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Capítulo 2

Author: Jasmim
No dia em que recebi alta, o céu de repente se abriu em uma chuva forte. Quando voltei para nossa casa, a Villa Bertelli, eu estava completamente encharcada.

No momento em que Nico me viu, ele dramaticamente apertou o nariz e exclamou:

— Você tá fedendo! Está deixando o carpete todo sujo!

O cheiro de chuva e lama nem era tão forte assim. Ele só fez aquilo para divertir Martina, que estava sentada no lugar principal da sala de estar, usando minha melhor camisola de seda.

Como esperado, a pequena encenação dele fez Martina cobrir a boca e rir. Ela estava sentada ali com os braços cruzados, completamente à vontade, como se fosse a dona da casa.

Eu a ignorei e me virei em direção às escadas.

No segundo seguinte, Roberto saiu de seu escritório com dois homens de terno preto logo atrás dele.

Ele franziu a testa, e sua voz carregava irritação quando disse:

— Martina veio até aqui hoje para ensinar ao Nico a etiqueta adequada de uma família mafiosa, e em vez de ser grata, você está tratando ela com essa atitude?

Parei nos degraus e respondi friamente:

— Ótimo. Ele é todo seu. Vamos nos divorciar.

Roberto agarrou meu braço e sibilou:

— Amelia Fiore, você está se ouvindo? Você é a Donna desta família. Acha que casamento é algum tipo de brincadeira? Pare de ficar jogando a palavra "divórcio" toda vez que fica irritada!

Martina se levantou, com a voz cheia de falsa preocupação.

— Amelia, Roberto te ama tanto. Como você pode dizer uma coisa dessas? Isso parte o coração dele. Se eu sou a razão dessa tensão nesta casa, eu vou embora agora mesmo e nunca mais volto.

Ela se virou para sair, e Roberto me fitou antes de ir atrás dela.

Eu não olhei para trás enquanto subia as escadas.

No quarto, arrumei tudo o que era meu em uma única mala. Depois disso, deixei os papéis do divórcio assinados e o documento renunciando aos meus direitos parentais sobre a penteadeira. Depois, tirei do dedo o anel que me marcava como a Donna e o deixei ali com eles.

Roberto não subiu as escadas.

Ele presumiu que eu estava fazendo uma cena e que voltaria rastejando em um ou dois dias para pedir desculpas.

Enquanto isso, Martina publicou uma foto nas redes sociais. Era uma foto da minha sala de estar, com ela sentada ao lado de Nico enquanto jogavam videogame, e uma legenda abaixo:

[As crianças sempre sabem quem realmente se importa com elas.]

Menos de um minuto depois de ser publicada, a mãe de Roberto, Rosa Conti, e a irmã dele, Gianna Bertelli, curtiram a postagem.

Eu também toquei casualmente no botão de curtir. Porém, quando atualizei a página, a postagem tinha desaparecido. Roberto provavelmente mandou alguém removê-la, já que ele não gostava que fotos de Nico circulassem na internet.

Não pensei mais nisso e levei minha mala para baixo.

Roberto viu a mala, e sua expressão escureceu completamente.

— Leve isso de volta para o quarto. Mesmo que você esteja fazendo uma cena, deveria haver um limite.

Lágrimas brilharam nos olhos de Martina enquanto ela fingia preocupação e dizia:

— Amelia, fingir fugir de casa é uma coisa, mas e se Nico pegar esse hábito? Que tipo de exemplo você está dando?

De repente, ela se aproximou de mim sob o pretexto de segurar minha mão e sussurrou:

— Roberto não te ama, e Nico também não. Você realmente tem coragem de ficar aqui e viver na minha sombra?

Antes que eu pudesse reagir, ela tropeçou e bateu a cabeça na quina da mesa lateral. O sangue começou a escorrer pela testa dela quase imediatamente.

— Amelia. — Ela ofegou, pressionando a mão contra a cabeça.

— Eu só estava tentando te ajudar, e você...

Os olhos de Roberto arderam de fúria.

— Você realmente colocou as mãos nela? Eu deixei você passar dos limites por tempo demais. Saia! Nem pense em voltar.

Olhei para ele calmamente e respondi com voz firme:

— Acredite ou não, eu nunca toquei nela. E eu não vou voltar.

Saí pela porta da frente, entrei no carro e disse ao motorista:

— Me leve para o aeroporto.

O carro se afastou lentamente, e os portões de ferro da Villa Bertelli se fecharam atrás de mim. Era como se eles nunca tivessem realmente se aberto para mim.
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