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Auteur: G.Soares
last update Date de publication: 2026-10-10 05:39:29

Noara acordou sentindo-se um pouco melhor.

Ainda assim, as lembranças de sua vida passada a deixavam mentalmente exausta, como se parte de si continuasse presa àqueles dias sombrios e sufocantes. Era uma sensação estranha — estar segura no presente, mas com a alma marcada por um passado que insistia em doer.

Ao se levantar, percebeu algo que fez seu peito apertar de gratidão. Ela não estava mais no quarto de hóspedes; estava em seu próprio quarto, o refúgio que tanto sentira falta na outra vida.

Noara passou o olhar lentamente pelo ambiente. As cores suaves, as cortinas claras, a cabeceira delicadamente entalhada... era um quarto que exaltava a inocência de seus quinze anos, quando o decorava com cada detalhe que amava. Na outra vida, ela tentará transformar a mansão de Léo em um lar, mas fora impedida. Lá, cada móvel e cada cor haviam sido escolhidas por Elyra.

Naquela época, quando Noara implorou por uma pequena mudança, Léo não apenas negou, como ordenou que ela fosse confinada como castigo por sua "futilidade".

Noara suspirou, sentindo um nó na garganta. Nesta vida, ela fez a escolha certa. Escolherá a distância. Escolherá o Norte.

Enquanto vestia roupas mais leves, a porta se abriu. Sua mãe entrou carregando uma bandeja com o mingau de frutas vermelhas que Noara tanto amava.

— Minha querida... minha menina, como está se sentindo? — perguntou a Duquesa com ternura. — Mamãe trouxe seus lanches favoritos.

Noara virou-se e abraçou a mãe como uma criança pequena, escondendo o rosto em seu ombro. Em breve, partiria com Maximiliano para o Extremo Norte e ficaria muito tempo longe daquele carinho.

— Estou bem melhor, mamãe — respondeu, saboreando o mingau. Na vida passada, ela passava noites em claro desejando aquele gosto, mas Léo proibia os cozinheiros de seguirem as receitas da família Wil. As lágrimas escorreram silenciosas.

— O que foi, meu amor? O mingau está ruim? — a mãe perguntou, alarmada.

— Não... está perfeito — Noara soluçou. — É só que... vou sentir muita saudade.

Os dias passaram rápido, envoltos pelo zelo da família Wil. O escândalo da proibição da família Liz ecoava pela nobreza. Invejosos tentam manchar a reputação de Noara, dizendo que ela usara sua "fragilidade" para seduzir Léo e causar o incidente.

No feudo Liz, o clima era de revolta. Anciãos culpavam a "mesquinhez" do Ducado Wil, enquanto outros acusavam Noara de ter provocado o descontrole da Aura de Léo. No entanto, Maximiliano, com sua presença gélida e autoridade inquestionável, fez questão de silenciar cada rumor antes que chegasse aos ouvidos de sua noiva.

Até que o dia da cerimônia finalmente chegou.

Toda a Solaria estava em festa. O templo estava magnífico, com cristais refletindo a luz solar em cada arranjo. No centro do altar, estava o Arquiduque.

Maximiliano vestia as roupas tradicionais do Norte: negro e prata, com o emblema da fera das neves. Sua capa pesada parecia carregar o próprio inverno. Ao seu lado, seus cavaleiros permaneciam como estátuas de ferro.

O sino tocou. Noara surgiu usando as vestes tradicionais de Solaria: um vestido branco como a luz, com um manto dourado que fluía atrás dela como o sol poente. Seus passos eram leves. No altar, não era a sombra de Léo que a esperava. Era Maximiliano.

Ao chegar diante dele, o Arquiduque estendeu a mão enluvada. Noara colocou a sua sobre a dele — dedos finos e delicados. O toque dele era firme, uma âncora em meio à sua ansiedade. Naquele instante, ela sentiu: estava viva. Estava livre.

Diante da Sumo-Sacerdotisa, a cerimônia começou. Então, veio o juramento que paralisou o reino.

— Diante do Sol de Solaria e da Lua do Extremo Norte… — a voz grave de Maximiliano ecoou, carregada de uma Aura de Proteção absoluta — eu, Maximiliano, prometo ser apenas seu, amar somente você, nesta e em qualquer outra vida que o destino nos conceda.

O salão caiu em silêncio mortal. Ninguém esperava o Juramento Solar e Lunar, o pacto mais sagrado e irreversível, cujas palavras se gravam na própria alma e na pele.

Noara ficou atônita. Na vida passada, Léo jurara diante de todos que ela seria sua "eterna penitência", humilhando-a no altar. E agora, o homem conhecido como o "Coração de Gelo" entregava sua vida a ela.

Lágrimas de alívio inundaram seus olhos. Ao olhar para sua mão, ela viu a marca surgir: o sol e a lua entrelaçados. Um símbolo de união eterna que ela deseja desesperadamente na vida anterior e que agora lhe era dado como um presente dos deuses.

Max pegou a mão de Noara, onde a marca brilhava, e a beijou com uma reverência que nenhum nobre jamais virará demonstrar.

O templo explodiu em aplausos. A música começou, e pétalas de flores solares cobriram o caminho. A Sacerdotisa amarrou a fita vermelha em seus pulsos, ligando suas energias e seus destinos.

Noara sorriu. Sua família chorava de alegria nas primeiras fileiras. O juramento do Arquiduque era a prova definitiva: ela nunca mais estaria sozinha. Pela primeira vez, seu futuro não era uma ameaça, mas uma promessa de paz.

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  • Nessa vida não te amarei    10

    A primeira noite caiu antes que Max percebesse.O céu, antes apenas nublado, escureceu rápido demais — como sempre acontecia quando se deixava o calor de Solaria. O vento tornou-se cortante, carregando o cheiro de pinheiros e terra úmida. Max ordenou a parada com um gesto curto.— Acampamento aqui.Os cavaleiros se moveram imediatamente, treinados e silenciosos. Fogueiras foram acesas e o perímetro protegido. Nada ali surpreendeu o Arquiduque, exceto Noara.Max permaneceu alguns instantes parado, observando a carruagem. Sabia que ela estava lá dentro, envolta em seu manto, provavelmente tentando compreender o mundo novo que a aguardava. E isso o inquietava.Ela não deveria estar tão calma, pensou ele.Nobres criados no luxo de Solaria costumam temer o Norte: o frio constante, a rigidez, a ausência de excessos. Muitas choraram na primeira noite. Mas Noara não fez nada disso. Desde que deixaram os portões dourados, ela apenas observava. Em silêncio. Com uma serenidade que não combinava

  • Nessa vida não te amarei    9

    O amanhecer em Solaria veio dourado, como sempre.A luz do sol espalhava-se pelos jardins do palácio, refletindo nos mármores claros e nas fontes tranquilas. Era uma manhã bela demais para uma despedida — e talvez por isso doesse tanto. Noara estava diante da janela de seu quarto, já vestida para a viagem.As roupas do Extremo Norte haviam substituído as vestes leves: tecidos mais espessos, tons claros mesclados a detalhes prateados. O manto repousava sobre seus ombros, ainda aberto, como se a própria Noara hesitasse em partir. Seus olhos percorreram o horizonte uma última vez. Solaria era o lugar onde nascera, onde fora amada e onde sofrera. Deixá-la para trás fazia seu peito apertar, mas era necessário.Um toque suave à porta anunciou sua família. Sua mãe entrou primeiro, seguida por seu pai e por Nero. Nenhum deles falou de imediato; apenas olharam para ela, gravando aquela imagem.— Está tudo pronto — disse o Duque, com a voz firme demais para esconder a emoção.Noara assentiu. O

  • Nessa vida não te amarei    O fim da cerimônia

    Com o fim da cerimônia, Maximiliano acompanhou Noara até o quarto preparado para os recém-casados. Os corredores ainda ecoavam vozes distantes e celebrações, mas ali dentro reinava um silêncio acolhedor, quebrado apenas pelo estalar suave das brasas na lareira.Max ajudou Noara a retirar o manto cerimonial pesado, depois as jóias de ouro e cristal que adornavam seus cabelos e pescoço. Seus gestos eram firmes, porém cuidadosos, como se sua força de cavaleiro pudesse, por acidente, ferir a delicadeza dela.— Descanse — disse ele, retirando o último adorno da cabeça de Noara. — Amanhã, ao romper da alvorada, partiremos para o Extremo Norte.Noara ergueu os olhos, surpresa.— Tão cedo…? — perguntou em voz baixa.— Sim. — Max assentiu, sua expressão voltando à seriedade habitual. — Minha Aura de Gelo se enfraquece neste clima quente. Não posso me manter longe das muralhas do Norte por muito tempo.— Entendo… — respondeu Noara, com um pequeno aceno.Max deu um passo para trás, a sombra de s

  • Nessa vida não te amarei    7

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  • Nessa vida não te amarei    6

    O mundo ainda girava.O salão parecia distante demais, os sons abafados, como se tudo estivesse submerso em água. Léo permanecia sentado, sustentado por dois soldados da guarda. A cabeça latejava, o corpo ardia em febre, e sua Aura — finalmente contida à força — era mantida sob controle por selos rúnicos e elixires amargos.— Maldição… — murmurou, passando a mão pelo rosto suado.As lembranças vinham em flashes desconexos e violentos.A presença de Noara.O pânico absoluto nos olhos da jovem.O olhar carregado de ódio de Nero.E, acima de tudo, aquele frio absoluto que esmagará sua alma.O Arquiduque do Extremo Norte.Maximiliano Ferom.A simples recordação daquela pressão gélida fez seus punhos se fecharem.— Eu não quis… — disse, mais para si mesmo. — Eu não quis feri-la.Mas a imagem não o deixava em paz. Noara havia recuado como se estivesse diante de um monstro, um predador impiedoso. Não havia a admiração que ele esperava, nem a timidez de uma noiva prometida. Havia apenas terro

  • Nessa vida não te amarei    A segurança da noiva

    O quarto destinado a hóspedes de alta nobreza ficava na ala leste do Palácio Wil.Era amplo e silencioso, com cortinas de veludo pesado e uma lareira cujas brasas ainda não haviam sido acesas. Max entrou sem pedir permissão, ignorando os olhares tensos dos criados que abriram caminho às pressas. Noara ainda estava inconsciente em seus braços — leve demais, a pele ainda quente pelo choque espiritual sob o manto negro.Max fechou a porta com o pé.— Saiam — ordenou, curto. — Todos.Nenhum criado ousou questionar. Em segundos, o quarto mergulhou em silêncio absoluto.Ele caminhou até a cama e, com um cuidado surpreendente para alguém de sua estatura e fama de guerreiro, deitou Noara sobre os lençóis de seda. Retirou apenas o suficiente do manto para verificar sua pulsação. O rosto da jovem estava pálido; os cílios longos tremiam levemente, como se ela ainda estivesse lutando contra fantasmas em seus sonhos.Max franziu o cenho.— Aura de Opressão forçada… — murmurou, em voz baixa. — Impr

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