Home / Romance / Nas Garras do Alfa Renegado (Português) / Capítulo 7: O Gosto Amargo da Espera

Share

Capítulo 7: O Gosto Amargo da Espera

Author: Yanca Borges
last update publish date: 2026-05-02 17:47:42

​O jantar finalmente chegou ao fim, mas a sensação de sufocamento só piorou. O som dos talheres batendo no cristal parecia o tique-taque de uma bomba relógio. Enquanto os convidados começavam a se dispersar, desfilando suas falsas promessas de lealdade e apertos de mão corporativos, eu sentia o olhar de Caleb como uma queimadura química na minha pele.

​Eu estava exausta. A máscara de "noiva radiante" pesava mais que as joias de esmeralda no meu pescoço. Meu pai e minha mãe estavam na entrada principal, distribuindo sorrisos e apertos de mão, agindo como se tivessem acabado de salvar a espécie, quando na verdade só tinham assinado o meu atestado de óbito social.

​Aproveitei um momento de distração de Silas e tentei escapar pelo corredor lateral que levava à biblioteca. Eu só precisava de cinco minutos sem o cheiro de testosterona e mentiras.

​Mas Caleb era um rastreador.

​Eu não estava nem na metade do corredor, em um recuo escurecido perto de uma das colunas de mármore, quando senti o ar ser arrancado dos meus pulmões. Uma mão pesada agarrou meu ombro e me girou com uma violência bruta, me prensando contra a parede fria.

​— Pensou que ia se livrar de mim sem um "boa noite" adequado, Jade? — Caleb rosnou.

​Ele colou o corpo no meu com uma força que fez minha cabeça bater levemente na pedra. Não havia espaço. Nem para respirar, nem para pensar. O calor que emanava dele era agressivo, sufocante. Antes que eu pudesse protestar, ele cravou as mãos nas minhas coxas, subindo pela fenda do vestido verde até apertar a carne com força suficiente para deixar marcas roxas amanhã.

​— Você me provocou a noite inteira — ele sibilou contra o meu pescoço, a voz carregada de uma luxúria sombria e possessiva. — Aquele vestidinho, aquele sorriso... Você acha que é engraçado brincar com o apetite de um Alfa?

​— Me solta, Caleb. Você está bêbado de poder e uísque — tentei empurrá-lo, mas era como tentar mover uma montanha de músculos e má intenção.

​Ele soltou uma risada baixa e perversa, e então se pressionou ainda mais contra mim. Eu senti. A ereção dele era rígida, um volume invasivo e impiedoso que ele esfregou deliberadamente contra o meu ventre, usando o peso do próprio corpo para me manter imobilizada. O contraste entre a seda fina do meu vestido e a brutalidade do corpo dele era nojento.

​— Sente isso? — ele perguntou, a respiração quente e fétida atingindo minha orelha. — Isso é o que você desperta. E eu juro pela minha linhagem que a única razão de eu não te jogar nesse chão e te marcar agora mesmo, na frente de todo mundo, é porque eu tenho uma imagem a manter. Por enquanto.

​Ele soltou uma das minhas coxas para levar a mão ao meu seio, apertando-o com uma posse grosseira, sem um pingo de ternura. Eu fechei os olhos, sentindo uma onda de ódio tão pura que meu lobo interior pareceu finalmente despertar do coma, rosnando nas profundezas da minha mente.

​— Mas não perde por esperar, Jade — ele continuou, a voz descendo para um tom de promessa sombria. — Depois que o papel estiver assinado e as portas do meu quarto trancadas, eu vou tirar essa sua arrogância na base do grito. Eu vou te quebrar até você não conseguir nem lembrar o próprio nome, só o meu. Você vai ser a Luna mais submissa que essa região já viu.

​— Você nunca vai ter a minha alma, Caleb — cuspi as palavras, encarando-o com todo o desprezo que eu conseguia reunir. — Você só está comprando um corpo vazio.

​— Eu não dou a mínima para a sua alma — ele rebateu com um sorriso cruel. — Eu só quero o que está entre as suas pernas e o poder que o seu sangue me dá.

​Antes que eu pudesse reagir, ele segurou minha nuca com força, os dedos cravados no meu couro cabeludo, e esmagou a boca na minha. Não era um beijo. Era uma invasão. Ele forçou a língua, o gosto de álcool e possessão me dando náuseas imediatas. Eu mordi o lábio dele com força, sentindo o gosto metálico de sangue, mas ele nem recuou. Ele apenas grunhiu e apertou meu corpo contra a parede com mais força, como se quisesse me fundir à pedra.

​Quando ele finalmente se afastou, ele limpou o sangue do lábio com o polegar, olhando para mim com um brilho sádico de triunfo.

​— Guarde esse fogo para a lua de mel, querida. Você vai precisar dele.

​Ele se afastou, ajeitando o terno impecável como se nada tivesse acontecido. Caminhou de volta para o salão principal com a mesma arrogância de sempre, deixando-me ali, trêmula de fúria e nojo, encostada na parede fria.

​Eu me sentia suja. Sentia como se o toque dele tivesse deixado uma crosta de lodo sobre a minha pele esmeralda. Limpei minha boca com as costas da mão, sentindo o coração martelar contra as costelas.

​— Eu vou te matar — sussurrei para o corredor vazio. — Eu juro que vou ver você sangrar.

​Saí do canto escuro e caminhei em direção à varanda lateral, precisando desesperadamente de ar puro. Meus pulmões ardiam. Eu precisava de algo que não fosse o cheiro de Caleb.

​O ar da noite me atingiu, frio e cortante. Apoiei as mãos no parapeito, olhando para a floresta. O silêncio lá fora era absoluto, mas eu sabia que a paz era uma ilusão.

​E foi então que eu senti.

​Não era apenas o cheiro de sândalo e tempestade. Era uma vibração no ar, uma pressão estática que fazia meus pelos se arrepiarem de uma forma completamente diferente. Dominic não estava mais apenas assistindo.

​Ele estava perto. Muito perto.

​O rosnado que veio da escuridão não foi baixo. Foi um som gutural, carregado de uma fúria ancestral que fez as janelas de vidro da mansão vibrarem levemente. Eu olhei para a linha das árvores e vi um par de olhos cinzas que brilhavam como metal derretido.

​Dominic tinha visto. Ele tinha sentido cada segundo da investida de Caleb através do nosso laço. E, pela primeira vez, eu vi o reflexo da lua nas garras dele, que estavam cravadas no tronco de um carvalho, estraçalhando a madeira como se fosse papel.

​— Se você sentiu isso — eu disse baixo, olhando diretamente para onde ele estava escondido —, então sabe que eu não aguento mais nem um segundo nessa casa.

​O vento soprou mais forte, trazendo o cheiro dele para dentro dos meus pulmões, limpando o rastro de Caleb. Dominic deu um passo para fora das sombras profundas, a luz da lua atingindo seu rosto marcado e as mandíbulas travadas. Ele parecia um deus da guerra prestes a declarar o apocalipse.

​Ele não disse uma palavra, mas o jeito que ele olhou para o meu lábio inchado e para a marca de dedos no meu braço foi o suficiente. Ele não ia esperar pelo casamento. Ele não ia esperar pelo contrato.

​A contagem regressiva para o massacre de Caleb tinha acabado de chegar a zero. E, pela primeira vez naquela noite de horrores, eu me senti segura sob o olhar de um monstro.

​— Leve-me embora — pedi em pensamento, fechando os olhos. — Leve-me e queime este lugar até o chão.

​O silêncio que se seguiu foi o prelúdio do caos.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Nas Garras do Alfa Renegado (Português)   Capítulo 49: Noites de Sangue e Prata

    ​O Santuário silenciou por volta das três da manhã, mas era uma calmaria falsa, densa como o ar antes de um bombardeio. Nos perímetros externos, a equipe de Williams trabalhava na instalação dos novos sensores que Jade havia planejado. A central de energia do subsolo operava com metade das luzes apagadas para poupar geradores. Era o cenário perfeito. A distração que Kael precisava estava montada. ​Kael moveu-se pelas sombras dos corredores da ala médica com a precisão de um fantasma. Ele usava luvas de couro tático e trazia, escondida no bolso interno de sua jaqueta, a seringa carregada com o extrato azul-escuro de acônito e prata líquida. Seus batedores leais haviam sabotado temporariamente a frequência dos rádios de segurança daquela ala, garantindo que nenhum aviso chegasse a Williams. ​Ele empurrou a porta da UTI subterrânea. O clique foi quase imperceptível. A penumbra azulada das telas dos monitores desenhava silhuetas fantasmagóricas nas paredes de concreto. No leito, a figur

  • Nas Garras do Alfa Renegado (Português)   Capítulo 48: O Desabafo no Escuro

    ​O som do tecido verde-esmeralda do vestido de Jade arrastando pelo chão de concreto da ala médica era o único ruído que quebrava o silêncio pesado do subsolo. Ela havia saído da Sala do Conselho caminhando como uma rainha, mantendo a espinha ereta e o queixo erguido até que a última porta pesada se fechasse atrás de si. Mas agora, no isolamento do corredor que levava à UTI de Dominic, ela se permitiu soltar o ar que parecia preso em seus pulmões há horas. ​Jade empurrou a porta do quarto médico com cuidado. O ambiente estava imerso em uma penumbra azulada, iluminado apenas pelas telas digitais dos monitores e pelo foco suave de uma luminária de canto. O cheiro ali era uma mistura de antisséptico com o aroma natural e amadeirado de Dominic — um cheiro que agora estava muito mais forte, denso e vivo. ​Ela se aproximou do leito lentamente, as botas de combate fazendo um som abafado. Dominic estava deitado, o lençol cirúrgico cobrindo-o até o peito. A respiração dele era lenta, compass

  • Nas Garras do Alfa Renegado (Português)   Capítulo 47: O Romper das Correntes

    ​No núcleo mais profundo do Exílio, a escuridão não era mais um oceano estável; era um campo de batalha prestes a colapsar. Dominic estava agachado sobre a cinza estéril, os músculos da sua forma astral tensionados como molas de aço prontas para o disparo. ​Lá no alto, o elo de companheirismo não pulsava mais como uma estrela distante. A marca de Jade havia se transformado em um sol de alta voltagem. A vitória política dela na Sala do Conselho, a submissão dos anciãos e a pura convicção que agora corria em suas veias haviam injetado uma quantidade massiva de energia no vínculo espiritual deles. O brilho violeta e prata era tão violento que rasgava as sombras, iluminando cada canto daquele deserto mental com a intensidade de um raio contínuo. ​A barreira invisível de mercúrio e prata, que antes o prendia no fundo do coma, começou a estalar. Rachaduras de luz pura cortaram a superfície do bloqueio. ​— É agora, Jade — Dominic rosnou, os olhos Alfas brilhando em um vermelho carmesim ab

  • Nas Garras do Alfa Renegado (Português)   Capítulo 46: O Veneno da Rejeição

    ​O som das portas duplas de carvalho se fechando às suas costas pareceu o estalo de um chicote na cara de Kael. Ele estava parado no corredor de pedra, o peito arfando, os punhos cerrados com tanta força que suas unhas cortavam a palma das mãos. O ar nos pulmões parecia puro ácido. ​Humilhado. Ele, que havia planejado cada passo, que havia passado noites em claro costurando alianças com os batedores mais antigos e alimentando a dúvida na mente dos anciãos, tinha sido encurralado e escorraçado. E não por Williams. Não por um exército. Mas por ela. ​— Desgraçada... — Kael sibilou, a voz saindo como um rosnado animal baixo que fez os dois guardas no corredor se encolherem, dando um passo para trás. ​Ele começou a caminhar em direção à ala leste, a parte mais isolada do bunker subterrâneo. Seus passos não eram mais os de um comandante confiante; eram os de um predador ferido, manco de orgulho, mas dez vezes mais letal. A raiva que subia por seu pescoço era uma onda de calor sufocante.

  • Nas Garras do Alfa Renegado (Português)   Capítulo 45: A Nova Ordem

    ​O silêncio que se instalou na Sala do Conselho após a saída humilhante de Kael não era apenas de espanto; era o silêncio da rendição. Jade permaneceu de pé no centro do anfiteatro de pedra, sua postura impecável sob o tecido verde-esmeralda que parecia brilhar sob a luz das tochas.​Ela não se apressou em falar. Em vez disso, usou o silêncio a seu favor. Lentamente, ela virou o rosto e deixou que seu olhar — frio, focado e carregado com a autoridade que o elo com Dominic lhe conferia — varresse cada pessoa presente na sala. Desde os anciãos que há poucos minutos cogitavam assinar sua sentença de exílio até os guardas que antes mantinham os braços cruzados em sinal de desdém.​Um por um, sem exceção, todos os homens e mulheres ali presentes baixaram a cabeça.​Não havia espaço para o machismo ou para o preconceito contra a sua origem. Naquele momento, eles não viam uma "humana frágil". Viam a loba que herdara a presença de comando do Alfa mais implacável que o Santuário já conhecera.

  • Nas Garras do Alfa Renegado (Português)   Capítulo 44: O Jogo do Trono

    ​O corredor que levava à Sala do Conselho era longo, de pedra fria e carregado com o peso de séculos de tradição. Kael caminhava com passos firmes, o som de suas botas ecoando como tiros contra o silêncio do bunker. Ele não estava nervoso. Pelo contrário, sentia uma adrenalina limpa, o tipo de energia que só surge quando você sabe que o destino está exatamente onde você o colocou.​Ele arrumou o colarinho de sua jaqueta militar. O Santuário lá fora parecia calmo, mas era a calma de uma matilha sem cabeça, esperando por um comando que nunca viria. Dominic tinha morrido há muito tempo, e a ideia de que um Alfa pudesse ser resgatado por uma humana frágil não passava de uma fábula que Mara contava para manter a esperança viva. Kael, por outro lado, vivia na realidade. E na realidade, o mais forte governava.​Ele parou diante das portas duplas de carvalho maciço. Dois guardas leais a ele estavam de prontidão.​— Eles estão esperando? — Kael perguntou, a voz baixa.​— Estão, Kael. Estão imp

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status