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CAPÍTULO 6

Author: BZ02
Lívia leu com atenção o que aparecia na tela do celular. O rosto não mudou em nada. Depois de um longo instante, ela apenas abaixou o aparelho.

— Isso… — A voz saiu calma. — Não fui eu.

— Se não foi você, foi quem?! — Heitor não acreditou nem por um segundo. O tom era agressivo. — Quem mais teria motivo pra ir atrás dela desse jeito? Quem usaria um método tão cruel?!

Bárbara chorava baixinho ao lado, o que só alimentava ainda mais a raiva dele.

De repente, Lívia se sentiu cansada. Cansada a ponto de achar inútil até se explicar. Ela apenas olhou para o homem que um dia amou, vendo-o apontar para ela com ódio por causa de outra mulher.

Puxou levemente o canto da boca. Um sorriso raso, quase vazio.

— Então?

— Então você vai agora pra internet e postar um esclarecimento. Dizendo pra todo mundo que isso foi um mal-entendido. Vai limpar o nome da Bárbara. — Heitor não deixava espaço para recusa.

Lívia riu de raiva. Como se tivesse acabado de ouvir a piada mais absurda do século.

— Heitor, você saiu de casa hoje sem cérebro? — Ela falou devagar, palavra por palavra. — Não fui eu quem fez isso. Por que eu teria que explicar?

— Heitor… — Nesse momento, a voz fraca de Bárbara, que vinha logo atrás dele, interrompeu tudo no tempo certo.

Ela usava um pijama hospitalar simples, o rosto sem cor. Ao ver Lívia, o corpo recuou instintivamente. Ainda assim, forçou um passo à frente, como se tentasse se manter firme, o corpo balançando, como se fosse cair a qualquer momento.

— Lívia, para… não briga com o Heitor por minha causa. A culpa é minha… eu… depois que o bebê nascer, eu vou embora. Não fica chateada com ele…

O frio ao redor de Heitor desapareceu na hora. Ele segurou Bárbara, que parecia prestes a desmaiar, e falou num tom suave:

— Para de falar besteira. Vou te levar pra descansar.

— Lívia, pensa bem. Depois vem pedir desculpa pra Bárbara. Senão… você vai acabar descobrindo as consequências.

Sem olhar mais uma vez para ela, saiu dali abraçando a Bárbara que chorava.

A mansão voltou ao silêncio.

Lívia ficou parada por muito tempo. Depois se abaixou e, sem expressão alguma, varreu os restos do celular quebrado para dentro do lixo.

Como quem limpa algo sem importância.

Três dias depois, era o dia marcado para o exame pré-natal.

Lívia vestiu roupas largas e saiu dirigindo sozinha. O carro mal tinha deixado o condomínio quando um caminhão desgovernado surgiu de lado e bateu com força.

O mundo virou.

No último segundo antes de apagar, ela instintivamente protegeu o ventre.

Quando acordou de novo, estava em um galpão abandonado, o ar cheio de poeira.

Uns caras de aparência duvidosa a cercaram, com olhares cheios de más intenções.

— Acordou? Até que você é resistente.

Lívia tentou correr, mas alguém puxou seus cabelos e um tapa violento acertou seu rosto.

— Fugir? Fugir pra onde? — O que parecia ser o líder zombou. — Sra. Lopes, não perde tempo.

Chutes e socos começaram a cair sem parar. Ela tentou se defender com todas as forças, mas só recebeu golpes ainda mais pesados.

Uma dor aguda atravessou o abdômen. O rosto de Lívia perdeu a cor. Ela se encolheu no chão, abraçando a barriga com toda a força.

— Não… não batam na barriga… — A voz tremia, quase um imploro. — Por favor… eu pago. Quanto vocês quiserem…

O homem à frente parou. Agachou-se, bateu de leve no rosto dela, com um sorriso carregado de malícia.

— Olha só… tem coisa aí dentro? Que pena. Alguém pagou mais caro do que você.

Ele se inclinou e falou perto do ouvido dela:

— Sra. Lopes, da próxima vez aprende. Não mexe com quem não deve.

As pupilas de Lívia se contraíram.

Bárbara? Ou…

No segundo seguinte, alguém a puxou do chão e a jogou escada abaixo.

O corpo rolou pelos degraus frios. Os ossos pareciam se partir um a um. A dor tomou tudo.

No instante final antes da consciência se apagar, ela ouviu vagamente a voz impaciente de um deles ao telefone:

— Sr. Heitor, já fizemos tudo como pediu. A pessoa já foi resolvida… sim. Pode ficar tranquilo. Vai servir de lição. E a Srta. Bárbara pode ficar satisfeita.
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