem dormindo dentro, não acredito...ele é um Vampiro?

Parabéns, Lua — pensei. — Você tropeçou no caixão do Vampiro, caiu em cima dele, beijou o sujeito… e agora ele te olha como se fosse a primeira coisa interessante que surgiu em séculos. Palmas pra você.

O ar ficou pesado. Ele ergueu lentamente o rosto, e seus olhos se fixaram em mim de forma hipnótica. Um frio percorreu minha espinha.

Então, de repente, os olhos dele ficaram vermelhos, brilhando como chamas na penumbra.

— Sim… eu sou um vampiro — disse ele, a voz grave agora carregada de poder e desejo — e já que você me despertou, por que não se entrega a mim? Ele disse se aproximando de mim olhando fixamente nos meus olhos.

— Se entrava a mim, a mim...a mim- ele repetia e seus olhos brilhavam.

— Espera! Você tá tentando me hipnotizar?! — exclamei, balançando a cabeça. — Olha, sério… que clichê!

Até que ele foi se aproximando de mim e num impulso, acertei um tapa no peito dele.

Ele congelou, incrédulo.

— Você… me atacou?

— Sim! — respondi, ainda erguendo o crucifixo como se fosse uma espada. — E faria de novo, se fosse preciso!

O silêncio se estendeu. Então, devagar, o canto da boca dele se curvou. Não em raiva… mas em interesse.

E foi nesse momento que percebi: eu devia estar morta. Mas, pela primeira vez em séculos, ele parecia vivo.

E pior… interessado em mim.

Antes que eu pudesse me recompor, algo enorme atravessou o quarto: um rato do tamanho de um cachorro, isso mesmo! um rato enorme apareceu e pior...vinha em minha direção.

— Aaaah! — berrei, pulando em cima dele e derrubando-o no chão.

O rato escalava minhas pernas, depois meu cabelo. Eu gritava, chorava, rezava, e praticamente esmagava o vampiro embaixo de mim.

Ele, em contrapartida, apenas… observava. Como se estivesse assistindo a melhor comédia dos séculos.

Hoje é meu dia de azar primeiro beijo… é isso… e claro que tinha que ser com um morto. Perfeito, Lua, perfeito — pensei, e agora tem um rato enorme escalando meu corpo. Quando o bicho se enroscou no meu cabelo, ele finalmente se moveu. Estalou os dedos — e o rato desapareceu.

Engoli seco.

— Ele realmente é o Diabo…vampiro isso tudo misturado.

Ele massageou a têmpora, como se eu fosse a maior dor de cabeça da eternidade.

— Por que você grita tanto? Ele disse.

Ele veio andando de uma forma tão ameaçadora.

— Como você ousa me bater, e se jogar em cima de mim feito uma louca?

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Comentarios (1)
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Cláudia Torraca
primeiro capítulo e já tô adorando a história! kkkk
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Último capítulo

  • Meu Vampiro Acidental.   Epílogo

    Lua Narrando. Eu sempre achei que a morte fosse o fim. Hoje eu sei que a morte foi apenas a porta do meu recomeço. Depois que acordei naquele caixão—com Wei respirando contra minha boca, com nossas lembranças queimando dentro de nós como brasas vivas—achei que nada poderia superar aquele choque. Mas a vida, ou o destino, ou talvez os céus arrependidos… ainda tinham mais para nos entregar. Os dias que se seguiram foram estranhamente calmos. Parecia que o universo segurava a respiração, esperando o que faríamos com essa segunda chance. E nós aproveitamos cada momento. Foi Wei quem pediu primeiro. — Lua… vamos reescrever tudo do jeito certo desta vez. Aquele homem que já fora frio como gelo, que já me matara e morrera comigo, agora me olhava como se eu fosse o eixo da nova eternidade dele. Então, simplesmente respondi: — Sim. Nos casamos de forma simples para padrões humanos, mas absurda para padrões celestes. As velas se acenderam sozinhas. As sombras dançaram. Selen

  • Meu Vampiro Acidental.   Fim

    Lua Narrando. O multiverso era silêncio. Não céu. Não inferno. Não tempo. Apenas Wei… e meu corpo, inerte nos braços dele. Eu flutuava ali, como se minha alma estivesse suspensa entre dois mundos. Não conseguia tocar, não conseguia chamar, não conseguia voltar. Era como assistir ao fim de tudo através de um vidro trincado. Wei estava parado no centro do nada — literalmente o nada. Um espaço branco, infinito, sem chão e sem horizonte. Ele já havia destruído tudo: Scarlett virou pó. Os anciãos foram rasgados pela sua fúria. As portas do Submundo não existiam mais. O Céu tinha sido aberto ao meio. E agora… não restava nada além dele. E de mim. Eu via o rosto dele — o velho Wei, o frio, o devastador — mas havia algo novo ali: uma dor que parecia partir o universo com ele. As mãos dele tremiam ao segurar meu corpo. A aura negra que envolvia seu corpo se expandia e retraía como um coração apodrecido pulsando violência. Ele esperou. Esperou segundos.

  • Meu Vampiro Acidental.   Preso na minha própria mente.

    Continuação. Enquanto lutávamos, senti meus poderes se esgotarem como água escapando por entre meus dedos. Era minha última chance de matá-la ali. Meu corpo tremia, minha magia vacilava, mas quando avancei — certa de que Scarlett estava bem diante de mim — foi Wei quem surgiu. Ele atravessou meu peito com a espada. O ar fugiu dos meus pulmões. Arregalei os olhos quando a lâmina me cortou não apenas a carne, mas algo mais fundo. Algo que ardia, corroía, como se o próprio submundo tivesse cravado as garras dentro de mim. Atrás dele, Scarlett ria — aquela risada cortante, satisfeita — enquanto a aura sombria continuava prendendo Wei como uma marionete. Mas… era minha última chance. A última exatamente como no começo de tudo. Eu precisava trazê-lo de volta. Segurei o rosto dele, mesmo sentindo a espada afundar mais em meu peito, e o beijei. Meu sangue escorria pelo canto da minha boca enquanto lancei meus últimos feitiços. Uma onda gelada se ergueu ao nosso redor, envolvendo

  • Meu Vampiro Acidental.   Capítulo 60

    continuação... Eu tentava ao menos mover uma mão, mas era impossível. O feitiço que me prendia me esmagava por dentro, e tudo o que consegui fazer foi observar o brilho de uma flecha vindo direto na minha direção. Nunca imaginei que existisse alguém capaz de me conter assim. Fechei os olhos esperando a morte… mas nada aconteceu. Abri um olho lentamente. Depois o outro. Wei estava ali — segurando a flecha com apenas uma mão. Ela já estava a poucos centímetros do meu peito quando ele simplesmente a jogou para longe. Mas não era só uma. Várias outras flechas vieram em sequência, rápidas, letais. E ele… me segurava com uma mão enquanto a outra desviava, quebrava ou arremessava as flechas para longe. Nós dois parecíamos dançar entre elas. Os outros continuavam congelados no feitiço. Foi então que Wei murmurou algo em uma língua antiga, ergueu a mão e liberou uma onda de energia que estilhaçou o encantamento. Todos voltaram ao normal ao mesmo tempo, respirando como se tivess

  • Meu Vampiro Acidental.   Capítulo 59

    Lua narrando Entrei no quarto tomada de raiva. Tirei os arranjos do cabelo, os colares e as pulseiras e joguei tudo no chão. Bastou um estalar de dedos — e as chamas engoliram cada pedaço. — Você viu aquilo? — falei entre os dentes. — Aquela mulher é uma cobra venenosa. Selene veio atrás de mim, cautelosa, como quem pisa em vidro. — Quer que eu dê um jeito nela? — Não. — Cruzei os braços. — Com ela eu me resolvo. Mas tem algo estranho ali. Não estou tendo um bom pressentimento. Selene arqueou uma sobrancelha. — O Wei do passado nunca seria assim por mulher nenhuma. Até mesmo com você foi difícil conquistá-lo, lembra? — provocou, rindo. Revirei os olhos. — Para com isso! Eu era tímida, e ele era um mal-amado. — Respirei fundo. — Mas agora... parece que algo aprisiona o Wei de antes. Ele pode ter renascido, mas com o poder que tem, já era pra ter lembrado de tudo. — Então ele está sendo manipulado desde que renasceu — Selene disse, pensativa. — Exato. E aquela cobra

  • Meu Vampiro Acidental.   Capítulo 58

    Scarlett narrandoNão acredito que ele trouxe ela para cá.Ela é só um título, uma farsa, não tem nada de especial.Depois de tudo que fiz por ele... não, Wei não vai me deixar de lado. Ele é meu.— Precisamos conversar, Scarlett. — Wei disse, sentando-se no trono com a voz fria. — Estou sem paciência para esse tipo de coisa.Finjo um sorriso, abaixando a cabeça.— Eu sei... — murmuro. — Deixei o ciúme tomar conta de mim, mas é que... eu não aguentei, meu senhor. Você nunca mais me visitou, me deixou de lado... por causa dela. Da Imaculada.(Meu feitiço está se enfraquecendo.)Por culpa daquela mulher insolente.Se os Anciãos descobrirem que a missão está ruindo, eu estou perdida.Mas se o feitiço se quebrou... então chegou a hora do plano dois.E quando ele for posto em prática, o próprio Wei se livrará dela.(risada baixa) — Hahahaha...— Não interessa! — ele gritou.O som da voz dele ecoou pelas paredes do salão, tão forte que todos ao redor se curvaram, até mesmo eu.Nunca… nunca

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