INICIAR SESIÓNContinuação.
Carregar aquele peso até a mansão não foi fácil. Cada galho, raiz ou pedra parecia conspirar para me derrubar, e eu tropeçava mais vezes do que queria admitir. Mas mantive o foco: ele estava amarrado, e eu ainda tinha alguma vantagem… pelo menos momentaneamente. Quando cheguei à porta da mansão, meu coração disparou novamente. A escuridão parecia me engolir, mas não podia parar agora. Empurrei a porta rangente e entrei, sentindo o cheiro de mofo e velas queimadas misturado com algo… estranho. Ele ainda estava desmaiado, mas eu podia sentir a energia que emanava dele, mesmo preso. — Tá, agora você fica quietinho — murmurei, ajeitando as cordas ao redor dele. — Se tentar alguma coisa, prometo que vou… bem, vou correr ainda mais rápido. Ele gemeu levemente, como se reconhecesse minha voz, mas não se moveu. Segurei a respiração, sentindo uma mistura de triunfo e medo. Era incrível como alguém tão poderoso podia parecer tão… humano quando vulnerável. Olhei para os corredores escuros da mansão e percebi que, mesmo amarrado, ele ainda emanava perigo. Cada pequeno movimento dele me deixava alerta, cada suspiro parecia uma promessa de caos. — Ótimo — murmurei, dando um passo para trás. — Agora é só decidir se vou… cuidar de você ou… me preparar para a próxima corrida pela minha vida. Um riso nervoso escapou da minha boca. Eu nunca imaginei que salvar alguém tão perigoso pudesse ser tão… complicado. E ali estávamos: ele, amarrado, inconsciente, mas ainda aterrorizante; eu, tremendo, mas determinada, no meio daquela mansão antiga que mais parecia um labirinto de sombras. A tensão pairava no ar, e eu sabia que, quando ele acordasse, nada mais seria como antes. Ele mexeu os dedos lentamente, e um suspiro pesado escapou de seus lábios antes de abrir os olhos. Vermelhos e brilhantes, eles encontraram os meus instantaneamente, cheios de fúria contida e confusão. Eu recuei um passo e, de repente, notei alguns dentes de alho esquecidos em uma tigela na cozinha próxima. Peguei rapidamente alguns e os espalhei ao redor dele, segurando o riso que ameaçava escapar. — Caso você queira me atacar de novo — disse, apontando os dentes de alho na direção dele. Ele simplesmente riu, balançando a cabeça. — Hahaha… engraçadinha, hein? — disse, a voz carregada de sarcasmo. — Quer me derrotar com dentes de alho? Que estratégia ousada… vai ver só quando eu estalar os dedos e fizer você sumir! Meu coração disparou. Fechei os olhos, esperando meu fim. Sentia que a qualquer momento ele poderia me atacar. Quando finalmente abri os olhos… lá estava ele, de novo, com o pescoço brilhando e reclamando da mordida que eu havia dado. — Que método ousado — murmurou, ainda rindo, tentando esconder o desconforto. — Dentes de alho e ameaças. Eu deveria estar assustado… mas só consigo admirar sua audácia, humana. Eu dei um passo para trás, respirando fundo, tentando manter a calma e não rir diante daquela situação absurda. Ele ainda era perigoso, mas agora havia algo de cômico naquele embate bizarro entre humano e vampiro. Por um instante, eu tinha o controle. E aquilo… era estranhamente divertido.. Ele começou a se mexer com mais força, arrastando-se pelo chão da mansão, tentando soltar os braços e pernas amarrados. As cordas rangiam sob a pressão, mas ainda resistiam. — Ei! — gritei, recuando alguns passos. — Cuidado aí, vampiro desobediente! Ele ergueu uma sobrancelha, um sorriso sarcástico surgindo nos cantos dos lábios vermelhos. — Humana atrevida… acha mesmo que essas cordas me seguram? — Por enquanto, sim! — respondi, pegando um pedaço de pano e tentando apertar ainda mais as amarras. — E se tentar algo, você vai sentir… — olhei para os dentes de alho espalhados — bem, vai ver só! Ele riu, um som que misturava zombaria e dor. — Ah, dentes de alho… que método refinado! Impressionante… ou quase. — Começou a se contorcer novamente. — Mas tentei te avisar: estalar os dedos é muito mais divertido! Meu coração disparou. Aquela criatura era irritante e divertida ao mesmo tempo. Eu corri de um lado para o outro, ajustando as cordas e espalhando alguns dentes de alho estratégicos, sentindo que cada movimento meu era um jogo de poder entre nós. Ele parou por um instante, olhando para mim com aqueles olhos vermelhos brilhando intensamente. — Sabia que você não é tão previsível… humana — murmurou. — Isso me intriga… e me irrita. — Então se acalme, porque eu sou a que manda aqui por enquanto! mal agradecido— respondi, cruzando os braços, tentando parecer firme, enquanto ele ria baixinho, quase divertido com a situação. O silêncio caiu por alguns segundos, pesado, mas carregado de tensão. Ambos sabíamos que aquele impasse poderia explodir a qualquer momento. E eu não tinha a menor ideia do que ele faria quando recuperasse totalmente sua força. — Por enquanto, você fica aí — sussurrei, mais para mim mesma do que para ele. — E eu tento não rir demais desse vampiro arrogante… Ele apenas sorriu, claramente apreciando o desafio, enquanto eu me preparava para o próximo movimento naquele jogo estranho e perigoso que agora controlávamos. Ele respirou fundo e, de repente, seus músculos amarrados pareceram se tensionar com mais força do que antes. As cordas rangiam, e eu quase tropecei para trás, surpresa com a rapidez com que ele começava a se libertar. — Ah, então você resolveu acordar de vez… — murmurei, tentando esconder o nervosismo. — Só digo uma coisa: não é hoje que você me pega! Ele ergueu o queixo, os olhos vermelhos brilhando intensamente, e soltou uma risada baixa, sarcástica. — Impossível não admirar sua ousadia… Humana atrevida, você realmente gosta de me desafiar. — Desafiar? — disse, cruzando os braços e tentando manter o tom firme. — Estou apenas… me defendendo! Ele soltou um estalar de dedos de leve, e meu corpo tremeu. — Se defender? — provocou, os dentes brilhando levemente. — Ah, eu estou quase convencido de que você gosta de brincar comigo! A cada movimento dele, as cordas rangiam mais, e eu percebi que precisaria ser mais criativa para não perder o controle da situação. Peguei outro dente de alho e o joguei estrategicamente perto dele. — Isso aqui vai ajudar — disse, tentando soar confiante. — E você não vai gostar nem um pouco. Ele franziu a testa, um sorriso torto ainda nos lábios. — Ah, dentes de alho…de novo— Então piscou de forma quase brincalhona. — Mas humano esperto que se preze sabe: nem todo vampiro respeita superstições! Engoli em seco, mas mantive a postura firme. Ele estava se libertando, e eu sabia que precisava pensar rápido. — Humano arrogante — murmurei, dando um passo para trás. — Só por precaução, acho melhor você ficar… quietinho. Ele riu novamente, mas dessa vez mais baixo, quase divertido, como se estivesse apreciando o desafio que eu representava. — Quietinho? — repetiu, provocando. — Que desperdício de potencial… Mas tudo bem, humana. Por enquanto, vou deixar você se sentir no controle. — Você devia me agradecer por não ter deixado você pra trás, seu vampiro arrogante! — Sua humana Atrevida! O silêncio caiu, mas era pesado, carregado de tensão. Eu podia sentir que, a qualquer momento, ele poderia testar minha paciência… ou minha coragem.Lua Narrando. Eu sempre achei que a morte fosse o fim. Hoje eu sei que a morte foi apenas a porta do meu recomeço. Depois que acordei naquele caixão—com Wei respirando contra minha boca, com nossas lembranças queimando dentro de nós como brasas vivas—achei que nada poderia superar aquele choque. Mas a vida, ou o destino, ou talvez os céus arrependidos… ainda tinham mais para nos entregar. Os dias que se seguiram foram estranhamente calmos. Parecia que o universo segurava a respiração, esperando o que faríamos com essa segunda chance. E nós aproveitamos cada momento. Foi Wei quem pediu primeiro. — Lua… vamos reescrever tudo do jeito certo desta vez. Aquele homem que já fora frio como gelo, que já me matara e morrera comigo, agora me olhava como se eu fosse o eixo da nova eternidade dele. Então, simplesmente respondi: — Sim. Nos casamos de forma simples para padrões humanos, mas absurda para padrões celestes. As velas se acenderam sozinhas. As sombras dançaram. Selen
Lua Narrando. O multiverso era silêncio. Não céu. Não inferno. Não tempo. Apenas Wei… e meu corpo, inerte nos braços dele. Eu flutuava ali, como se minha alma estivesse suspensa entre dois mundos. Não conseguia tocar, não conseguia chamar, não conseguia voltar. Era como assistir ao fim de tudo através de um vidro trincado. Wei estava parado no centro do nada — literalmente o nada. Um espaço branco, infinito, sem chão e sem horizonte. Ele já havia destruído tudo: Scarlett virou pó. Os anciãos foram rasgados pela sua fúria. As portas do Submundo não existiam mais. O Céu tinha sido aberto ao meio. E agora… não restava nada além dele. E de mim. Eu via o rosto dele — o velho Wei, o frio, o devastador — mas havia algo novo ali: uma dor que parecia partir o universo com ele. As mãos dele tremiam ao segurar meu corpo. A aura negra que envolvia seu corpo se expandia e retraía como um coração apodrecido pulsando violência. Ele esperou. Esperou segundos.
Continuação. Enquanto lutávamos, senti meus poderes se esgotarem como água escapando por entre meus dedos. Era minha última chance de matá-la ali. Meu corpo tremia, minha magia vacilava, mas quando avancei — certa de que Scarlett estava bem diante de mim — foi Wei quem surgiu. Ele atravessou meu peito com a espada. O ar fugiu dos meus pulmões. Arregalei os olhos quando a lâmina me cortou não apenas a carne, mas algo mais fundo. Algo que ardia, corroía, como se o próprio submundo tivesse cravado as garras dentro de mim. Atrás dele, Scarlett ria — aquela risada cortante, satisfeita — enquanto a aura sombria continuava prendendo Wei como uma marionete. Mas… era minha última chance. A última exatamente como no começo de tudo. Eu precisava trazê-lo de volta. Segurei o rosto dele, mesmo sentindo a espada afundar mais em meu peito, e o beijei. Meu sangue escorria pelo canto da minha boca enquanto lancei meus últimos feitiços. Uma onda gelada se ergueu ao nosso redor, envolvendo
continuação... Eu tentava ao menos mover uma mão, mas era impossível. O feitiço que me prendia me esmagava por dentro, e tudo o que consegui fazer foi observar o brilho de uma flecha vindo direto na minha direção. Nunca imaginei que existisse alguém capaz de me conter assim. Fechei os olhos esperando a morte… mas nada aconteceu. Abri um olho lentamente. Depois o outro. Wei estava ali — segurando a flecha com apenas uma mão. Ela já estava a poucos centímetros do meu peito quando ele simplesmente a jogou para longe. Mas não era só uma. Várias outras flechas vieram em sequência, rápidas, letais. E ele… me segurava com uma mão enquanto a outra desviava, quebrava ou arremessava as flechas para longe. Nós dois parecíamos dançar entre elas. Os outros continuavam congelados no feitiço. Foi então que Wei murmurou algo em uma língua antiga, ergueu a mão e liberou uma onda de energia que estilhaçou o encantamento. Todos voltaram ao normal ao mesmo tempo, respirando como se tivess
Lua narrando Entrei no quarto tomada de raiva. Tirei os arranjos do cabelo, os colares e as pulseiras e joguei tudo no chão. Bastou um estalar de dedos — e as chamas engoliram cada pedaço. — Você viu aquilo? — falei entre os dentes. — Aquela mulher é uma cobra venenosa. Selene veio atrás de mim, cautelosa, como quem pisa em vidro. — Quer que eu dê um jeito nela? — Não. — Cruzei os braços. — Com ela eu me resolvo. Mas tem algo estranho ali. Não estou tendo um bom pressentimento. Selene arqueou uma sobrancelha. — O Wei do passado nunca seria assim por mulher nenhuma. Até mesmo com você foi difícil conquistá-lo, lembra? — provocou, rindo. Revirei os olhos. — Para com isso! Eu era tímida, e ele era um mal-amado. — Respirei fundo. — Mas agora... parece que algo aprisiona o Wei de antes. Ele pode ter renascido, mas com o poder que tem, já era pra ter lembrado de tudo. — Então ele está sendo manipulado desde que renasceu — Selene disse, pensativa. — Exato. E aquela cobra
Scarlett narrandoNão acredito que ele trouxe ela para cá.Ela é só um título, uma farsa, não tem nada de especial.Depois de tudo que fiz por ele... não, Wei não vai me deixar de lado. Ele é meu.— Precisamos conversar, Scarlett. — Wei disse, sentando-se no trono com a voz fria. — Estou sem paciência para esse tipo de coisa.Finjo um sorriso, abaixando a cabeça.— Eu sei... — murmuro. — Deixei o ciúme tomar conta de mim, mas é que... eu não aguentei, meu senhor. Você nunca mais me visitou, me deixou de lado... por causa dela. Da Imaculada.(Meu feitiço está se enfraquecendo.)Por culpa daquela mulher insolente.Se os Anciãos descobrirem que a missão está ruindo, eu estou perdida.Mas se o feitiço se quebrou... então chegou a hora do plano dois.E quando ele for posto em prática, o próprio Wei se livrará dela.(risada baixa) — Hahahaha...— Não interessa! — ele gritou.O som da voz dele ecoou pelas paredes do salão, tão forte que todos ao redor se curvaram, até mesmo eu.Nunca… nunca







