Mag-log inÀs vezes, você deseja tanto a morte que acaba encontrando algo muito pior. Algo tão terrível que faz você implorar para morrer… mas a morte simplesmente não vem.Eu achava que minha vida não tinha sentido, que tudo o que eu precisava era dormir para sempre. E, algumas vezes, tentei fazer isso acontecer. Mas, quando vi os olhos vermelhos da Morte, percebi que deveria ter tomado cuidado com aquilo que desejei.Porque, às vezes, nossos desejos se realizam… não da forma que esperamos, mas da maneira que o destino decide.
view more— Luci, o jantar está pronto!
— Sim, mamãe! Já estou indo.
— Nossa, filha, você está toda suja! Vai tomar banho antes do jantar.
— Está bem, mamãe. Eu estava brincando com o Thiago no quintal.
— E cadê ele? Não me diga que não o convidou para jantar.
— A mãe dele também estava chamando.
— Vem aqui, minha gatinha linda. Eu te amo muito, sabia?
— Eu também te amo, mamãe...
Quando abro os olhos, percebo que estava sonhando acordada de novo. Ela não está mais aqui. E eu não tenho mais sete anos.
Meu coração se parte. Como ela pôde me deixar? Eu não aceito a morte da minha mãe. Ela era tão jovem... Eu ainda preciso tanto dela.
Sento-me no chão dessa casa enorme, agora vazia, e choro por horas. A dor é tão grande que parece impossível suportar. Eu queria poder arrancá-la do meu peito.
Já se passou um ano e meio desde sua morte e, ainda assim, não consigo seguir em frente. Agora tenho 17 anos. Quando ela morreu, eu tinha apenas quinze e meio. Foi pouco depois do meu aniversário de 15 anos que ela descobriu o câncer em estágio terminal. Meu pai é muito rico, mas nem todo o dinheiro do mundo conseguiu salvar a vida da mulher que mais amávamos. De que serve tanta riqueza, se não podemos salvar quem amamos?
Meu nome é Luciana Martins. Tenho quase 17 anos — mais precisamente, 16 e meio. Tenho 1,65 de altura, cabelos vermelhos como os do meu pai e olhos verdes iguais aos da minha mãe, que era loira. Estou terminando o ensino médio. Sou um pouco gordinha, com seios grandes e quadris largos. Mas nada disso importa. Desde que minha mãe se foi, não consigo levar uma vida normal.
Meu pai quer que eu faça faculdade de administração para cuidar da empresa da família. Mas eu não quero nem sair do meu quarto. Eu só quero morrer.
Nunca fui a garota bonita da escola. Sempre me chamaram de gorda, feia, faziam bullying o tempo todo. Apenas meu vizinho e amigo de infância, Thiago, me defendia das meninas más. Thiago tem a mesma idade que eu. Crescemos juntos, nossas mães eram muito amigas. Quando minha mãe morreu, eu me fechei para o mundo. Thiago tentava me animar, me levava para comer pizza, conversava comigo, mas nada adiantava. Até as meninas na escola pararam de me insultar — eu parecia um zumbi, desejando desesperadamente a morte.
Eu apenas existia, sem ânimo. Não tinha vontade de ir à escola, de comer, de tomar banho. Nada fazia sentido sem minha mãe. Eu estava perdida.
Meu pai é um dos homens mais ricos da cidade. Quando minha mãe era viva, nós três viajávamos o mundo juntos. Era maravilhoso. Mas depois da morte dela, ele se afastou. E, para piorar, arrumou outra mulher — uma oportunista.
Meu pai é bonito. Tem 45 anos, mas parece ter 30. Alto, olhos azuis e cabelos ruivos como os meus. Por ser famoso e bilionário, muitas mulheres tentam dar o golpe. E essa Marina Lima, de 25 anos, é uma delas. Como uma mulher tão nova quer namorar um homem de 45? Meu pai é o famoso Otávio Martins, casado com minha mãe, Lúcia Martins. Eles eram um casal queridinho da mídia, sempre estampando revistas como símbolo de amor e sucesso. Viviam felizes, até o diagnóstico cruel de um câncer agressivo. Em poucos meses, ela se foi, deixando meu pai viúvo e cercado por abutres.
Depois da aula, Thiago me deu carona. Ele está sempre muito próximo, e eu fazia tudo o que ele pedia. Gosto muito dele — não só como amigo. Sou apaixonada por ele desde o dia em que nos beijamos. Mas ele nunca soube. Sempre me tratou como sua irmãzinha, alguém que precisava proteger. Depois do beijo, ele pediu desculpas, dizendo que éramos apenas amigos, e que aquilo não se repetiria. Eu me sentia segura com ele. E confesso que sua presença me impedia de fazer alguma besteira.
Ao chegar em casa — uma mansão com um jardim enorme, cheio de flores que minha mãe adorava — passo pelo caminho que levava à passagem secreta para o jardim da casa de Thiago. Paro diante do chafariz, que jorra água sem parar, e sigo pelas escadas até a porta principal.
Ao entrar, encontro Maria, a governanta, uma senhora bondosa que sempre me mimou. Pergunto por meu pai. Ela diz que ele está no escritório. Vou até lá, mas, antes de bater na porta, ouço vozes e risadas.
Uma voz melosa diz:
— Amor, podemos marcar a data do casamento para daqui a quatro meses. Falei com o terapeuta da sua filha. Ele garantiu que logo ela vai superar tudo.
E meu pai responde:
— Claro, meu amor. Mal posso esperar para ver você se tornar minha esposa.
Sinto o estômago embrulhar. Como ele pode esquecer minha mãe tão facilmente? Já está fazendo juras de amor para outra mulher?
Viro as costas e saio correndo. Atravesso o jardim. Preciso encontrar meu amigo. Preciso dos braços dele para me consolar. Mas, ao chegar no jardim da casa de Thiago, ouço risadas altas, som de água — uma festa. Muitos alunos da minha escola estavam lá.
Escondo-me entre os arbustos, como uma ladra, e observo todos rindo e se divertindo. O que mais doeu não foi a festa em si, ou o fato de ele não me ter convidado. Foi ver Thiago aos beijos com Patrícia — a garota mais popular da escola, a mesma que mais me humilhava. A que me chamava de gorda, de feia, de aberração.
As lágrimas escorrem como cachoeiras. Corro de volta para casa, sem que ninguém me veja. Subo para meu quarto. Os pensamentos voltam como uma avalanche: ninguém me ama. Sou só uma garota gorda e feia, que todos têm pena. Só atrapalho a vida do meu pai. Meu amigo tem vergonha de mim.
Eu vou dormir. E deixar todos felizes.
Pego a cartela de calmantes. Coloco vários comprimidos na boca. Deito na cama e, aos poucos, meus olhos se fecham.
Abraço a escuridão, pronta para receber a morte que tanto desejo.
Ponto de Vista de Lucy Centenas de criaturas permaneciam espalhadas pelo salão. Algumas protegiam os feridos, outras se escondiam atrás das colunas. Os representantes que haviam votado pela morte da minha família agora me observavam como se eu fosse uma criatura saída de seus piores pesadelos.Talvez fosse exatamente isso que eu havia me tornado aos olhos deles.Uma ameaça.Um monstro.A criatura que as antigas profecias anunciavam.Mas eu não estava interessada no que pensavam de mim.A única coisa que importava era a segurança da minha família.— Olhem bem para mim! — gritei.Minha voz percorreu o salão.— Vocês me chamaram de humana. Riram de mim. Acreditaram que poderiam me matar e continuar com suas vidas como se nada tivesse acontecido.Ergui o queixo.— Vocês prenderam minhas filhas. Torturaram meu marido. Condenaram minha família sem sequer se importarem com o que realmente aconteceu.Daniel continuava parado, observando-me com uma expressão que misturava choque e incredulida
Ponto de Vista de Lucy Chamas se espalharam pelo chão, e uma onda de calor atingiu a multidão. Criaturas gritaram e recuaram. A fumaça tomou o espaço onde eu estava, escondendo meu corpo por alguns instantes.Ouvi alguém comemorar.— Ela está morta!Permaneci imóvel dentro da fumaça.Fechei os olhos.E deixei meu poder despertar.A energia se expandiu ao meu redor, envolvendo meu corpo como uma barreira invisível. O fogo se curvou antes de me alcançar. As chamas perderam força, e a explosão se desfez contra uma proteção que nenhuma daquelas criaturas compreendia.Quando a fumaça começou a se dissipar, dei um passo à frente.Inteira.Sem um único ferimento.O feiticeiro arregalou os olhos.— Isso é impossível...Sorri.— Bingo.O sorriso desapareceu do meu rosto.— Eu nunca disse que era humana. Falando deixei meu poder despertar. O salão ficou em silêncio.Senti o medo se espalhar entre as criaturas. Algumas reconheceram a natureza da energia que preenchia o ambiente. Outras apenas
Ponto de Vista de Lucy Aquelas criaturas haviam colocado minhas filhas em uma gaiola e transformado a morte delas em um espetáculo.Senti alguma coisa se mover dentro de mim.Uma energia antiga, imensa, que parecia despertar de um sono profundo.Respirei lentamente.Não agora, Lucy.Primeiro, tire sua família dali.Depois, faça esses monstros entenderem o erro que cometeram.Josi tocou discretamente meu braço.— Lucy...— Eu estou bem.Era mentira.Eu estava furiosa.Mas a raiva precisava esperar até o momento certo.Misturei-me à multidão e avancei o suficiente para enxergar a plataforma principal. Daniel estava sentado no centro, cercado por seus aliados. Sua postura demonstrava a segurança de alguém que acreditava ter vencido antes mesmo de a batalha começar.Eu o reconheci imediatamente.O rei dos lobisomens.O homem que possui meu corpo e me fez acreditar que me amava.O homem que me queria apenas para gerar seus filhos, já que eu era apenas uma humana fraca. Ele parecia satisf
Ponto de Vista de LucyA Islândia nos recebeu com um frio cortante, mas eu mal conseguia senti-lo.Meu corpo estava tenso, meus pensamentos giravam em torno de uma única coisa e meu coração parecia bater no ritmo de uma contagem regressiva.Minha família estava naquela fortaleza.Alexandre. Luana. Lis.Eu não sabia em que condições os encontraria. Não sabia quantos guardas protegiam o lugar, quantas criaturas estariam presentes ou até onde Daniel seria capa de olhar de novo para Daniel. Mas havia uma coisa que eu sabia.Eu não sairia dali sem minha família.O carro parou a uma distância segura da propriedade. À nossa frente, a fortaleza se erguia sobre o terreno gelado, cercada por muros de pedra e protegida por criaturas que vigiavam cada acesso. Era um lugar antigo, construído para resistir a invasões e esconder segredos que provavelmente existiam muito antes de eu nascer.Observei as torres, as janelas estreitas e os homens armados espalhados pelo perímetro.Não seria possível ent












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