INICIAR SESIÓN
Mary Anne
"—Ela tem idade de ser sua filha, Clarke. Você não a ama, é só crise da meia idade." Essa frase ecoa na minha cabeça me deixando tonta. Eu olho para Clarke sentado na cama dele, a camisa branca aberta revelando o peitoral bronzeado e firme, marcado pelos anos que ele carrega com uma elegância que ainda me desarma. As lágrimas brilham nos olhos dele sob a luz fraca que entra pela janela do grande chalé na Toscana. O ar está carregado de tristeza, de adeus e de tudo que ainda pulsa entre nós. "Essa vai ser a última vez", eu penso, sentindo o peito apertar. Não é pela idade, ele com 56 e eu com 28. A diferença nunca foi o problema principal, mesmo que o mundo goste de apontar para ela como se fosse um crime. O problema é que, mesmo com a química incendiária que nos consome, mesmo que eu o ame com todo o meu coração cigano e selvagem, ele ainda tem questões para resolver sozinho. As inseguranças que o corroem por dentro, os medos que o fazem hesitar, a necessidade de superar o passado e seguir em frente. Nosso amor é real, mas talvez essa relação não seja para acontecer agora. A idade pesa mais do que deveria, não no desejo, mas nas expectativas silenciosas que nos separam. Ele estende a mão e pega a minha, puxando-me com uma urgência que faz meu corpo responder antes da mente. Eu caio sobre ele, e Clarke enfia o rosto entre meus seios, escondendo as lágrimas que escorrem quentes e sem controle contra a pele exposta pela camisola de seda branca. Sinto o calor úmido delas molhando o tecido fino. Minhas mãos vão automaticamente para os cabelos dele, deslizando pelos fios grossos. Mais da metade já estão grisalhos, brilhando como prata sob a luz, e eu amo esses fios. Eles contam histórias que ele ainda não me contou por inteiro. — Eu te imploro, cigana... — a voz dele sai rouca, abafada contra meu corpo. — Não me deixa. Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida. Ele levanta o rosto por um instante, os olhos vermelhos e vulneráveis. Eu vejo o homem poderoso que comanda um império do vinho reduzido a isso: um amante desesperado. Ele continua falando,m com a voz entrecortada: — Você foi uma explosão de vulcão na minha existência cinzenta. Eu vivia no previsível, dia após dia, os mesmos caminhos seguros. E então você chegou, cheia de vida, de fogo, de risadas que ecoavam pelos corredores vazios da minha alma. Você me tirou do roteiro, me fez dançar na chuva, viajar sem plano, amar sem medo. Você me fez viver de novo, Mary Anne. Meu coração se aperta tanto que dói. Eu não respondo com palavras. Em vez disso, eu o beijo. É um beijo faminto, sedento, cheio de desejo acumulado e de dor. Eu me sento no colo dele, as pernas abertas ao redor de sua cintura, sentindo-o endurecer imediatamente contra mim. As mãos grandes dele sobem pela minha cintura fina, apertando a seda da camisola como se quisesse gravar a forma do meu corpo na memória. Ele puxa o tecido para cima e eu levanto os braços, deixando que ele tire a camisola com reverência. Fico nua no colo dele, a pele arrepiada pelo ar fresco da noite toscana e pelo olhar que ele lança sobre mim. Clarke venera meu corpo como sempre faz, como se eu fosse uma obra de arte rara. Os lábios dele traçam um caminho lento pelos meus seios, sugando um mamilo com fome enquanto a mão acaricia o outro. Eu gemo baixinho, arqueando as costas, as mãos enfiadas nos cabelos grisalhos dele. — Linda... minha cigana... — ele murmura contra a pele. Eu empurro os ombros dele com delicadeza, fazendo-o deitar na cama. Inclino sobre ele, dominando os movimentos. Minhas mãos abrem a camisa branca completamente, deslizando pelos ombros largos, sentindo os músculos ainda firmes apesar da idade. Eu me movo devagar, roçando meu sexo úmido contra o dele por cima da calça, sentindo-o pulsar. Clarke solta um gemido grave, as mãos apertando minha bunda, guiando-me. Eu me inclino e o beijo profundo, enquanto minhas mãos descem para abrir a calça dele. Liberto o pau grosso e quente, já latejando. Eu o acaricio devagar, sentindo a veia pulsando sob meus dedos. Ele me observa com os olhos semicerrados, a respiração pesada. Eu me posiciono e desço sobre ele devagar, centímetro por centímetro, sentindo-o me preencher completamente. Um gemido longo escapa dos meus lábios quando ele está todo dentro. Começo a cavalgar com calma, controlando o ritmo. Meus quadris se movem em círculos lentos, depois para cima e para baixo, sentindo cada detalhe dele dentro de mim. Clarke segura minha cintura, os dedos cravando na carne macia, mas me deixa liderar. Seus olhos não saem dos meus. Há amor ali, dor, desejo, desespero. — Mary... por favor... — ele sussurra. Eu me inclino para frente, os seios pressionando contra o peito dele, e aumento o ritmo. O som dos nossos corpos se encontrando enche o quarto, misturado aos gemidos. Ele inverte a posição de repente, com uma força que ainda me surpreende. Fico deitada de costas, e Clarke se coloca entre minhas pernas, entrando em mim com uma estocada firme que me faz arquear e gemer alto. Ele me fode com intensidade contida, entocadas profundas e ritmadas. Cada vez que ele afunda, ele implora entre os movimentos: — Não vai embora... fica comigo... eu te amo... cigana... Eu gemo, as unhas cravando nas costas dele, as pernas enroladas na cintura dele. O prazer sobe em ondas quentes, meu corpo tremendo sob o dele. Ele acelera, o suor brilhando na pele bronzeada, os fios grisalhos caindo sobre a testa. Quando ele goza, é com um gemido rouco e longo, o corpo inteiro tenso contra o meu. Ele permanece ali, enterrado fundo em mim, por longos minutos. Sinto as lágrimas dele escorrendo pelo meu pescoço, quentes e silenciosas. Eu fico imóvel, o coração apertado, mas cumpro a promessa que fiz a mim mesma: não choro. Não derramo uma única lágrima por nenhum homem, nem mesmo por esse que me fez sentir viva como nunca. Depois de um tempo que parece eterno, eu me movo devagar. Saio de baixo dele, sentindo-o escorregar para fora de mim. Levanto da cama nua, as pernas ainda trêmulas. Clarke fica sentado, nu, observando cada movimento meu com os olhos vermelhos. Eu pego a camisola no chão, visto-a rapidamente. Depois, o sobretudo leve que estava sobre a cadeira. Arrasto a mala pequena até a porta. Ele não se levanta. Apoia a cabeça nas mãos, os ombros largos curvados. Eu paro na porta por um segundo, olhando para trás. O chalé na Toscana, a cama desarrumada, o homem que eu amo quebrado ali. Meu peito dói tanto que parece que vai rasgar. — Adeus, Clarke! — eu digo baixinho, a voz firme apesar de tudo. — Eu realmente espero que consiga tudo o que deseja e seja feliz!Clarke Bellomo Quando o avião tocou o asfalto americano, meu coração pareceu parar por um segundo inteiro. Aterrissar nunca tinha me causado isso. Eu já tinha feito aquela rota dezenas de vezes. Mas agora cada metro de pista parecia carregar um peso diferente. Eu desci do avião com a mala de mão, os óculos escuros ainda no rosto e a certeza de que não conseguiria esperar mais nenhum dia. Não fui para casa. Fui direto para o apartamento de Mary Anne. O porteiro me reconheceu assim que me aproximei da recepção. Um homem mais velho, educado, que já tinha me visto algumas vezes quando eu buscava ela. — Senhor Bellomo. A senhorita Brown não está. Ela está viajando a trabalho. A amiga dela saiu para o emprego mais cedo. Eu fiquei parado alguns segundos, processando. Claro. As últimas campanhas do contrato. Eu tinha esquecido completamente. O último destino era Milão, daqui a um mês. Eu tinha atravessado o oceano à toa. Ela não estava. E não voltaria tão cedo. Agradeci ao
Mary Anne O barulho me arrancou do sono. Um som úmido, repetido, vindo do banheiro. Eu abri os olhos no escuro do quarto e fiquei alguns segundos tentando entender se era sonho ou realidade. Depois veio outro gemido baixo, seguido do barulho característico de alguém vomitando. Levantei na hora. — Lívia? Não houve resposta. Só mais um esforço abafado. Empurrei a porta do banheiro e a encontrei ajoelhada no chão, debruçada sobre o vaso, o cabelo preso de qualquer jeito com uma mão enquanto a outra segurava a borda. O corpo dela tremia. — Meu Deus, Li… o que foi? Ela acenou com a mão, pedindo um segundo. Eu molhei uma toalha pequena, torci e coloquei na nuca dela. O cheiro azedo tomava conta do banheiro. Quando finalmente ela se afastou do vaso, o rosto estava pálido, os olhos marejados e a boca trêmula. — Eu… eu não sei — murmurou, a voz rouca. — Acho que foi alguma coisa que eu comi. Tentei puxar a memória dos últimos dias. Estávamos no meio da semana. Lívia era a pess
Mary Anne Eu acordei num dia qualquer e decidi que precisava mudar alguma coisa no corpo. Não era sobre ficar mais bonita. Era sobre marcar território. Sobre provar para mim mesma que eu ainda era dona da minha pele. Marquei hora no estúdio de tatuagem no mesmo dia. Primeiro foi o braço. Linhas finas, um desenho que subia do pulso até quase o cotovelo, folhas, espinhos e pequenos detalhes que só faziam sentido para mim. A agulha doía de um jeito bom. Cada picada era um lembrete de que eu ainda sentia alguma coisa além de saudade. Depois veio a guirlanda. Delicada, logo abaixo dos seios, um arco de flores e folhas que só aparecia se eu levantasse a blusa. O tatuador levantou a sobrancelha quando expliquei o lugar. Eu apenas deitei e fechei os olhos. Quando saí dali, o corpo ardia e eu me sentia um pouco mais minha. No dia seguinte cortei o cabelo. Não foi um corte tímido. Foi tesoura, coragem e o espelho do salão refletindo uma mulher que eu mal reconhecia. Os fios longos
Clarke A notificação apareceu na tela enquanto eu ainda estava no escritório, olhando números que não faziam mais sentido. Era da conta oficial da agência onde Mary Anne trabalhava. Eu não a seguia, mas vi que seu perfil era aberto. O algoritmo, cruel e eficiente, me entregou exatamente o que eu não deveria ver, postagens do nosso ensaio deles, onde ela participava. Cliquei. O ensaio da próxima campanha. Fotos polidas, luz perfeita, cenários urbanos e naturais misturados. Eu passei por cada uma com o dedo lento demais. Até chegar nos bastidores. Ela estava ali. Linda. Radiante. O cabelo solto, o sorriso fácil, brincando com os parceiros de ensaio. Em uma foto ela ria de cabeça jogada para trás. Em outra fazia careta para a câmera. Em outra ainda estava sentada no chão, conversando animada com uma maquiadora. Parecia leve. Parecia feliz. Parecia… longe. Eu sorri junto com a tela. Um sorriso pequeno, automático e dolorido. Será que ela realmente estava feliz? Realizada? S
Mary AnneA volta para casa foi estranha. O apartamento cheirava a poeira e a ausência. Lívia abriu as janelas assim que entramos, como se o ar de Connecticut pudesse apagar o cheiro de Toscana que ainda carregávamos nas malas. Eu larguei a bolsa no chão e fiquei parada no meio da sala. Nada parecia meu. O sofá, a mesa de centro, a prateleira de livros… tudo estava no lugar, mas eu não. Eu tinha passado semanas vivendo uma vida que nunca imaginei. Dormindo em villas, pisando uvas, brigando, amando, saindo pela porta no meio da madrugada. Lívia tinha passado pouco mais de vinte e quatro horas na Itália, mas uma única noite tinha mudado o eixo dela. As duas estávamos quietas. Vazias. Eu pensava em Clarke o tempo inteiro. Imaginava se ele tinha falado alguma coisa na festa. Se estava bem. Se tinha se divertido. Se estava triste. Se tinha chorado de novo. Pegava o celular dezenas de vezes por dia, abria a conversa e fechava sem digitar nada. Eu tinha decidido me afastar. Então ia es
Mary AnneEu já estava alta. Não um pouco. Alta de verdade. O tipo de alta que faz o mundo balançar devagar e as palavras saírem mais soltas do que deveriam. Giuseppe tocava violão perto da fogueira improvisada, os dedos grossos deslizando nas cordas com a mesma habilidade que usava nas videiras. Eu reconheci a melodia imediatamente. Clarke ouvia aquela música quase todas as noites na villa. Às vezes cantarolava baixo enquanto preparava café. Eu tentei acompanhar. A melodia eu sabia. A letra em italiano… não tanto. Errava as palavras. Trocava sílabas. Inventava finais. A cada erro os funcionários caíam na gargalhada e me corrigiam em coro. Alguns só falavam italiano. Outros eram bilíngues, graças à insistência de Clarke em que todos pudessem se virar com compradores estrangeiros. Eu aprendia rápido, mesmo bêbada. Repetia a frase certa, errava de novo na seguinte, e todo mundo ria mais. Eu também ria. Ria alto. Ria para não sentir o buraco no peito. A festa foi morrendo deva







