INICIAR SESIĂNđ Dois anos depois â MansĂŁo Ferraz Mendes, Hollywood HillsO drone da imprensa sobrevoava a casa. E, olha⊠Hollywood que lute. Porque quando Beatriz Mendes e Caio Ferraz fazem qualquer coisa â desde abrir uma garrafa de vinho atĂ© abrir uma empresa â o planeta simplesmente SURTA.Sim. Agora eles nĂŁo sĂŁo sĂł o casal mais viral da dĂ©cada.Eles sĂŁo CEOâs.ProprietĂĄrios da âF*ck The Rulesâ â uma mistura de consultoria de imagem, lifestyle, eventos, linha de moda e, claro, uma masterclass gratuita (ou nĂŁo) sobre como quebrar padrĂ”es, debochar do sistema e lucrar enquanto transam apaixonados.Na coletiva?Beatriz apareceu impecĂĄvel. MacacĂŁo preto, costas nuas, salto agulha, cabelo loiro em ondas largas, batom vermelho capaz de causar divĂłrcio em sĂ©rie⊠e, no colo, o filho de um ano, mastigando uma pulseira da Gucci como se fosse biscoito de polvilho.Caio? Terno aberto, tatuagem gritando na gola, cabelo preso naquele rabo displicente, segurando numa mĂŁo a mamadeira⊠e na outra, um contrato d
O caos começou com uma contração. NĂŁo, mentira. Começou com um grito.â âCAIOOOOOOO, ACORDA! MINHA BOLSA ESTOUROU!âCaio levantou da cama como quem leva um choque de 220V na alma.â âQUE? COMO ASSIM? JĂ? MAS TĂ COM⊠quantas semanas mesmo?ââ âNĂO SEI, NĂO FAZ A CONTA AGORA, PELO AMOR DE DEUS!âEle tropeçou na mala que nĂŁo tinha terminado de arrumar.â âCadĂȘ a mala da maternidade?ââ âAquela⊠que eu devia ter feito ontem?âBeatriz respirou fundo. E por respirar fundo, entenda: berrou.â âVOCĂ TINHA UMA TAREFA, CAIO! UMA!ââ âTĂĄ, relaxa. A gente dĂĄ um jeito. Pega o vibrador, o carregador do celular e a calcinha da sorte.ââ âEU TĂ PARINDO, CAIO! NĂO Ă UM FINAL DE SEMANA NO AIRBNB!âEle rodava pelo quarto igual uma barata tonta:â âDocumento⊠onde tĂĄ o documento⊠Ah, merda! O passaporte nĂŁo serve, nĂ©?âBeatriz segurou na porta do banheiro, respirando, rangendo os dentes.â âSe vocĂȘ nĂŁo me colocar dentro desse carro AGORA, eu juro⊠eu te faço desejar nunca ter me engravidado!ââ âVocĂȘ jĂĄ
O som das ondas parecia sincronizar com a respiração deles. A lua refletia na ĂĄgua azul-turquesa como se o universo inteiro tivesse sido contratado sĂł pra iluminar aquela noite.O bangalĂŽ? Um escĂąndalo.Piso de vidro que deixava ver os peixes nadando.Cortinas brancas esvoaçantes.Cama king-size cercada por velas, pĂ©talas e um clima que beirava o proibido.E no centro de tudo?Ela.Beatriz.Barriga de seis meses, linda, poderosa, deitada com uma lingerie cor champanhe, rendada, que parecia desenhada sob medida pro corpo dela â que, honestamente, nunca esteve mais sexy.Ele parou na porta do quarto, sĂł de calça de linho, descalço, o cabelo meio preso, tatuagens em destaque e aquele olhar de âhoje nĂŁo tem roteiro, tem adoraçãoâ.â âVocĂȘ nĂŁo tem noção do quanto tĂĄ gostosa assim.â â ele disse, voz baixa, arrastada, quase uma oração suja.Ela passou a mĂŁo pela barriga e mordeu o lĂĄbio.â âE vocĂȘ nĂŁo tem noção do quanto eu preciso do seu corpo⊠agora.âCaio nĂŁo respondeu. NĂŁo precisava.Ve
O sol refletia na ĂĄgua cristalina, pintando o mar de azul surreal, quase como se alguĂ©m tivesse passado filtro do Instagram no oceano inteiro. As Maldivas acordavam calmas. Mas o iate⊠Ah, o iate deles? Esse tava tudo, menos calmo.Luxo.Brilho.Cheiro de mar misturado com o perfume dela: aquele doce-amadeirado que sempre deixava Caio meio sem rumo e muito sem juĂzo.Beatriz estava encostada na proa, usando um biquĂni branco, minĂșsculo, com alças douradas que pareciam mais decorativas do que funcionais. A barriga de seis meses estava linda, lisinha, arredondada, desenhando perfeitamente a curva da vida que eles criaram â entre uma transa descontrolada e outra.Por cima, uma saĂda de praia transparente, toda bordada em pedrarias discretas, que tremulava no vento como se o mundo inteiro tivesse sido programado pra exibir sĂł ela.Ăculos escuros enormes. Cabelo solto, com ondas naturais, levemente bagunçado pelo vento. Brincos de argola delicados. Pulseiras finas. E aquele sorriso de quem
O mar parecia Photoshop da natureza. Azul surreal. Verde impossĂvel. Transparente de um jeito que dava pra ver atĂ© os peixinhos fofoqueiros nadando embaixo do barco.O barco?Branco, elegante, todo de madeira de teca, com almofadas bege, velas nĂĄuticas abertas e uma bandeja com frutas, champanhe (sem ĂĄlcool pra ela, claro) e panquecas que ninguĂ©m ia comer. Porque fome, naquele momento, era outra.Beatriz estava sentada na parte da proa, vestindo um biquĂni branco rendado â aquele modelo que valorizava a bunda, os seios mais fartos da gravidez, a cintura que agora emoldurava perfeitamente a barriga de seis meses.Por cima, uma saĂda de praia leve, transparente, com detalhes em dourado. O cabelo solto, fazendo ondas mais perfeitas que as do mar. E o rosto? Iluminado. De sol. De tesĂŁo. De amor nĂŁo declarado, mas estampado em cada olhar.â âTĂĄ me olhando por quĂȘ?â â ela perguntou, sem desviar os olhos do horizonte.Caio estava atrĂĄs dela, sem camisa, short branco, tatuagens expostas, o ca
A ĂĄgua turquesa refletia as luzes do bangalĂŽ. LĂĄ fora, o som do mar. Aqui dentro⊠sĂł o som da respiração dela â acelerada, trĂȘmula, entregue.Beatriz, com a barriga jĂĄ arredondada de 6 meses, estava de frente pra porta de vidro, olhando o pĂŽr do sol que se despedia sem saber que, lĂĄ dentro, quem ia pegar fogo⊠era ela.Caio estava atrĂĄs dela. SĂł de bermuda. Tatuagens expostas. MĂŁos no bolso. E aquele olhar⊠aquele maldito olhar de quem sabe que controla cada fibra do corpo dela.Ele caminhou devagar, tĂŁo devagar que o som dos passos no piso de madeira parecia parte da trilha sonora da tensĂŁo.Parou atrĂĄs dela.Deslizou os dedos pelos braços dela, atĂ© os ombros. Beijou a nuca. A voz dele era mais grave que o mar.â âSabe o que eu mais amo em vocĂȘ grĂĄvida?âEla virou o rosto, arqueando uma sobrancelha.â âO quĂȘ?ââ âQue vocĂȘ tĂĄ mais linda, mais gostosa⊠e que agora nĂŁo precisa mais se preocupar com anticoncepcional.âBeatriz riu. Aquele riso que dizia: âEu te odeio. Eu te amo. E eu te q







