MasukNa manhã seguinte, acordei me sentindo leve. Após passar a noite pensando em tudo que ouvi, encontrei uma motivação a mais para seguir com o meu objetivo. Em compensação, o meu corpo doía como se tivesse sido atropelado por um caminhão.
— Minha nossa, me sinto como se tivesse levado uma surra — resmunguei, com dificuldade até mesmo para caminhar.
Lembrei-me então que havia pego o número de Jackson e que sequer agradeci pela força que me deu no dia anterior. Não resisti e mandei uma mensagem.
[ALICIA: Bom dia. Me desculpe, ontem sequer agradeci pela força que me deu. Foi importante. Obrigada!]
Enviei a mensagem despretensiosamente, sentindo o coração palpitar, surpreendendo-me logo em seguida com a resposta imediata.
[JACKSON: Fico realmente feliz e ficarei mais feliz ainda em te ver novamente hoje na academia.]
Após não pensar mais em outra coisa, eu já sabia que Jackson tinha vencido. Decidi permanecer com os treinos e passei a acreditar que talvez ele pudesse me ajudar a alcançar o meu objetivo de voltar a ser feliz.
Animada, comecei o dia seguindo a dieta impecavelmente e, sempre que o desânimo vinha, eu me lembrava das palavras dele.
— Vou me esforçar para ficar feliz comigo mesma, mas não irei me pressionar… Se for para alguém gostar de mim, que seja pelo que sou, e não pela minha forma física — falei cheia de autoridade para o meu reflexo no espelho, antes de seguir para a cozinha.
Naquela manhã, acabei me arrumando mais do que o normal. Fiz uma maquiagem que marcava bem os meus olhos verdes e escolhi um batom vermelho que se destacava bem em minha pele clara.
— Mamãe, você está tão linda hoje, é a mulher mais linda que eu já vi!
— E aqui está alguém que vai me amar independente de qualquer coisa… — Falei orgulhosa, selando um beijo na testa do meu pequeno. — Deve ser por ser linda que tenho o filho mais lindo e maravilhoso desse mundo.
Segui a minha rotina habitual e me vi ansiosa para a hora do treino, ciente de que o que eu faria lá pouco me importava, mas sim quem eu encontraria.
— Estou te achando mais animada hoje, amiga. Será que existe um motivo para isso? — Samanta comentou.
— Pode apostar, e o motivo é a mudança da minha vida. — Menti que nem senti.
— Se você está feliz, eu também estou. E me diz que vamos para a academia hoje? Você precisa se aproximar daquele delícia humana!
— "Delícia humana" foi ótimo! — Acabei rindo. — Vou sim, mas não por isso…
— Vai e não perde tempo. Se fosse eu, depois de ontem, já estaria agachando era no colo dele!
Engasguei com a gargalhada que soltei.
— Ele deve dizer aquelas coisas para todas.
Eu não tinha dúvidas disso, mas pouco me importava. Só o fato de me sentir atraente de alguma forma já significava muito para mim.
Seguimos trabalhando, ansiosas para o treino: eu para encontrar o Jack novamente e Sam para bisbilhotar. Porém, ao chegar à academia, fiquei decepcionada, pois foi outro personal que nos recepcionou.
— Boa noite, meninas. Me chamo Daniel. O Jack teve um imprevisto, mas eu irei auxiliar vocês...
— Ótima noite, maraaaavilhoooosa, por sinal! — Samanta respondeu empolgada, amando a troca, afinal o novo personal era alto, de corpo atlético e pele cor de ébano, um homem espetacular.
— É isso aí, animação é tudo! — Ele respondeu com um sorriso simpático.
No entanto, eu não fiquei nada satisfeita, e imediatamente toda a motivação que me deixou empolgada durante todo o dia havia escorrido pelo ralo.
"Ele me fez acreditar que estaria aqui…", eu resmungava em pensamento.
Nós seguimos as instruções de Daniel e fomos para a esteira aquecer, mas não consegui esconder a minha má vontade e, nos momentos seguintes, tudo que fiz foi reclamar.
— Não estou aguentando correr, minha perna está dolorida de ontem.
— Sem dor, sem ganhos. Já ouviu essa expressão? — Daniel respondeu, dando uma risadinha. O moreno esbanjava sorrisos.
— Não quero ganhar nada, quero perder!
Enquanto eu permanecia emburrada e torrando a paciência alheia, uma voz grossa e com uma rouquidão estupidamente sexy, a voz que eu tanto esperava ouvir, interferiu na nossa conversa:
— Então parar de reclamar seria um ótimo começo.
— Jackson? — Perdi o ritmo e quase caí da esteira quando me virei para encontrar o olhar dele.
— Tive um compromisso que me atrasou. Estou muito feliz por te ver aqui…
Senti minhas bochechas queimarem e meu coração bateu irregular. Ele ainda me fitava de forma quase hipnótica, quando Samanta debochou:
— Às vezes eu me sinto o Gasparzinho.
— Por ver vocês… — Jackson corrigiu sua fala, rolando os olhos, e se dirigiu ao Daniel:
— Dê atenção para a Samanta, por favor, Daniel. Eu cuido da Alicia...
— Ai, que tudo… — Sam comemorou por ficar a sós com Daniel. — Quero dizer, preciso mesmo de atenção, estou com muita dificuldade!
— Então vem comigo. — Ele a chamou, enquanto eu ainda ria do descaramento dela.
Os dois se afastaram, e Jackson estendeu a mão, me ajudando a descer da esteira.
— Pensei que não viria hoje… — Falei, meio sem jeito.
— Só estou aqui por sua causa.
— Por minha causa? — Questionei, incrédula.
— Eu tenho três academias para administrar e dou aula particular, não costumo ficar aqui…
— Mas foi você quem disse que seria meu personal no dia em que viemos conhecer a academia... Eu pensei que…
— Que trabalho como personal aqui? Não, me ofereci para ser o seu personal em particular.
— Por quê?
— Perguntei, ainda em choque. Era difícil acreditar.
— Quando te vi dando para trás, e depois querendo desistir, sabia que você precisava de mim. Eu trabalho com isso há anos e me dedico não apenas para construir corpos dos sonhos, mas para mudar vidas… Como alguém mudou a minha quando precisei um dia.
"Tudo que ele disse ontem não passou de um discurso motivacional, não era como se ele me visse como algo mais…", pensei frustrada.
Ficou óbvio que eu estava sonhando alto demais, imaginando coisas demais e me iludindo demais.
— Então virei o seu projeto de caridade? Não passo de um desafio para você? — Murmurei.
— Caridade? Isso eu faço ajudando alguém faminto... Sem dúvidas, você é um grande desafio — completou, olhando-me de uma forma intensa, e abriu um sorrisinho cínico.
Comecei a achar que ele fazia de propósito para me alucinar.
— Agora, vamos deixar de conversa fiada e partir para o treino…
Por um momento, tudo que a minha mente me fez acreditar tinha caído por terra, e toda a animação da manhã havia se dissipado. Segui as orientações de Jack feito uma criança birrenta e permaneci calada por um tempo.
— Está tudo bem com você? Parece chateada — ele perguntou.
— Tudo ótimo… — Respondi friamente.
— Você fica uma gracinha emburrada. Eu só queria entender qual é a razão agora.
— Acho que levei muito a sério tudo que você falou ontem… — Desabafei, arrependendo-me logo em seguida.
— O objetivo era esse. Que mal há nisso?
— É que eu pensei... Bom, deixa para lá…
— Que eu estava flertando com você?
Arregalei os olhos sem conseguir responder e me enchi de vergonha, temendo que ele risse da minha cara por ter cogitado algo do tipo.
— Na-não, claro que não! — Gaguejei. — Sua aula motivacional ontem foi um arraso!
— Aula motivacional? — Ele riu. — Acho que terei que ser mais direto com você…
Então ele se aproximou e sussurrou no seu ouvido enquanto disfarçava, me ajudando a erguer os pesos.
— Eu só não quero ser indelicado, mas se você permitir, eu te mostro como estava sendo sincero…
Senti cada fio de cabelo do meu corpo arrepiar. Eu não sabia exatamente o que ele queria mostrar, ou como faria isso, mas eu estava louca para descobrir.
3 meses depois do nosso casamento, dei à luz a Mary, e ver a emoção do Jack ao segurar a filha nos braços pela primeira vez não tinha preço. Nossa pequena tinha os traços do pai, a pele bronzeada e cabelos negros, porém os olhos, esses eram verdes como os meus e do irmão. Ao me olhar no espelho 6 meses depois, certa manhã, analisando meus seios assimétricos devido à amamentação, as olheiras fundas, devido às noites mal dormidas, e os cabelos desarrumados, presos num coque, além das gordurinhas a mais que a gravidez me proporcionou, sorri quando Jack entrou no banheiro com Mary nos braços. — Veja o que temos aqui, minha princesa, se não é a mamãe mais linda e maravilhosa desse mundo! — Falou, beijando-me na testa, e cochichou: — E a mais gostosa.Então percebi que o que tornava um casamento feliz não era o dinheiro, as aparências, ou somente os bons momentos, e sim quem está ao nosso lado e a forma como esse alguém encara cada momento da vida conosco. Afinal, a vida é feita de fases,
Alguns dias se passaram e, certa tarde, Jack chegou em casa após dizer que havia ido trabalhar, extremamente agitado. — Neném, tenho uma surpresa para você… — O quê? — Perguntei curiosa. — Venham comigo… Você e o Bruce também, filhão. — Falou, chamando o David. Todos seguimos e, em determinado momento, ele vendou os nossos olhos. — Vou ajudar vocês a descerem, não olhem agora! Ele pegou David no colo e me apoiou, nos conduzindo a pé, até que parou. — Podem tirar a venda. Quando removi a venda, vi que estávamos dentro de uma linda casa. — Oh, minha nossa! — Uaaau! — E então, o que acharam? Era uma verdadeira mansão. Estávamos parados em um enorme quintal que possuía um belíssimo jardim, mais à frente era possível ver uma piscina e a área de churrasqueira. Bruce farejava o local correndo de um lado para o outro, já deixando seu território marcado com litros de xixi, antes de se atirar na enorme piscina. — Acho que ele aprovou! — Jack dizia rindo. — Isso tudo é... — Gagueje
Acordei apenas pela manhã. Foi quando me dei conta de que estava no hospital e viva, e chorei aliviada ao ver o Jack ao meu lado, debruçado sobre a minha barriga. — Amor... Jack… — O sacudi. Jack abriu os olhos, ainda sonolento, e se levantou rapidamente, me abraçando. — Como você está, meu amor? Eu estava tão preocupado! — Jack, o David! O Robert pegou o David? — Não, ele está bem, está na casa da sua mãe, fique tranquila. — E o nosso bebê? Jack derramou uma lágrima e acariciou o meu rosto. — Falaram que fariam o ultrassom agora pela manhã, mas eu tenho certeza que vai estar tudo bem. — Que mal eu fiz para ele, por que ele me odeia tanto? Jack abaixou a cabeça e desviou o olhar, como se buscasse palavras. — Acabou, meu amor, o Robert não vai mais te perturbar... — Ele foi preso? O que houve depois? Só lembro que ele me amarrou e começou a atear fogo em nossas roupas, e depois disse que ia pegar o David e fugir… Quando eu consegui me soltar, a casa estava inteira em chamas
~~ Jackson ~~Poucos minutos depois que a Alicia saiu, recebi um telefonema da mãe dela que me deixou intrigado. — Oi, querido, como você está? A Alicia está por aí? Liguei no celular dela, mas não me atende. — Oi, dona Neuza, a Alicia já saiu para encontrar com a senhora. Neuza se calou por um momento. — Ah, sim, não sabia que ela viria aqui. — Vocês não combinaram de ir ao banco? — Ao banco? — Sim, a Alicia saiu daqui dizendo que ia ao banco com a senhora. Mais uma vez ela se calou. Então ficou muito bem claro que a Alicia estava mentindo e que a mãe dela não fazia a menor ideia disso, porém nenhum de nós conseguia entender o porquê. Assim que desligamos a ligação, tentei falar com a Alicia, sem sucesso. Ela não atendia e tampouco respondia às minhas mensagens. Por fim, quando já havia desistido, bastante chateado, recebi uma mensagem de Samanta.[Samanta: Jack, não sei se eu deveria estar te contando isso, mas o Robert pegou o David na escola de novo e pediu pra Alicia ir
Robert me olhava de forma diabólica, então me dei conta que não estava para brincadeira.— Se acalme, por favor. Do que você está falando? Vamos conversar! — Supliquei, já apavorada, temendo que ele me fizesse algum mal. — Não se faça de desentendida, sua vagabunda! — Ele berrou, batendo a mão no criado-mudo. — Quer que eu refresque a sua memória? Vamos lá… No dia em que nós brigamos, você meteu a pata na merda do meu celular, que sumiu logo em seguida! — Eu já disse que não vi, eu não peguei esse celular! — Olha na minha cara e diz que você não viu, Alicia! — Ele me puxou pelos cabelos, colando a face na minha. — Me solta, você está me machucando! Me solta! Robert me arremessou novamente, dessa vez no chão. Caí, levando a mão à barriga, preocupada com o meu bebê. — Se não foi você, foi aquele desgraçado! Vocês armaram para mim, me denunciaram! Acabaram com a minha vida! Robert estava transtornado. Logo percebi que David não estava e nunca esteve ali. Ele o usou de isca para me
Tudo ia incrivelmente bem, até que certa manhã, uma ligação inesperada de Maciel me surpreendeu. — Alicia, a audiência foi cancelada. — Cancelada? Por quê? — Longa história. Vocês podem vir aqui em casa para a gente conversar? — Claro! Sendo assim, mais tarde Jack e eu seguimos para a casa de Maciel, sendo recepcionados pela Emilly. — Oi, Alicia… Só com intimação para o Jack trazer você aqui, não é? — É verdade…— Posso saber o que você quer com a minha noiva? — Jack murmurou. — Falar mal de você! O que mais seria? Entrem, o Maciel está esperando… Assim que entramos, os filhos de Maciel e Emilly se aproximaram empolgados por verem Jack, o que não me surpreendeu. — Tio Jack! — Ambos gritaram simultaneamente. — As crianças são loucas nele, acho que se identificam com este crianção… — Emilly provocou. — Concordo! — Falei, dando uma risadinha. — Não tenho culpa se a sua alma é de 80 anos! — Jack retrucou, virando-se para mim na sequência. — A sua não, meu amor, só a dela. En







