Mag-log inMatteoA discussão com meu irmão no saguão do Grand Luxury Hotel ainda queimava na minha garganta. O clima com Luca tinha sido péssimo, como vinha sendo nos últimos meses. A bomba na empresa da nossa família estava prestes a explodir, e a única coisa que eu queria às duas e meia da manhã era chegar em casa, servir uma dose de uísque e desligar a minha mente por algumas horas.Despedi-me de Luca de forma rápida, cansado daquela rodada sem fim de acusações e estratégias, e caminhei até a calçada para esperar o táxi que eu havia acabado de chamar pelo aplicativo. O ar frio da madrugada parecia a única coisa capaz de esfriar a minha cabeça.Foi então que eu a vi.A figura de cabelos pretos e liso impecável passou por mim como um furacão de determinação e pressa. Vestia um vestido justo que parecia feito sob medida para ela, e trazia no olhar uma mistura perigosa de pânico e desafio. Antes que o motorista que eu chamei pudesse encostar completamente, ela se jogou para dentro do banco de tr
Anna O ar frio da noite me atingiu como um choque elétrico no momento em que atravessei as portas de vidro do Grand Luxury Hotel. Eram duas e meia da manhã. A rua estava deserta, mergulhada em um silêncio sepulcral que só era interrompido pelo vento uivando entre os prédios altos e a iluminação amarelada dos postes refletindo no asfalto molhado. Caminhei a passos rápidos, os saltos altos estalando contra o chão. Meu corpo inteiro ainda tremia com a descarga de adrenalina do encontro com Mário. O cheiro do uísque dele parecia impregnado na minha pele e o eco da sua ameaça velada sobre Carina ressoava na minha mente como um tambor. Precisei pegar o celular na bolsa para chamar um carro por aplicativo e sumir dali o mais rápido possível. Quando a tela acendeu, meu coração afundou: 5% de bateria. — Não, não, não... — murmurei em desespero, tentando abrir o aplicativo antes que o aparelho apagasse de vez. Mas a tela ficou preta nos meus dedos. Fiquei parada na calçada fria, sozinha, ve
AnnaO chão pareceu sumir sob os meus saltos. A frase dele flutuou no ar entre nós como uma lâmina afiada, cortando instantaneamente toda a armadura de confiança que eu havia levado minutos para construir.“A minha companhia de hoje deveria ser loira.”Fiquei completamente sem reação. O sangue fugiu do meu rosto, e a minha garganta secou de tal forma que o ar mal conseguia passar. O homem à minha frente não era apenas um magnata arrogante que podia ser facilmente seduzido por um decote e um olhar provocante. Ele estava dez passos à minha frente.— Então... você sabia que não era a garota certa? — perguntei, a voz falhando ligeiramente antes de eu conseguir forçar a firmeza de volta.— Desde que você entrou — Mário respondeu sem hesitar. Seu tom era tão sereno que chegava a ser perturbador. Ele deu um gole calmo no uísque, apreciando o meu choque.Um arrepio gelado percorreu minha espinha. A sensação de poder que me sustentava até aquele segundo evaporou, dando lugar a uma vulnerabilid
AnnaParada diante das portas de vidro espelhado do Grand Luxury Hotel, o ar frio da noite parecia cortar minha pele. Eu ainda podia desistir. Olhei para o meu próprio reflexo no vidro escuro — o vestido ajustado, a maquiagem impecável, os cabelos pretos caindo lisos sobre os ombros. Apenas alguns passos me separavam da minha vida comum e daquele abismo arriscado.Se eu virasse as costas agora, voltaria para o meu apartamento silencioso, choraria a morte da minha mãe em paz e procuraria uma maneira menos perigosa, menos sórdida, de fazer justiça.Mas então, a imagem do leito de hospital veio à minha mente. O rosto cansado de Helena, as marcas das injustiças que ela suportou em silêncio por anos enquanto Lúcia desfrutava de um luxo roubado. A dor do luto se transformou, mais uma vez, no combustível gelado que guiava meus passos.Não haveria recuo.Empurrei a porta de vidro e entrei no saguão monumental. O cheiro de perfume caro e mármore polido preenchia o ambiente. Caminhei com passos
AnnaOs dias que se seguiram à morte da minha mãe passaram em um borrão cinzento. A rotina tentava me empurrar de volta à normalidade, mas dentro de mim a dor do luto já não era mais uma ferida aberta — fora congelada e moldada pela sede de justiça.Passei cada noite em claro diante da tela do meu notebook. Investiguei a vida de Mário com uma precisão quase cirúrgica. Descobri que ele era um empresário influente, dono de um império de investimentos e frequentador assíduo das rodas mais fechadas da elite. Era o homem que sustentava toda a vida de ostentação que Lúcia exibia nas redes sociais. Sem Mário e sem a sua fortuna, a minha ex-madrasta não passava de um fantasma ganancioso e insignificante.Eu precisava chegar até ele. Só não sabia, ainda, como cruzar essa ponte.A resposta veio em um evento corporativo de alto padrão no centro da cidade, uma semana depois. Voltei ao trabalho de modelo por pura necessidade e, principalmente, para me manter em movimento. O salão do hotel de luxo
Anna Fechei a porta do apartamento atrás de mim e encarei o corredor escuro. O ar lá fora parecia pesado demais para respirar, mas nada no mundo se comparava ao peso de caminhar até a capela do cemitério. Era o dia do velório do meu bem mais precioso. Diante do caixão, minha visão ficou turva, embaçada pelas lágrimas que não cessavam. Ali estava o corpo sem vida da mulher que dedicou cada segundo da sua existência para garantir que eu tivesse um futuro. A pessoa que me ensinou a caminhar, que moldou a mulher firme que me tornei e que sempre me lembrou de que, enquanto estivéssemos juntas, nada nos derrubaria. E agora, eu estava dolorosamente sozinha. Debruçada sobre a madeira fria, chorei até sentir o peito queimar, segurando as mãos inertes da minha mãe como se pudesse trazê-la de volta. — Anna... vem cá, meu amor — a voz suave de Emma cortou a minha angústia. Minha prima me abraçou por trás, envolvendo seus braços firmes ao meu redor e me sustentando no momento exato em que minha







