INICIAR SESIÓNContinuação
— Como você ousa me bater, e se jogar em cima de mim feito uma louca— ele avançou sobre mim, segurando meus pulsos com força. — Desculpa! — gritei, tentando me soltar, tremendo de medo. — Vou acabar com isso, bonequinha! — disse ele, mas dessa vez rindo, aquele riso sombrio que me deixava ainda mais nervosa. — Como assim? Ah, não! — gaguejei, o coração disparado. Ele mostrou as presas novamente, inclinando-se em minha direção, e no instante em que parecia prestes a morder meu pescoço, eu mordi o dele com toda a força que consegui. Ele gritou, recuando surpreso, e eu não perdi tempo: me soltei e saí correndo, tropeçando nos móveis, derrubando uma vela e quase caindo de cara no chão. De repente, a porta do quarto se abriu, e algumas pessoas do convento entraram, os olhos fixos em mim. — Lua, você deve voltar imediatamente! — disseram, em tom autoritário. — Eu não vou! — respondi, tremendo, mas firme. — Não vou viver presa! e não sou mercadoria pada ser vendida. — Você não entende… — um deles disse, a voz carregada de desdém — você não é alguém que pode viver livre. — Como é? — perguntei, cruzando os braços, curiosa e desafiadora. — Agora fiquei curiosa, porque? Eles ficaram em silêncio, e naquele instante, me lembrei do homem. Olhei para trás… e não havia ninguém. — Por acaso vocês viram alguém antes de entrar aqui? — perguntei, desconfiada. — Não… — responderam em uníssono. — Agora vamos. Eles começaram a me puxar com força, e eu tentei resistir, mas algo me chamou atenção no teto. Um morcego. Olhei melhor, e ele parecia nos observar com uma expressão quase humana. Um riso baixo escapou dele. — Eu enlouqueci? — murmurei, tremendo. — Estou vendo coisas ou um morcego acabou de rir pra mim? Antes que pudesse reagir, um dos homens me puxou com tanta força que me jogaram no chão. Quando olhei para cima de novo, os olhos do morcego estavam vermelhos. Num movimento rápido, ele caiu no chão e, diante dos meus olhos aterrorizados, se transformou naquele homem. Ele se levantou, sentindo dor no pescoço. Então, percebi o lugar onde eu tinha mordido: estava brilhando. Com um olhar furioso, ele encarou os homens que me seguravam. Num instante, eles caíram mortos diante dos meus olhos, sem chance de defesa. O terror me paralisou. Meu corpo tremeu tanto que desmaiei de medo, enquanto ele se aproximava, imóvel e imponente, os olhos ainda brilhando com aquela luz vermelha que parecia atravessar minha alma. — Jesus, Maria e José… onde é que eu fui me meter, senhor? Onde eu fui amarrar meu burro— sussurrei, tremendo ao encará-lo. Ele passou a mão pelo pescoço, com uma expressão de dor que me fez recuar. — O que você é? — perguntou, a voz baixa e tensa. — O quê? — fiquei sem entender, confusa com a reação dele. — Como você ousa ficar presa a mim desse jeito! — gritou, a raiva reverberando pelo quarto. — Tá de brincadeira! Quem iria ficar presa a um vampiro? Meu Deus, para de ser louco! — gritei, desesperada. Ele avançou, segurando minha mão com força. — Desfaz agora o que você fez! Instintivamente, dei um tapa em seu rosto. Ele recuou, chocado. — Como você ousa! — rugiu, e naquele instante algo mudou: seus traços começaram a se distorcer, sua forma se tornando monstruosa. Mas, antes que pudesse me atacar, a mordida que ele havia recebido brilhou novamente, queimando sua pele. Ele gemeu de dor, recuando de forma abrupta, e eu fiquei paralisada, sem entender o que acabara de acontecer. — Tá repreendido, Satanás! — gritei, fazendo sinal da cruz e tropeçando nos meus próprios pés. O efeito foi imediato: ele arfou, seus músculos relaxaram e, aos poucos, a monstruosidade se desfez, voltando à forma humana. Seus olhos, ainda brilhando de forma estranha, me fixavam com uma mistura de raiva e confusão. — O que… o que você fez? — murmurou, ainda recuperando o fôlego. Eu respirei fundo, tentando recompor-me, sem conseguir decidir se ria ou se fugia dali o mais rápido possível, então comecei a recuar. — Você vai embora depois de me prender a você? Volta aqui, sua humana desprezível! — gritou ele. — Eu hein! Volta pro caixão! — respondi, saindo correndo. Saí correndo pelo corredor escuro da mansão antiga, tropeçando em móveis cobertos de poeira e derrubando velas pelo caminho. O som dos meus próprios passos ecoava pelo lugar, mas o que me aterrorizava era o barulho atrás de mim: ele vinha correndo, rápido e silencioso, seus olhos vermelhos fixos em mim. — Volta pro caixão! Não vem atrás de mim não! — gritei, a voz tremendo de medo. — Eu vou sugar até sua última gota de sangue! — ele respondeu, avançando com agilidade assustadora, mesmo parecendo, por algum motivo, enfraquecido. Corri pelas escadas rangentes e saí pela porta dos fundos, entrando na floresta que cercava a mansão. Galhos e raízes me arranhavam o rosto e as mãos, mas eu não podia parar. De repente, ouvi um tropeço atrás de mim. Ele caiu pesadamente, gemendo de dor. Seus olhos vermelhos piscavam, mais humanos que monstruosos, e por um instante me senti tentada a olhar para outro lado e correr de vez. Mas ali estava ele, caído, indefeso. Meu coração disparou, dividido entre o medo e algo que eu não conseguia explicar: compaixão, ou talvez apenas curiosidade macabra. Se eu o ajudasse, poderia ser minha última chance de sobreviver… ou me colocar em perigo novamente. Se eu fugisse, ele poderia morrer ali, sozinho, e aquela sensação de responsabilidade me pesava no peito. Ficar ou fugir. Salvar ou sobreviver. Meu corpo travou, o coração a mil. E naquele instante, a decisão parecia impossível. — Eu vou matar você! — rugiu atrás de mim. Ele estava caído no chão da floresta, os olhos semicerrados, respirando de forma irregular. Pela primeira vez, parecia realmente vulnerável. Meu coração ainda disparava, mas a adrenalina deu lugar a uma estranha mistura de medo e curiosidade. — Tá… acho que vou ter que te ajudar — murmurei, aproximando-me com cautela. Ver sua pele pálida e ainda brilhando de forma estranha me fez hesitar por um instante, mas respirei fundo e me ajoelhei ao lado dele. Peguei alguns galhos finos e algumas cordas que eu tinha pego no caminho — nunca se sabe quando cordas podem ser úteis — e improvisei uma espécie de maca para carregá-lo. Enquanto o levantava, senti o peso dele e a estranha força que ainda emanava mesmo desmaiado. Coloquei-o no chão com cuidado e amarreis os braços e pernas dele de forma firme, garantindo que ele não pudesse me atacar se acordasse de repente. — Pronto… — disse, recuando alguns passos, tentando esconder o alívio e o nervosismo na minha voz. — Agora você vai ficar quietinho, e eu vou decidir se cuido de você ou… bem, se você sobreviver, ótimo. Ele não respondeu. Estava desmaiado, mas os olhos ainda fechados pareciam pulsar com aquela luz vermelha, lembrando-me de que, mesmo vulnerável, ele continuava sendo perigoso. Olhei ao redor, na floresta silenciosa, e percebi que, naquele momento, a decisão de ajudá-lo havia me colocado em um impasse: confiança? Sobrevivência? Ou curiosidade que eu nem queria admitir? Eu suspirei e me preparei para carregar o perigo consigo — ele — de volta para a mansão, com cada passo cheio de tensão e adrenalina.Lua Narrando. Eu sempre achei que a morte fosse o fim. Hoje eu sei que a morte foi apenas a porta do meu recomeço. Depois que acordei naquele caixão—com Wei respirando contra minha boca, com nossas lembranças queimando dentro de nós como brasas vivas—achei que nada poderia superar aquele choque. Mas a vida, ou o destino, ou talvez os céus arrependidos… ainda tinham mais para nos entregar. Os dias que se seguiram foram estranhamente calmos. Parecia que o universo segurava a respiração, esperando o que faríamos com essa segunda chance. E nós aproveitamos cada momento. Foi Wei quem pediu primeiro. — Lua… vamos reescrever tudo do jeito certo desta vez. Aquele homem que já fora frio como gelo, que já me matara e morrera comigo, agora me olhava como se eu fosse o eixo da nova eternidade dele. Então, simplesmente respondi: — Sim. Nos casamos de forma simples para padrões humanos, mas absurda para padrões celestes. As velas se acenderam sozinhas. As sombras dançaram. Selen
Lua Narrando. O multiverso era silêncio. Não céu. Não inferno. Não tempo. Apenas Wei… e meu corpo, inerte nos braços dele. Eu flutuava ali, como se minha alma estivesse suspensa entre dois mundos. Não conseguia tocar, não conseguia chamar, não conseguia voltar. Era como assistir ao fim de tudo através de um vidro trincado. Wei estava parado no centro do nada — literalmente o nada. Um espaço branco, infinito, sem chão e sem horizonte. Ele já havia destruído tudo: Scarlett virou pó. Os anciãos foram rasgados pela sua fúria. As portas do Submundo não existiam mais. O Céu tinha sido aberto ao meio. E agora… não restava nada além dele. E de mim. Eu via o rosto dele — o velho Wei, o frio, o devastador — mas havia algo novo ali: uma dor que parecia partir o universo com ele. As mãos dele tremiam ao segurar meu corpo. A aura negra que envolvia seu corpo se expandia e retraía como um coração apodrecido pulsando violência. Ele esperou. Esperou segundos.
Continuação. Enquanto lutávamos, senti meus poderes se esgotarem como água escapando por entre meus dedos. Era minha última chance de matá-la ali. Meu corpo tremia, minha magia vacilava, mas quando avancei — certa de que Scarlett estava bem diante de mim — foi Wei quem surgiu. Ele atravessou meu peito com a espada. O ar fugiu dos meus pulmões. Arregalei os olhos quando a lâmina me cortou não apenas a carne, mas algo mais fundo. Algo que ardia, corroía, como se o próprio submundo tivesse cravado as garras dentro de mim. Atrás dele, Scarlett ria — aquela risada cortante, satisfeita — enquanto a aura sombria continuava prendendo Wei como uma marionete. Mas… era minha última chance. A última exatamente como no começo de tudo. Eu precisava trazê-lo de volta. Segurei o rosto dele, mesmo sentindo a espada afundar mais em meu peito, e o beijei. Meu sangue escorria pelo canto da minha boca enquanto lancei meus últimos feitiços. Uma onda gelada se ergueu ao nosso redor, envolvendo
continuação... Eu tentava ao menos mover uma mão, mas era impossível. O feitiço que me prendia me esmagava por dentro, e tudo o que consegui fazer foi observar o brilho de uma flecha vindo direto na minha direção. Nunca imaginei que existisse alguém capaz de me conter assim. Fechei os olhos esperando a morte… mas nada aconteceu. Abri um olho lentamente. Depois o outro. Wei estava ali — segurando a flecha com apenas uma mão. Ela já estava a poucos centímetros do meu peito quando ele simplesmente a jogou para longe. Mas não era só uma. Várias outras flechas vieram em sequência, rápidas, letais. E ele… me segurava com uma mão enquanto a outra desviava, quebrava ou arremessava as flechas para longe. Nós dois parecíamos dançar entre elas. Os outros continuavam congelados no feitiço. Foi então que Wei murmurou algo em uma língua antiga, ergueu a mão e liberou uma onda de energia que estilhaçou o encantamento. Todos voltaram ao normal ao mesmo tempo, respirando como se tivess
Lua narrando Entrei no quarto tomada de raiva. Tirei os arranjos do cabelo, os colares e as pulseiras e joguei tudo no chão. Bastou um estalar de dedos — e as chamas engoliram cada pedaço. — Você viu aquilo? — falei entre os dentes. — Aquela mulher é uma cobra venenosa. Selene veio atrás de mim, cautelosa, como quem pisa em vidro. — Quer que eu dê um jeito nela? — Não. — Cruzei os braços. — Com ela eu me resolvo. Mas tem algo estranho ali. Não estou tendo um bom pressentimento. Selene arqueou uma sobrancelha. — O Wei do passado nunca seria assim por mulher nenhuma. Até mesmo com você foi difícil conquistá-lo, lembra? — provocou, rindo. Revirei os olhos. — Para com isso! Eu era tímida, e ele era um mal-amado. — Respirei fundo. — Mas agora... parece que algo aprisiona o Wei de antes. Ele pode ter renascido, mas com o poder que tem, já era pra ter lembrado de tudo. — Então ele está sendo manipulado desde que renasceu — Selene disse, pensativa. — Exato. E aquela cobra
Scarlett narrandoNão acredito que ele trouxe ela para cá.Ela é só um título, uma farsa, não tem nada de especial.Depois de tudo que fiz por ele... não, Wei não vai me deixar de lado. Ele é meu.— Precisamos conversar, Scarlett. — Wei disse, sentando-se no trono com a voz fria. — Estou sem paciência para esse tipo de coisa.Finjo um sorriso, abaixando a cabeça.— Eu sei... — murmuro. — Deixei o ciúme tomar conta de mim, mas é que... eu não aguentei, meu senhor. Você nunca mais me visitou, me deixou de lado... por causa dela. Da Imaculada.(Meu feitiço está se enfraquecendo.)Por culpa daquela mulher insolente.Se os Anciãos descobrirem que a missão está ruindo, eu estou perdida.Mas se o feitiço se quebrou... então chegou a hora do plano dois.E quando ele for posto em prática, o próprio Wei se livrará dela.(risada baixa) — Hahahaha...— Não interessa! — ele gritou.O som da voz dele ecoou pelas paredes do salão, tão forte que todos ao redor se curvaram, até mesmo eu.Nunca… nunca







