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Por Trás das Palavras

last update publish date: 2026-09-14 09:44:03

Capítulo 112

— O que você quer, Raimonte? — A voz de Hulio veio grave, vibrando no peito como um rosnado reprimido que fez o ar ao redor parecer mais pesado.

Ele nem sequer desacelerou o passo. A massa muscular do Alfa avançava como uma força da natureza, e a envergadura de seus ombros largos forçou o mais velho a dar um passo brando para o lado, sob o risco real de ser atropelado. Raimonte, porém, ajustou a postura com uma elegância fria. Acompanhou a caminhada do enteado mantendo passos calmo
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    Capítulo 115Depois que a porta do escritório se fechou com o baque seco e definitivo da ordem de Hulio, Aria sentiu o estômago despencar. O pavor de ver Maike ferido e sendo arrastado pela guarda consumia seus pensamentos.Ela precisava de notícias, e a única pessoa que poderia transitar pelos corredores e conseguir informações sem levantar suspeitas imediatas era Kili. Por mais que estivesse envolvida na confusão, Hulio certamente relevaria as investidas da irmã.Aria apertou o passo pelo corredor. Seus passos pesavam contra o piso de madeira enquanto se dirigia ao dormitório das garotas. No entanto, ao empurrar a porta de madeira, encontrou o quarto completamente vazio. As camas estavam arrumadas, e o silêncio do cômodo só aumentou sua angústia.— Onde é que vocês se enfiaram...? — murmurou para si mesma.Dando meia-volta com o peito apertado, desceu as escadas em direção à sala principal da mansão. O salão estava calmo, ocupado apenas por alguns membros da matilha que conversavam

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    Capítulo 114Maike permaneceu imóvel na cadeira de ferro, o peito subindo e descendo em arfadas curtas e dolorosas. A confusão queimava em sua mente tanto quanto o metal da liga especial queimava sua pele. Ele não entendia o porquê daquele sarcasmo, nem como aquele Alfa conseguia falar com tamanha naturalidade e intimidade sobre a garota que ele viera salvar.— Sabe... me lembro bem de quando ela teve exatamente a mesma audácia que você em me enfrentar pela primeira vez — continuou Hulio, a voz calma, mas com o olhar endurecendo a cada sílaba. O Alfa deu um passo lento, a aura de dominância preenchendo cada canto do cômodo. — E, pelo visto, você acha que conhece muito bem a garota que está sob o meu teto.Maike tentou se projetar para a frente com fúria, mas o movimento brusco fez as correntes tilintarem pesadamente contra o metal da cadeira, arrancando-lhe um gemido de dor reprimido quando os elos cortaram ainda mais a carne de seus pulsos.— Você não conhece ela! — cuspiu Maike, os

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    Capítulo 113Hulio atravessou o corredor subterrâneo da enfermaria com passadas pesadas e ritmadas que ecoavam contra as paredes de pedra fria. O ar ali embaixo era denso, impregnado por um odor acre de mofo, ferrugem e sangue estagnado.Ao cruzar a entrada da sala de contenção, o Alfa deu de cara com Rayzel. O Beta mantinha-se de guarda diante do portal de ferro, com os braços cruzados sobre o peito e a expressão carregada. Ergueu os olhos assim que percebeu a aproximação de Hulio e deu dois passos ao seu encontro, baixando o tom de voz para que o som não atravessasse a fresta da porta.— O prisioneiro não está colaborando — informou o Beta, com a mandíbula trincada. — Continua se recusando a responder qualquer pergunta sobre a patrulha de Keelen. Se continuar resistindo nesse ritmo, pode acabar morrendo antes da noite.Hulio franziu levemente a testa, o olhar heterocrômico cortando a penumbra.— Ele deveria estar se recuperando. O organismo de um lobo não cede tão fácil a ferimentos

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    Capítulo 112— O que você quer, Raimonte? — A voz de Hulio veio grave, vibrando no peito como um rosnado reprimido que fez o ar ao redor parecer mais pesado.Ele nem sequer desacelerou o passo. A massa muscular do Alfa avançava como uma força da natureza, e a envergadura de seus ombros largos forçou o mais velho a dar um passo brando para o lado, sob o risco real de ser atropelado. Raimonte, porém, ajustou a postura com uma elegância fria. Acompanhou a caminhada do enteado mantendo passos calmos, cadenciados pelo estalar seco de seus sapatos sobre o piso de madeira da galeria. A expressão no rosto marcado do velho permanecia sob um controle cirúrgico, sem que um único músculo traísse qualquer vestígio de pavor diante da fera à sua frente.— Ouvi a comoção lá fora. E o barulho da porta do seu escritório quase derrubou os quadros do corredor — comentou Raimonte. A voz vinha mansa, arrastada, mas terrivelmente impregnada daquele veneno sutil que Hulio aprendera a reconhecer desde a infân

  • Nas Sombras De Um Alfa    Faíscas na Penumbra

    Capítulo 111​Hulio segurou o peso do corpo de Aria até que os joelhos dela voltassem a se firmar. A proximidade revelava a vulnerabilidade de ambos: ele sentia o pulsar desordenado e rápido do coração dela contra o seu peito nu, enquanto ela percebia o calor excessivo e o descompasso da respiração do Alfa. O cheiro de lágrima e terra molhada que vinha de Aria misturava-se ao aroma amadeirado dele, criando uma atmosfera densa, quase sufocante.​Devagar, com uma firmeza que contrastava com a fúria de instantes atrás, ele a conduziu até a poltrona de couro ao lado da mesa de mogno. Ajeitou-a no assento e deu dois passos para trás, passando a mão pelo rosto e pelo peitoral desnudado, onde os músculos ainda se contorciam sob o efeito da adrenalina. A visão dela, encolhida e com o rosto marcado pelo choro, fazia o lobo sob sua pele rosnar — não mais de raiva pura, mas de uma possessividade desconfortável. A ideia de que outro homem havia arriscado a vida por ela, e que ela havia se jogado

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    Capítulo 110​Rayzel arrastava Aria pelo corredor principal do casarão. Os gritos da garota já haviam se transformado em soluçantes pedidos de socorro, a voz falhando a cada passo. O Beta mantinha o aperto firme, porém sem a intenção de machucá-la, usando a própria força para conter os golpes desordenados que ela ainda tentava desferir contra seu peito.​— Rayzel, por favor... ele precisa de um médico! O Maike vai morrer lá embaixo! — ela implorava, as lágrimas deixando sulcos limpos no rosto sujo de terra.​— Fique quieta, Aria — disse o Beta, a voz baixa e tensa, sem olhar para ela enquanto abria a porta pesada do escritório de Hulio. — Você já causou estragos suficientes por hoje. Ficar gritando só vai piorar a situação do seu amigo.​Ele a empurrou suavemente para dentro e fechou a porta de madeira maciça. O som da chave girando na fechadura por fora ecoou como uma sentença no cômodo silencioso.​Aria correu até a porta, esmurrando a madeira com os punhos fechados.​— Rayzel! Me t

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