INICIAR SESIÓNRick (O Stripper)
Eu danço desde os 19 anos e já vi de tudo em boates: mulheres casadas fingindo choque, solteiras bêbadas gritando, noivas que querem uma última loucura. Mas na noite da despedida de solteira, eu vi ela. Sophia. Ouvi alguém a chamando por esse nome. Ela está na casa dos 30 anos, corpo curvilíneo escondido debaixo de um vestido preto comportado, cabelo castanho ondulado, olhos castanhos que pareciam querer fugir do próprio desejo. Ela não era como as outras. Sentada no fundo, taça de vinho na mão, pernas cruzadas, tentando desaparecer. Bem conservadora, dá pra sentir de longe. Mas quando subi no palco e nossos olhos se encontraram… algo clicou. Desci direto pra ela. Dancei como se o palco fosse só nosso, eu a vi ofegar quando me aproximei, meu corpo a poucos centímetros do dela, seus olhos dançando olhando para cada gominho do meu abdômem. Senti o cheiro do perfume dela, era algo floral e caro, como uma mulher sofisticado e certinha que ela era. Vi o peito subir e descer rápido, as pupilas dilatadas, ela com certeza estava molhada. Eu sei reconhecer. Pernas apertando uma na outra, engolindo em sexo, e isso me excitou pra caralho. No final da dança, me inclinei. “Você tem olhos que guardam segredos, linda.” Coloquei o cartão na mão dela. The Eclipse, a casa de swing que eu ajudei a inaugurar. Meu sócio me deu porcentagem por trazer clientes especiais. Eu queria ela lá. Queria ver até onde aquela mulher certinha conseguia ir. Ela pegou o cartão, não jogou fora, mas guardou na bolsa. Sorriso tímido, bochechas vermelhas e suas amigas riram. Ela não percebeu, mas eu senti que ela sentiu. Depois do show, fui pro camarim. Meu pau ainda estava meio duro só de lembrar dela. Aquela mulher me atraiu de uma maneira nova. Eu transo o tempo todo, mas raramente com as minhas telespectadoras. Vez e outra eu aceito um convite fora daqui e a maioria deles é para uma dança particular, muito dinheiro envolvido. Tenho 27 anos, corpo malhado, tatuagens que as clientes adoram. Cabelo longo que elas gostam de puxar e eu vivo disso, de desejo alheio, tudo que eu tenho veio da dança e bons investimentos. Mas com Sophia… foi diferente. Eu queria mais que dinheiro na cueca. Queria ver ela se soltar, queria ser o cara que acendesse o fogo que o marido dela claramente não estava acendendo. … Na manhã seguinte, recebi a ligação, um número desconhecido e atendi, pois eu fui encarregado de receber os visitantes, e nesse número só ligam quem eu dei o cartão. — Alô? Uma voz masculina, calma, controlada estava do outro lado da linha. Mas não lembro de ter dado convite a um homem. — Quero reservar dois ingressos VIP para a inauguração. Sophia e Alex Hills. Sophia Sorri no escuro do meu apartamento. O marido… ele sabia. E ainda assim vinha, interessante. — Vocês já sabem como funciona? — Perguntei jogando a isca. — Não, só vamos conhecer, ver como funciona, so isso! — Ele responde com a voz firme. — Perfeito! Estão na lista, mesa especial, perto do palco principal. Qualquer coisa que precisarem… é só chamar! Desliguei e ri sozinho. Então o marido topou, ela contou, e ele não surtou. Isso podia ser divertido pra caralho. Imaginei a cena: Sophia sentada, nervosa, olhando pra mim dançando, o marido ao lado, talvez excitado, talvez inseguro. Eu descendo do palco, dançando perto dela de novo. Tocando de leve, vendo se ela treme, vendo se o marido permite. Eu não sou destruidor de casamentos. Já vi muitos, mas se eles querem brincar… eu topo. Especialmente com ela, aquela mistura de vergonha e desejo nos olhos dela me deixou obcecado. Sexta que vem. The Eclipse vai abrir as portas, com suas luzes baixas, camas, salas privadas, gente bonita se soltando. E eu vou estar no centro, esperando ela. Sophia… você não faz ideia do quanto eu quero te ver gozar de verdade pela primeira vez em anos. E se o marido quiser assistir… melhor ainda.Sophia Eu nunca imaginei que o dia em que minha filha nascesse seria tão caótico e tão lindo ao mesmo tempo. A dor começou de madrugada fraca e chata. Mas ao amanhecer ficou forte, constante, como se meu corpo estivesse sendo aberto por dentro. Rick estava deitado ao meu lado, acordou no mesmo instante em que eu soltei um gemido baixo. Ele se sentou na cama imediatamente, já com a mão na minha barriga. — Soph… é hora? Assenti, apertando os dentes. Ele não entrou em pânico como eu esperava. Pelo contrário. Rick ficou calmo, prático, me ajudando a sentar, pegando a bolsa que já estava pronta há semanas, me ajudando a vestir uma roupa confortável. Enquanto eu respirava fundo entre as contrações, ele pegou o celular e ligou para Alex. — Alex. É agora. Vem pra casa. Agora! Alex chegou em menos de quinze minutos, dirigindo como um louco. Quando ele entrou no quarto, o rosto estava branco. Ele parecia prestes a desmaiar. Sentou na beira da cama, pegou minha mão e começou a falar sem pa
Sophia Eu estava grávida.A palavra ainda soava surreal quando eu dizia em voz alta, mas o teste positivo, o exame de sangue e a primeira ultrassonografia confirmaram: havia um coraçãozinho batendo dentro de mim. Um pedacinho nosso. Dos três.A alegria era imensa. Eu me sentia radiante, leve, como se o mundo tivesse ganhado cores mais vivas. Mas também havia preocupação, uma preocupação doce, protetora, misturada com o medo natural de trazer uma criança para um relacionamento que o mundo ainda não entendia completamente.Alex e Rick reagiram de formas opostas, mas igualmente intensas.Alex ficou em choque por quase dez minutos, depois me abraçou tão forte que eu ri e perdi ar. Rick, por sua vez, ficou em silêncio, olhos marejados, e depois me beijou como se eu fosse a coisa mais frágil e preciosa do universo.Agora, três semanas depois, estávamos os três na primeira consulta pré-natal.A sala da Dra. Helena era acolhedora, com paredes claras e imagens de bebês. Eu estava sentada na m
RickTrês meses depois do nosso primeiro aniversário juntos, a casa já não parecia mais “nova”. Os três anéis estavam gastos o suficiente para parecerem parte de nós. A rotina tinha se estabilizado: café da manhã com os três, mensagens durante o dia, jantares quando conseguíamos, e noites que quase sempre terminavam com nossos corpos entrelaçados, às vezes com calma, às vezes com aquela fome bruta que nunca diminuía.Mas havia um assunto que nós três evitávamos como se fosse uma bomba.Filhos.Eu estava na cozinha, preparando o café da manhã de domingo, quando o tema finalmente explodiu.Sophia desceu as escadas com o teste de gravidez na mão. Não era positivo. Era só um teste que ela havia comprado por impulso na farmácia e feito escondido. Ela parou na porta da cozinha, olhos vermelhos, e colocou o stick sobre a ilha.— Eu fiz isso ontem à noite. — disse ela, voz baixa. — Não estou grávida. Mas… eu queria estar. E isso me assustou.Alex, que estava lendo o jornal no tablet, levantou
RickUm ano depois.Doze meses de risadas, brigas, reconciliações, noites selvagens e manhãs preguiçosas. Doze meses aprendendo a ser três sem destruir o que já existia entre dois. Doze meses de crescimento e, confesso, de muito medo também.Eu estava na varanda da nossa nova casa (uma casa maior, com piscina aquecida e um quarto feito especialmente para nós três), olhando o pôr do sol sobre o jardim. O anel no meu dedo refletia a luz alaranjada. Ouro branco, discreto, com as letras A, S e R delicadamente gravadas. Sophia e Alex usavam o mesmo. Era nosso símbolo. Nossa promessa silenciosa.Ouvi passos atrás de mim. Sophia apareceu, descalça, vestindo apenas uma camisa larga de Alex que mal cobria suas coxas. Ela se encostou ao meu lado no parapeito, ombro tocando o meu.— Pensando em quê?— perguntou baixinho.— Em como chegamos aqui. — respondi, sorrindo de lado. — E em como ainda tenho medo de acordar e descobrir que foi só um sonho bom demais pra ser verdade.Ela riu suavemente e en
AlexO sol da tarde entrava generoso pelo quintal da nossa casa, iluminando a churrasqueira onde Rick, sem camisa, virava os cortes de carne com a precisão de quem já tinha feito aquilo muitas vezes. O cheiro de carne na brasa misturava-se ao perfume das flores que Sophia havia plantado semanas antes. Era um domingo perfeito, daqueles que parecem feitos sob medida para celebrar o que tínhamos construído.A mesa longa estava posta com saladas coloridas, pães frescos, cervejas geladas e refrigerantes. Ao redor dela, nossas famílias e amigos mais próximos conversavam animadamente.Meus irmãos estavam sentados perto da churrasqueira, cerveja na mão, observando Rick com um misto de admiração e brincadeira.— Porra, Rick. — disse o mais novo, rindo. — Se eu fosse gay, eu me apaixonaria por um homem desse. Olha esse corpo, mano. Até eu tô questionando minhas escolhas.Meu outro irmão deu uma gargalhada, batendo no ombro dele.— Eu também. Sério, Alex, como você conseguiu segurar esse cara? E
AlexA volta para a cidade trouxe os conflitos que eu já esperava.A obra da The Eclipse 2 estava oficialmente encerrada. Marcamos uma reunião final com os principais parceiros para assinar os últimos documentos. Rick participou como sócio majoritário, sentado do outro lado da mesa, terno preto impecável, expressão profissional. Nós dois fomos extremamente corretos, olhares neutros, vozes técnicas, nada que entregasse o que realmente existia entre nós, mesmo que muito ali já soubessem.A reunião corria dentro do esperado até que um dos parceiros mais antigos, o Sr. Lombardi, um homem de uns 60 anos com opiniões tão antigas quanto ele, soltou uma piada baixa enquanto guardava os papéis:— Ouvi dizer que o Alex agora é gay… deve ser moda nova. Daqui a pouco vão dizer que engenheiro também pode virar bailarina.Ele riu sozinho, achando que tinha sido discreto.Mas eu ouvi e Rick também ouviu.Senti o olhar de Rick cravar em mim como uma lâmina, sangue nos olhos, maxilar travado, corpo in







