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CAPÍTULO 7

Autor: BZ02
Quando Lívia abriu os olhos outra vez, o cheiro forte de desinfetante invadiu seu nariz.

Ela estava deitada na cama do hospital. Instintivamente, levou a mão ao abdômen. Estava vazio.

Um vazio que doeu como se algo tivesse sido arrancado à força. A dor subiu do peito e se espalhou pelo corpo inteiro, sem aviso.

O bebê…

O bebê dela se foi.

As lágrimas escorreram em silêncio, encharcando o travesseiro.

A porta do quarto se abriu. Heitor entrou, os olhos ainda marcados por veias vermelhas.

Ao vê-la acordada, a tensão em seu corpo pareceu ceder um pouco. Ele caminhou rápido até a cama, a voz rouca:

— Você acordou? Está se sentindo mal? Quer que eu chame o médico?

Lívia não respondeu. Apenas o encarou, com um olhar vazio.

Heitor se sentiu desconfortável sob aquele olhar. Desviou os olhos sem perceber, estendeu a mão para segurar a dela.

— Lívia, me escuta… eu já chamei a polícia. Fica tranquila. Não importa quem tenha feito isso, eu não vou deixar passar.

Ela puxou a mão devagar, fugindo do toque dele.

A mão de Heitor ficou suspensa no ar. O pomo de Adão desceu e subiu, e ele suavizou ainda mais a voz:

— Eu sei que você está sofrendo. Eu também estou… o bebê… a gente ainda pode ter outro. Quando você melhorar, eu te levo pra viajar. Pra onde você quiser. A gente…

— Sai. — Lívia falou.

Heitor ficou paralisado.

— Lívia, você…

— Eu mandei você sair. — Ela repetiu, sem sequer olhar para ele.

Nos dias seguintes, Heitor apareceu todos os dias.

Levava um tablet, sentava ao lado da cama e, animado demais, começava a mostrar pra ela planos de viagem, falando do mar azul das Maldivas até as montanhas cobertas de neve da Suíça.

— Lívia, olha esse aqui. Maldivas. Mar azul, bangalô isolado. A gente pode ver o nascer e o pôr do sol todo dia, sem pensar em nada…

— Tanto faz. — O olhar dela não saía da janela, e a resposta saiu distraída.

— E esse? Esquiar na Suíça. Você sempre disse que queria ver as montanhas nevadas. Eu contrato o melhor instrutor. — Heitor continuava mostrando as imagens, tentando chamar a atenção dela.

— Uhum.

O sorriso dele ficou um pouco rígido, mas ele insistiu.

Naquela tarde, um homem de terno saiu do quarto dela. No corredor, deu de cara com Heitor, que vinha trazendo uma garrafa térmica.

Heitor parou por um instante. O olhar afiado passou pelo homem e depois voltou para o quarto, perguntou de leve:

— Quem era aquele agora há pouco?

— Vendedor de seguros. — Lívia respondeu, sem se explicar.

Heitor não perguntou mais nada.

Ele entrou, abriu a garrafa térmica. Um cheiro conhecido se espalhou no ar.

— Vem, toma um pouco de sopa. — Ele levou a colher até a boca dela. — A Bárbara fez pessoalmente. Disse que isso ajuda na recuperação.

Ao ouvir aquele nome, o estômago de Lívia se revirou. Ela segurou a náusea com dificuldade e virou o rosto de repente.

— Leva isso embora. Eu não quero.

Heitor ainda ia dizer algo, mas o celular tocou. Na tela, piscava o nome "Bárbara".

Ele atendeu quase imediatamente.

— Alô? Bárbara? O que foi?… Não chora… eu estou resolvendo, sim… Tá bom, tá bom, a culpa é minha. Não fica brava. Eu vou agora mesmo te fazer companhia.

Desligou e se levantou às pressas, ainda fez questão de dizer:

— Não esquece de tomar a sopa. Mais tarde eu volto pra te ver.

— Heitor. — Lívia o chamou.

Ela tirou algumas folhas de papel debaixo do travesseiro.

— Assina isso aqui.

— O que é? — Ele perguntou, distraído.

— Um documento de autorização da empresa. O Artur trouxe hoje cedo. Disse que era urgente.

Heitor pegou os papéis, nem leu. Virou direto para a última página e assinou com um gesto rápido e seguro.

Lívia observou aquele movimento fluido e puxou o canto da boca num sorriso irônico.

— Você assina qualquer coisa. Não tem medo de eu te enganar?

Heitor riu, se aproximou e passou a mão nos cabelos dela, num gesto íntimo e natural.

— Minha esposa não faria isso comigo, faria?

Ele se inclinou e beijou sua testa. O toque quente fez o corpo de Lívia enrijecer por completo.

— Descansa bem. O médico disse que amanhã você já pode ter alta. Já preparei o voo. Depois disso, vou ficar com você.

A porta se fechou, isolando o mundo do lado de fora.

Lívia pegou o acordo de divórcio, olhou para a assinatura "Heitor Lopes" escrita em letras grandes e soltou um riso frio.

Pegou o celular. Reuniu todos os vídeos obscenos, todas as mensagens provocativas que Bárbara havia enviado. Compactou tudo e encaminhou para o advogado.

Depois, abriu o armário, puxou a mala que já estava pronta havia dias, desceu as escadas e entrou em um carro que a esperava na beira da rua.

O veículo saiu do hospital.

Ao virar o cruzamento, passou raspando por um Bentley que vinha em alta velocidade.
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Último capítulo

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