Home / Lobisomem / Nas garras do amor / Capítulo 2: Grama verde e olhos vermelhos - parte 2

Share

Capítulo 2: Grama verde e olhos vermelhos - parte 2

Author: Evy
last update publish date: 2024-10-17 08:51:35

No dia seguinte, Clarice despertou com o som suave do vento balançando as cortinas do quarto. O sol mal havia nascido, e os primeiros raios de luz invadiam o ambiente com delicadeza. Ela se espreguiçou, sentindo o corpo um pouco dolorido por ter dormido no quintal.

— Que ideia foi essa de dormir lá fora? — reclamou para si mesma, enquanto se levantava da cama. 

Caminhou até a cozinha, ligando a cafeteira. Precisava de um café forte para começar o dia. Hoje seria o dia de encontrar o local perfeito para a floricultura, não podia demorar, precisava pegar a boa estação para garantir que as flores cresceriam bem quando ela plantasse. 

Até que pudesse cuidar da própria produção, enquanto as suas flores não cresciam, ela precisaria de um fornecedor, mas já tinha um em mente, a mesma pessoa que lhe forneceria as sementes para que ela começasse a plantar suas   flores em seu grande quintal. 

Clarice tinha várias ideias em mente, e a ansiedade por começar logo era quase palpável.

Enquanto esperava o café ficar pronto, seus pensamentos voltaram à noite anterior. As pegadas na grama, os olhos vermelhos. O incômodo ainda estava lá, como uma sombra na sua mente.

"Foi só um sonho. Não pode ter sido real", pensou, tentando ignorar a sensação de que algo estava fora do lugar. Mas, ainda assim, resolveu dar uma olhada no quintal, só para ter certeza.

Vestiu um casaco leve e saiu da casa. O sol ainda era fraco, mas iluminava bem o terreno. Clarice caminhou até o local onde havia visto a grama amassada. As marcas ainda estavam lá, mas, agora, sob a luz do dia, pareciam menos ameaçadoras. Não era possível identificar de que animal eram, mas, definitivamente, algo grande havia passado por ali.

— Deve ser só algum bicho da floresta… Não tem motivo pra se preocupar. — disse em voz alta, tentando afastar o desconforto.

Depois de alguns minutos, ela voltou para dentro, determinada a seguir com seu dia. Tomou o café apressada, trocou de roupa e a primeira coisa que fez foi esperar, precisava receber o caminhão com sua mudança e também a empresa que iria trazer seu carro. O que não demorou muito a acontecer. O caminhão de mudança chegou bem cedo, antes das oito da manhã, as caixas ficaram espalhadas na sala e na cozinha e não demorou mais que quarenta minutos para os funcionários partirem, deixando a casa de Clarice calma novamente. 

Então, cerca de uma hora depois, a empresa que levaria seu carro parou na porta dela com um guincho. Clarice bateu um pouco de papo com o rapaz, que reclamou um pouco sobre a casa dela ser escondida quase no meio da floresta, mas pouco depois o carro dela estava devidamente estacionado e pronto para o uso. 

Só depois de tudo isso ela se arrumou e foi até a cidade, tinha um destino certo. 

Quando chegou ao centro de Pinewood, a cidadezinha estava acordando lentamente. As lojas abriam suas portas, e os poucos habitantes começavam a circular pelas ruas estreitas. Clarice caminhou até o local que havia visto nos classificados: uma pequena loja no centro, que parecia perfeita para a floricultura. As paredes de tijolos vermelhos e a fachada simples tinham um charme que a atraiu assim que ela começou a procurar por anúncios, antes mesmo de chegar a cidade.

Ela parou na frente da porta, observando o interior pela janela. A loja era pequena, mas acolhedora. Clarice já podia imaginar as prateleiras repletas de vasos e flores, o aroma suave de pétalas enchendo o ambiente.

— É aqui. — sussurrou para si mesma, com um sorriso nos lábios.

Empolgada, entrou na loja, onde foi recebida pela proprietária, uma mulher de meia-idade com um sorriso simpático. Haviam marcado de se encontrar para fechar negócio naquela manhã.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Nas garras do amor    Epílogo: Sob o céu sem lua - parte 2

    — Socorro! — implorou Edla, a voz agora mais fraca, quase um sussurro perdido na imensidão da noite. Tentou se debater, mas cada movimento era contido pela força brutal do monstro. A pressão das garras, o peso do corpo, a sensação de estar sendo tragada para um abismo sem retorno, tudo a deixava à beira da rendição.A respiração tornou-se cada vez mais curta, o medo transformando-se em uma paralisia que ameaçava roubar-lhe a última faísca de esperança. Lágrimas escorriam pelo seu rosto, misturando-se à sujeira da floresta, e cada lágrima era como um adeus silencioso a um futuro que agora parecia incerto e sombrio. Ela sentia o cheiro de sua própria vulnerabilidade, o gosto amargo da derrota iminente, e em meio a tudo isso, um pensamento persistente: ela não queria morrer ali, sem respostas, sem ao menos um último suspiro de liberdade.Tinha certeza de que iria morrer."Caleb… Me ajude por favor!", ela chamou mais uma vez, implorando para que seu irmão ouvisse o link mental e viesse s

  • Nas garras do amor    Epílogo: Sob o céu sem lua

    15 anos depoisA noite se fazia silenciosa e enigmática, com um céu sem lua, mas salpicado de incontáveis estrelas que, como pequenas lanternas, iluminavam a mata com um brilho tênue. Edla, aos 23 anos, corria pelas trilhas do bosque com uma determinação que misturava liberdade e um sentimento inexplicável de inquietude. Seus longos cabelos negros esvoaçavam a cada passo, e seu olhar, carregado de memórias e segredos, refletia a intensidade de uma alma que já havia vivido demais. Filha adotiva de Clarice, ela sempre fora parte de algo maior: a alcateia Garra Sangrenta. Porém, naquela noite, seu destino parecia conduzi-la para fora dos limites seguros que sempre a protegiam.Edla tinha o hábito de sair para correr longe do olhar atento de seu pai e das regras rígidas da alcateia. Sempre corria na forma de sua loba, Serenity, que se movia com velocidade. Pelo tamanho, ersa uma loba menor que o normal, era muito rápida e correr era como voar para ela. A conexão entre elas era profunda; S

  • Nas garras do amor    6 meses depois - parte 3

    Enquanto a festa seguia, Clarice subiu até um dos terraços que margeava o salão, de onde podia ver toda a clareira iluminada pela luz suave da lua. O ar fresco da noite a envolvia, e naquele instante ela se permitiu respirar fundo, sentindo cada emoção percorrer seu corpo. Foi então que seus olhos se depararam novamente com a figura de Sidônia, a deusa da umbra, que observava de longe, sobre um manto de sombras e luz.Sidônia parecia abençoar o evento com um olhar que misturava ternura e a firme certeza de que aquela união era apenas o começo de algo muito maior. Em seu semblante sereno, havia a promessa de que as histórias que se entrelaçavam naquele dia se transformariam em lendas, em memórias que atravessariam gerações.Com o coração em festa, Clarice murmurou para si mesma: — Que assim seja, que o amor nos guie e que cada nova história seja escrita com a tinta da esperança.Ao retornar para o salão, ela encontrou Sarah e Loren que a aguardavam com sorrisos amplos. As três se abraç

  • Nas garras do amor    6 meses depois - parte 2

    Eiden, com a voz trêmula, mas decidida, completou: — Eu prometo cuidar de ti e proteger-te com todas as forças que me restam. Hoje, deixo para trás as sombras que me atormentavam e abraço, com toda a sinceridade, o amor que você me oferece. Que juntos possamos construir um caminho repleto de luz e esperança.As declarações foram acompanhadas de aplausos emocionados dos presentes. O altar se encheu de uma aura mágica, como se a própria natureza respondesse ao amor que ali se celebrava. Enquanto os votos eram selados com beijos ternos e sorrisos compartilhados, Clarice, que assistia a tudo com os olhos marejados, mal conseguia conter a felicidade. Para ela, ver Sarah e Loren unindo-se de forma tão profunda significava não só a concretização de um sonho, mas o início de uma nova família, uma família que, de tão unida, ultrapassava os laços de sangue e se transformava em puro amor.Após a cerimônia, os convidados foram conduzidos para a área do banquete. As mesas foram decoradas com simpl

  • Nas garras do amor    6 meses depois - parte 1

    A manhã se levantava com um sol dourado e suave, banhando a clareira onde a matilha Garra Sangrenta se preparava para celebrar um dia que ficaria marcado para sempre na memória de todos. Depois de tantos desafios, lutas e rituais, os membros agora encontravam forças para sorrir. Hoje, a festa não era apenas uma comemoração de vitórias, mas o anúncio de novos laços e de um futuro promissor.Dois casamentos seriam celebrados naquele dia. Ao longe, o som alegre de risos e conversas misturava-se aos uivos que a natureza, como se quisesse participar da festa, entoava em harmonia. A decoração era primorosa, arranjos florais cuidadosamente dispostos, luzes cintilantes penduradas nas árvores e um tapete de pétalas que guiava os convidados até o altar improvisado em meio à natureza.No centro de toda essa celebração, duas uniões que se entrelaçavam com laços de sangue e afeto. Sarah, que se preparava para unir sua vida a de Gael, e Loren, que, com os olhos brilhando de emoção, aguardava o mome

  • Nas garras do amor    Capítulo 71: Finalmente a paz - parte 2

    Ambos se afastaram por um breve instante, rindo da coincidência quase cômica. O clima que antes era de uma paixão quase palpável se transformou num misto de ternura e diversão. Clarck segurou a taça de vinho ainda na mão e, com um sorriso maroto, disse:— Parece que o nosso pequeno já quer participar dessa dança também!Clarice, ainda rindo, respondeu:— Acho que Caleb tem meu senso de humor. Ele não podia escolher um momento melhor para nos lembrar que a família é o que realmente importa.Quando os risos diminuíram e a sensação de intimidade voltou a envolver o ambiente, os dois se prepararam para subir e conferir o que o bebê estaria aprontando. No entanto, antes que pudessem dar o primeiro passo, uma voz doce e animada ecoou pela escada.— Mamãe, papai, Caleb está chamando! — exclamou Edla, aparecendo na escada com um sorriso radiante no rosto, como se sempre soubesse a hora exata de reunir a família.Sem hesitar, Clarck, Clarice e Edla se dirigiram juntos ao quarto de Caleb. A con

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status