O som estridente da impressora antiga trabalhando na garagem ecoava pela cabeça de Ruth como uma contagem regressiva. O visor do computador usado, comprado após meses de economia, piscou duas vezes antes de estabilizar a imagem do molde de uma caixa personalizada. Ruth suspirou, limpando o suor da testa com as costas da mão, mas manteve o sorriso no rosto ao ver o corte perfeito do papel. Aquele pequeno espaço de três por quatro metros, roubado da garagem da família, era o seu império. O seu orgulho. Ali, naquele pequeno espaço, ela se sentia feliz, ela podia ser ela mesma, sorrir, cantar, dançar, e por alguns minutos que fosse.... ser feliz!— Ruth! Ô, Ruth! — a voz de Dona Maria cortou o ar, vinda da cozinha, carregada daquela irritação de sempre. — Deixa essa besteira de papel de lado e vai no mercado! A Ana veio almoçar e precisa levar as coisas do menino. E vê se me passa cinquenta reais para o leite, que o dinheiro do seu padrasto sumiu junto com ele há anos e você sabe muito
Huling Na-update : 2026-09-21 Magbasa pa