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Capítulo 51: O Refúgio Desesperado de Ruth

Penulis: Ge Valdez
last update Tanggal publikasi: 2026-10-18 03:31:14

O ônibus da linha noturna freou com um solavanco barulhento ao atingir o ponto final, no coração do Centro da cidade. A paisagem urbana, deserta e banhada pela luz fria dos postes, refletia exatamente como Ruth se sentia por dentro: vazia, fria e completamente perdida.

Ela desceu os degraus do coletivo trôpega, as mãos trêmulas apertando a alça da bolsa contra o peito. Engoliu o choro que ameaçava sufocá-la, forçando-se a focar no horizonte escuro. Foi quando avistou, a poucos metros dali, a lu
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    O sol da manhã começava a filtrar pelas frestas das cortinas do chalé quando batidas firmes, mas discretas, ecoaram na porta. Heitor, que já estava de pé e devidamente vestido, caminhou a passos leves para não acordar a esposa caso ela ainda estivesse dormindo. Ao abrir a porta, deparou-se com um funcionário da pousada segurando uma bandeja colossal, transbordando com o que havia de melhor na cozinha.— Bom dia, senhor Heitor. O café da manhã da dona Ruth — anunciou o rapaz, com visível zelo.— Bom dia. Por favor, monte tudo na varanda — pediu Heitor, indicando o espaço externo que dava para o jardim. — Queremos tomar o café aproveitando a vista.O movimento e o som baixo das vozes despertaram Ruth. Ela se espreguiçou na cama, sentindo o corpo bem mais leve do que nos dias anteriores. Sentando-se no colchão, sorriu ao ver o marido na porta da varanda.— Bom dia, amor — disse ela, com a voz ainda um pouco arrastada pelo sono.Heitor virou-se imediatamente, com o semblante iluminado ao

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    Heitor e Ruth saíram da sala da presidência caminhando lado a lado, e a atmosfera pesada que costumava rondar o andar da diretoria simplesmente desapareceu, dando lugar a sorrisos sinceros. Ao passarem pela recepção, Heitor parou em frente à mesa da secretária com uma leveza inédita.— Desmarque todos os meus compromissos da tarde, Paula — ordenou ele, o tom de voz suave. — E ligue para a Dulce. Diga a ela que não se preocupe, pois nós não temos hora para chegar em casa hoje.— Sim, senhor! — respondeu Paula, abrindo um sorriso cúmplice.Ao chegarem perto dos elevadores, Heitor avistou o motorista que aguardava pacientemente.— Eduardo, você está dispensado por hoje. Daqui para frente eu cuido da minha esposa. Leve o carro dela de volta para a mansão e vá descansar.— Sim, senhor. Muito obrigado — agradeceu Eduardo, fazendo um aceno respeitoso para Ruth.— Vamos, meu amor? — perguntou Heitor, sorrindo e estendendo a mão para a esposa.— Sim — consentiu Ruth, encaixando seus dedos nos

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    — É meu. O capuccino é meu — disse Ruth, girando calmamente a cadeira de couro e encarando o marido com um meio sorriso.Paula quase infartou no meio da sala, prendendo a respiração. A expressão ríspida e imponente de Heitor desmoronou em uma fração de segundo. Os olhos dele se arregalaram, as pastas quase escorregaram de suas mãos e o choque deu lugar a uma emoção pura e avassaladora.— Ruth?! Amor... O que você está fazendo aqui? — gaguejou ele, completamente desarmado. Ele olhou rapidamente para a secretária, com o coração disparado. — Paula, por que você não me chamou imediatamente na sala de reuniões?— É que... — Paula tentou se justificar, com os olhos arregalados. Ela disse... eu pensei que.... — Eu que não deixei, Heitor — interrompeu Ruth, com a voz mansa, mas firme. — Eu queria te fazer uma surpresa.Um sorriso largo e iluminado, que há um tempo não visitava o rosto de Heitor, brotou em seus lábios. Ele caminhou a passos rápidos até ela, curvando-se para lhe dar um breve,

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