FAZER LOGINCapítulo 175 Perto de uma das colunas destruídas do salão principal, o ar cheirava a poeira de gesso, pólvora e ao metálico quente do sangue recém-derramado. A batalha se desenrolava em uma velocidade avassaladora, onde a menor hesitação significava a morte. No meio do caos, Lisi e Kili lutavam lado a lado, transformadas em uma barreira de presas e garras que recusava ceder um único centímetro.Lisi era pura velocidade e agressividade. Seus movimentos eram quase impossíveis de acompanhar a olho nu: ela avançava, desferia mordidas certeiras na garganta dos atacantes e recuava com um salto lateral antes que as patadas dos invasores pudessem alcançá-la. A pelagem da loba estava manchada de vermelho, mas não havia dor ou cansaço em sua postura. Havia apenas a fúria cega de quem protegia sua casa.Kili cobria suas costas com uma precisão tática cirúrgica. Ela não gastava energia em movimentos desnecessários. Enquanto Lisi atraía a atenção e o ódio da linha de frente dos renegados, Kili ob
Capítulo 174 O salão havia se transformado em um campo de guerra.O cheiro de sangue impregnava o ar, sufocante, misturado à poeira, à madeira estilhaçada e ao odor selvagem de dezenas de lobos em combate. Mesas haviam sido viradas, colunas estavam rachadas e os enormes lustres pendiam perigosamente do teto. Sob as patas dos guerreiros, o chão de mármore estava coberto de marcas profundas de garras e manchas vermelhas.Uivos de dor atravessavam o salão, abafados pelo som das mandíbulas se chocando, pelos rosnados ameaçadores e pelo impacto brutal de corpos sendo arremessados contra as paredes.Não havia espaço para hesitação.Não havia tempo para lamentar os caídos.Naquele momento, existia apenas uma regra: sobreviver.No centro daquele inferno, Hulio avançava em sua forma lupina.Seu corpo imenso, coberto por uma pelagem escura, movia-se com uma velocidade assustadora. Os músculos se contraíam sob o pelo a cada investida, enquanto suas garras rasgavam o mármore e seus olhos brilhav
Capítulo 173 — Kaelen.O nome ecoou na cabeça de Hulio, repetindo-se como um aviso que seu instinto se recusava a ignorar. Por um breve instante, ele permaneceu imóvel. Então seus olhos se ergueram para Rayzel, adquirindo um brilho ameaçador. A mandíbula se contraiu, e os dedos se fecharam lentamente ao lado do corpo.— Kaelen está nas minhas terras e você não pensou em me avisar? — A voz do Alfa saiu baixa, carregada de uma fúria que não precisava ser expressa em gritos para intimidar.Rayzel franziu a testa, remexendo as lembranças até que, de repente, seus olhos se arregalaram ao reconhecer o nome.— Sterling... Claro! Kaelen Sterling, o Alfa de Squamish. — Passou a mão pela nuca, incomodado por não ter percebido antes. — Não imaginei que fosse o mesmo homem de quem Aria te falou.Hulio soltou uma risada fria, sem qualquer vestígio de humor.— Você ouviu o nome de um Alfa desconhecido, percebeu que os soldados dele estavam agindo de maneira suspeita e não considerou que isso poder
Capítulo 172 Quando Hulio se aproximou tentando entender o que havia de errado, o confronto não foi nada do que ele esperava. A cada tentativa dele de demonstrar cuidado, Aria reagia com hostilidade, erguendo uma barreira impenetrável. Ela parecia à beira de um colapso nervoso, acusando-o com uma aspereza que ele raramente vira nela.Hulio percebeu que, se continuasse insistindo, se a pressionasse ali no meio do corredor, a situação só pioraria. Seu lobo martelava dentro de sua mente, uivando que a companheira estava em sofrimento e que ele devia segurá-la, mas Hulio forçou a própria fera a recuar. Preferiu engolir a dor da rejeição e dar a ela o espaço que pedia para que pudesse esfriar a cabeça.— Tudo bem — disse ele, controlando o tom para não demonstrar o quanto aquelas palavras duras o feriam. Aria nem sequer respondeu antes de se virar e desaparecer pelas portas do salão.Hulio permaneceu parado no corredor por alguns segundos, precisando puxar o ar profundamente para recuper
Capítulo 171Algumas horas antes...Hulio deixou o quarto com cuidado para não despertar Aria. Por alguns segundos, permaneceu junto à porta, observando-a dormir. Ela parecia tranquila, com o rosto parcialmente escondido pelo travesseiro e os cabelos espalhados sobre os lençóis. A visão despertou nele uma vontade quase irracional de voltar para a cama, de deitá-la contra o peito e permanecer ali até que o mundo deixasse de exigir tanto dos dois.Seu lobo também queria ficar.A criatura se agitou no fundo de sua consciência, contrariada com a ideia de se afastar da companheira. Hulio precisou conter o impulso de retornar e beijar a testa dela.— Voltarei antes que perceba minha ausência — murmurou, embora Aria não pudesse ouvi-lo.Fechou a porta silenciosamente e seguiu pelo corredor. Aquela seria uma noite importante para sua alcateia. Em poucas horas, os convidados começariam a chegar para a cerimônia, Hulio precisava garantir que tudo ocorresse sem problemas.O nightclub ainda estav
Capítulo 170 Em Vancouver, Kaelen permanecia em uma sala privada que Raimonte havia preparado para recebê-lo. O ambiente era amplo e discreto, isolado do movimento principal da propriedade. A iluminação baixa projetava sombras nos cantos, enquanto o cheiro amadeirado dos móveis se misturava ao aroma forte do uísque servido em um copo de cristal sobre a mesa.Kaelen aguardava sem demonstrar impaciência. Tinha aprendido que certas coisas exigiam apenas tempo — e que a ansiedade dos outros costumava ser muito mais útil do que a própria. Apoiou-se no encosto da poltrona, girando lentamente o líquido âmbar no copo enquanto ouvia, ao longe, os sons abafados da propriedade de Hulio.Quando a notícia finalmente chegou, o mensageiro não precisou de muitas palavras.Aria havia deixado o território. Estava fora do alcance imediato de Hulio.Por alguns segundos, Kaelen permanecera imóvel. Então, um sorriso discreto surgiu no canto de sua boca. Não havia alívio em sua expressão, tampouco surpresa







