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CAPIÍTULO 69

last update publish date: 2025-05-17 09:04:13

Cerco Silencioso

A manhã surgiu envolta numa névoa espessa. O ar carregava a umidade dos campos ao redor da Fazenda Feitiço do Sol Nascente, mas dentro do salão de reuniões, o clima era outro:

Tenso, concentrado e estrategicamente alinhado. Todos estavam presentes. As luzes brancas realçavam os rostos sérios, as expressões firmes, o olhar atento de quem sabia que cada detalhe daquela reunião poderia salvar ou condenar vidas.

Mateus estava de pé à cabeceira da mesa retangular. Ao seu lado, Paol
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    Alianças de Sangue e Amor Ninguém chorou como era vontade do velho Arturo. Seu sepultamento foi feito com todas as honrarias e sua família e as crianças presentes soltaram balões brancos, em sinal de paz. Uma semana depois espalharam-se para cumprir seus pedidos: Clara traçou planos para o terreno. Joana correu ao celeiro. Mateus contatou antigos aliados. Luna caminhou até o campo de lavandas e plantou a semente de guanandi junto à placa de Lupita. UM MÊS APÓS… O palácio colonial no coração de Oaxaca exalava poder e tradição. As paredes de pedra guardavam séculos de história, mas naquela noite brilhavam sob novas cores. Era a primeira vez em décadas que o México e a Argentina celebravam um pacto de união não assinado por ameaças ou conveniências, mas por laços que nasceram do afeto, da dor compartilhada e da reconstrução de um legado ancestral. Mateus observava o salão de cima, da sacada de ferro forjado. O terno negro caía com elegância sobre os ombros largo

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    Terra de Memórias Dois anos após a partida de Amanara. O último dia de Lupita na fazenda. O amanhecer chegou manso, como quem pede licença para entrar. Uma névoa fina cobria os campos, e o som dos galos era acompanhado pelo tilintar dos sinos espalhados pelo jardim da figueira. Era uma manhã especial, Solene, mas serena. A fazenda acordava para um ritual diferente, silencioso e sagrado: A despedida de Lupita. Ela estava sentada em sua cadeira de balanço, na varanda onde tantas vezes preparara receitas, acolhera crianças e contara histórias. Os cabelos brancos estavam presos num coque simples. Vestia um xale bordado à mão com flores vibrantes, presente de uma menina acolhida anos atrás. Ao seu lado, Clara segurava sua mão. Em vez de lágrimas, havia gratidão. — Tem certeza de que quer que a cerimônia seja hoje? Sussurrou Clara, com carinho. Lupita assentiu, com um sorriso cansado, mas pleno. — Quando o jardim floresce, a jardineira pode descansar. —Eu só quero ir on

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    A Última Palavra de ArturoO sol poente coloria de cobre os telhados da Fazenda Feitiço do Sol Nascente quando Arturo pediu que todos se reunissem no pomar. Aos noventa e dois anos, ele ainda exibia a postura orgulhosa de antigo Dom, mas agora o olhar carregava uma doçura que só a velhice concede aos que escolhem reverenciar a vida. Sentado numa cadeira de balanço improvisada com couro e madeira de ipê, mandou chamar Luna, Théo, Clara, Felipe, Gabriel, Mariana, Paola, Jonh, Joana, Mateus, Maurício e uma dúzia de crianças que o adotaram como avô.— Insolentes, aproximem-se! Exclamou com voz rouca, porém firme. Hoje lhes conto meu último segredo, antes que o vento o leve.As crianças se acomodaram na grama, formando um semicírculo. Luna cruzou os braços, fingindo severidade.— Vai se confessar, velho teimoso?— Talvez! Respondeu ele, erguendo a sobrancelha. — Ou talvez eu só queira garantir que não me transformem num santo depois que eu partir. —Santos são entediantes.Arturo respi

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    Epílogo – Heranças Escolhidas O céu daquela manhã estava limpo, de um azul intenso que parecia ter sido pintado à mão. O canto das andorinhas cruzava os campos, dançando sobre os telhados da Fazenda Feitiço do Sol Nascente. Era o dia da cerimônia de transição — um ritual simbólico que acontecia todos os anos para marcar a passagem de responsabilidade entre os mais velhos e os jovens que haviam crescido no Refúgio. Não era sobre deixar de cuidar, mas sobre aprender a compartilhar o peso da continuidade. Na varanda principal, Luna finalizava o discurso que faria à tarde. Seus dedos tremiam levemente sobre o papel, mas o olhar permanecia firme. Amanara, sentada ao seu lado, calçava as botas de couro que herdara do pai. Ainda estavam largas nos pés da menina, mas ela insistia em usá-las. Dizia que um dia andaria pelo mundo como ele. Sem medo, mas com propósito! Théo, agora mentor de um projeto de capacitação para jovens líderes sociais, estava em viagem, mas mandara u

  • No Coracão da Máfia: Herdeiros de Amor & Sangue   128

    Epílogo – Raízes que Acolhem A manhã chegou envolta em névoa leve, como um manto protetor estendido sobre a terra fértil. O aroma de pão fresco escapava da padaria artesanal instalada ao lado do antigo estábulo, agora reformado em espaço multiuso. Lupita já estava lá antes do sol nascer, misturando farinha com cuidado e cantando baixinho em espanhol, como fazia com os filhos quando eles eram pequenos. As crianças entravam aos poucos, atraídas pelo cheiro e pela promessa de café quente com geleia feita de amoras colhidas no pomar. Na parede de tijolos à vista, um mural novo começava a tomar forma: Fotos dos primeiros acolhidos, agora adultos, ao lado de novos rostinhos que chegavam com malas pequenas e olhos imensos. A cada nova imagem pendurada, um sorriso brotava, selando a travessia entre passado e presente. Luna caminhava lentamente pelos corredores da casa principal. Seus dedos deslizavam pelas paredes onde, agora, havia pinturas feitas pelas próprias crianças. Nenh

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    Epílogo –Flores que Resistiram Dez anos se passaram desde a queda dos Cordobeses e da morte de Andrés Cabrera. A Fazenda Feitiço do Sol Nascente, outrora palco de lutas e segredos, havia se tornado um santuário de reconstrução, memória e novos começos. Os portões do Refúgio dos Sonhos estavam sempre abertos, recebendo crianças de todas as partes da América Latina vítimas de tráfico infantil. Ali, o passado não era negado, mas transformado. Na varanda principal, Clara regava as lavandas com a mesma delicadeza de sempre. Felipe surgia logo após, trazendo relatórios, planilhas, mas sempre com um sorriso de quem sabia que a administração do Refúgio era mais coração do que papel. Eles continuavam lá, firmes como pilares, liderando a organização que agora contava com três unidades irmãs espalhadas pela Argentina, Paraguai e Brasil. Na ala educacional, Mariana e Gabriel davam aula juntos. Ela, agora pedagoga e especialista em traumas infantis, liderava os programas de rei

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