Home / Romance / Noiva por Conveniência / Capítulo 5: O Contrato

Share

Capítulo 5: O Contrato

Author: Luna B.
last update publish date: 2024-11-05 23:20:00

LANA MARTINS

Meu coração b**e acelerado enquanto atravesso o saguão luxuoso do hotel, um lugar que raramente frequento. As paredes de mármore, reluzentes sob a luz suave, os candelabros elegantes, e os arranjos de flores impecáveis me intimidam. A mensagem da minha colega ecoa na minha mente: "Um empresário influente precisa de uma acompanhante para um evento importante." O pagamento prometido é suficiente para cobrir as próximas mensalidades do internato de Ana. Mais do que isso, representa uma oportunidade de estabilidade que não posso ignorar.

Ao avistar o homem em um canto, sinto uma onda de atração por sua presença marcante e imponente. Seus cabelos escuros estão penteados para trás, de maneira elegante e impecável. A barba bem definida contorna seu maxilar, dando um ar sério ao rosto. Ele veste um terno preto que exala sofisticação e profissionalismo, complementado por uma camisa e uma gravata também pretas, mantendo um estilo clássico e discreto. Seu olhar intenso se fixa em mim, e isso só aumenta meu nervosismo.

Sei pouco sobre ele, exceto que pediu uma "noiva de fachada". O propósito é claro: ele quer alguém ao seu lado durante um evento, uma acompanhante. Mas à medida que me aproximo, uma inquietação me toma. O que isso realmente significa para ele — e para mim? A incerteza me faz questionar se estou pronta para esse trabalho e suas implicações.

— Lana Martins? — Sua voz baixa e firme me tira dos pensamentos.

— Sim, sou eu. — Assinto, tentando manter a calma.

Ele faz um gesto para que eu o siga. Subimos juntos até uma suíte reservada, onde ele indica um pequeno sofá para conversarmos. Sento-me, mantendo uma postura ereta e séria, mesmo que queira relaxar e parecer menos tensa.

— Sou Daniel Navarro — ele se apresenta, pausando para me observar. — Preciso de alguém que desempenhe um papel especial.

— Direto ao ponto — comento, esboçando um sorriso nervoso. Em seguida, me recomponho e pergunto, mantendo a voz calma e profissional: — E qual seria esse papel, exatamente?

Daniel respira fundo, como se estivesse se preparando para expor algo profundo. Ele me observa com uma mistura de vulnerabilidade e determinação antes de continuar.

— Tenho um evento para comparecer, o casamento do meu irmão — diz ele, a voz firme, mas carregada de emoção. — Mas há um detalhe importante: minha ex-noiva também estará lá.

Um silêncio pesado se instala, e sinto a tensão no ar. Ele continua, os olhos fixos nos meus, como se quisesse que eu entendesse a gravidade da situação.

— Não é qualquer ex — ele acrescenta, a dor quase palpável na voz. — É aquela que saiu da minha vida da forma mais dolorosa possível, levando meu coração consigo. Quando ela me deixou, perdi muito mais do que um relacionamento; perdi uma parte de mim.

As palavras dele ecoam na sala, e sinto o peso da história que ele carrega. Daniel parece se perder em suas lembranças, e, por um instante, vejo a fragilidade por trás de sua imagem imponente. Ele precisa de alguém ao seu lado, não só para fazer parte da festa, mas para enfrentar os fantasmas do passado que ainda o assombram.

— E é por isso que preciso de você — diz ele, trazendo-me de volta à realidade. — Preciso de alguém que me ajude a enfrentar essa situação. Alguém que me faça parecer... feliz, mesmo que por fora eu esteja despedaçado.

Seu pedido ressoa dentro de mim, e sinto uma mistura de empatia e responsabilidade. O que começou como um trabalho se transforma em algo muito mais profundo, uma chance de ajudar alguém a enfrentar suas dores e, talvez, encontrar uma nova esperança.

— Preciso que você finja ser minha noiva — diz Daniel, olhando diretamente nos meus olhos, tentando medir minha reação. A intensidade de seu olhar faz com que eu sinta o peso da sua solicitação.

— Para fazer ciúmes em Caroline? — pergunto, tentando compreender. Ele assente, com um misto de determinação e tristeza no olhar.

— Quero que ela veja o que perdeu — ele explica. — Que entenda que não sou apenas um cara solitário em um evento familiar. Quero que ela saiba que estou seguindo em frente, que sou desejado. Se me vir com alguém, talvez isso a faça reconsiderar tudo.

As palavras dele reverberam, e percebo a complexidade da situação. Ele não está apenas pedindo uma acompanhante; está tentando reverter o que foi perdido, reacender uma chama que se apagou. Sua proposta carrega uma vulnerabilidade que me faz hesitar.

— Você acha que isso vai funcionar? — pergunto. — Fazer ciúmes não é um jogo fácil. Pode acabar machucando ainda mais.

Daniel suspira, com um olhar distante, ponderando os riscos.

— Sei que há riscos — ele responde, a voz carregada de um peso emocional. — Mas preciso tentar. Sinto que, se ela perceber que posso seguir em frente, talvez sinta falta do que tivemos. É minha última cartada.

Eu me pergunto se estou disposta a entrar nesse jogo. Ao mesmo tempo, sinto uma chama de compaixão acender dentro de mim. Daniel está ferido, e sua vulnerabilidade é palpável. Ele não busca apenas uma "noiva de fachada"; busca um caminho de volta à esperança, mesmo que isso envolva manipulações emocionais.

— E se eu concordar? — pergunto, ponderando as implicações. — O que isso vai significar para mim?

Ele sorri, mas é um sorriso que carrega esperança e desespero.

— Sei que você precisa de dinheiro, e isso significa uma quantia que faria sua conta ter tantos zeros que você nem conseguiria contar — ele diz, a voz firme.

Olho para ele, ofendida pela forma direta como aborda minha situação financeira.

— E quais seriam os limites? — pergunto, cautelosa, tentando entender até onde ele está disposto a ir.

— Aqui está o contrato, com tudo detalhado: "sem sexo" — ele puxa uma folha da pasta e a coloca sobre a mesa. — É um contrato de acompanhante, sem intimidade. Você só precisa estar ao meu lado, conversar e sorrir como se fôssemos um casal apaixonado. Apenas isso.

Leio o documento com atenção; a cláusula "sem sexo" está destacada em negrito. As condições são claras. O contrato é temporário, válido apenas para esse evento, e o pagamento será feito no dia seguinte ao casamento. Levanto os olhos para ele, ponderando a decisão.

Hesito, mas a condição é mais um alívio do que um obstáculo.

— Você pergunta demais — Daniel comenta, com um sorriso que tenta aliviar a tensão. — Vamos ser diretos: você aceita ou não?

A lógica, de fato, está do lado dele. A oferta é tentadora, e a urgência da situação me faz considerar tudo o que está em jogo.

— Se eu aceitar, precisamos deixar claro que isso é apenas um contrato — respondo, tentando estabelecer limites. — Não quero que as emoções se envolvam.

Ele acena com a cabeça, compreendendo a necessidade de definir os contornos.

— Exatamente — ele confirma. — Isso é um negócio. E, quem sabe, no final você sai com uma boa quantia, e eu consigo o que preciso.

A proposta começa a ganhar forma em minha mente. A lógica, aliada ao benefício imediato, faz com que eu me sinta atraída pela ideia. E, mesmo que existam riscos, talvez isso traga uma nova direção para minha vida e para a de Ana.

— Tudo bem, senhor Navarro — respondo, finalmente. — Estou dentro.

O sorriso de Daniel se amplia, e um alívio perceptível surge em sua expressão.

— Ótimo! Então, vamos fazer isso funcionar — ele diz, estendendo a mão para mim, como se selássemos um pacto. — E, a propósito, me chame de Daniel. Afinal, agora somos... noivos.

A mão dele se encaixa na minha, e, embora a situação seja atípica, sinto uma mistura de nervosismo e empolgação. Estou prestes a entrar em um jogo que pode mudar nossas vidas de maneiras que ainda não consigo imaginar.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Noiva por Conveniência   Capítulo 32: Bodas de Madeira

    LANA MARTINSCinco anos se passaram, e é quase inacreditável ver o quanto tudo mudou. Ana, agora com 12 anos, parece tão diferente daquela garotinha travessa de antes. Ela e Nina, com seus cinco anos, se tornaram as melhores amigas, inseparáveis. Ver as duas juntas — Ana sempre a tia protetora e Nina, com sua energia contagiante — me enche de alegria como mãe e irmã. A convivência entre elas é um presente diário, e a cada dia essa relação cresce de um jeito lindo.E quanto a mim? A cada dia ao lado de Daniel, sinto que a felicidade se multiplica. Estou grávida novamente, esperando nosso segundo filho, um menino, e a ideia de ser mãe outra vez me traz uma sensação de plenitude que quase não consigo descrever. O tempo voou, mas trouxe tudo o que eu sempre sonhei: uma famíli

  • Noiva por Conveniência   Capítulo 31. Um Conto de Fadas Real

    LANA MARTINSO dia do casamento chega com uma ansiedade quase sufocante. Minhas mãos estão geladas, o coração acelerado, mas o sorriso não sai do rosto. Clara está ao meu lado, ajustando o véu, enquanto Ana, em seu vestido de dama de honra, não consegue parar quieta, cheia de energia.— Você está linda, Lana! — Diz Clara, dando um passo atrás para me observar. — Nunca te vi tão radiante.— Eu... nem sei o que dizer, Clara. — Sorrio timidamente, tentando controlar o nervosismo. — Tudo aconteceu tão rápido. Parece que ontem eu estava no hospital, sem saber se conseguiria viver para ver esse dia.Ela me olha com ternura e toca meu rosto.

  • Noiva por Conveniência   Capítulo 30: Um Passo de Cada Vez

    DANIEL NAVARROO dia em que Lana acordou mudou tudo. Quando ela abriu os olhos, senti como se o mundo tivesse ganhado uma segunda chance, uma nova energia, e nós também. Não só como casal, mas como uma família. O alívio de vê-la ali, de volta, é como um peso saindo dos meus ombros. Mas há algo que ainda me consome: eu quero pedir Lana em casamento. Depois de tudo o que ela lutou, depois de tudo o que enfrentamos juntos, sei que é a hora certa. Estou pronto.Antes mesmo dela voltar para casa, começo a planejar. A primeira pessoa em quem penso para ajudar é Lucas. Ele entende a urgência e a emoção que eu sinto. Quando conto meu plano, ele me lança aquele sorriso debochado, o mesmo de sempre.— Você e seus planos, irmão. — Zomba, mas vejo em seu olhar que ele está torcendo por mim.No dia em que

  • Noiva por Conveniência   Capítulo 29: Renascimento

    LANA MARTINSEstou em um espaço estranho, envolta em uma mistura de escuridão e luz, como se estivesse flutuando entre dois mundos. Fragmentos de vozes ecoam ao meu redor, mas parecem tão distantes, como se o mundo inteiro estivesse a milhas de distância. O peso no meu peito se dissipou, mas uma dor surda ainda persiste — algo que não consigo identificar completamente. Minha mente se perde entre realidade e desconhecido, sem noção exata de onde estou ou do que está acontecendo.Quando finalmente desperto completamente, a confusão me invade. Estou num hospital; os monitores emitem sons metálicos ao meu redor, e a dor, agora mais real, parece fazer parte de mim. Algo mudou, mas o medo ainda me consome. Onde está Daniel? E minha filha?O tempo parece congelado

  • Noiva por Conveniência   Capítulo 28: Bem Vinda Nina

    LANA MARTINSMeus dias na casa de Daniel começam a ganhar um ritmo próprio. Entre consultas médicas, repouso e os preparativos para a chegada de Nina, cada dia segue um padrão familiar, mas eu sinto que algo está mudando. É uma sensação boa, como se, finalmente, eu estivesse me preparando para algo maior do que imaginava.Certa manhã, a arquiteta chega com amostras de cores e tecidos para o quarto da bebê. Daniel a acompanha enquanto ela me mostra as opções, seus olhos atentos a cada detalhe, como se tudo fosse essencial. Tento disfarçar, mas não consigo evitar a emoção. Ver tudo tomando forma é um sinal claro de que uma nova fase está prestes a começar.— O que acha dessa cor? — A arquiteta perg

  • Noiva por Conveniência   Capítulo 27: Espera e Cuidado

    DANIEL NAVARRONa manhã seguinte, ainda sentindo o impacto da noite na biblioteca, dirijo-me à casa de Lana com uma sensação de renovação. Chegando lá, encontro-a penteando o cabelo de Ana, e a imagem mexe comigo de uma forma inesperada. Não posso evitar imaginar como ela seria uma mãe incrível.Lana me oferece um café, e aceito, aproveitando a desculpa para prolongar o tempo com ela. Enquanto ela prepara a bebida, uma pergunta me escapa, como se já estivesse ali há tempos, esperando para ser dita.— Então... estamos namorando? — Eento soar casual, meio brincalhão, embora a expectativa me traia um pouco.Ela dá uma risadinha, mas desvia o olhar, mostrando uma hesita&cced

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status