O dia do casamento de Noara Wil deveria ser o mais feliz de sua vida.
E, por um breve instante, ela acreditou que realmente seria.
Vestida com um luxuoso vestido branco bordado em fios de ouro, a jovem dama da família Wil caminhava pelo grande salão do Palácio Real de Solaria. Os lustres cintilavam acima de sua cabeça, refletindo a grandiosidade de um evento que reunia toda a alta sociedade do reino.
Todos os olhares estavam voltados para ela.
A filha dos duques. A joia de Solaria.
Noara sorriu suavemente, o coração batendo acelerado no peito frágil. Seus olhos, porém, buscavam apenas uma pessoa.
Léo Liz.
O homem que ela amava.
Alto, imponente, com a postura firme de um verdadeiro nobre, ele parecia deslocado em meio àquele luxo exagerado — e ainda assim, era impossível não notá-lo. Para Noara, ele era tudo.
Seu destino.
Seu futuro.
Seu amor.
Mesmo que ele nunca tivesse dito isso de volta.
Quando finalmente chegou ao altar, seus olhos encontraram os dele. Por um segundo, ela esperou ver algo… qualquer coisa.
Mas o que encontrou foi apenas frieza.
Um olhar vazio.
Distante.
Seu sorriso vacilou, mas não desapareceu. Não ali. Não naquele momento.
O casamento aconteceu sob aplausos.
Promessas foram ditas.
Votos foram selados.
E, assim, Noara Wil se tornou esposa de Léo Liz.
Mas foi durante o banquete, diante de todos, que sua vida começou a desmoronar.
O salão estava em festa. Risos ecoavam, taças eram erguidas, e a música preenchia o ambiente com leveza. Noara estava ao lado do marido, ainda tentando se convencer de que tudo daria certo.
Que o amor viria com o tempo.
Que ele aprenderia a amá-la.
Foi então que Léo se levantou.
O som da cadeira arrastando no chão chamou a atenção dos presentes. Lentamente, o salão foi silenciando.
Noara o olhou, surpresa.
E então, ele falou.
— Quero deixar algo claro — sua voz firme ecoou por todo o salão. — Este casamento não foi minha escolha.
O coração de Noara falhou uma batida.
— E nunca será.
Um murmúrio percorreu a multidão.
— Eu jamais amarei você.
O mundo parou.
O sorriso de Noara desapareceu por completo.
Ela sentiu como se o chão sob seus pés tivesse sido arrancado. Como se cada olhar ao redor fosse uma lâmina atravessando sua pele.
Humilhação.
Vergonha.
Dor.
Seus dedos apertaram o tecido do vestido, tentando manter a compostura. Lágrimas ameaçavam cair, mas ela se recusou.
Não ali.
Não na frente de todos.
Mesmo com o coração quebrando, Noara ergueu o queixo.
Porque, no fundo…
Ela ainda acreditava.
Acreditava que ele mudaria.
Que aquele homem frio aprenderia a enxergá-la.
Que o amor… poderia nascer.
Mas esse dia nunca chegou.
—
Os dias se tornaram semanas.
As semanas se tornaram meses.
E a esperança de Noara começou a se transformar em dor constante.
Sempre que Léo a ignorava, sempre que a tratava com frieza, ela corria para seus pais. Como uma filha desesperada por conforto, reclamava, chorava, implorava.
Dizia que ele não era gentil.
Que não cumpria seu papel como marido.
Que a desprezava.
E, como sempre, os duques Wil agiam.
Seu pai ou seu irmão mais velho iam até Léo, exigindo mudanças, impondo autoridade, pressionando-o.
Mas nada mudava.
Nada.
Com o tempo, Léo começou a crescer dentro do reino. Seu nome era mencionado com respeito, sua presença elogiada até mesmo pelo imperador.
Enquanto isso…
Noara desapareceu.
A jovem vibrante e cheia de vida deu lugar a uma mulher silenciosa. Seus olhos perderam o brilho, sua postura tornou-se frágil, e seu coração… já não sabia mais o que era esperança.
Até que o golpe final veio.
A acusação caiu como uma tempestade.
Traição.
A família Wil foi acusada de conspirar contra o Reino de Solaria.
O caos tomou conta.
Títulos foram retirados.
Riquezas confiscadas.
Honra destruída.
Para salvar seus filhos, o duque Wil assumiu toda a culpa — mesmo sendo inocente.
A sentença foi imediata.
Morte.
Seu irmão mais velho foi exilado.
E Noara…
Noara perdeu tudo.
Exceto o título de esposa de Léo.
E foi justamente isso que a condenou ao pior destino.
—
No dia da execução, Léo fez questão de levá-la.
A praça pública estava lotada.
O cheiro de medo e expectativa pairava no ar.
Noara tremia.
Seus olhos estavam fixos no pai, ajoelhado diante do carrasco.
Dias antes, ela havia implorado.
Se ajoelhado diante do marido.
Chorado.
Suplicado.
— Por favor… ele é inocente… ajude-o… — sua voz havia falhado entre soluços.
A resposta de Léo foi fria.
— Eles merecem.
Agora, diante da cena final, essas palavras ecoavam como uma sentença eterna.
A lâmina caiu.
E, com ela…
Anos se passaram desde a morte de seu pai, e a vida de Noara na mansão de Léo só piorou. Sem o apoio da família, todos passaram a desprezá-la — até mesmo os criados e servos a tratavam mal. Passava dias sem comer, presenciava as traições do marido e suportava seu desprezo em silêncio. Noara já não era mais a jovem energética e brilhante de antes; seu corpo estava fraco, em declínio, desgastado pelos anos de sofrimento.
Certa noite, Léo forçou Noara a passar a noite com ele. No dia seguinte, a acusou de tê-lo drogado e se aproveitado dele. Noara negou tudo, mas Léo não acreditou. Um mês depois, Noara descobriu que estava grávida. Acreditou, com esperança ingênua, que Léo cuidaria melhor dela por causa da criança.
Mas estava enganada.
Assim que Léo soube da gravidez, obrigou Noara a beber um remédio abortivo. Disse que não suportaria ter um filho com ela, que preferia que a criança morresse antes mesmo de nascer — e que tudo aquilo era culpa de Noara.
Mais uma vez, seu coração foi despedaçado pelas palavras do marido.
Em uma noite silenciosa, enquanto caminhava pelo corredor, Noara ouviu Léo conversando com seu amigo de confiança. Foi então que descobriu a verdade: Léo havia causado a queda de sua família. A acusação de traição foi falsa. Tudo havia sido obra dele.
A tristeza tomou conta de Noara por completo. Tudo o que sofreu foi vingança. A morte de seu pai, o exílio do irmão, a perda de tudo… tudo era culpa de Léo. E, ainda assim, Noara se culpava por ter amado aquele homem. Sentia-se ingênua, ignorante, tola.
Já não conseguia chorar.
Voltou para o quarto e deitou-se na cama, arrependendo-se de todas as escolhas: de ter amado, das tragédias de sua família, do filho que nunca nasceu.
— Desculpe-me… sou uma tola… — sussurrou para a escuridão da noite, repetidas vezes, até adormecer.
Os dias passaram, e seu corpo já não tinha forças para continuar vivendo. A tristeza, a mágoa e o arrependimento fizeram Noara perder a vontade de viver. Ela só queria reencontrar seus pais.
Lágrimas escorriam por seu rosto abatido e pálido. Léo estranhou o fato de Noara não ir mais à cozinha em busca de comida. Já faz três dias que não a via.
No quarto, Noara sentia que seu fim estava próximo. Sonhou que estava com a família, jantando juntos. Na mesa, seus pratos favoritos. Seus pais riam, e seu irmão mais velho contava piadas para fazê-la comer.
Noara sorria.
— Pai… mãe… irmão… se eu tivesse uma nova chance, não seria tola a ponto de acreditar no amor…
Com essas últimas palavras, Noara fechou os olhos e dormiu eternamente, sozinha, no quarto vazio.
Ponto de vista de Léo
Eu nunca quis aquele casamento.
No dia em que me obrigaram a me casar com Noara Wil, senti que algo dentro de mim morreu. Não foi amor que me levou até o altar, foi ameaça. Foi chantagem. Foi o poder dos duques de Solaria esmagando um conde menor e seu filho mais velho. Aceitei para proteger meus pais, meu feudo, tudo o que ainda me restava.
E eu a odiei por isso.
Diante de toda a alta sociedade, fiz questão de dizer em voz alta: eu nunca a amaria. Queria que todos soubessem. Queria que ela soubesse. Mesmo vendo seus olhos brilharem de lágrimas, não me arrependi. Naquele momento, pensei que humilhá-la era a única forma de sobreviver àquela prisão.
Noara acreditava que eu mudaria. Sempre acreditou. Isso me irritava mais do que seus pedidos, mais do que suas lágrimas. Ela corria para os pais como uma criança mimada, reclamando que eu não era um bom marido. E eles vinham até mim, ameaçando, ordenando, exigindo. Cada visita só fazia o ódio crescer.
Enquanto isso, eu subia.
Ganhei prestígio, respeito e elogios do próprio imperador. E, quanto mais eu crescia, mais Noara definhava. Aquele brilho arrogante foi sumindo, dando lugar a um silêncio que eu fingia não ver.
Então chegou o dia em que tudo caiu.
Fui eu quem plantou a acusação.
Traição. Um crime perfeito.
Ver o duque Wil assumir a culpa no lugar dos filhos não me trouxe satisfação imediata — mas não recuei. Quando levei Noara à praça pública para assistir à execução, queria que ela sentisse a mesma impotência que eu senti no dia do nosso casamento.
Ela se ajoelhou diante de mim dias antes, implorando ajuda.
Disse que seu pai era inocente.
Que o irmão não merecia aquilo.
Eu respondi apenas a verdade que criei para mim mesmo:
— Eles merecem.
Quando a lâmina caiu e a cabeça rolou, vi Noara quebrar. As lágrimas em seu rosto me causaram algo estranho… mas eu transformei aquilo em desprezo. Era mais fácil odiá-la do que admitir qualquer outra coisa.
Os anos passaram, e eu permiti que a mansão se tornasse o inferno dela. Ignorei quando os servos a desprezavam. Ignorei quando ela parou de comer. Ignorei quando seu corpo ficou fraco demais para sustentar o próprio peso.
Naquela noite… eu perdi o controle.
O toque dela ainda me causa repulsa quando lembro, e, ainda assim, no dia seguinte, joguei toda a culpa sobre ela. Disse que havia me drogado. Ela negou, chorou, implorou. Não quis ouvir.
Quando descobri a gravidez, senti nojo. Medo. Ódio.
Não suportaria um filho com ela. Não com o sangue dela. Não com tudo o que ela representava. Obriguei-a a beber o remédio. Disse palavras que até hoje ecoam como veneno, mas não tirei nenhuma.
Então veio a verdade.
Ela ouviu.
Eu sei que ouviu.
Naquela noite, enquanto falava com meu amigo, revelei tudo: a acusação falsa, a queda da família Wil, a morte do duque. Quando percebi o silêncio do corredor, já era tarde.
Depois disso, Noara desapareceu.
Três dias sem vê-la. Três dias sem ouvir sua voz fraca pedindo comida, atenção ou perdão. Algo me incomodou — não arrependimento, mas um vazio estranho.
Quando entrei no quarto, o silêncio era absoluto.
Ela estava deitada, pálida, magra demais, como se o próprio corpo tivesse desistido. O quarto parecia maior sem sua presença. Frio. Vazio.
Só então entendi.
A mulher que eu quis destruir… consegui.
Não por vingança.
Mas por amor mal colocado.
E, pela primeira vez desde o início, percebi que a tragédia de Noara também carregava o meu nome.