LOGINNão sabia explicar o que senti ao ler aquela mensagem. Fiquei olhando para a tela do celular por alguns instantes, tentando assimilar a informação. Li e reli aquelas palavras várias vezes, sem conseguir organizar os pensamentos ou decidir o que responder.Na última conversa que tive com Dante, ele havia sido tão claro e decidido ao afirmar que não falaria com o diretor para mudar aquela decisão. E agora, de repente, Valen aparecia com aquela notícia. O que teria acontecido nesse intervalo de tempo para fazê-lo mudar de ideia? Tentei encontrar alguma explicação, repassei mentalmente tudo o que havia acontecido desde que chegamos à casa dele, mas não consegui chegar a nenhuma conclusão. Por fim, desisti de procurar respostas e apenas digitei:“Não sei, mas ainda bem que ele fez isso. Caso contrário, eu mesma faria.”Assim que enviei a mensagem, bloqueei a tela do celular e o joguei sobre a cama, ao meu lado. Eu deveria estar feliz, não deveria? Afinal, era exatamente o que queria desde
Ela desviou o olhar e voltou a organizar as roupinhas, como se aquele gesto pudesse disfarçar seu constrangimento. O silêncio que se seguiu apenas reforçou minha impressão de que não havia argumentos capazes de justificar o comportamento de Dante.— Você tem razão — comentou, por fim, sem interromper o que estava fazendo. — Não sei o que aconteceu com o doutor, muito menos por que fez aquilo.— Agora entende por que não acredito nesse sentimento tão grande que dizem que Dante sente por mim, não entende? — questionei. — Ele não me ama, Júlia. Na verdade, já nem sei se algum dia chegou a me amar de verdade. Ele sabia muito bem o que estava fazendo quando decidiu se envolver com a minha irmã. Conhecia minhas fraquezas, sabia exatamente onde me atingir e o quanto aquilo me machucaria. Mesmo assim, fez. Sem hesitar, sem se importar com a dor que me causaria. Eu poderia aceitar que ele se envolvesse com outra pessoa. Entenderia até se estivesse apenas tentando seguir em frente, assim como e
Fiquei imóvel, tentando assimilar aquilo.— Como assim, por minha causa? — questionei, sentindo o coração acelerar.Aparentemente confusa com minha reação, Gabriela franziu a testa.— Ué, achei que você soubesse.Balancei a cabeça lentamente. Não, eu não sabia do que ela estava falando.— Espera aí — disse, mudando repentinamente de expressão. — O que está acontecendo entre você e meu pai?— Não está acontecendo nada — respondi, tentando parecer indiferente. — Apenas o reencontrei por coincidência na universidade e descobri que ele será meu professor.— Por coincidência? — repetiu, arqueando uma sobrancelha. — Não foi por coincidência, Fabi. Meu pai estava procurando por você. A única coincidência nessa história foi termos nos mudado para a Inglaterra, justamente onde você estava estudando. Quando chegou aqui e descobriu que você estava em Oxford, decidiu se tornar professor da universidade só para ficar perto de você.Fiquei completamente atônita com aquela revelação. Não conseguia a
Senti uma inquietação crescer dentro de mim. Entretanto, aquela informação despertou dúvidas que eu não estava preparada para enfrentar.— Não, eu não sabia — confessei, ainda surpresa com aquela revelação.— Meu pai esteve no apartamento da sua irmã alguns dias antes de vir para a Inglaterra. Foi lá que encontrou sua mãe, que pediu que ele mandasse uma foto do bebê quando nascesse.“Na casa da minha irmã?”, pensei.No mesmo instante, comecei a ligar os fatos. Para mim, tudo ficou mais claro do que água. Dante havia se envolvido com Viviane, e era bem provável que os dois tivessem se encontrado várias vezes, inclusive na casa dela. Isso explicaria por que havia encontrado minha mãe naquele lugar.Conhecendo-a tão bem, imaginei que, ao vê-lo, tivesse aproveitado a oportunidade para perguntar sobre Gabriela e o bebê. Minha mãe sempre foi muito emotiva e, apesar de tudo o que havia acontecido, não seria estranho que tivesse pedido uma fotografia da criança quando nascesse.E o fato de nu
Segui em direção à porta sem sequer olhar para trás. No entanto, quando estava prestes a abri-la para sair, deparei-me com Júlia e Gabriela, que acabavam de chegar.Assim que me viram, as duas arregalaram os olhos, visivelmente surpresas com minha presença. Eu também fiquei surpresa, principalmente ao ver Gabriela com aquela barriga enorme. Era impressionante como sua gravidez havia avançado desde a última vez que nos vimos.— Fabiane? — chamou Gabriela, abrindo um sorriso de surpresa.Disfarçadamente, enxuguei as lágrimas que ameaçavam escorrer pelo meu rosto e me esforcei para retribuir o sorriso. Não queria que nenhuma das duas percebesse que eu estava prestes a chorar, muito menos que imaginassem o que havia acontecido entre mim e Dante poucos instantes antes.— Olá, Gabriela — cumprimentei, com certa cautela.Por mais que tivesse sorrido ao me ver, não conseguia esquecer que nossa última conversa estava longe de ter sido agradável. Entretanto, quando se aproximou e me envolveu em
Comecei a caminhar em direção à porta de saída, sem sequer olhar para trás. Não queria permanecer nem mais um minuto naquela casa. Já havia dito o que devia dizer e agora, tudo o que desejava era sair dali o mais rápido possível, antes que voltasse atrás na minha decisão.Ouvi o barulho da cadeira sendo arrastada e, logo em seguida, seus passos atrás de mim.— Fabiane, espere! Parei, soltando um suspiro impaciente.— O que foi agora, Dante?— Só estou pedindo que reconsidere. Não precisa tomar nenhuma decisão agora, muito menos agir como se não pudéssemos conviver no mesmo ambiente.— Você não está entendendo? — questionei, virando-me para encará-lo. — Eu não quero isso.Ele se aproximou mais alguns passos.— Eu entendi o que você disse, e mesmo sem concordar, eu respeito.— Então, vai conversar com o diretor? — perguntei, já com os olhos brilhando de esperança.— Não — respondeu, sem hesitar.— O quê? — questionei, incrédula.— A decisão foi dele, Fabi. Não vou interferir nisso. Se







