INICIAR SESIÓN
Na sala da universidade está o homem que me abandonou no altar.
Olho para ele em meio ao ambiente acadêmico lotado, distraindo-me entre a explicação do professor e o rosto conhecido de Leonard, que ainda me causa pesadelos. Minhas mãos tremem e eu não sei o que estou sentindo ao vê-lo outra vez, após tanto tempo. Leonard está com os olhos atentos ao quadro-negro. Ele ainda não percebeu que estou aqui, a poucos metros, fazendo o mesmo curso que ele e frequentando a mesma universidade pelos próximos semestres.
Quando me disseram que haveria um aluno novo em nossa turma, eu nunca imaginei que seria ele.
Três meses antes, eu havia sido deixada no altar pelo homem que dizia me amar. Ele não teve a decência de encarar meus olhos feridos, fugindo para qualquer lugar onde eu não pudesse encontrá-lo. Por três meses eu o procurei incansavelmente, querendo uma explicação, um consolo, um alívio, e agora aqui estava ele, na mesma turma que eu, sorrindo, como se não tivesse partido o meu coração em mil pedaços.
O sino ecoa pelos corredores da universidade, o silêncio se desfaz e as vozes se misturam entre risadas e passos apressados, mas meus olhos continuam fixados nele. Quero ir até onde ele está e exigir uma explicação, mas meus pés travam na mesma velocidade em que o ar escapa dos meus pulmões.
A sensação de morte invade meu corpo quando uma mão segura meu ombro e uma voz familiar me traz de volta à vida.
— Roberta! — Olho para Vivian com a visão completamente embaçada. — Eu tenho alguém muito importante para apresentar hoje, lembra que falei sobre o meu namorado…
Meus olhos se desviaram para Leonard outra vez. Ele continuava distraído, olhando para todos os lados, menos para mim, como se eu nunca tivesse existido para ele. As mãos de Vivian voltaram a me agarrar, com mais força dessa vez, tentando me arrastar para onde ele estava.
Eu não queria conhecer o noivo de Vivian, quem quer que fosse ele, ainda mais se o garoto estivesse próximo de onde Leonard estava. Eu retraí o corpo e tentei chamar a atenção dela de volta para mim. Eu e Vivian nos tornamos amigas depois que fui abandonada por Leonard no altar; sendo assim, ninguém sabia do meu segredo e eu o mantive seguro até aquele momento.
— Espere, o que está fazendo? — Tento impedi-la, mas estou falando tão baixo que sei que ela mal pode me ouvir.
Fecho os olhos com força, minhas bochechas esquentando, meu braço queimando ao toque de Vivian enquanto ela me puxa para mais perto de Leonard. Quando abro os olhos, estou em frente a ele. O sorriso que ele tinha nos lábios minutos antes se desfaz quando os olhos dele finalmente me alcançam.
— Quero apresentar o meu namorado — Vivian disse, o tom melódico e orgulhoso enquanto seus dedos deslizavam, possessivos, pelo ombro da camiseta branca dele. — Esse é o Leonard. Estamos tão apaixonados que não aguentamos esperar… Amanhã é a festa do nosso noivado.
Noivado? Amanhã?
Todo o fluxo sanguíneo do meu rosto desaparece. Eu sentia minhas bochechas se tornando duras e geladas tão depressa quanto se torna o rosto de Leonard. Ele havia me abandonado no altar há três meses, mas Vivian dizia estar namorando e apaixonada há pelo menos sete meses.
Foi para ficar com ela que ele me deixou no altar? O mundo gira lentamente quando as pontas soltas do meu dilema amoroso começam a fazer sentido e a se unirem uma à outra. Eu deveria esbofeteá-lo ali mesmo, mas fecho meus punhos com uma velocidade incomum assim que a ideia cruza meus pensamentos.
— Leonard, essa é a Roberta, a minha amiga — Vivian continuou falando como se aquele encontro fosse a coisa mais espetacular que pudesse acontecer naquele dia.
A única coisa que se moveu em Leonard foi o olhar, que ele fez questão de manter bem longe do meu. Durante meses, eu busquei uma explicação para o sumiço repentino de Leonard. Mas a vida era tão irônica que o trouxe para a mesma universidade que eu. Ele pensou que eu nunca descobriria seu segredo sujo?
— Vocês vão noivar? — Arregalei os olhos e fiz minha melhor expressão de surpresa. — Há quanto tempo vocês estão namorando, Vivian?
— Há sete meses. Como pode esquecer isso? — Ela sorriu e eu me forcei a fazer o mesmo.
Vivian abriu a bolsa e tirou um envelope, entregando-o a mi. Nesse momento, eu deveria abrir meus lábios e contar toda a verdade. Contar que o homem com quem Vivian estava prestes a se casar era um traidor, que havia me abandonado no altar para ficar com ela, mas esse fato era tão vergonhoso para mim, que eu não conseguiria dizer uma palavra sequer.
— Esse é o convite do meu noivado — ela o entregou a mim.
Quando Vivian estendeu o envelope, Leonard interveio. Sua voz, a mesma que sussurrava promessas no meu ouvido, agora era fria e cortante.
— Acho que a Roberta não pode ir — disse ele, sem me olhar. — Não quero tantos estranhos na nossa festa.
Aquilo foi o limite. Ele queria me apagar? Me transformar em uma “estranha” na história que ele mesmo destruiu? Agarrei o envelope com tanta força que o papel quase rasgou.
— Irei à sua festa, Vivian — eu disse, cortando suas intenções. Forçando um sorriso simpático que parecia uma careta. A mentira saiu antes que eu pudesse contê-la.
O sorriso de Leonard vacilou.
— Irei acompanhada. Com o meu namorado rico.
Ela riu alto, o som ecoando no corredor.
— Rico? Namorado? Como você nunca me contou isso?
— Ele é um empresário muito importante em Nova Iorque. Herdeiro de uma grande fortuna — continuei a mentir, sentindo meu estômago revirar. Eu precisava que Leonard sentisse um mínimo de dúvida.
— Jura? — As linhas do rosto de Leonard se desenharam em pura incredulidade enquanto Vivian dizia: — Estou ansiosa para conhecê-lo.
Por um momento, Leonard ficou parado, congelado na minha frente. Ele estava tentando assimilar a ideia de que eu poderia ter algo de valor. Depois, Vivian girou os pés e foi embora ao lado dele, levando a notícia para o campus.
Eu sabia. No segundo seguinte, a universidade estaria inteira falando sobre o meu “namorado rico”. Seria pior se estivessem falando sobre a traição de Leonard.
Eu precisava fazer a mentira se tornar real. O noivado de Vivian e Leonard tinha data marcada, e eu não tinha um homem sequer para comprovar minha mentira.
Aquele desespero me obrigava a uma solução radical: conseguir um namorado falso o mais rápido possível.
Um aperto envolveu minha garganta e eu parei de falar. Eu sempre dava voltas no assunto para fugir dela e sempre voltava para o mesmo lugar. Caminhei, dando a volta por ele, e segurei na cadeira de rodas; mesmo sabendo que meu avô não precisava da minha ajuda, eu o empurrei até o elevador da mansão e entrei com ele, indo até o segundo andar. Acompanhei-o até o seu quarto e o ajudei a se deitar.— Quando sua avó morreu, eu achei que o mundo havia acabado para mim — fiquei tenso ao ouvi-lo dizer aquilo —, eu não me casei outra vez porque já estava velho demais para outro relacionamento, mas você ainda é jovem. Não poderia ficar sozinho por muito tempo, sendo herdeiro da minha fortuna e tendo uma empresa para governar. Um homem de sucesso precisa ter uma mulher ao seu lado.Eu não conseguia dizer nada. Eu não podia; apenas me sentei na cadeira ao lado da sua cama e o ouvi dizer:— Eu sofri muito quando a Amanda morreu, eu a considerava como minha neta — os olhos dele encheram-se de lágri
POV MiguelUm traço de surpresa passou pelo meu rosto. Arnald estava tranquilo de uma forma que eu jamais havia visto antes. Despedi-me de Gregory ainda no hospital, afinal ele tinha seus próprios problemas para resolver, mas combinamos de almoçar juntos. Ele não desistirá até finalmente encontrar Roberta outra vez.Dirigi sozinho em direção à casa de Arnald enquanto ele seguia com o seu motorista.Quando o encontrei na casa, ele estava cercado de empregados. Meu pai e minha mãe insistiam para que ele descansasse, mas, conhecendo-o bem, sabia que Arnald só os deixaria em paz em sua cama quando finalmente resolvesse os problemas que envolviam a Enterprise Carrascal.— Eu posso resolver os problemas da empresa sozinho. Foi para isso que o senhor me colocou no cargo de CEO.— Eu quero que você esteja ciente do envolvimento da Carol nos boatos que acontecem na internet — as palavras dele me fizeram parar tudo o que eu estava pensando sobre o assunto —, quando ela soube que você havia se c
POV Miguel— Você realmente se casou com a Roberta? — A pergunta dele se misturou com o vento gelado que entrava pela janela do carro em movimento. — Qual era a chance disso dar certo? Dois meses depois que a Amanda morreu?— Que ironia você dizer isso para mim, Gregory — eu sorri. — Devo lembrar que foi você quem me incentivou a fingir ser o namorado da Roberta?— Fingir ser o namorado dela sem que ninguém soubesse era uma ótima ideia — ele voltou os olhos para a estrada —, mas um casamento relâmpago realmente foi um passo precipitado. A Roberta está realmente grávida?Meus pés pisaram no freio, fazendo o carro quase bater no carro que vinha atrás. Gregory me olhou assustado, enquanto eu sentia meu coração disparar descontroladamente.— Como o meu melhor amigo pode pensar isso de mim? — Eu olhei nos olhos dele, pisei no acelerador, dando movimento ao carro outra vez. — O casamento foi às pressas, mas continua sendo um casamento de mentira. Eu nunca toquei na Roberta e não pretendo co
POV MiguelEu adiei o inevitável o máximo que pude. Olhei as horas e cancelei o almoço que teria com a Roberta naquele dia. Os boatos sobre o meu relacionamento com ela já rondavam as redes sociais desde o jantar beneficente, mas eu nunca me importei de fato com eles.Agora as notícias sobre o meu casamento realizado às pressas e escondido ganharam uma proporção que eu não podia controlar.Não se falava em outra coisa se não fosse sobre mim e sobre a Roberta.Eu deveria ter evitado ler os comentários; ser envenenado pela opinião de pessoas que eu nem sequer conhecia, enquanto sentia meus órgãos definhar lentamente, comprovou-me que havia sido uma péssima ideia.Havia uma corda invisível apertando o meu pescoço, obrigando-me a me manter longe da Roberta. Como eu apareceria com ela em público enquanto as pessoas diziam que ela estava supostamente grávida de mim e que essa gravidez surgiu ainda com a Amanda viva? Que eu era um traidor, que não respeitei minha mulher nem depois de morta.
POV RobertaAs pessoas que foram convidadas ao nosso casamento foram indo embora lentamente. Os empregados recolhiam as taças, limpavam a pouca sujeira que ficou para trás enquanto eu ouvia a voz do Miguel no hall de entrada se despedindo de Xavier.Ele realmente parecia feliz por ter se casado comigo, e isso me assustava.Levantei o olhar e me deparei com ele entrando na sala onde eu estava. Meu sangue gelou imediatamente porque eu não fazia ideia do que aconteceria agora. Estar casada com o Miguel deveria me obrigar a agir diferente? Como eu deveria me comportar?Ele caminhou na minha direção, parando a poucos centímetros de mim.— Fiz uma reserva em um restaurante calmo da cidade — eu desviei o olhar, meu corpo tremendo. — Eu preciso resolver alguns assuntos no escritório. Nos vemos às doze.Eu apenas balancei a cabeça confirmando. Nesse momento, ouvi uma notificação no celular dele. Desviei o olhar para as suas mãos segurando o aparelho, depois olhei para o rosto dele. Uma ruga de
POV MiguelÉramos marido e mulher finalmente. Nosso casamento deveria ser puramente contratual; eu não deveria estar com a Roberta em meus braços, beijando-a como se estivesse feliz com essa união, mas foi irresistível. A maneira como ela evitou olhar em meus olhos durante toda a cerimônia, suas palavras confrontando a decisão de Arnald, sua determinação em provar que estava inconformada com aquele casamento, tudo isso despertou uma faísca e se alastrou dentro do meu peito, incendiando tudo.Eu sentia o corpo dela tremendo, eu podia imaginar sua mente dizendo para fugir. Quando me afastei, Roberta finalmente olhou em meus olhos. Ela parecia assustada, sem forças, e eu pensei que ela estava pronta para se entregar completamente.Ela se afastou pela segunda vez.Eu não precisava fingir na frente daquelas pessoas que o nosso casamento era real, mas eu a beijei porque meu corpo implorou por uma aproximação, como se eu não pudesse mais viver sem a presença dela.De alguma forma, eu tinha u







